sábado, 13 de agosto de 2011

"Sensibilidades 25"

Exposição fotográfica na Batalha
Organizada pelo Centro de Património da Estremadura (CEPAE) e coordenada por José Luís Jorge, a Galeria Mouzinho de Albuquerque tem patente ao público até ao dia 21 de Agosto (14h00-18h00), a exposição de fotografia "Sensibilidades 25". A mostra reúne trabalhos fotográficos inéditos de 25 fotógrafos do distrito de Leiria, sendo possível observar diversas estéticas e tendências artísticas. Com nomes bastante conhecidos no domínio da fotografia, "Sensibilidades 25" transporta-nos para uma viagem ao mundo do fotojornalismo e do seu instantâneo característico, percorrendo também a área da fotografia de autor. O resultado final revela-se muito interessante, com uma visão abrangente sobre o universo da fotografia e seus actores na região de Leiria.
A exposição reúne trabalhos de Ana David, António Palmeira, Carlos Barroso, Dias dos Reis, Elisabete Maisão, Francisco Pedro, Gonçalo Lemos, Joaquim Dâmaso, Joaquim Pesqueira, Joca Faria, José Luís Jorge, Luís Lobo Henriques, Margarida Araújo, Maria Adelina Sousa, Maria Kowalski, Mário Caldeira, Nuno Brites, Paulo Cunha, Ricardo Graça, Rui Gouveia, Rute Violante, Sandra Costa, Sérgio Claro, Valter Vinagre e Victor Oliveira.

"Janelas de Alcaria"

Memória Futura: 1.º concurso fotográfico
É até dia 31 de Dezembro que poderá entregar os trabalhos para o primeiro concurso fotográfico "Janelas de Alcaria". Os premiados serão conhecidos no dia 15 de Abril de 2012 na sede da Junta de Freguesia com a atribuição de prémios e certificados. Durante a festa anual da Pascoela decorrerá uma exposição com as fotografias a concurso.

Convívio do Voluntariado

Centro Hospital de Nossa Senhora da Conceição
Decorreu no dia 24 de Julho, nas imediações da praia do Vale Furado, um convívio entre os voluntários do Centro Hospital de Nossa Senhora da Conceição, da Santa Casa da Misericórdia da Batalha. Estiveram presentes alguns voluntários e também funcionários desta Unidade de Cuidados Continuados. Foi, por assim dizer, o comemorar mais um ano de "missão cumprida", desta nobre disponibilidade para ajudar aqueles que por diversos motivos precisam de ser internados nesta eficaz e organizada unidade hospitalar.
É comum a todos estes voluntários e voluntárias a boa disposição e a alegria com que contagiam quem está à sua volta. Quanto ao seu serviço neste hospital, ele é meritório e reconhecido, não só pelos internados, como também pela direcção. É um complemento ao trabalho profissional dos funcionários, com a experiência de muitos anos de convivência destes homens e mulheres que, desinteressadamente, como Cristo nos ensinou, servem o seu próximo, ajudando a minimizar a solidão dos doentes e o seu sofrimento.
Continuem e bem hajam!

MCR

Ordenação Episcopal de D. Virgílio Antunes


"Anunciamos Cristo crucificado"

Três anos e meio depois da sua consagração, a Igreja da Santíssima Trindade, no Santuário de Fátima, acolheu a primeira ordenação de um bispo. O padre Virgílio Antunes, natural de S. Mamede, reitor deste Santuário nos últimos dois anos e meio, foi nomeado Bispo de Coimbra por Sua Santidade o Papa Bento XVI a 28 de Abril deste ano, celebrou a sua ordenação episcopal no passado dia 3 de Julho e entrou na sua nova diocese no dia 10.
As cerca de 10 mil pessoas que quiseram testemunhar este momento encheram por completo o maior templo coberto do País, juntando-se às dezenas de sacerdotes e bispos que concelebraram a Eucaristia, presidida por D. António Marto, prelado de Leiria-Fátima. Uma celebração de três horas que, pela sua riqueza, simbolismo e solenidade, pareceu leve e foi vivida com intensidade e participação pelos fiéis, vindos sobretudo das duas dioceses que se ligam agora na pessoa do novo bispo.

Servidor da Igreja
Os gestos, as palavras, os cânticos foram expressão litúrgica de um acto que ultrapassa a realidade humana e só se compreende verdadeiramente com o coração. A entrega do homem a Deus faz-se em pequenos gestos diários, quotidianos, simples. Mas há momentos em que essa entrega se torna especial, sem deixar de ser simples e humilde, porque só assim podemos relacionar-nos com Ele. "Procuro elevar até à Santíssima Trindade a minha oração de louvor e acção de graças, porque nos seus pobres servos continua a realizar as suas grandes coisas", afirmava D. Virgílio no final da celebração. Confessando que se interrogou "se era uma boa ou má opção", o novo bispo afirmou ter aceite esta missão por ser "a voz da Igreja que (…) precisa de prover às suas necessidades".
Na mensagem que dirigiu aos fiéis, D. Virgílio Antunes confirmou a sua "comunhão com a Igreja de Cristo" e "disponibilidade para cooperar com ela na realização da sua missão de sacramento de salvação universal", explicando o lema escolhido para o seu bispado «Anunciamos Cristo crucificado, sabedoria de Deus». Uma frase que significa "centrar-me na pessoa de Jesus Cristo", que "a linguagem da cruz continua a ser o grande sinal do amor de Deus", que "o anúncio evangelizador precisa de continuar a fazer-se aos quatro ventos, com uma linguagem nova e acessível, mas sempre centrada no acontecimento fundante da nossa fé" e que "quero exercer o ministério na Igreja com a alegria proveniente da gloriosa ressurreição de Cristo e com a humildade e espírito de entrega e serviço provenientes da sua paixão".

Pastor, Pai, Irmão
Partindo do exemplo de Santo Agostinho, que sonhava viver em contemplação e foi surpreendido pelo chamamento de Deus para ser Bispo de Hipona, D. António Marto sublinhou na homilia a disponibilidade que caracteriza o múnus episcopal, com a "beleza" e a "responsabilidade" de quem "perdendo a sua vida, dando-se a si mesmo por Cristo e pela sua Igreja, encontrava a verdadeira Vida para a levar aos outros".
Dirigindo a D. Virgílio, o Bispo de Leiria-Fátima pediu--lhe que seja "contemplativo do mistério da intimidade do Deus Santo", levando "no coração, nos olhos e nos lábios a beleza de Deus", para se tornar "evangelizador fiel do teu povo (…) palavra generosa e fecunda que bate à porta dos corações". Pediu-lhe ainda que seja "bispo com coração de pai, muito humano e compreensivo, de coração universal, aberto a todos de dentro e fora da Igreja, santos e pecadores, grandes e pequenos, elevados e humildes". Finalmente, pediu ao novo bispo que seja um "irmão que infunde em todos um grande sentido de fraternidade e desperta a esperança: que vive a comunicação e a proximidade com os sacerdotes e os fiéis, que valoriza as suas iniciativas, que integra as suas esperanças, que promove a sua corresponsabilidade, que conta com os carismas e as realizações que florescem no povo de Deus, que aceita um ritmo por vezes mais lento nos projectos pastorais mas que conta com mais probabilidades de adesão e persuasão para fazer caminho juntos".
Como que em resposta, dirigindo à sua nova diocese, D. Virgílio afirmou-se "disponível para ir ao vosso encontro com a confiança e a esperança fundadas em Cristo que me chamou e me envia" e formulou um voto: "Gostaria de chegar ao meio de vós como um amigo e como um irmão que comunga das vossas alegrias e tristezas, que acolhe e é acolhido na simplicidade, e que vos confirma na fé enquanto porção do Povo de Deus".

