quinta-feira, 29 de março de 2012
177 - Editorial
Laços que nos unem
Partiram há anos, alguns já há várias décadas. Na maioria dos casos, à procura de oportunidades que não encontravam por cá, ou então para fugir de alguma situação menos cómoda, como a fome, o desemprego, a perseguição política ou até a integração num qualquer contingente de soldados. Com a célebre "mala de cartão", ou até com menos do que isso, tinham no horizonte uma terra onde a sua força de trabalho pudesse ser aproveitada e onde um salário mais avantajado pudesse ajudar a alimentar a família.Alguns tinham consciência das dificuldades que iriam encontrar, a começar pela viagem "clandestina" e a prolongar-se com o lugar onde morar, com a língua desconhecida, com uma sociedade diferente.
Outros limitaram-se a ignorar o desconhecido e fixaram-se apenas na promessa de que este iria ser o "salto" para uma vida melhor, para o emprego que aqui não tinham, para a comida garantida em cima da mesa que aqui por vezes escasseava, para a liberdade que aqui nem lhes permitia dizerem o que lhes ia na alma.
Todos levavam na bagagem uma enorme esperança num futuro melhor, mas também uma grande dose da portuguesíssima "saudade", um laço impossível de desatar com a família, os amigos e a terra. Só que, num qualquer dia das suas vidas, a necessidade de partir foi maior do que a vontade de ficar e esse laço foi esticado além fronteiras, por vezes, além-mar, para os mais variados destinos do mundo.
Alguns encontraram o que procuravam, sobretudo o trabalho, normalmente no "duro", mas que lhes permitia uma rápida forma de subsistência, e a casa, por exemplo no bidonville de Champigny-sur-Marne ou de outra qualquer periferia citadina, mas que lhes dava um abrigo minimamente seguro e habitável. Mas houve também os não chegaram a cruzar a fronteira, ou os que não resistiram às agruras do "estrangeiro" ou da saudade de casa.
Quase todos os que ficaram acabaram por construir o seu sonho, conquistando a pulso em lugar próprio nestas novas sociedades. Compraram ou edificaram as suas casas, subiram de categoria nos seus empregos, estabeleceram as suas empresas e negócios, "mandaram vir" as famílias para junto de si ou constituíram família nessas pátrias de acolhimento. Aos poucos, foram-se tornando cidadãos de pleno direito.
Foi o caso de José Pragosa, natural da Golpilheira, um dos "nossos". Partiu daqui muito novo ao encontro de um tio que estava em Paris, com pouco mais do que as ilusões próprias dos seus 15 anos, não levando, sequer, a necessária autorização dos pais. "Uma aventura", como ele próprio classifica, sem medir riscos ou consequências, apenas em resposta a uma vontade de ser mais do que um serviçal ajudante de pedreiro na sua terra natal. Um conjunto de acasos permitiu que chegasse ao seu destino e a sorte que o acompanhou ditou que não fosse de imediato "repatriado" pelo tio. Arranjou trabalho e por lá ficou até hoje com a família, sendo um exemplo dos que foram bem sucedidos.
Mas o certo é que a grande maioria nunca deixaram de se sentir portugueses, nunca perderam essa ligação quase umbilical à sua terra de origem e foram sempre aproveitando todas as oportunidades, normalmente nas férias, para vir "matar saudades". E, nos locais onde se encontram, afirmam orgulhosamente a sua pertença a essa comunidade emigrante com que continuam a identificar-se.
Enquanto os da "primeira vaga" estão a caminho da reforma ou já no gozo de um merecido descanso, os filhos já beneficiaram do "caminho desbravado". Nasceram ou cresceram "franceses", estudaram e formaram-se nos mais variados domínios, arranjaram empregos em todos os ramos de actividade, estão plenamente integrados no tecido social e mesmo em relevantes cargos políticos. A ligação à terra dos pais já não é tão forte, embora continuem a frequentar espaços onde a presença portuguesa é evidente, seja na gastronomia, seja nos canais disponíveis nas televisões, seja nas conversas que se cruzam com uma imperial na mão, de ambos os lados do balcão. E, quando se fala da "sua" terra… lá se ouve o nome de uma qualquer aldeia "à beira mar plantada".
Vem isto a propósito do encontro de emigrantes em que participámos e das conversas que de lá trouxemos.
Continue a ler, no post seguinte…
Encontro de Emigrantes Batalhenses em Paris
Raízes que nunca se arrancam
Textos e fotosLuís Miguel Ferraz
A descrição que apresentamos no editorial faz parte do senso-comum, mas é confirmada na primeira pessoa pelos vários emigrantes com quem conversámos, no passado dia 24 de Março, em mais uma edição do convívio que a comunidade batalhense em França, mais concretamente nos arredores de Paris, faz questão de organizar anualmente. E a cujo convite o Município da Batalha faz questão de responder positivamente, enviando uma pequena representação. Este ano, marcaram presença António Lucas, presidente da autarquia, Tiago Duarte, vereador do executivo, Germano Pragosa, presidente da Junta da Batalha, e o autor deste texto, em representação da Assembleia Municipal.
O encontro juntou cerca de 120 pessoas, a maioria da referida "primeira vaga". A tal que não conseguiu nunca libertar-se dessas "raízes que nunca se arrancam", como gosta de frisar José Baptista de Matos, membro do grupo organizador desta festa, um dos emigrantes mais mediáticos e agora comendador, recentemente agraciado pela Presidência da República Portuguesa com a medalha da Ordem Nacional de Mérito. "Somos e sempre seremos portugueses, batalhenses, e temos muito orgulho nisso", repete à exaustão este homem das Alcanadas que chegou a encarregado-geral do Metro de Paris, recusando sempre aceitar a dupla nacionalidade francesa, apesar de se afirmar "cidadão do mundo".
Para além de ser uma ocasião de festa para quem partilha um mesmo destino na diáspora, o objectivo deste jantar é também esse, de celebrarem juntos o orgulho numa raiz comum que os une e identifica.
Presença do cônsul-geral
Na palavra de abertura, Batista de Matos dirigiu uma saudação especial ao cônsul-geral em Paris, Luís de Almeida Ferraz, que fez questão de marcar presença neste "encontro de amigos", estando já em "hora de despedida" desta comunidade, rumo a uma nova missão diplomática em Bucareste. "Um homem de enorme valor e grande simplicidade, acolhedor e amigo dos emigrantes, que em dois anos mudou completamente a presença do consulado, fazendo dele uma verdadeira casa dos portugueses, sobretudo no campo da cultura", sintetizou. "É apenas o cumprimento do nosso dever, servirmos e respondermos às necessidades daqueles que se encontram em dificuldade, longe de Portugal", respondeu o visado, salientando a sua "honra em ter prestado este serviço a cada um dos emigrantes portugueses, que é um verdadeiro caso de sucesso, capaz de prosperar em condições tão difíceis". "Este é um exemplo que deve ser seguido por todos neste momento de especial dificuldade, como forma de ultrapassar a crise que se vive em Portugal e na Europa", sublinhou Luís Ferraz.Na troca de lembranças que se seguiu, também António Lucas fez questão de agradecer o apoio que, segundo testemunhos recebidos, o cônsul-geral prestou à comunidade emigrante, nomeadamente a da Batalha. "Nunca é demais destacar publicamente aqueles que se dedicam verdadeiramente à causa pública, não em proveito próprio, mas ao serviço dos outros", afirmou o autarca.
Festa à portuguesa
O ambiente era praticamente familiar, dada a frequência regular com que a maioria se encontra, não só nesta ocasião anual, mas também no dia-a-dia profissional e social. Muitos chegaram a Paris na mesma época e lutaram lado a lado na vida. Grande parte já se conhecia por cá, dadas as origens vizinhas do mesmo concelho. Mas a boa comida e bebida – ou não fossem portugueses – é sempre motivo de festa e ocasião para pôr a conversa em dia. E não faltou sequer – ou não fosse uma festa portuguesa – o Fado cantado por uma natural do Reguengo do Fetal e as cantigas populares para um bailarico a prolongar-se até final da noite.Faltaram, isso sim, muitos dos mais novos das famílias, a quem este ritual já não é tão convidativo e cujos interesses estão mais direccionados para outras actividades nocturnas. Lá, como cá. Embora haja uma outra ocasião em que é frequente vê-los, o encontro que o próprio Município organiza na vila, por ocasião das Festas de Agosto.
O presidente da autarquia fez questão, numa palavra final, de lembrar esse convite a todos. Aproveitou também para deixar algumas informações sobre a situação actual, em especial no concelho da Batalha, de alguma incerteza quanto ao futuro a que a crise nos irá conduzir e da necessidade de mantermos a confiança na solução dos problemas. "Para tal contamos também com a ajuda dos emigrantes, no contributo que podem dar na promoção das exportações e do crescimento económico", sublinhou António Lucas.
Uma das questões práticas que mencionou foi o processo em curso de reavaliação de imóveis ao abrigo do IMI, "que poderá fazer disparar o valor do imposto que pagam actualmente", mas que poderá "trazer maior equidade fiscal, ao permitir que se minimize a sobrecarga que é agora suportada pelos casais mais novos, cujos imóveis são posteriores a 2004".