Luís Miguel Ferraz

Diocese de Leiria-Fátima enviou dois contentores para o Gungo

A diocese de Leiria-Fátima acaba de enviar para Angola, através do Grupo Missionário Ondjoyetu, dois contentores de 40 pés com um total de cerca de 42 toneladas de bens diversos, concluindo assim um processo que já se tinha iniciado há alguns meses atrás.
Após a revisão do projecto da segunda fase da casa da missão que a diocese de Leiria-Fátima tem no Sumbe, foi necessário fazer o levantamento de todos os materiais de construção necessários à sua edificação e passíveis de serem transportados em contentor.
A fase seguinte passou pela recolha desses materiais: uns adquiridos, outros oferecidos. Bens como portas, janelas, sanitários, entre outros, foram aproveitados de remodelações de outras obras. A recolha foi de tal modo exaustiva que para a construção da segunda fase da casa da missão no Sumbe só será necessário adquirir o tijolo, cimento, areia, brita e água.
Além do já referido, também seguem nos contentores pneus e consumíveis para as viaturas, uma betoneira, um cilindro de condução manual, moldes para manilhas de poços e de estrada, uma estrutura para um telhado de uma igreja, diversas ferramentas para apoio às obras e aos projectos de desenvolvimento na área das construções e agricultura.
Tendo em conta as grandes carências que existem no Gungo, também foram enviados duas centenas de sacos de roupa, muitos outros de calçado e ainda cadeiras, beliches, bancos corridos, livros e material escolar, "jerricans" para transporte de água e combustíevis, bolas de praia e de futebol, artigos religiosos e de apoio espiritual e à formação, entre muitas outras coisas.
Tudo isto só foi possível graças à generosidade de uma verdadeira multidão de pessoas individuais, mas também de empresas, paróquias e instituições que das mais diversas formas colaboraram com a oferta de bens diversos, em descontos significativos, trabalho voluntário de recolha, transporte, selecção e embalamento de todos estes artigos.
O carregamento teve lugar sexta e sábado últimos com uma bela equipa de voluntários que demoraram praticamente 24 horas a encher os dois contentores, praticamente tudo à mão. A diversidade da carga e o desejo de aproveitar todos os espaços levou a tão demorado processo que valeu a pena pois conseguimos enviar tudo o que estava nas listas.
Os contentores seguiram já para Lisboa em camião, donde seguirão de barco para Luanda e daí para o Sumbe, de novo em camião.
Um grande bem-haja a todas as pessoas que tornaram possível mais este importante passo na caminhada que a nossa missão no Gungo está a dar.

P. Vítor Mira

Eduardo Silva (Ratinho), atleta do A. C. Marinhense


Entrevista a um futebolista que iniciou a sua formação no CRG

Este é o nosso terceiro atleta entrevistado: Eduardo José Moreira da Silva, nascido no dia 28-03-1993, mais conhecido no meio futebolístico por "Ratinho", nasceu na Golpilheira, concelho da Batalha. Representou na época passada o A. C. Marinhense, mas saiu do C.R. Golpilheira para a U.D. de Leiria.

Entrevista de Manuel Carreira Rito


Com quantos anos começaste a tua formação?
Com seis anos. Lembro-me que, devido à minha idade, não pude ser inscrito, mas a minha vontade de aprender a jogar futebol era tão grande, que não faltava a um treino.

Quem foi o teu primeiro treinador?
Foi o Luís Rito.

O que mais te marcou no teu primeiro clube de formação?
Foi a amizade que criámos entre todos, não só com os meus colegas, mas também com os técnicos, directores, outros colaboradores e o público que muito nos apoiava. Criámos uma autêntica família.

Depois do C.R. Golpilheira, qual foi o clube onde ingressaste?
Foi na U. D. Leiria. Tinha então catorze anos. Entrei para os Iniciados de segundo ano. Estive lá três épocas. Para além desta, nos Iniciados estive duas nos Juvenis. Saí quando iria integrar a primeira época de Júnior.

O que te levou a sair do Leiria?
Como o mister Fredy nos transmitia com toda a sinceridade, até uma certa idade, as coisas são sãs, isentas de maldade, naturais, diferentes daquelas que vamos encontrar quando a idade avança, porque joga-se à bola sem influências externas ao grupo de trabalho. Apesar de nos últimos anos ter promovido alguns Juniores a Seniores, o Leiria nunca irá muito longe, porque quem manda nas equipas de formação, muitas vezes, não são os treinadores mas outras pessoas.

Quem foi o teu primeiro treinador na U.D. de Leiria?
Foi o mister Fredy. Foi espectacular, exemplo do bem. Não tinha medo de enfrentar quem quer que fosse, ou a posição que tivesse dentro da estrutura do Leiria, em defesa dos seus atletas. Um verdadeiro campeão.

Como foi a tua integração na primeira equipa da U. D. de Leiria, já que encontraste uma equipa de Iniciados de segundo ano, e tu integraste a da Golpilheira no primeiro ano?
A integração foi boa e rápida. Mais rápida do que aquilo que eu pensava. Tínhamos um excelente grupo de trabalho. A coesão e a amizade no balneário era muito grande, o que proporcionou uma fácil e rápida adaptação.

Sei que na Golpilheira, embora no futebol de sete, os posicionamentos não sejam rígidos, como aconselham os entendidos. Gostavas de ser um jogador ofensivo, marcar golos, muitos golos. No Leiria, como foi?
No primeiro ano, joguei a ponta de lança, avançado centro. Confesso que não é a posição em que mais gosto de jogar. No primeiro ano de Juvenil, com o mister Bruno Roda, joguei a meio campo, tanto do lado direito como do lado esquerdo. É onde me sinto melhor (nesta época conquistámos a Taça Distrital de Juvenis). Gosto de sair de traz, com a bola controlada, para cima do adversário e criar situações de ruptura nas defesas contrárias, proporcionando aos meus colegas boas assistências. As posições de médio ala ou médio interior, penso que são os lugares aos quais me adapto e rendo mais. Na segunda época de Juvenil, com o mister Vitinha e depois com o mister Ricardo, joguei a médio centro.