Por fim, António Lucas entregou a Batista de Matos o voto de louvor aprovado pela Câmara e pela Assembleia Municipal, por ocasião da comenda recebida no mês anterior das mãos do embaixador. E referiu que, sem desprestígio dos méritos do homenageado, esta poderia ser o "símbolo de uma expressão de gratidão e carinho de todos nós pelos nossos emigrantes".
Recebidos pelo embaixador
À chegada, no dia 23, a comitiva que se deslocou do Município da Batalha juntou-se ao grupo organizador do convívio dos batalhenses para uma recepção na embaixada portuguesa em Paris, um imponente edifício no centro da cidade.Num ambiente acolhedor e informal, o embaixador Francisco Seixas da Costa deu conta do trabalho que ali se desenvolve, de relação diplomática, política, cultural e económica, esta com mais intensidade no momento actual, "mas que sempre esteve presente no caso concreto das relações com o Governo e outras entidades francesas". Um dos motivos é, precisamente, "o contributo que a grande comunidade portuguesa oferece neste país, também em termos económicos; basta verificar que é dos poucos, senão o único, em que a balança comercial pendeu este ano positivamente para o nosso lado". A este propósito, o embaixador revelou que ouve frequentemente falar da comunidade emigrante batalhense, reconhecida como "um dos exemplos de sucesso, boa integração local e com dinamismo colectivo assinalável".
A conversa abarcou os temas mais prementes da actualidade nacional e internacional, mas acabou por se centrar no concreto do concelho da Batalha, sobre o qual o presidente da autarquia foi revelando algumas das principais características, dificuldades e potencialidades, como o reconhecido dinamismo económico e social e a gestão equilibrada dos recursos em prol das populações. Foi sublinhando, neste campo, o investimento feito no turismo cultural e de natureza, dando o exemplo dos recentes centros de interpretação da Batalha de Aljubarrota e do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, bem como do Centro de BTT a inaugurar na Pia do Urso nesse fim-de-semana.
Entre estes e outros motivos, ficou o convite ao embaixador para uma visita ao nosso concelho, que obteve como resposta um "está prometido!".
Portugueses em França
Texto retirado do sítio www.embaixada-portugal-fr.orgA comunidade portuguesa em França é a mais numerosa das comunidades portuguesas na Europa e uma das principais comunidades estrangeiras estabelecidas nesse país, rondando um milhão de pessoas. A presença duradoura de uma tão importante comunidade faz dela um factor importante de união entre os dois povos e um parceiro privilegiado no quadro das relações bilaterais.
A chegada da primeira grande vaga de imigrantes portugueses a França teve lugar durante a década de 60. Radicada há longa data em França, a população portuguesa sofreu transformações estruturais e os trabalhadores no início não qualificados foram sendo gradualmente substituídos por activos com melhor formação: contam-se actualmente dezenas de milhares de nacionais ou franceses de origem portuguesa com formação universitária que vivem neste país.
O contributo dos portugueses para a França foi e continua a ser de relevo, não só pelo seu papel na construção das auto-estradas, aeroportos, bairros e mesmo cidades, como também pelos milhares de empregos que criaram em França.
As eleições municipais de Março de 2008 registaram a eleição de vários autarcas portugueses e luso-descendentes: foram localizados cerca de 3500 autarcas com apelidos de consonância portuguesa no conjunto do território francês, dos quais 1500 inscreveram-se no banco de dados do Observatório Permanente da Comunidade Portuguesa da Embaixada.
Estima-se em cerca de 50.000 o número de empresas ligadas a portugueses e luso-descendentes.
Mais um campeonato conquistado: Futsal Feminino do CRG na Taça Nacional
A equipa sénior de futsal feminino do CR Golpilheira sagrou-se campeã distrital, na penúltima jornada, frente à equipa da Associação Recreativa Amarense, com uma vitória concludente por 9-1. Com esta conquista, vamos representar a Associação de Futebol de Leiria na Taça Nacional. Foi um campeonato pautado pela regularidade, cuja conquista nunca esteve em causa. Esperamos que a nossa equipa tenha uma boa prestação nesta Taça Nacional, na qual já conseguimos atingir por uma vez a final. Neste momento ainda não sabemos a série a que vamos pertencer e as equipas que a compõem.
No próximo sábado, dia 31 de Março vamos disputar a Taça Distrital, tendo como adversário a equipa da Academia da Caranguejeira. Esta final será disputada no pavilhão da Martingança, às 18H00.
Quanto à equipa júnior, está numa fase de reestruturação, a preparar-se para épocas futuras. Constituída por atletas muito jovens, estão numa fase de progressão, que em breve dará os seus frutos.
Com a construção do Pavilhão Gimnodesportivo da Golpilheira, que se encontra em bom ritmo, esperamos ter melhores condições de trabalhos, para os sucessos serem ainda maiores.
Manuel Carreira Rito
No próximo sábado, dia 31 de Março vamos disputar a Taça Distrital, tendo como adversário a equipa da Academia da Caranguejeira. Esta final será disputada no pavilhão da Martingança, às 18H00.
Quanto à equipa júnior, está numa fase de reestruturação, a preparar-se para épocas futuras. Constituída por atletas muito jovens, estão numa fase de progressão, que em breve dará os seus frutos.
Com a construção do Pavilhão Gimnodesportivo da Golpilheira, que se encontra em bom ritmo, esperamos ter melhores condições de trabalhos, para os sucessos serem ainda maiores.
Manuel Carreira Rito
Nascidos em 1977 em acção
Comissão de Festas de S. Bento
No passado dia 25 de Fevereiro, os nascidos em 1977 reuniram-se num jantar de convívio, no Restaurante Etnográfico da Golpilheira, um encontro recheado de muitas memórias, alegria e boa disposição.Aproveitámos para marcar mais datas para reunirmos e trabalharmos na organização dos preparativos para a realização da festa de S. Bento, que se realizará nos dias 18, 19 e 20 de Agosto.
Desde já fica o concite a todos os nascidos em 1977, naturais ou residentes na Golpilheira, que por algum motivo não tenham sido contactados, a aparecerem no dia 31 de Março no salão da capela de S. Bento para mais uma reunião. Para mais informações podem contactar algum dos nascidos em 1977 ou o nosso facebook – Capela de S. Bento.
Os nascidos em 1977
Resistência em Motorizadas
Esta comissão de festas vai organizar, no dia 22 de Abril, mais uma prova de "Resistência 2 Horas em Motas 50cc". A inscrição, no valor de 15 "motinhas" dá direito a almoço e muito, muito divertimento em duas rodas!Concentração de Motorizadas na Vila da Batalha
Domingo 20 de Maio de 2012
Sachs, Jundap, Famel, Vespa, Casal, Floret… e todas as outras motorizadas são as convidadas especiais para o I Encontro de Motorizadas na Vila da Batalha, a realizar no domingo, dia 20 de Maio de 2012.A organização é da empresa Victor Limousines e o local da concentração será o parque de estacionamento da Danceteria Luna, em Santo Antão, a partir das 09h00. Pela 11h00 iniciará um passeio pela região, a culminar no mesmo parque, onde será servido um porco assado no espeto. Depois… a entrada é livre na danceteria, pelo que a animação estará garantido pela tarde e noite dentro. Tudo isto pelo preço de 5 euros, para inscrições até 15 de Maio, ou 8 euros no próprio dia.
Contacto: geral@victorlimousines.net ou 934 090 386
FIABA já tem cartaz
De 24 a 27 de Maio
"Dazkarieh", "Xarnege" e "Téada" são os principais destaques do programa de animação de mais uma edição da FIABA – Feira de Artesanato e Gastronomia da Batalha, que se realiza nos próximos dias 24 a 27 de Maio, no largo Cónego Simões Inácio, na vila da Batalha.Na sua XXII edição, o certame apresenta o trabalho ao vivo de cerca de 60 artesãos representativos de todo o país e promove alguns dos pratos regionais que marcam a gastronomia local da Estremadura.
Toda a informação estará disponível em www.cm-batalha.pt
Percursos pedestres
“Caminho de Ferro - Mineiro do Lena”
O Centro Recreativo da Rebolaria (CRR), organiza a 15 de Abril, domingo, um percurso pedestre pelo “Caminho de Ferro-Mineiro do Lena”. Ao longo de 6 km. A concentração tem lugar naquela colectividade, às 09h30, e às 13h00 decorre o almoço partilhado junto à Boca da Mina, em Alcanadas. Inscrições no CRR.“Buraco Roto”
No domingo 22 de Abril, a Casa do Povo de Reguengo do Fetal,
com o apoio do Município da Batalha e da Junta de Freguesia local, organiza o
percurso pedestre “Buraco Roto”, no Reguengo do Fetal, trilho com 7 Km que
passa por locais como o Vale dos Ventos ou a formação geológica da Pia da
Ovelha e do Buraco Roto. Concentração no largo da Praça da Fonte às 09h30.
Inscrições até 20 de Abril, na Câmara ou naquela Junta. Para quem pedir, poderá
almoçar por 10 euros/pessoa.