E no Marinhense, em que posição jogavas?
No meu primeiro ano de Júnior, a disputar o Campeonato Nacional da Segunda Divisão, com o mister Tiago, joguei sempre em posições ofensivas. Treinava três vezes por semana, assim como no União de Leiria. Só que a distância entre Golpilheira e Leiria e Golpilheira e Marinha Grande não é a mesma. A deslocação, para poder aproveitar mais tempo para estudar, era feita em carro próprio. Foi a situação do transporte que originou o meu abandono da competição, mais ou menos a meio da época. A minha integração não foi difícil, até porque a linguagem futebolística é universal. Já na parte social poderá haver aqui e ali pequenos atritos, mas que se ultrapassam com o decorrer do tempo. Ao princípio até comecei por ser titular, tendo depois por diversos motivos ter perdido esta titularidade. No entanto, jogava, ou pouco ou muito, em quase todos os jogos.

Desde que ingressaste na U. D. de Leiria e A. C. Marinhense, como avalias a tua progressão, até este momento?
Tive uma boa evolução, já que trabalho sempre muito nos treinos com o objectivo de aprender e ser cada vez mais forte. Aprendi sempre com cada um dos treinadores que tive, apesar de cada um ter o seu método de trabalho, o que também é normal e natural.

Como te defines como jogador?
Boa visão de jogo, boa técnica e rápido. Bom remate com o pé direito, e estou a aperfeiçoar o remate com o pé esquerdo. Apesar de ter uma baixa estatura, penso que tenho um bom jogo de cabeça. Sou um batalhador nato, que nunca vira a cara à luta. Dou sempre tudo dentro do campo.

Apesar de teres abandonado a equipa Júnior do A.C. Marinhense na época passada, o que pensas fazer para a próxima, até porque ainda és um atleta Júnior?
Sinceramente ainda não sei. O factor que mais vai pesar na minha decisão é o meu percurso escolar. Vou para o 12.º ano e quero seguir para o Ensino Superior. Tenho objectivos já delineados e quero atingi-los. A informática é o meu sonho.

Pensas enveredar pelo profissionalismo, quando chegares à idade de sénior?
Não penso nisso agora, apesar de gostar muito de futebol, mas quero encontrar o meu futuro num curso superior.

Se conseguires um dia conciliar o futebol com os estudos, continuas a pensar tirar um curso superior?
Claro. É essencial ter mais de uma alternativa para trabalhar e ganhar o pão de cada dia, até porque a profissão de futebolista é efémera.

Qual o Clube onde foste mais feliz?
Foi na Golpilheira. Construímos ao longo dos anos uma família que ainda hoje perdura. Gostei também muito do meu primeiro ano no Leiria, especialmente pelo treinador que tive. Nos outros dois anos não fui tão feliz.

Qual o treinador, ou treinadores que mais te marcaram?
Foram três: Na Golpilheira, o Luís Rito e o Chalana. O Luís Rito, com o qual aprendi a dar os primeiro passos no mundo do futebol. O Chalana, que para mim e para todos os meus colegas não era apenas um treinador atento, mas também um amigo, com quem podíamos conversar. Ele ajudou-me a crescer como atleta e como homem. Sabia ouvir, compreender e aconselhar. No Leiria, sem dúvida, o Fredy. Apesar de ter tido com ele algumas salutares "picardias", pois as nossas personalidades são muito idênticas, gostei muito do seu método de trabalho, a força e a confiança que transmitia para dentro do campo, a intensidade com que vive qualquer jogo. Conversava muito comigo, dando-me muitos e bons conselhos. Não se deixava influenciar por ninguém. Um ídolo para mim.

Para terminar, queres enviar alguma mensagem para os atletas dos escalões de formação do C. R. da Golpilheira?
A primeira coisa que tenho para vos transmitir é que dá sempre para conciliar o desporto com os estudos. Que se apliquem nos treinos, desfrutem destes anos únicos na vossa vida, que jamais vão esquecer. Nestas idades em que predomina a ausência de maldade, a simplicidade e a naturalidade, desfrutem bem dela. Oiçam com atenção os conselhos dos vossos treinadores. E não se esqueçam: no final dos jogos no mítico Campo das Barrocas, há bifanas para todos.

Festa do Senhor Bom Jesus dos Aflitos



Foto-reportagem

O Padroeiro da comunidade cristã da Golpilheira, Senhor Bom Jesus dos Aflitos, foi comemorado a preceito numa grandiosa festa, nos passados dias 30, 31 de Julho e 1 de Agosto.
A organização esteve a cargo dos naturais e residentes na freguesia nascidos em 1971, mas podemos dizer que o segredo do sucesso se deve à colaboração de cerca de uma centena de voluntários que não mediram esforços para que tudo corresse da melhor maneira. Desde os preparativos da ida à murta, da elaboração do cordão e da montagem de todo o arraial, até ao assegurar dos vários bares, restaurante, café da avó, tendas de jogos, etc., muitas foram as pessoas que deram uma cor muito especial a este evento.
É por isso que damos cor também a esta foto-reportagem, porque mais importante do que relatar como foi, é mostrar algumas imagens. Elas servem também para dar um “muito obrigado” a todos os que contribuíram para a festa, seja com mão-de-obra, seja com materiais, seja em patrocínios e ofertas monetárias.
Poderá, entretanto, conferir muitas outras fotos no site do jornal, em www.jornaldagolpilheira.com.

Fotos: Luís Miguel Ferraz e Manuel Carreira Rito

Campanha “Sécur’été 2011” na discoteca Palace Kiay

“Chegue inteiro, não em primeiro!”
No dia 9 de Agosto, o Jornal da Golpilheira participou na campanha de prevenção rodoviária "Noite Especial Sécur’été 2011", na discoteca Palace Kiay, em Pombal. O jornal, parceiro desta campanha, acompanhou o trabalho dos voluntários na sensibilização à entrada e à saída da discoteca.

À chegada, os condutores foram alertados e era-lhes entregue uma pulseira verde com o "rótulo de responsabilidade". Estas pessoas comprometiam-se, assim, a não exceder o limite de álcool autorizado por lei. À saída, fizeram o teste de alcoolemia e, caso cumprissem o prometido, ganhavam um saco de brindes: folhetos, porta-chaves, bolsas, agendas, coletes reflectores e outros mimos.

A ideia passaria por alertar os jovens para os perigos da condução sob efeito do consumo de álcool ou drogas, nomeadamente, aquando das saídas nocturnas.

Esta acção foi desenvolvida pela associação Cap Magellan que, desde 1991, promove a cultura portuguesa e intervém na comunidade lusófona, em França. Todos os anos são desenvolvidas pela associação actividades culturais e informativas. Neste contexto surgiu a campanha de prevenção e segurança rodoviária, que está activa desde 2003 e tem como objectivo informar os condutores portugueses e luso-descendentes que se deslocam de carro a Portugal durante as férias de Verão. Informa ainda sobre as precauções a ter durante longas viagens de carro e inclui também a distribuição de material de sensibilização aos perigos do consumo de álcool e drogas ao volante em áreas de serviço e discotecas. Este ano, a campanha "Sécur’été 2011" contou com a colaboração de cerca uma centena de voluntários.

Ângela Susano


PREVINA OS RISCOS

Os acidentes na estrada são a principal causa de internamento de pessoas com menos de 55 anos e de morte de jovens entre os 15 e os 24 anos. Todos os cuidados são poucos:

- Antes da partida, verifique todo o veículo

- Pare pelo menos de 2 em 2 horas, faça uma pequena sesta, estique o corpo, passeie. A fadiga provoca uma diminuição da vigilância e aumenta o tempo de reacção do condutor. Um acidente em cada 3 é causado pela sonolência.

- É obrigatório manter uma distância de segurança, que equivalha a pelo menos dois segundos, em relação ao veículo da frente, de modo a ter tempo reagir em caso de perigo.

- O álcool e a droga têm consequências negativas e imediatas na condução. Em França, Espanha e Portugal, o limite legal de álcool no sangue é de 0,5g/l.

- Não conduza segurando o telemóvel com a mão. Utilize um kit de mãos-livres ou auricular.

- O uso do cinto é obrigatório. A taxa de mortalidade é cinco a seis vezes maior nos passageiros que não apertam o cinto de segurança.

- A velocidade é limitada em toda a rede rodoviária, variando de país para país.




Uma campanha de obras no Mosteiro da Batalha em 1750-1751

(Especial Leituras de Férias)

Por Saul António Gomes

Conhece-se de uma forma bastante razoável a evolução das obras de construção do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, da Batalha. Iniciadas as fundações por volta de 1386-1387, o complexo monástico mostrava os primeiros sinais de edificação consolidada no ano de 1388, momento que o rei D. João I, por aconselhamento de Fr. Lourenço Lampreia e do Dr. João das Regras, o doou à Ordem de S. Domingos. Como os padres dominicanos, naquele tempo, não se mostravam particularmente devotos do mistério da Imaculada Conceição, o monarca hesitou algum tempo em formular-lhes a doação. Bons e convincentes argumentos manifestou, seguramente, o hábil Dr. João das Regras, para conseguir do rei tão grandes mercê e favor aos irmãos seguidores do hábito de Domingos de Gusmão.

O Mosteiro cresceu com a consolidação da nova dinastia. Depois de 1415 tornou-se panteão régio. Acrescentaram-se novas construções ao projecto inicial. Foi o caso da Capela do Fundador, em construção em 1426, das chamadas Capelas Imperfeitas, projectadas por Mestre Huguet, ao serviço do rei D. Duarte, do conhecido claustro de D. Afonso V, da conclusão do difícil abobadamento da sala do capítulo e de algumas outras obras e dependências com funções domésticas e culturais. Por 1509, o Mestre Mateus Fernandes I concluía a reforma do magnífico portal das Capelas Imperfeitas e avançava-se no preenchimento das bandeiras das arcadas do claustro real ou de D. João I.

Com D. João III, as obras na estrutura mais monumental e religiosa do monumento descontinuaram-se. Mas, em contrapartida, deu-se azo ao levantamento de novos corpos arquitectónicos mais funcionais para a vida da comunidade religiosa. Ampliaram-se a hospedaria e as alas dos dormitórios dos frades. O estudo desse processo de obras de acrescentamento do cenóbio mereceu competente aprofundamento, recentemente, ao Dr. Pedro Redol (Batalha. Viagem a um Mosteiro desaparecido com James Murphy e William Beckford, Cepae e Folheto, Batalha, 2011). Levavam-se a cabo, ainda, obras de vulto no edifício monástico nos finais do Século XVI, como, de novo, por 1690, conforme pudemos revelar em artigos publicados nas páginas deste jornal.

Obras quase constantes, diremos; umas de renovação ou de reparação, outras de remodelação e outras, finalmente, de ampliação do complexo conventual dominicano. Sabemos, como se pode comprovar pelos documentos que agora editamos, que se levavam a cabo empreitadas de obras neste instituto pelos anos de 1750 e 1751. Foi ainda o rei D. João V que, por intermédio do seu ministro, o Marquês de Abrantes, e pouco tempo antes de morrer (o monarca faleceu, recorde-se, em 31 de Julho de 1750), patrocinou uma campanha de “reedificação” dentro do Mosteiro.

Não dispomos de muitos elementos para identificar que obras foram essas. Sabemos, todavia e pelas fontes que aqui deixamos publicadas, que implicaram uma intensa utilização de madeiras. Madeiras extraídas dos Pinhais de Leiria, por benevolência real, e no admirado Engenho de Serração, montado por engenheiros holandeses naquele lugar, devidamente aparadas. Pelas relações que nos chegam dessa matéria-prima, podemos deduzir que a madeira de pinho se destinava a coberturas, pavimentos e forros de algumas instalações conventuais. Numa campanha de obras que se abria em 1750 e continuava no ano seguinte. Obras, portanto, morosas quanto ao tempo de execução e naturalmente dispendiosas do ponto de vista financeiro.

Quais fossem elas, e por que motivos se levavam a cabo, todavia, não o podemos afirmar, mas localizar-se-iam, de seguro, nas áreas habitacionais ou de serviço da comunidade religiosa. Os documentos falam em “reedificação”. Por arruinamento de alguma construção? Por calamidade natural ou algum incêndio que tenha danificado algum sector do monumento? Só uma investigação mais aprofundada nos permitirá responder a estas dúvidas.



Documentos

Doc. 1

1750 JUNHO, 26, Lisboa — O Marquês de Abrantes, por determinação régia, manda ao Guarda-Mor dos Pinhais de Leiria que entregue aos Religiosos do Convento da Batalha, para reedificação do mesmo, determinada quantidade de madeira.

[A e A’ (fl. 7)] Direcção Geral de Arquivos – Torre do Tombo — Mosteiro da Batalha, 2º Compartimento, E. 18, P. 7, Mº 5 (documentos avulsos não numerados).

Nº 148º [‘] Nº 150º

Rubricado: (Ass. Saraiva)

O Marques de Abrantes do Conselho de El Rey meu Senhor, gentil homem de sua Camara e vedor da sua Real Fazenda etcª. Mando a vos Guarda mor dos Pinhais de Leyria façaes entregar aos Religiozos do Convento de Nossa Senhora da Victoria da vila da Batalha as madeiras contheudas na relação incluza e assignada pello official mayor da Secretaria de Estado João de Leira, de que Sua Magestade lhe fez esmolla para reedificação do mesmo Convento, por avizo do Secretario de Estado dos Negocios do Reino Pedro da Mota e Silva, o que comprireis e fareis cumprir promptamente. Theotonio Ferreira dos Santos a fez, em Lisboa, a vinte e seis de Junho de mil setecentos e sincoenta annos.

(Ass.)

Joze Felis Rebello o fez escrever.

Marques de Abrantes. //

[Fl. 1v]

Por avizo do Secretario de Estado dos Negocios do Reino Pedro da Mota e Silva de 29 de Mayo de 1750.

[Fl. 7]

[A’]

Cumpra-se e registeçe na forma costumada conforme Sua Magestade ordena.

Quinta do Senhor dos Milagres, em 18 de 7bro de 1750

(Ass.)

Leyra.

[Fl. 7v]

Por avizo do Secretario de Estado dos Negocios do Reino, Pedro de Motta e Silva de 29 de Mayo de 1750.

Doc. 2

1750 MAIO, 27, [Lisboa] — Relação da madeira a entregar pela administração dos Pinhais de Leiria ao Mosteiro da Batalha para as obras que nele decorriam.
Direcção Geral de Arquivos – Torre do Tombo — Mosteiro da Batalha, 2º Compartimento, E. 18, P. 7, Mº 5 (documentos avulsos não numerados).