“Rota de Santo António”
O grupo de jovens nascidos em 1982 da freguesia de São Mamede organiza o percurso pedestre “Rota de Santo António” a ter lugar também no dia 22 de Abril, durante a manhã. O percurso de 10 km e dificuldade média, tem início pelas 08h30m, no largo da Junta de Freguesia de São Mamede. O custo das inscrições inclui reforço alimentar e almoço e devem ser efectuadas para o e-mail festastoantonio82@gmail.com.Fórum na Câmara da Batalha: "Envelhecimento activo: olhares e desafios"
A sala de sessões do Município da Batalha vai acolher o fórum "Envelhecimento activo: olhares e desafios", no dia 13 de Abril, das 10h00 às 17h00. Trata-se de uma iniciativa no âmbito do Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade entre Gerações – 2012, organizada pela Câmara Municipal e o Núcleo Distrital de Leiria da EAPN Portugal/Rede Europeia-Anti-Pobreza, em parceria com a Escola Superior de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria e o Programa IPL 60+.
Este encontro tem como objectivo a reflexão e partilha de conhecimentos e experiências acerca da promoção do envelhecimento activo na sociedade, nas instituições e nos cidadãos, sobretudo entre profissionais que trabalham directamente com a população idosa. Para tal, serão abordados temas como a saúde, o emprego, o voluntariado, a solidariedade inter-geracional, etc.
A sessão de abertura será pelas 10h00, seguindo-se a apresentação de 8 mini-conferências, com um olhar multi-sectorial sobre a temática. No período da tarde, será a vez de "conversar" em pequenos grupos sobre as partilhas escutadas, em ordem ao aprofundamento dos temas e à tomada de conclusões a apresentar em plenário no final.
Este encontro tem como objectivo a reflexão e partilha de conhecimentos e experiências acerca da promoção do envelhecimento activo na sociedade, nas instituições e nos cidadãos, sobretudo entre profissionais que trabalham directamente com a população idosa. Para tal, serão abordados temas como a saúde, o emprego, o voluntariado, a solidariedade inter-geracional, etc.
A sessão de abertura será pelas 10h00, seguindo-se a apresentação de 8 mini-conferências, com um olhar multi-sectorial sobre a temática. No período da tarde, será a vez de "conversar" em pequenos grupos sobre as partilhas escutadas, em ordem ao aprofundamento dos temas e à tomada de conclusões a apresentar em plenário no final.
Novos dados deixam concelho da Batalha com as 4 freguesias
Na última edição, falámos do processo de reorganização administrativa em curso, que inclui a polémica proposta de extinção ou fusão de cerca de 1500 freguesias pelo País.
Demos conta da possibilidade em aberto de, segundo as regras da Proposta de Lei n.º 44/XII, o concelho da Batalha vir a perder uma das freguesias, isto é, duas delas terem de se agregar. Isto porque um dos parâmetros indica a redução, no mínimo, de 25% do número de freguesias fora de "lugar urbano" (com mais de 2000 habitantes), que neste município são todas. Embora a gestão desse processo seja competência posterior da Assembleia Municipal, é óbvio que o cenário mais provável seria a fusão da freguesia da Batalha com a da Golpilheira.
No entanto, tal como afirmámos também, está tudo ainda em aberto, já que a lei continua em "construção" e não foi ainda votada no Parlamento. Muita tem sido a contestação, sobretudo por parte da ANAFRE – Associação Nacional de Freguesias e da grande maioria dos presidentes de Junta do País.
Mas há também quem considere que é necessário fazer esta "limpeza" autárquica, sendo consensual que há algumas freguesias que não se justificam, sobretudo em meios urbanos, às vezes partilhando o mesmo espaço geográfico e até a mesma sede.
No meio de toda a controvérsia, imagina-se que o assunto ainda fará "correr muita tinta", com propostas para todos os gostos. Não deixou de surpreender, por exemplo, a opinião do presidente da Câmara da Batalha, António Lucas, num recente debate entre autarcas, de ponderar a descentralização para a Golpilheira da sede de uma hipotética união desta freguesia com a Batalha.
Demos conta da possibilidade em aberto de, segundo as regras da Proposta de Lei n.º 44/XII, o concelho da Batalha vir a perder uma das freguesias, isto é, duas delas terem de se agregar. Isto porque um dos parâmetros indica a redução, no mínimo, de 25% do número de freguesias fora de "lugar urbano" (com mais de 2000 habitantes), que neste município são todas. Embora a gestão desse processo seja competência posterior da Assembleia Municipal, é óbvio que o cenário mais provável seria a fusão da freguesia da Batalha com a da Golpilheira.
No entanto, tal como afirmámos também, está tudo ainda em aberto, já que a lei continua em "construção" e não foi ainda votada no Parlamento. Muita tem sido a contestação, sobretudo por parte da ANAFRE – Associação Nacional de Freguesias e da grande maioria dos presidentes de Junta do País.
Mas há também quem considere que é necessário fazer esta "limpeza" autárquica, sendo consensual que há algumas freguesias que não se justificam, sobretudo em meios urbanos, às vezes partilhando o mesmo espaço geográfico e até a mesma sede.
No meio de toda a controvérsia, imagina-se que o assunto ainda fará "correr muita tinta", com propostas para todos os gostos. Não deixou de surpreender, por exemplo, a opinião do presidente da Câmara da Batalha, António Lucas, num recente debate entre autarcas, de ponderar a descentralização para a Golpilheira da sede de uma hipotética união desta freguesia com a Batalha.
Alterações… na calha
Felizmente, tudo indica que tal não venha a ser necessário. De entre as sugestões de alteração ao diploma entregues à direcção do grupo parlamentar do PSD, está a do grupo de deputados eleitos por Leiria deste partido, que, entre outros itens, propõe a redução das percentagens mínimas para agregação de freguesias "rurais" e que esta deixe de ser obrigatória "nos municípios em cujo território se situem quatro ou menos freguesias", desde que tenham mais de 150 habitantes. Com esta última regra, cerca de duas dezenas de municípios, entre os quais a Batalha, ficam livres de alterações.
Segundo o deputado batalhense Paulo Batista, membro deste grupo, estas sugestões visam a "discriminação positiva das designadas freguesias em espaço rural, procurando assegurar a presença e actividade de proximidade da Administração Local junto das populações que mais precisam e, invariavelmente, são afectadas negativamente pelos processos de reorganização dos diferentes serviços públicos".
Paulo Batista confirmou ao Jornal da Golpilheira que "esta sugestão já foi aceite pelo grupo parlamentar do PSD", pelo que fará parte do texto final da Proposta de Lei n.º 44/XII, a levar ao plenário da Assembleia da República. Na base desta alteração está o facto de "não colocar em causa o objectivo inscrito no Memorando de Entendimento que compromete o Estado Português nesta matéria", ao mesmo tempo que ajudará a "minimizar impactos em municípios de menor densidade populacional, cuja actual divisão territorial se considera globalmente coerente e compatível com os objectivos da reforma administrativa".
Ainda em relação a este assunto, o parlamentar batalhense adianta, no entanto, que "esta ocasião deverá ser aproveitada para uma análise e revisão da divisão territorial entre as freguesias", referindo, por exemplo, a incongruência de existirem lugares divididos entre duas freguesias, como é caso das Alcanadas, ou mesmo entre dois concelhos, como acontece em Casal de Mil Homens.
Para já, embora o processo esteja ainda a decorrer, tudo indica que a principal preocupação das populações esteja resolvida, com o concelho da Batalha a manter as suas quatro freguesias.
Luís Miguel Ferraz
Segundo o deputado batalhense Paulo Batista, membro deste grupo, estas sugestões visam a "discriminação positiva das designadas freguesias em espaço rural, procurando assegurar a presença e actividade de proximidade da Administração Local junto das populações que mais precisam e, invariavelmente, são afectadas negativamente pelos processos de reorganização dos diferentes serviços públicos".
Paulo Batista confirmou ao Jornal da Golpilheira que "esta sugestão já foi aceite pelo grupo parlamentar do PSD", pelo que fará parte do texto final da Proposta de Lei n.º 44/XII, a levar ao plenário da Assembleia da República. Na base desta alteração está o facto de "não colocar em causa o objectivo inscrito no Memorando de Entendimento que compromete o Estado Português nesta matéria", ao mesmo tempo que ajudará a "minimizar impactos em municípios de menor densidade populacional, cuja actual divisão territorial se considera globalmente coerente e compatível com os objectivos da reforma administrativa".
Ainda em relação a este assunto, o parlamentar batalhense adianta, no entanto, que "esta ocasião deverá ser aproveitada para uma análise e revisão da divisão territorial entre as freguesias", referindo, por exemplo, a incongruência de existirem lugares divididos entre duas freguesias, como é caso das Alcanadas, ou mesmo entre dois concelhos, como acontece em Casal de Mil Homens.
Para já, embora o processo esteja ainda a decorrer, tudo indica que a principal preocupação das populações esteja resolvida, com o concelho da Batalha a manter as suas quatro freguesias.
Luís Miguel Ferraz
Mosteiro e Museu comemoram Dia Internacional dos Monumentos e Sítios
O Mosteiro da Batalha e o Museu da Comunidade Concelhia vão associar-se à comemoração do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, de 17 a 19 de Abril.
Tal como divulgámos na passada edição, "Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança" é o tema proposto pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios para a comemoração desta efeméride.