Nº 149º [A’- Nº 151º, fl. 9]

Rubricados: (Ass.) Saraiva.

Relaçam da madeira que Sua Magestade faz esmolla ao Convento de Nossa Senhora da Victoria da vila da Batalha para empregar nos concertos do mesmo Convento que se entregará a ordem do Padre Prior delle no Engenho da Serra do mesmo Senhor.

07 vigas de 35 palmos de comprimento.

24 ditas de 18 palmos de comprimento.

18 barrotes de 30 palmos de comprimento.

68 ditos de 25 palmos de comprimento.

12 ditos de 20 palmos de comprimento.

516 ditos de 15 palmos de comprimento.

10 frexaes de 15 palmos de comprimento.

34 duzias de taboado de moldura ordinária.

4 ½ do dito de 20 palmos de comprimento.

264 duzias de taboado de solho.

204 duzias de taboado de forro.

210 duzias de ripas ordinárias.

20 duzias de ripas de meio palmo de largo e grossura de moldura.

4 planchões de 24 palmos de comprimento e 2 palmos de largura.

9 duzias de couçoeiras ordinárias.

2 duzias ditas de 21 e 22 palmos de comprimento.

4 duzias e meia de 20 e de 18 palmos de comprimento.

5 duzias ditas de 15 e de 14 palmos de comprimento.

3 duzias ditas de 12 palmos de comprimento.

1 duzia e duas ditas de 18 palmos de comprimento e 2 palmos de grosso.

2 duzias ditas de 12 palmos de comprimento e meio palmo de grosso.

Paço 27 de Mayo de 1750.

[A’] (Ass.) João de Leyra.


Doc. 3

1751 ABRIL, 26, Lisboa — O Marquês de Abrantes, em nome de el-rei, manda ao Guarda-Mor dos Pinhais de Leiria que entregue ao Convento do Mosteiro da Batalha a madeira que lhe fosse necessária para obras de reedifição que decorriam no mesmo.

Direcção Geral de Arquivos – Torre do Tombo — Mosteiro da Batalha, 2º Compartimento, E. 18, P. 7, Mº 5 (documentos avulsos não numerados).

Nº 147º

Rubricado: (Ass.) Saraiva.

O Marques de Abrantes do Conselho de El Rey meu Senhor, gentil homem de sua Camara e vedor da sua Real Fazenda etcª. Mando a vos Guarda mor dos Pinhaes de Leyria, façais complectar aos Religiosos do Convento de Nossa Senhora da Victoria da villa da Batalha a mercê que consta do mandado incluzo da madeira contheuda na relação junta assignada pello official mayor que foy da Secretaria de Estado, João de Leyra, de que Sua Magestade lhes fez mercê para reedificação do seu Convento, com declaração porem que esta madeira será serrada dentro no Engenho da Serraria, a tempo que se não impida o lavor da madeira para o real serviço, e não em outra alguma serraria, sendo toda a despeza de lavor e condução á custa das partes, não se lavrando mais madeira que a que faltar para preencher o numero da sobreditta relação junta, por Sua Magestade assim o ordenar por avizo do Secretario de Estado dos Negocios da Marinha Diogo de Mendonça Corte Real, de doze de Março passado. O qual cumprireis promptamente mandando fazer toda a arrecadação necessária. Manoel de Mattos Felgueiras do Lago a fez, em Lisboa, a vinte e seis de Abril de mil e settecentos sincoenta e hum annos.

(Ass.)

Sebastiam Xavier da Gama Lobo a fez escrever.

Marques de Abrantes. //

[Fl. 1vº]

Por avizo do Secretario de Estado de 12 de Março e despacho do Concelho de 24 de Abril de 1751.




In Memoriam: Maria Hercília Zúquet

(Especial  Leituras de Férias)
Também à nossa volta, entre os conhecidos, na nossa família ou comunidade, na nossa paróquia e diocese, encontramos gente que viveu de modo admirável a caridade para com o próximo. Fê-lo naturalmente segundo as suas capacidades e meios, na atenção e resposta às necessidades descobertas e aos apelos recebidos. São pessoas movidas pela fé cristã e pelo amor que o Espírito Santo derramou nos seus corações. É o caso de uma mulher que faleceu recentemente, Maria Hercília Zúquet, que conheci pessoalmente somente na fase final da sua vida.
Nascida em Lisboa numa família abastada no ano de 1924, Maria Hercília de Sales D’Oliveira Zúquet, era filha de António de Oliveira Zúquet e de Maria Júlia Sales d’Oliveira Zúquet. Residiu na Batalha e em Leiria, acabando por falecer em Fátima a 28 de Junho de 2011. Desde cedo assumiu a vida cristã com convicção e empenhou-se no apostolado em movimentos como os noelistas e a Acção Católica. Na paróquia da Batalha trabalhou na catequese e na formação apostólica. Mais tarde viria também a ser nomeada ministra extraordinária da comunhão, exercendo este serviço em favor dos fiéis nas celebrações ou na visita aos doentes.
Foi sobretudo na acção social que se distinguiu. Em 1948, a pedido do bispo de Leiria de então, D. José Alves Correia da Silva, começou a organizar o trabalho de apoio educativo, lúdico e social às crianças que frequentavam o ensino primário, ocupando-as após a saída da escola. Pouco tempo de depois, esse serviço foi alargado às crianças antes da idade escolar e ainda aos bebés. Daí surgiram uma creche (Beato Nuno), um Jardim infantil (Mouzinho de Albuquerque) e as Actividades de Tempos Livres (ATL). Mantinham-se com a contribuição das famílias das crianças e a as dádivas pessoais de Maria Hercília. Esse contributo durou praticamente até à sua morte, investindo nessa obra social quantias avultadas do seu património. Desde 1983, estas valências passaram a contar também com o apoio da Segurança Social mediante subsídios acordados. Actualmente, a instituição, nas suas três valências, tem a frequência de cerca de 100 crianças, educadas por cerca de 20 pessoas.
Desde 1952, esta iniciativa integrou-se na Junta de Acção Social da Diocese de Leiria, entretanto criada pelo Cónego José Galamba de Oliveira com a colaboração de outros homens e mulheres cristãos. Visava, entre outros, os seguintes objectivos: "promover a fundação e organização de obras de assistência moral e material e de serviço social que se considerem necessárias em cada meio; amparar e ajudar essas e outras obras católicas similares que o desejem, a realizar os seus fins caritativos; fomentar a preparação de pessoal directivo e administrativo que sirva de garantia ao bom funcionamento das obras; procurar unidade de acção e de orientação e um entendimento perfeito entre as obras já existentes e as que vierem a fundar-se".
No desta acção social diocesana dinamizada e orientada pelo Cónego José Galamba, nos anos 50 do século passado, a Maria Hercília colaborou em campanhas de alfabetização e formação doméstica para raparigas na Cova da Iria, Moita, Lomba d’Égua, Aljustrel e outros lugares vizinhos de Fátima, nas colónias de férias para crianças no Foz do Arelho, centros materno-infantis assistidos por enfermeiras, na Batalha, Alqueidão da Serra, S. Mamede, Reguengo do Fetal, Freixianda e Marinha Grande. Neste mesmo sentido, foi criada a Escola de Formação Social, em Leiria, ainda existente, e a Casa do Trabalho, que subsistiu até há pouco tempo.
Além das obras sociais e educativas que orientava e mantinha, a Maria Hercília, que dispunha de consideráveis bens materiais herdados da família, contribuiu com generosas ofertas para instituições públicas e particulares de solidariedade ou de utilidade comunitária como os bombeiros, a Santa Casa da Misericórdia e a paróquia da Batalha. Deu também consideráveis ofertas ao Seminário, à diocese de Leiria-Fátima e a outras instituições eclesiais. Não esqueceu também os familiares, a quem agraciou com boas dádivas, e os pobres, especialmente as famílias das crianças que frequentavam por vezes gratuitamente as obras educativas e sociais por ela orientadas. Foi portanto uma mulher que se sentiu chamada ao apostolado e à caridade. E soube corresponder com a dedicação total da sua pessoa e com uma generosa aplicação dos seus bens. Pela sua pessoa e obra, louvamos e agradecemos a Deus!