Respondendo ao desafio lançado pelo IGESPAR, estas duas instituições batalhenses organizaram uma programação especial para estes dias, tanto para o público em geral como para o escolar, visando "apresentar o património local numa perspectiva pedagógica e lúdica".
As actividades terão lugar na vila da Batalha, incluindo visitas temáticas ao Mosteiro e ao Museu, e podem ser consultadas em pormenor nos sítios www.mosteirobatalha.pt e www.museubatalha.com
Tal como divulgámos na passada edição, "Do Património Mundial ao Património Local: proteger e gerir a mudança" é o tema proposto pelo Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios para a comemoração desta efeméride.
Respondendo ao desafio lançado pelo IGESPAR, estas duas instituições batalhenses organizaram uma programação especial para estes dias, tanto para o público em geral como para o escolar, visando "apresentar o património local numa perspectiva pedagógica e lúdica".
As actividades terão lugar na vila da Batalha, incluindo visitas temáticas ao Mosteiro e ao Museu, e podem ser consultadas em pormenor nos sítios www.mosteirobatalha.pt e www.museubatalha.com
Museu da Batalha celebra 1.º ano
Entradas gratuitas, visitas guiadas e animação
O Museu da Comunidade Concelhia da Batalha (MCCB) comemora no domingo 1 de Abril o primeiro aniversário da sua inauguração. O programa contemplará diversas actividades destinadas a todos os que se queiram associar às comemorações do aniversário deste novo equipamento cultural instalado no centro da vila.Com entradas gratuitas durante todo o dia, os visitantes que queiram aprofundar os conhecimentos sobre a exposição do Museu são convidados a participar em visitas guiadas, decorrendo a primeira às 11h30 e a segunda às 14h30. Pelas 19h00, segue-se um momento de confraternização, no qual a equipa do MCCB convida para a "Hora do Chá".
As comemorações terminam com uma visita acompanhada pela histórica da vila da Batalha. O ponto de encontro é às 21h00 no MCCB. O percurso prossegue com a contemplação nocturna pelos principais monumentos religiosos e civis de uma vila com muitas histórias e segredos para partilhar.
Férias da Páscoa no MCCB
Nos dias que antecedem o aniversário, entre 27 e 30 de Março, o Serviço Educativo do MCCB preparou para as crianças entre os 6 e os 12 anos diversas iniciativas que visam estimular a criatividade, a solidariedade, numa perspectiva lúdica e pedagógica. Assim, as crianças poderão aproveitar este período de férias escolares para realizar divertidas visitas temáticas e didácticas conduzidas por personagens mistério. Vão receber ainda a especial presença de um arqueólogo e de um paleontólogo, cientistas que vêm transmitir algumas noções sobre escavações e orientar oficinas alusivas ao desenho científico e à construção de fósseis e artefactos arqueológicos. Haverá ainda oficinas de expressão plástica inspiradas nos motivos da Páscoa, onde as crianças porão em prática a sua criatividade.As iniciativas envolvem também uma visita ao novo Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha, numa actividade que termina com uma oficina prática alusivo ao vitral.
Para evocar o espírito de solidariedade desta época festiva, as crianças entregarão lembranças, previamente preparadas, à Loja Social da Batalha. Neste local, os mais novos poderão ter acesso à realidade do voluntariado, conhecendo as actividades desenvolvidas nesta instituição.
Visitas guiadas
Recordamos que o Museu está a organizar aos primeiros domingos de cada mês um programa de visitas guiadas, que decorrem entre as 11h30 e as 12h30, sendo dirigidas a todo o público. Pretende-se dar a conhecer e aprofundar os conhecimentos sobre o Museu, com acompanhamento personalizado.LMF
Centro de Interpretação conta história do Mosteiro e seu contexto
Secretário de Estado presidiu à inauguração na Batalha
O secretário de Estado da Cultura, Francisco José Viegas, presidiu, no passado dia 22 de Março, à inauguração do Centro de Interpretação do Mosteiro da Batalha. "Este é um exemplo de captação e utilização eficazes dos apoios comunitários disponíveis para o património", afirmou o governante, considerando que se trata de um "investimento enriquecedor" não só para a compreensão do Mosteiro, mas também para a "relação entre o património, a paisagem, o ambiente e o turismo", uma rede que "potencia o crescimento económico". Essa é aposta de futuro para a Secretaria de Estado da Cultura, nas redes de património cultural que "funcionem de forma integrada, criando sinergias e aproveitando de forma eficaz os recursos existentes", revelou Francisco José Viegas na ocasião.
A nova infra-estrutura não vai passar despercebida aos visitantes. Trata-se de um longo corredor "negro" que ocupa todo o espaço da antiga Adega dos Frades, em cujo interior se podem observar vários nichos expositivos com peças originais do Mosteiro e, em grande destaque, diversas projecções audiovisuais com imagens e textos explicativos, algumas com tecnologia tridimensional. Tudo isto, dividido em cinco grandes conjuntos temáticos: o território e a paisagem envolvente; a Batalha de Aljubarrota e a doação do Mosteiro aos frades dominicanos; a construção do Mosteiro; a vida em convento; e o restauro a partir de 1840.
A estrutura expositiva foi desenhada pelos arquitectos Francisco Vieira de Campos e Cristina Guedes, o projecto museológico tem a assinatura de Gabriella Casella, Catarina e Francisco Providência, e o comissariado científico é da responsabilidade de Saul António Gomes, historiador da Universidade de Coimbra, e de Pedro Redol, actual director do Mosteiro da Batalha, que foram também os autores dos conteúdos expositivos e de algumas investigações inéditas, em particular sobre a história do território e da paisagem associada ao monumento.
Segundo nota do IGESPAR, "este novo Centro de Interpretação irá proporcionar uma visita diferente e mais completa ao Mosteiro da Batalha, classificado Património Mundial desde 1983, possibilitando aos visitantes uma melhor compreensão dos seus espaços, da sua evolução construtiva e da sua contextualização histórica e simbólica". Isto "numa atmosfera que convida a embarcar em numerosas viagens pela memória do lugar e pela simbólica do monumento". Ao mesmo tempo, este "enriquecimento da visita" reforça a atractividade deste destino turístico e, por arrasto, do "triângulo monumental complementado pelo Mosteiro de Alcobaça e pelo Convento de Cristo, em Tomar, e do eixo turístico-cultural que beneficia da proximidade de Fátima, um dos principais destinos de turismo religioso de todo o mundo".
Presidente da Câmara envia recado ao Governo
Portagens na A19 devem acabar
Na presença do secretário de Estado, o presidente da Câmara da Batalha, António Lucas, não desperdiçou a oportunidade para enviar um recado ao Governo a propósito da A19, a recentemente inaugurada variante da Batalha. Segundo o autarca, "a via foi construída para desviar o trânsito da frente do Mosteiro da Batalha, mas não está a cumprir esse objectivo", uma vez que o facto de ter portagens afasta os automobilistas da sua utilização. "Está ali uma auto-estrada sem automóveis", enquanto continuam a circular pelo IC2 "cerca de 40 mil viaturas por dia", afirmou.A única solução será acabar com as portagens, até porque "o Estado tem de suportar aquele investimento, por ser uma parceria público-privada, e não é por mais uns cêntimos, que no fundo é a receita das portagens, que devemos continuar a penalizar o Património da Humanidade que aqui temos", defendeu António Lucas.
Luís Miguel Ferraz
"O Mundo dos Dinossauros" na Exposalão até Junho
Vem aí a invasão!
A 31 de Março, chega à Batalha "O Mundo dos Dinossauros", a maior exposição da Europa dedicada a este tema, organizada pela empresa Between Planets, que tem somado êxitos de visitantes nos locais por onde tem passado. O espaço escolhido para acampamento destes enormes ex-habitantes do nosso planeta foi a Exposalão, onde se manterá até ao dia 3 de Junho.Portugal é um país com grandes tradições na descoberta e preservação de fósseis de dinossauro e conta-se entre os sete países do mundo que apresentam o maior género de dinossauros, num total de vinte e cinco. Aliás, esta é uma das zonas mais ricas do País na ligação à existência dos dinossauros, com diversos vestígios já encontrados na nossa região, em especial na zona de Fátima.
Extintos há milhões de anos, os dinossauros dominaram o planeta como criaturas imponentes e demolidoras. Os primeiros fósseis descobertos no século XIX pelos paleontólogos permitiam reunir esqueletos completos que hoje integram as mais ricas colecções de muitos museus de todo o mundo. Figuras incríveis, os dinossauros continuam a ser as maiores atracções não só nos museus mas, também, em exposições como esta.
A exposição estará aberta todos os dias (de semana, das 10h00 às 18h00, e aos fins-de-semana, das 10h00 às 20h00) e funciona em condições especiais para escolas e famílias.
Info: www.omundodosdinossauros.com
Cinco áreas temáticas
• Estúdio de Cinema – Aqui inicia a visita, com a projecção de um pequeno documentário sobre a vida e extinção dos dinossauros, como ponto de partida para "o regresso ao passado".• Galeria de Fósseis – Depois de passar por um cenário de escavação paleontológica e por um laboratório, neste espaço o visitante vai poder ver centenas de peças representativas de ossadas, dentes, garras e muito outro elementos, como três esqueletos completos de dinossauros, incluindo um esqueleto de 10 metros de um Yangchuanossauro.