Pe. Jorge Guarda, Vigário-Geral da Diocese

A prioridade do "bem-comum"

Bispos portugueses falam do actual momento da sociedade
(Especial Leituras de Férias) 
Os cristãos e todos os portugueses sabem que nós, Bispos e sacerdotes, evitamos tomar posição sobre as questões da política directa, preservando o nosso ministério espiritual, da polémica que naturalmente acompanha o debate partidário. Foi por isso que não respondemos às diversas solicitações que nos foram feitas para que falássemos no período que antecedeu as últimas eleições legislativas.
E se o fazemos hoje, depois do Povo Português ter indicado, pelo seu voto, o rumo que deseja para Portugal, não é para comentarmos politicamente os resultados, mas porque achamos que a Palavra da Igreja pode ajudar a discernir o caminho da salvaguarda do "bem-comum" de toda a sociedade, no momento difícil que Portugal atravessa.
Verificámos que alguns líderes políticos, no calor da disputa eleitoral, referiram a Doutrina Social da Igreja para secundar as suas propostas políticas. Tinham o direito de o fazer, pois a vastíssima doutrina da Igreja sobre a sociedade pode, realmente, inspirar programas de governação. É nessa perspectiva que ousamos, neste momento particularmente delicado do nosso País, sublinhar os seguintes aspectos:


1. A prioridade do "bem-comum" de toda a sociedade sobre interesses individuais e grupais é um dos pilares da doutrina da Igreja sobre a sociedade e que pode, neste momento, inspirar as opções governativas. Vamos pôr o bem da sociedade em primeiro lugar. Isso exige generosidade de todos na colaboração e aceitação dos caminhos necessários, na partilha de energias e bens, na moderação das opções ideológicas e estratégicas. Partidos, sobretudo os seus representantes que o Povo elegeu, as associações laborais, empresariais e outras, são chamados à generosidade de defenderem os seus direitos e interesses, dando prioridade total ao bem de toda a sociedade.


2. Além de generosidade, este momento exige, de todos os portugueses, grande realismo. A situação diminui a margem, legítima em democracia, para utopias. É este sentido de realismo que nos indica que devemos procurar soluções para Portugal no quadro social, político-económico em que está inserido: União Europeia, zona da moeda única, conjunto de países que se estruturam na base do respeito pela pessoa humana e pela sua liberdade, concretamente da liberdade de iniciativa económica.
Isto não pode resignar-se ao inevitável. Portugal tem de dar o seu contributo à evolução positiva, concretamente da União Europeia e da zona Euro, e só o fará se resolver positivamente, reconquistando a credibilidade, o momento que passa. Deve fazê-lo procurando que o esforço de equilíbrio financeiro não prejudique a economia, e que não se relativize a importância da saúde, da cultura e da educação.

3. A Doutrina Social da Igreja baseia a prioridade do "bem-comum" na vocação comunitária da sociedade. Esta não é um agregado de "indivíduos", mas tende a ser comunidade, onde cada um se sente corresponsável pelo bem de todos, onde cada homem e mulher é nosso irmão.
Esta dimensão comunitária é prioritária na visão da Igreja. O amor fraterno, com a capacidade de dom, é o valor primordial na construção da sociedade. Sempre, mas de modo especial neste momento que atravessamos, os pobres, os desempregados, os doentes, as pessoas de idade, devem estar na primeira linha do amor dos cristãos. Este é um dever prioritário da Igreja, que ela quer realizar pelos seus meios próprios, mas em colaboração com todos os que procuram o "bem-comum". Esta atitude exige generosidade e capacidade de dom, de que o voluntariado é uma expressão nobre. Os próximos tempos vão exigir partilha de bens. Mas não é a mesma coisa partilhar generosamente, e ser obrigado a distribuir. Temos de criar um dinamismo colectivo de generosidade e de partilha voluntária, fundamentada no amor à pessoa humana.


4. Há ainda na nossa sociedade muitas expressões de egoísmo, que vão desde a corrupção ao enriquecimento ilícito, a uma visão egocêntrica do lucro, etc. Uma ética da generosidade, da honestidade e da verdade tem de fazer parte da cultura a valorizar. O próprio sistema de justiça tem de ser um serviço que combata os atropelos à generosidade, à honestidade e à verdade. Sem um bom sistema de justiça, nenhuma sociedade será verdadeiramente justa.
Este momento de crise pode levar-nos a todos a lançar os dinamismos para a construção de uma sociedade mais fraterna e solidária. A Igreja quer, não apenas pela sua palavra, mas pelo seu compromisso na acção, ser a afirmação da esperança.


Fátima, 14 de Junho de 2011
Conferência Episcopal Portuguesa







As setas, os asteriscos e a maldição dos quadros explicativos

(Especial: Leituras de Férias)
Estive a ver nos manuais da antiga 4.ª classe ao actual 12.º ano os nomes das disciplinas de Português e História. É assustador
Alinhei-os todos numa mesa. Vão desde a antiga 4.ª classe ao actual 12.º ano. São várias dezenas de manuais escolares das disciplinas de Português e História, ou melhor dizendo, dos vários nomes que essas duas disciplinas têm tido ao longo dos últimos 40 anos. O resultado é assustador.