• Exposição de Dinossauros – Com cenários que recriam florestas, desertos, bordas de rio, cascatas e zonas de vegetação densa, numa conjugação de elementos e despertar de sentidos, as figuras reagirão com movimento e som à presença dos visitantes o que tornará a visita mais dinâmica.
• Atelier de Paleontologia / Espaço Criança – Já perto do fim e depois de verem os dinossauros em acção, os visitantes são convidados a agirem como paleontólogos e a descobrirem as ossadas de alguns exemplares; os mais novos são convidados a darem largas à sua grande imaginação.
• Loja – O espaço final da exposição é a oportunidade de levar para casa uma recordação desta visita fantástica, continuando em casa e na escola a brincar e a aprender a história do planeta com os dinossauros.
Os moradores da vila da Batalha e as madeiras do Pinhal de Leiria em 1631
Por: Saul
António Gomes
Os terrenos litorais atlânticos de Leiria, predominantemente arneiros, revelavam-se férteis para a produção de pinheiro bravo e manso. A importância desse sector florestal, no Século XVI, levou a Coroa a reformular toda uma estrutura administrativa, chefiada por um guarda-mor, que tinha por missão zelar pelos extensos pinhais régios aqui implantados. O rei era o maior produtor de pinho, na região, mas não o único porque se contavam numerosos outros proprietários que com ele concorriam. Concelhos, institutos religiosos, fidalgos e gente comum contavam-se entre os donos de pinhais aqui existentes.
Mas os maiores consumidores dessa riqueza silvícola eram os estaleiros navais do reino em especial os de Lisboa. Por 1550, cerca de 30% da madeira usada nas taracenas de Lisboa era oriunda do Pinhal de Leiria. Em 1641-1642, os procuradores do Concelho de Leiria presentes nas Cortes de Lisboa, que aclamaram D. João IV como rei de Portugal, mostravam-se preocupados com a salvaguarda do Pinhal Real, que poderia ser alvo de destruição por parte do inimigo.
Temia-se tanto o desembarque, nas suas praias, de tropas espanholas, como o deflagrar de incêndios que destruíssem a frondosa mata nacional. E, na verdade, os procuradores leirienses presentes nas Cortes teriam boa memória dos vários incêndios, alguns deles devastadores, que em anos anteriores haviam consumido extensas áreas de pinhal. Incêndios, como o de 1613, dizem as fontes que a eles se referem, como o documento que aqui se publica, de 1631, em parte provocados pelos donos de pinhais, descontentes com o pouco “acrescentamento” ou renda que podiam tirar dessas explorações. De facto, os preços tabelados ou impostos pela Coroa, com prejuízo para os produtores, levavam a que, no primeiro terço de Seiscentos, muitos deles procurassem abater pinhal para se regressar a outro tipo de cultura que se mostrasse mais rentável.
Foi na consideração deste estado problemático de baixa de preços no mercado regional das madeiras, que os moradores do Concelho da Batalha, apresentaram, por 1630, uma petição ao rei, solicitando-lhe remédio para a crise que o sector atravessa na época e medidas que incentivassem os silvicultores a manterem e até expandirem as respectivas produções.
O documento que se publica, de seguida, constitui uma peça valiosa para o conhecimento da vida económica dos moradores da Batalha e lugares circunvizinhos nessa primeira metade do Século XVII, ainda, portanto, debaixo do domínio filipino. Ele testemunha, de forma muito apurada, reiteremo-lo, a relevância que o pinhal tem enquanto herança patrimonial que caracteriza a identidade histórica secular de toda a região da Alta Estremadura e de todo o distrito de Leiria.
Arquivo Histórico Ultramarino – Conselho Ultramarino, Códice 39, fls. 65v-68v1
Pedem a Vossa Magestade mande a seus feitores que pagem as ditas madeiras pelo preço dos particulares, assy manças como bravas, e que os carreiros que carregão as madeiras ao Porto da Pederneira se lhes acressente a cinqo reis mais por vara das latas porque a quinze reis que ora se lhe pagão as não podem levar. E daqui nasce ficarem por carregar muitas senão de penas como Vossa Magestade se podia mandar informar. E eles suplicantes pagão o serviço de huma lata por duzentos reis e hora pelo preço de quinze reis vem a sair ordinariamente a cento e quorenta reis e a sento e cinquoenta por lata.
Na dita pitição se deu despacho que informasse o guarda mor dos Pinhais de Leiria o que fez por escrito dizendo que fazendo a diligencia necessária sobre o conteúdo na pitição relatada achou que depois que os reys passados deste Reino ordenarão armadas e naos para a India se mandarão fabricar nos Pinhais daquela comarca as madeiras necessárias de pinho manço e bravo por naquelas partes aver grande cantidade de pinhos de toda a sorte por a terra daquele distrito ser natural // [Fl. 66v] delles. El rey o senhor rey Dom Denis antentando o quanto avião de vir a ser necessários estes pinhos ordenou e mandou semear o grandioso Pinhal de Vossa Magestade no termo daquela cidade que corre para a banda do mar oceano ao qual os fogos do anno de 613 tratou de maneira que se queimarão perto de trez legoas delle.
Achou que fazendo-sse antiguamente as naos e madeiras de Vossa Magestade por contratadores, compravam aos particulares do termo da Villa da Batalha e mais partes os paos de pinho bravos para taboados de cuberta e forro a cem reis e a cento e vinte e os paos de pinho manço para alcaixas a duzentos reis e duzentos e quorenta reis e de costado a trezentos e sinqoenta e a quatrocentos reis. E assy avia muitos pinhaes e os particulares os criavão e tratavam deles como fazenda de que tiravão intereçes.
Que de alguns anos a esta parte se abaixou o preço aos ditos paos ou por muita cantidade que intão avia ou por alguns particulares se quererem valer deles e das terras. E assy se puzerão em preço de trinta reis cada pao bravo e de que se fazem os taboados de cuberta e forro e latas. E os manços de alcaixa a cento e vinte reis. E os de costado a duzentos e duzentos cinquoenta ate trezentos reis. E porque do anno de 613 atte o anno prezente se fabricarão as madeiras por conta da fazenda de Vossa Magestade a mayor parte destes anos em razão falta que fez o fogo no Pinhal de Vossa Magestade nos pinhos bravos se valerão dos pinhos de particulares. E se está a dever aos donos dos pinhaes do ditto anno de 613 ate o de 622 annos parte do preço dos ditos paos, sem embargo de ser pouco. E asy os donos deles em rezão do pouco proveito e do que se lhe restava a dever começarão // [Fl. 67] de danificar os ditos pinhaes, queimando-os e arruinando-os para se valerem das terras deles sendo assy que os ditos pinhaes do termo da Villa da Batalha e seus arredores erão a melhor couza que avia neste Reyno em rezão da cantidade deles como da comodidade do serviço por estarem em perto do Porto da Pederneira e em terra muito assenta e bons caminhos ao dito porto. E demais da falta que cá oje vão fazendo para as obras de Vossa Magestade a recebera tambem a Fazenda de Vossa Magestade na falta que há-de haver para os navios particulares que cada hum anno se fabricão no Porto da Pederneira, São Martinho e Peniche. E as mesmas emmastrações que deles se cortavam de que oje há tanta falta que se não achão já paos para mastros.
Que informando Vossa Magestade da danificação que avia nestes pinhaes por advertências que os guardas mores fizeram, ordenou Vossa Magestade, por este Conselho, que se prohibisse que se não cortacem nestes pinhaes sem licença de Vossa Magestade, primeira vez em o anno de 622, a qual ordem se mandou sobestar á instancia dos mesmos moradores da Batalha. E no anno de 628 tornou Vossa Magestade a ordenar por este Conselho, ao guarda mor, que não consintice cortarem-sse paos nos ditos pinhaes para taboados. E no anno passado de 629 a instancia dos mesmos moradores da ditta Villa aprovou Vossa Magestade que cada hum pudera cortar nos seus pinhaes os paos necessários para suas abigoarias e obras de suas cazas somente e não vendessem para particulares.
Que em razão da falta que hoje há de pinhos naquelas partes, os vendem os donos deles aos particulares a oitenta e a cem reis os paos bravos e os de pinho manço para os barcos de tancos para o que se cortão muitos a trezentos e a quatrocentos reis. // [Fl. 67v]
E lhe parecia que Vossa Magestade devia ser servido ordenar que os ditos paos de pinho bravo que se cortassem nos pinhaes de particulares do termo da Villa da Batalha, e mais partes do termo daquela cidade de Leirya, se page por cada pao para taboado de cuberta e forro a oitenta reis por cada hum. E os paos de pinho bravo para latas a sessenta reis. E os paos de pinho manço que derem alcaixa das naos da India, a cento e sessenta reis por cada hum. E os paos de pinho manso para costado das naos da India, que derem as duas taboas limpas e boas, a trezentos reis cada huma. E os que derem as trez taboas a quatrosentos reis.
Porque com este acrescentamento de preços que he o que autualmente as madeiras valem oje e valião antiguamente e mais será cauza de se tornarem a restaurar os pinhaes outra ves e seus donos tratarem deles como fazenda de que lhe resulta algum intereçe porque enquanto se vão gastando alguns paos que hoje há, se irão criando criando [sic] outros. E com rezão poderá Vossa Magestade mandar por as prohibições que forem nesessarias por que os ditos pinhaes se não daneficem nem queimem, arroteem e cortem mais que para as abigoarias necessárias aos lavradores daquellas partes e obras de suas cazas. E que para isso mande Vossa Magestade passar provisão com as declarações necessárias e penas em que deve incorer quem for contra a tal ordem.
Que as latas que em cada hum anno se fabricão naquelas partes para as naos da India e armadas de Vossa Magestade são muitas e de antigo se paga aos carreiros que as careão a Pederneyra a quinze reis // [Fl. 68] por vara sendo assy que as ditas latas oje são mayores do que as fabricavam os contratadores, e que as fazião em lugares mais perto e hum carreyro que vay a Pederneira gasta dous e trez dias e não lhe resulta mais frete que cento e cinquoenta reis de huma lata, que há de dez varas e algumas de menos. E assy não andão senão a levar as mais pequenas, e muitas vezes tem sucedido ficarem [n]os mattos algumas. E essas não as levarem senão obrigados de parcuções (?) e prizões. Com muita rezão lhe pode Vossa Magestade mandar acrescentar em cada huma vara, cinquo reis para que se lhe page a vintém a vara das latas de carreto.
Neste Conselho se deu despacho que o provedor dos armazéns informasse do conteúdo na petição dos suplicantes e papeis a ella yuntos ao que satisfez por escrito dizendo que:
A falta de madeira de pinho vay sendo muy grande. E assy se deve considerar muito para procurar todos os remedios de sua conservação e aumento na Batalha e Leiria se fazia sempre a maior parte dos taboados de costado e alcaixa com que se fabricavam as naos de prezente está em grande falta por rezão dos mãos pagamentos que se fazião aos donos e por o preço que se pagavam ser antigo e baixo e não ter crescimento respeito ao que tiveram as mais couzas, e que foi occazião de os donos se desfazerem dos paos e tratarem de outro beneficio nas terras sendo ellas mui proprias e boas para … madeiras mansas e bravas como se vião dos taboados que são de mylhor calidade que os do Ribateyo onde os paos tem subido de preço muito para o que há quarenta anos valião, o que tudo considerado lhe parecia que Vossa Magestade devia ser servido deferir a petição dos suplicantes em conformidade da informação nesta relatada do guarda mor dos Pinhaes de Leiria, o qual vio tudo e tomou particular informação do estado prezente daqueles Pinhaes // [Fl.68v] concorre muito ao serviço de Vossa Magestade mandar que outra ves se torne a reformar as terras que forão de pinhaes, obrigando aos donos que as semeem, pondo nisso particular assistência e cuidado para que o fação executar. Per despacho deste Consselho se mandou que o procurador da fazenda de Vossa Magestade ouve vista das ditas informações nesta relatadas e mais papeis a ellas juntos ao que respondeo por escrito que:
Na conformidade das informações poderia Vossa Magestade defirir aos suplicantes.
E vendo-sse neste Conselho a petição dos suplicantes, informações do guarda mor dos Pinhaes de Vossa Magestade, em Leiria, e procurador dos almazéns reposta que sobre tudo deu o procurador da fazenda de Vossa Magestade que tudo fica relatado.
Pareceo o mesmo que ao ditto guarda mor dos Pinhaes parece na ditta sua informação no que toca aos preços das madeirasse acrescentarem pelo modo que aponta.
E quanto as prohibições que lembra que se devem para que os ditos pinhaes se não danifiquem nem queimem, nem arroteem, nem cortem e as penas em que devem incorrer os que o contrario fizerem.
Parece que o ditto guarda mor deve guoardar as ordens que sobre’lhe são passadas por este Conselho com regimento.
Em Lisboa 8 de Outubro de 1631.
(Assinaturas)
Ruy da Silva. – Luis Mendes Barros (?). – Joze Sanches.
Os Descobrimentos
Portugueses e a expansão ultramarina encetada pela Dinastia de Avis, cujas
primeiras reais gerações descansam, na esperança da eternidade, debaixo das
magnificentes abóbadas ogivais do majestoso Mosteiro de Santa Maria da Vitória,
na Batalha, trouxeram à região, que actualmente nomeamos por Alta Estremadura,
profundas transformações económicas, sociais e culturais.
Económicas porque a exploração agrária
tradicional destas terras, até aí mais especializada nos cereais, nos vinhos e
nos azeites, se viu alterada, privilegiando-se, desde então, as sementeiras de
pinhal e a exploração das madeiras, embarcadas nos portos ou usadas nas
taracenas de construção naval neles existentes da foz do rio Lis, de Paredes,
da Pederneira e, mais residualmente, mas efectivo, também nos de S. Martinho e
de Peniche. O negócio das madeiras tornou-se, em Quatrocentos, por terras do
antigo termo leiriense, um dos sectores mais apetecíveis.
Sociais porque se
renovaram elites e se assistiu ao enriquecimento de homens bons e mercadores,
como se verificou o estabelecimento nas vilas de novos moradores, alguns deles
fidalgos, posto que muitos outros naturais emigrassem para as terras de
além-mar. Culturais, ainda, porque neste espaço se instalaram novas ordens
religiosas, em especial a Dominicana, ou se consolidaram outras possuidoras de
um património arquitectónico e artístico relevante, como os franciscanos de
Leiria ou os cistercienses de Alcobaça e de Cós, e se assistiu, finalmente, ao
desabrochar da vocação leiriense para o fabrico do papel ou, por mão judaica,
depois, da própria tipografia.Os terrenos litorais atlânticos de Leiria, predominantemente arneiros, revelavam-se férteis para a produção de pinheiro bravo e manso. A importância desse sector florestal, no Século XVI, levou a Coroa a reformular toda uma estrutura administrativa, chefiada por um guarda-mor, que tinha por missão zelar pelos extensos pinhais régios aqui implantados. O rei era o maior produtor de pinho, na região, mas não o único porque se contavam numerosos outros proprietários que com ele concorriam. Concelhos, institutos religiosos, fidalgos e gente comum contavam-se entre os donos de pinhais aqui existentes.
Mas os maiores consumidores dessa riqueza silvícola eram os estaleiros navais do reino em especial os de Lisboa. Por 1550, cerca de 30% da madeira usada nas taracenas de Lisboa era oriunda do Pinhal de Leiria. Em 1641-1642, os procuradores do Concelho de Leiria presentes nas Cortes de Lisboa, que aclamaram D. João IV como rei de Portugal, mostravam-se preocupados com a salvaguarda do Pinhal Real, que poderia ser alvo de destruição por parte do inimigo.
Temia-se tanto o desembarque, nas suas praias, de tropas espanholas, como o deflagrar de incêndios que destruíssem a frondosa mata nacional. E, na verdade, os procuradores leirienses presentes nas Cortes teriam boa memória dos vários incêndios, alguns deles devastadores, que em anos anteriores haviam consumido extensas áreas de pinhal. Incêndios, como o de 1613, dizem as fontes que a eles se referem, como o documento que aqui se publica, de 1631, em parte provocados pelos donos de pinhais, descontentes com o pouco “acrescentamento” ou renda que podiam tirar dessas explorações. De facto, os preços tabelados ou impostos pela Coroa, com prejuízo para os produtores, levavam a que, no primeiro terço de Seiscentos, muitos deles procurassem abater pinhal para se regressar a outro tipo de cultura que se mostrasse mais rentável.
Foi na consideração deste estado problemático de baixa de preços no mercado regional das madeiras, que os moradores do Concelho da Batalha, apresentaram, por 1630, uma petição ao rei, solicitando-lhe remédio para a crise que o sector atravessa na época e medidas que incentivassem os silvicultores a manterem e até expandirem as respectivas produções.
O documento que se publica, de seguida, constitui uma peça valiosa para o conhecimento da vida económica dos moradores da Batalha e lugares circunvizinhos nessa primeira metade do Século XVII, ainda, portanto, debaixo do domínio filipino. Ele testemunha, de forma muito apurada, reiteremo-lo, a relevância que o pinhal tem enquanto herança patrimonial que caracteriza a identidade histórica secular de toda a região da Alta Estremadura e de todo o distrito de Leiria.
Documento
1631 OUTUBRO, 8,
Lisboa – Informação do Conselho Ultramarino, a el-rei, sobre a petição
apresentada pelos moradores da vila da Batalha a fim de que os preços por que
se vendiam, à Coroa, as madeiras de pinho bravo e manso, para a construção
naval das armadas e naus da Índia, fossem elevados.
Arquivo Histórico Ultramarino – Conselho Ultramarino, Códice 39, fls. 65v-68v1
Os moradores da
Villa da Batalha e mais lugares circonvezinhos a cidade de Leiria pedem se lhes
acrescentem os preços das madeiras de pinho que se lhes comprarem e carrearem.