1.Crianças grandes. Ao arrumá-los por data de publicação o que imediatamente sobressai é a infantilização patente nos actuais manuais. Por exemplo, um manual de Português de 1972, usado no equivalente ao actual 7.º unificado, só tem paralelo no trato adulto daqueles a quem se dirige nos manuais actualmente destinados ao 10.º ano (e mesmo assim o 10.º ano está aqui com muita benevolência). Hoje dificilmente encontramos nos manuais de Português uma página em que só haja texto. Que não tenha uma caixinha com linhas de leitura, um quadrinho explicativo, um asterisco a indicar os significados das palavras tidas como difíceis, uma fotografia daquelas de banco de imagem que dão bem com tudo, umas ilustrações quase invariavelmente a remeterem para os livrinhos do jardim-de-infância, o crucigrama (vulgo palavras cruzadas) e o inevitável quadro das correspondências.
Na fantasia barroca constituída pelas páginas destes manuais detecta-se uma espécie de horror ao vazio, ou seja, à possibilidade de alunos e professores ficarem sós perante um texto. É como se alunos e professores tivessem como objectivo não aprender e ensinar mas sim a execução de umas actividades comuns. De preferência envoltas numa parafrenália lúdico-desconstrutiva que os tornará "giros".
Como já escrevi várias vezes, tenho inúmeras reservas quanto ao desperdício de dinheiro e papel representado pelo facto de em Portugal não se reutilizarem os manuais escolares. Contudo, no que ao conteúdo dos manuais respeita, creio que os editores se limitam a seguir o ar do tempo. E o ar do tempo das últimas décadas levou a que se tratassem os jovens como adultos no que respeita à sua sexualidade, lazer, poder de compra, e como crianças no que toca aos seus deveres e à sua condição de alunos. É tempo de nos interrogarmos como pode ser possível que os alunos dos anos 70 resolvessem no equivalente ao actual 9.º ano testes que agora fazem vacilar os seus colegas do 12.º ano.
Os alunos de hoje não são menos inteligentes que os do passado, as escolas estão actualmente muito melhor apetrechadas, por pouco alfabetizados que sejam os pais de muitos alunos certamente que têm muito mais habilitações que os pais das gerações anteriores. Mas creio que se há 40 anos nos tivessem tratados como criancinhas o resultado não teria sido nada diferente do actual. Provavelmente, teria sido até bem pior.


2. O horror à literatura e aos livros. Se alguma coisa emana dos manuais de Língua Portuguesa ou Português do 9.º, 10.º, 11.º e 12.º anos é um profundo fastio aos livros em si mesmos. Obras como O Auto da Barca do Inferno, Os Lusíadas, A Aia, Folhas Caídas, O Primo Basílio ou Os Maias são devidamente esquartejados em capítulos, excertos e parágrafos seleccionados. O critério para esta segmentação está longe de ser claro - num dos manuais mais populares em vigor no 9.º ano não consta o episódio do Velho do Restelo - e basicamente as obras são desconjuntadas de molde a ilustrarem as teses que constam nas fichas de leitura e quadros interpretativos. Creio que muitos alunos terminam o 12.º ano sem terem consciência de que aqueles pedaços de texto constituem livros e que esses livros têm muitas outras páginas que mereciam ser lidas. Por fim, esta apresentação "mastigada" de alguns dos nossos melhores autores contribui para aquela nefanda ideia de que existem livros fáceis e livros difíceis.
Seria um extraordinário contributo para o gosto pela literatura que em vez desses grossos volumes de literatura às postas que são os manuais do 10.º ao 12.º anos, os alunos passassem a usar as edições anotadas destas obras, cujo valor monetário todo somado é mais ou menos o do manual.


3. Sem rei nem roque. A tabuada e os reis foram durante anos os símbolos da pérfida memorização. As crianças memorizam canções, dezenas de nomes de actores, jogadores, cantores, jogos, etc., mas memorizar o nome dos sucessores de D. Afonso Henriques e a tabuada dos nove eram exercícios vistos como desumanos, além de inúteis.
O paradigma da total inutilidade ia para os exames cuja extinção era tida como certa. Se procurarem nas edições do Diário de Lisboa e do Diário Popular dos anos 80 encontrarão vozes tidas como profundamente informadas na matéria desenhando um futuro onde os exames não constariam. Como se percebe, a profecia sobre os exames transformou-se numa maldição e agora vivemos assombrados pelo peso dos exames escolares.
A tabuada também já foi recuperada. Já os reis, entendendo por reis a sequência cronológica da História de Portugal, continuam arredados. Porque o ensino cronológico da História, sobretudo tendo essa cronologia como marco a figura de cada rei, foi vista como uma opção reaccionária perante a modernidade representada pela apresentação da História como os movimentos da burguesia e do povo contra a aristocracia, depois do povo contra a burguesia... enfim, tudo sempre no colectivo. Com o passar dos anos foram-se incluindo uns rostos no meio dessas movimentações sociais mas não se percebe qual a continuidade entre os factos. No 8.º ano de escolaridade pula-se do desenvolvimento do iluminismo para as invasões francesas e posteriores revoltas liberais. Como praticamente não se refere o reinado de Dona Maria I, e a transferência da corte portuguesa para o Brasil é resolvida em duas linhas, o mínimo que se pode concluir é que os alunos das escolas portuguesas sabem tão pouco que nem percebem que nesta narrativa falta qualquer coisa.
É certo que os alunos quando chegam ao 8.º ano já ultrapassaram aquela que deve ser a mais espantosa súmula da História de Portugal. A saber, o programa do 5.º ano, que começa com os povos recolectores na Península Ibérica e vai até ao absolutismo do século XVIII. Pelo meio, devidamente arrumados em unidades, ficaram, e passo a citar o índice de um manual em vigor: os povos agro-pastoris, os povos visitantes, os romanos, os muçulmanos, o reino de Portugal, os grupos sociais e actividades económicas no século XIII, as terras senhoriais no século XIII, os mosteiros no século XIII, os concelhos no século XIII, a crise de 1383-1385, as descobertas do século XV, o império português nos século XV e XVI, o encontro dos mundos, Lisboa quinhentista, o tempo dos Filipes e a Restauração, o açúcar e o ouro do Brasil.
A não ser que os infantes de dez e onze anos que frequentam o 5.º ano tivessem uma preparação de excelência a História no ensino primário - e não têm e provavelmente nem deverão ter -. só podem sair completamente desnorteados destas aulas, destes programas e destes manuais.


4.Será que é desta? Penso que com uma crise desta dimensão fica óbvio que não se pode continuar a impor às famílias que gastem em média cem euros por cada filho em idade escolar em manuais. E também não se deve considerar que o Estado pagará por aquelas que têm menos recursos. A partir do 5.º ano, os manuais escolares podem e devem ser utilizados mais do que num ano lectivo. Deitá-los fora como hoje acontece é um desperdício intolerável que agora se tornou também insustentável.
Helena Matos, ensaísta, in Público (2011-06-23)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Poder descansar

(Especial: Leituras de Férias)