Os moradores da
Villa da Batalha e mais lugares circunvizinhos da cidade de Leiria fizeram
petição a Vossa Magestade neste conselho em que dizem que mandando Vossa
Magestade de alguns anos a esta parte por seus feitores e outros ministros
fazer cortes de madeyras para suas naos e armadas nos pinhais deles suplicantes
para se lhe averem de pagar pelos preços e estado da terra se fizeram algumas sem
se fazerem pagamentos das madeiras. E outros se pagarão os paos bravos de pinho
(que serrados dão trez e quatro cabras) da vitola das naos a trinta reis o pao
pelas quaes razões muitas pessoas queimarão os seus pinhaes e os fizeram
arneiros e terras de pão e olivaes em grande perda do serviço de Vossa
Magestade porque em poucos anos // [Fl. 66] não avera nos ditos sítios madeyras
de que se faça cortes para as armadas de Vossa Magestade que as madeiras se lhe
paguem por outro preço porque antigamente quando as armadas e naos se fazião
por contratadores lhe pagavam a eles suplicantes por cada pao bravo seis
vintens, e os manços de alcaixa a doze e os de costado a cruzado. E eles
suplicantes os estão oje vendendo aos particulares que vão fazer madeyras a ditta
Villa e seus cotornos a oitenta reis e tostão cada pao bravo e os manços de
alcaixa a oito vintens e dous tostões e os de costado a trezentos e vinte reis
e cruzado. E sendo assy se tornarão outra ves a conservar as madeiras e os
donos provirarão de criar os pinhais como de antes.Pedem a Vossa Magestade mande a seus feitores que pagem as ditas madeiras pelo preço dos particulares, assy manças como bravas, e que os carreiros que carregão as madeiras ao Porto da Pederneira se lhes acressente a cinqo reis mais por vara das latas porque a quinze reis que ora se lhe pagão as não podem levar. E daqui nasce ficarem por carregar muitas senão de penas como Vossa Magestade se podia mandar informar. E eles suplicantes pagão o serviço de huma lata por duzentos reis e hora pelo preço de quinze reis vem a sair ordinariamente a cento e quorenta reis e a sento e cinquoenta por lata.
Na dita pitição se deu despacho que informasse o guarda mor dos Pinhais de Leiria o que fez por escrito dizendo que fazendo a diligencia necessária sobre o conteúdo na pitição relatada achou que depois que os reys passados deste Reino ordenarão armadas e naos para a India se mandarão fabricar nos Pinhais daquela comarca as madeiras necessárias de pinho manço e bravo por naquelas partes aver grande cantidade de pinhos de toda a sorte por a terra daquele distrito ser natural // [Fl. 66v] delles. El rey o senhor rey Dom Denis antentando o quanto avião de vir a ser necessários estes pinhos ordenou e mandou semear o grandioso Pinhal de Vossa Magestade no termo daquela cidade que corre para a banda do mar oceano ao qual os fogos do anno de 613 tratou de maneira que se queimarão perto de trez legoas delle.
Achou que fazendo-sse antiguamente as naos e madeiras de Vossa Magestade por contratadores, compravam aos particulares do termo da Villa da Batalha e mais partes os paos de pinho bravos para taboados de cuberta e forro a cem reis e a cento e vinte e os paos de pinho manço para alcaixas a duzentos reis e duzentos e quorenta reis e de costado a trezentos e sinqoenta e a quatrocentos reis. E assy avia muitos pinhaes e os particulares os criavão e tratavam deles como fazenda de que tiravão intereçes.
Que de alguns anos a esta parte se abaixou o preço aos ditos paos ou por muita cantidade que intão avia ou por alguns particulares se quererem valer deles e das terras. E assy se puzerão em preço de trinta reis cada pao bravo e de que se fazem os taboados de cuberta e forro e latas. E os manços de alcaixa a cento e vinte reis. E os de costado a duzentos e duzentos cinquoenta ate trezentos reis. E porque do anno de 613 atte o anno prezente se fabricarão as madeiras por conta da fazenda de Vossa Magestade a mayor parte destes anos em razão falta que fez o fogo no Pinhal de Vossa Magestade nos pinhos bravos se valerão dos pinhos de particulares. E se está a dever aos donos dos pinhaes do ditto anno de 613 ate o de 622 annos parte do preço dos ditos paos, sem embargo de ser pouco. E asy os donos deles em rezão do pouco proveito e do que se lhe restava a dever começarão // [Fl. 67] de danificar os ditos pinhaes, queimando-os e arruinando-os para se valerem das terras deles sendo assy que os ditos pinhaes do termo da Villa da Batalha e seus arredores erão a melhor couza que avia neste Reyno em rezão da cantidade deles como da comodidade do serviço por estarem em perto do Porto da Pederneira e em terra muito assenta e bons caminhos ao dito porto. E demais da falta que cá oje vão fazendo para as obras de Vossa Magestade a recebera tambem a Fazenda de Vossa Magestade na falta que há-de haver para os navios particulares que cada hum anno se fabricão no Porto da Pederneira, São Martinho e Peniche. E as mesmas emmastrações que deles se cortavam de que oje há tanta falta que se não achão já paos para mastros.
Que informando Vossa Magestade da danificação que avia nestes pinhaes por advertências que os guardas mores fizeram, ordenou Vossa Magestade, por este Conselho, que se prohibisse que se não cortacem nestes pinhaes sem licença de Vossa Magestade, primeira vez em o anno de 622, a qual ordem se mandou sobestar á instancia dos mesmos moradores da Batalha. E no anno de 628 tornou Vossa Magestade a ordenar por este Conselho, ao guarda mor, que não consintice cortarem-sse paos nos ditos pinhaes para taboados. E no anno passado de 629 a instancia dos mesmos moradores da ditta Villa aprovou Vossa Magestade que cada hum pudera cortar nos seus pinhaes os paos necessários para suas abigoarias e obras de suas cazas somente e não vendessem para particulares.
Que em razão da falta que hoje há de pinhos naquelas partes, os vendem os donos deles aos particulares a oitenta e a cem reis os paos bravos e os de pinho manço para os barcos de tancos para o que se cortão muitos a trezentos e a quatrocentos reis. // [Fl. 67v]
E lhe parecia que Vossa Magestade devia ser servido ordenar que os ditos paos de pinho bravo que se cortassem nos pinhaes de particulares do termo da Villa da Batalha, e mais partes do termo daquela cidade de Leirya, se page por cada pao para taboado de cuberta e forro a oitenta reis por cada hum. E os paos de pinho bravo para latas a sessenta reis. E os paos de pinho manço que derem alcaixa das naos da India, a cento e sessenta reis por cada hum. E os paos de pinho manso para costado das naos da India, que derem as duas taboas limpas e boas, a trezentos reis cada huma. E os que derem as trez taboas a quatrosentos reis.
Porque com este acrescentamento de preços que he o que autualmente as madeiras valem oje e valião antiguamente e mais será cauza de se tornarem a restaurar os pinhaes outra ves e seus donos tratarem deles como fazenda de que lhe resulta algum intereçe porque enquanto se vão gastando alguns paos que hoje há, se irão criando criando [sic] outros. E com rezão poderá Vossa Magestade mandar por as prohibições que forem nesessarias por que os ditos pinhaes se não daneficem nem queimem, arroteem e cortem mais que para as abigoarias necessárias aos lavradores daquellas partes e obras de suas cazas. E que para isso mande Vossa Magestade passar provisão com as declarações necessárias e penas em que deve incorer quem for contra a tal ordem.
Que as latas que em cada hum anno se fabricão naquelas partes para as naos da India e armadas de Vossa Magestade são muitas e de antigo se paga aos carreiros que as careão a Pederneyra a quinze reis // [Fl. 68] por vara sendo assy que as ditas latas oje são mayores do que as fabricavam os contratadores, e que as fazião em lugares mais perto e hum carreyro que vay a Pederneira gasta dous e trez dias e não lhe resulta mais frete que cento e cinquoenta reis de huma lata, que há de dez varas e algumas de menos. E assy não andão senão a levar as mais pequenas, e muitas vezes tem sucedido ficarem [n]os mattos algumas. E essas não as levarem senão obrigados de parcuções (?) e prizões. Com muita rezão lhe pode Vossa Magestade mandar acrescentar em cada huma vara, cinquo reis para que se lhe page a vintém a vara das latas de carreto.
Neste Conselho se deu despacho que o provedor dos armazéns informasse do conteúdo na petição dos suplicantes e papeis a ella yuntos ao que satisfez por escrito dizendo que:
A falta de madeira de pinho vay sendo muy grande. E assy se deve considerar muito para procurar todos os remedios de sua conservação e aumento na Batalha e Leiria se fazia sempre a maior parte dos taboados de costado e alcaixa com que se fabricavam as naos de prezente está em grande falta por rezão dos mãos pagamentos que se fazião aos donos e por o preço que se pagavam ser antigo e baixo e não ter crescimento respeito ao que tiveram as mais couzas, e que foi occazião de os donos se desfazerem dos paos e tratarem de outro beneficio nas terras sendo ellas mui proprias e boas para … madeiras mansas e bravas como se vião dos taboados que são de mylhor calidade que os do Ribateyo onde os paos tem subido de preço muito para o que há quarenta anos valião, o que tudo considerado lhe parecia que Vossa Magestade devia ser servido deferir a petição dos suplicantes em conformidade da informação nesta relatada do guarda mor dos Pinhaes de Leiria, o qual vio tudo e tomou particular informação do estado prezente daqueles Pinhaes // [Fl.68v] concorre muito ao serviço de Vossa Magestade mandar que outra ves se torne a reformar as terras que forão de pinhaes, obrigando aos donos que as semeem, pondo nisso particular assistência e cuidado para que o fação executar. Per despacho deste Consselho se mandou que o procurador da fazenda de Vossa Magestade ouve vista das ditas informações nesta relatadas e mais papeis a ellas juntos ao que respondeo por escrito que:
Na conformidade das informações poderia Vossa Magestade defirir aos suplicantes.
E vendo-sse neste Conselho a petição dos suplicantes, informações do guarda mor dos Pinhaes de Vossa Magestade, em Leiria, e procurador dos almazéns reposta que sobre tudo deu o procurador da fazenda de Vossa Magestade que tudo fica relatado.
Pareceo o mesmo que ao ditto guarda mor dos Pinhaes parece na ditta sua informação no que toca aos preços das madeirasse acrescentarem pelo modo que aponta.
E quanto as prohibições que lembra que se devem para que os ditos pinhaes se não danifiquem nem queimem, nem arroteem, nem cortem e as penas em que devem incorrer os que o contrario fizerem.
Parece que o ditto guarda mor deve guoardar as ordens que sobre’lhe são passadas por este Conselho com regimento.
Em Lisboa 8 de Outubro de 1631.
(Assinaturas)
Ruy da Silva. – Luis Mendes Barros (?). – Joze Sanches.
1 Agradeço,
penhoradamente, ao Senhor Dr. Pedro Pinto, a informação que me prestou acerca
da existência deste documento.
terça-feira, 20 de março de 2012
Festival de Sopas da Batalha
No âmbito do programa comemorativo dos 500 anos da paróquia e freguesia da Batalha, a Junta de Freguesia organizou, no passado dia 17 de Março, um Festival de Sopas, com a participação das colectividades e outras instituições da freguesia da Batalha.
O pavilhão multiusos da vila encheu assim que se abriram as portas e as 500 taças que havia para vender esgotaram na primeira hora, o que obrigou a organização a reforçar a oferta.
Algumas das mais de 20 qualidades de sopa também foram esgotando, mas a oferta chegou para satisfazer todos os que ali se deslocaram.
Foi, portanto, um verdadeiro sucesso, cujos fundos reverteram para a solidariedade, nomeadamente, para a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários do Concelho e para a Misericórdia da Batalha.
No final, houve ainda um animado bailarico, com a animação do acordeonista batalhense Vergílio Pereira.
As comemorações dos 500 anos da Batalha vão continuar pelos meses seguintes, com o seguinte calendário já definido:
Abril
Dia 21 | 21h00 (Praça Mouzinho de Albuquerque) –
“Festa-Jovem” com DJ convidados e entrega dos prémios dos concursos de poesia e
fotografia.
Maio
Dia 19 | 07h30 – Passeio de pensionistas da freguesia.Dias 24 a 27 (Largo Cónego Simões Inácio) – Participação institucional da Junta na XXII FIABA – Feira de Artesanato e Gastronomia da Batalha.
Junho
Dias 2 a 4 (Centro Paroquial) – Participação especial da
Junta nos festejos da Santíssima Trindade, festa principal da Paróquia.Dia 10 | 09h30 (Pavilhão Multiusos) – Grande concentração de bicicletas antigas, com passeio por alguns lugares das freguesias da Batalha e Golpilheira.
Julho
Dia 1 | 15h00 (Largo da Estátua do Condestável) – Sarau
desportivo com a participação dos clubes desportivos da Freguesia.
Agosto
Dia 18 | 15h00 (Praças D. João I e Mouzinho de Albuquerque)
– “Sons Jovens”, com actuação de dois grupos da Freguesia.
Setembro
Dia 14 | 12h00 – Fim-de-semana das comemorações oficiais,
com salva de 21 tiros e toque de todos os sinos da igreja matriz e das capelas
da paróquia. 20h00 (Sede da Junta) – Concentração para o passeio pedestre
histórico pela Vila. 21h00 (Praça Mouzinho de Albuquerque) – Convívio com
animação musical de “Virgílio Pereira e Manuel Ribeiro” e porco no espeto.Dia 15 | 15h30 (Sede da Junta) – Apresentação de dois livros históricos alusivos à freguesia da Batalha, um da autoria de Saul António Gomes, e outro com autoria conjunta de Maria da Luz Moreira e José Travaços Santos. 21h00 (Praça Mouzinho de Albuquerque) – Concerto de fado com artistas amadores da região.
Dia 16 | 11h00 (Igreja do Mosteiro) – Missa presidida pelo Bispo diocesano de Leiria-Fátima, D. António Marto. 12h30 (Sede da Junta) – Descerramento da placa comemorativa do aniversário da Freguesia. 16h00 (Praça Mouzinho de Albuquerque) – Actuação dos ranchos folclóricos da freguesias da Batalha e Golpilheira e dos grupos Gaitilena e Sons do Lena. 21h00 – Encerramento das comemorações com momento musical e fogo de artifício.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Golpilheira: 10.º Passeio TT "Anjos sobre Rodas"
A 10.ª edição deste já famoso Passeio TT "Anjos sobre Rodas" decorreu no passado sábado, 10 de Março. Actualmente organizado pelo Núcleo de Desportos Motorizados do Centro Recreativo da Golpilheira (membro da FPTT n.º 235), este passeio contou com a participação de mais de 100 veículos (jipes, motos e "quads") e juntou, entre participantes e público, umas largas centenas de pessoas. Beneficiando de um dia quente e soalheiro, a comitiva percorreu alguns quilómetros de terra batida pela região, terminando na zona da Canoeira, no divertido "trial" que é já ex-libris deste evento.
Professor Marcelo na Escola da Batalha
O professor Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) esteve na Escola Básica e Secundária da Batalha, no dia 9 de Março, no âmbito do concurso "DN Escolas", promovido pelo Diário de Notícias. O salão estava a "abarrotar" com alunos, professores e outras pessoas que aproveitaram esta sessão aberta ao público para ouvir o ilustre comentador político.
O catedrático foi entrevistado por alguns dos alunos que redigiram um dos editoriais vencedores do concurso do DN, sobre a promoção dos "produtos portugueses", que foi também o tema central da conversa. A esse propósito, o próprio cenário incluía uma projecção de imagens e uma mostra "ao vivo" de produtos e serviços regionais, como vinho, azeite, artesanato, obras de cantaria, materiais de promoção turística do património ou da natureza, etc."O facto de haver jovens, raparigas e rapazes como vocês, que acreditam em Portugal e no que é português é uma das razões para acreditarmos que há solução para esta crise", afirmou MRS, salientando que é preciso "não ficar de braços cruzados, deixar a posição comodista de não fazer nada e começar a fazer alguma coisa". Ainda a este propósito, o professor criticou a concorrência desleal de alguns países com maior escala produtiva que chegam a "perder dinheiro para competir", e defendeu que a solução passa por aumentar as exportações e, por outro lado, "tornar os produtos nacionais mais competitivos" no mercado interno, investindo em áreas como a formação dos trabalhadores e empresários, a melhoria dos processos e custos de produção e a forma de distribuição e marketing. Tudo isto com uma "grande dose de imaginação, com uma maior relação entre as empresas e as universidades e com uma aposta clara no empreendedorismo", apontou.
No debate que se seguiu, com intervenção de alunos da plateia, os temas foram variando, mas manteve-se a tónica. "Comecem a trabalhar desde cedo, não fiquem parados, inventem actividades produtivas, porque isso aumentará a vossa relação com o mundo empresarial e a capacidade de responderem aos desafios do futuro", aconselhou MRS. E sublinhou a importância das "relações de proximidade que ainda existem em meios pouco urbanizados", como o caso da Batalha, como uma mais-valia para a qualidade de vida, sem deixar de manter as portas abertas a "oportunidades lá fora". Sendo "fundamental perceber quais os gostos e capacidades de cada um" para tomar uma decisão sobre o futuro profissional, há que ter noção de que é necessário "estar preparados para a mudança e a mobilidade, com muita capacidade de comunicação, diálogo e respeito pelas diferenças".
Satisfazendo a curiosidade dos presentes, o professor explicou em traços gerais como funcionam os bastidores dos programas televisivos em que participa e como se prepara para ter "comentário pronto" aos assuntos da actualidade. "Dá muito mais trabalho do que parece, exige pesquisa e muitas leituras", mas também se torna mais fácil com os anos de experiência e com a "intuição e os truques que vamos aprendendo".
No final, ficou no ar uma espécie de tabu: "Entretanto, vou mudar radicalmente de vida… fazer algo que nunca fiz… terei talvez de me relacionar com a agricultura…". E mais não disse.
Mas partiu dessa sua experiência curricular multifacetada, com tarefas diversas e desafios constantes, para deixar o repto final, carregado de optimismo: "Aproveitem todas as oportunidades, vivam sem saudosismos e virados para o futuro".
Luís Miguel Ferraz
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