Os discípulos regressavam da primeira missão, muito entusiasmados com a experiência e com os resultados obtidos. Não paravam de falar sobre os êxitos conseguidos. Com efeito, o movimento era tanto que nem tinham tempo para comer, com muitas pessoas à sua volta.
Talvez esperassem ouvir algum elogio por tanto zelo apostólico. Mas Jesus, em vez disso, convida-os a um lugar deserto, para estarem a sós e descansarem um pouco.
Creio que nos faz bem observar neste acontecimento a humanidade de Jesus. A sua acção não dizia só palavras de grandeza sublime, nem se afadigava ininterruptamente por atender todos os que vinham ao seu encontro. Consigo imaginar o seu rosto ao pronunciar estas palavras. Enquanto os apóstolos se esforçavam cheios de coragem e importância que até se esqueciam de comer, Jesus tira-os das nuvens. Venham descansar!
Sente-se um humor silencioso, uma ironia amigável, com que Jesus os traz para terra firme. Justamente nesta humanidade de Jesus torna-se visível a divindade, torna-se perceptível como Deus é.
A agitação de qualquer espécie, mesmo a agitação religiosa não condiz com a visão do homem do Novo Testamento. Sempre que pensamos que somos insubstituíveis; sempre que pensamos que o mundo e a Igreja dependem do nosso fazer, sobrestimamo-nos.
Ser capaz de parar é um acto de autêntica humildade e de honradez criativa; reconhecer os nossos limites; dar espaço para respirar e para descansar como é próprio da criatura humana.
Não desejo tecer louvores à preguiça, mas contribuir para a revisão do catálogo de virtudes, tal como se desenvolveu no mundo ocidental, onde trabalhar parece ser a única atitude digna. Olhar, contemplar, o recolhimento, o silêncio parecem inadmissíveis, ou pelo menos precisam de uma explicação. Assim se atrofiam algumas faculdades essenciais do ser humano.
O nosso frenesim à volta dos tempos livres, mostra que é assim. Muitas vezes isso significa apenas uma mudança de palco. Muitos não se sentiriam bem se não se envolvessem de novo num ambiente massificado e agitado, do qual, supostamente, desejavam fugir.
Seria bom para nós, que continuamente vivemos num mundo artificial fabricado por nós, deixar tudo isso e procurarmos o contacto com a natureza em estado puro.
Voltamos a afirmar que no mundo artificial fabricado por nós, Deus não aparece. Por isso, temos necessidade de sair da nossa agitação e procurar o ar da criação, para O podermos contactar e nos encontrarmos a nós mesmos.
Bento XVI, Papa (In Esplendor da Glória de Deus)

“Geração à Rasca” ou “Geração Coragem”

(Especial: Leituras de Férias)

Na celebração litúrgica da Bênção da Fitas dos Universitários de Lisboa tive a oportunidade de ouvir o Senhor Cardeal Patriarca pôr em alternativa à “geração à rasca” uma desejável “Geração Coragem”. Que feliz contraposição!
Ali perguntei-me, o que desejo para os meus filhos, para os meus sobrinhos, para os amigos deles ou mesmo para todos os jovens? – “Que sejam a geração coragem”. É a resposta que rebenta dentro do peito de qualquer das mães que ali estava.
“Coragem” é uma palavra que provém (seguindo uma busca breve que fiz) do latim “cor” que significa “coração”. E, no dizer do dicionário – coragem é “firmeza de espírito, ânimo, valentia e perseverança”. Mas também a palavra “cor” tem no dicionário o sentido “coração, coragem, afecto, desejo”. Aliás, a antiga expressão popular “saber de cor” significa que o coração era tido como o centro da capacidade de saber e de memória. Em latim “cor” também significa “ ânimo, qualidade espiritual de bravura e tenacidade”. Daí a palavra coragem ter vindo do latim “coratium” de coratum (em francês “courage” de coração, “coeur”).
Quando ouvi aquela expressão “geração coragem” não resisti a perguntar – serão estes jovens aqueles que agem com o coração? Estes os jovens que ouvem o que lhes diz o coração? Que desejam para a vida? Nesta fase tão marcante como é o final da licenciatura, quais as perguntas que se formulam no coração de cada um? Por baixo da capa negra que envergam, o que palpita?
Há uns anos atrás fui convidada para intervir num ciclo de conferências de uma juventude partidária. Mandaram-me o programa das conferências cujos temas eram – 1. Aborto (este era o “meu” tema); 2. Casamento Gay; 3. Eutanásia; 4. Prostituição; 5. Drogas – Legalizar Sim ou Não? – Nessa altura questionei-me dos objectivos de vida daqueles jovens. Que temas tão cinzentos? São estas as preocupações dos nossos jovens?
Seis anos volvidos, talvez apenas alguns deles tenham estado na manifestação da “geração à rasca”… ou talvez não!
E os “Jovens Coragem” (que agem com o coração) como ocupam o seu pensar? Com a sua formação pessoal e profissional, o trabalho onde vão servir, o resultado no desporto que praticam, a família que vão constituir, a casa e o bairro onde vão viver, a educação dos filhos que vão ter, a prestação cívica que vão dar, como constroem os tempos lúdicos e de diversão…?
Naquele dia o Senhor Cardeal Patriarca deu-nos o mote.
A mim cabe-me a difícil e gratificante responsabilidade de olhar para os que me estão confiados e indicar-lhes aquela fasquia de uma geração que “age com o coração”. Com esta imensa liberdade de ouvir o que o coração lhes pede para fazer. Dizer sim a uma Verdade maior, realista, alegre, exigente e até mesmo contra-corrente mas que faz caminhar para a Felicidade. E não uma vida dominada pela “escravidão” dos temas que são impostos, que nos fazem “dobrar” perante um poder que não tem rosto e onde em última instância se vive na amargura, na tristeza e no desespero.
As gerações não se fazem sozinhas. São fruto das circunstâncias que as rodeiam, e das opções que cada “eu” vai tomando.
As especiais dificuldades de uma ou outra época têm ditado fibra, génio e capacidades imprevisíveis. Não temos medo.
Naquele sábado de Maio, na majestosa Alameda da Universidade, ouvi o meu Cardeal Patriarca, o Pastor daqueles milhares de jovens, chamar pela Geração Coragem…
Isilda Pegado, Presidente da Federação Portuguesa pela Vida

As férias

(Especial: Leituras de Férias)

Entrámos no Verão, que, para quase todos, é um período de férias. Numa era em que os Governos cortam salários e subsídios e prometem aumentar a idade de reforma, vale a pena lembrar que há pelo menos um direito até agora intocado por esta tendência: o tempo das férias. Deverá também ser mudado?
Na Europa o tempo das férias é, como sabemos, generoso. Mais nuns países do que noutros. Em Portugal são 22 dias úteis, na Alemanha 20, em França os números chegam aos 30. Acrescentem-se os feriados e veremos que o período em que somos pagos sem trabalhar pode mesmo ultrapassar os 30 dias.
Angela Merkel provocou meio mundo quando há tempos, para criticar os portugueses, sugeriu que as férias deveriam ser uniformizadas na Europa. Mas, como se vê, elas já estão em grande medida uniformizadas. A surpresa é essa.
Estes números europeus costumam ser contrastados com a duração das férias nos Estados Unidos. Um relatório de 2007 do Center for Economic and Policy Research, ao fazer o levantamento das leis de férias nas economias mais desenvolvidas, concluiu que um em cada quatro trabalhadores americanos não tem férias pagas. Holandeses, italianos ou alemães têm duas vezes mais férias do que os americanos.
A diferença é marcante. E, para alguns, é precisamente isso que explica a maior produtividade dos americanos em relação aos europeus. Os americanos são mais produtivos por trabalharem mais. Para outros, é a cultura, sempre a cultura. Há uns anos o historiador inglês Nial Ferguson escreveu um ensaio cáustico intitulado The Atheist Sloth Ethic, Or Why Europeans Don"t Believe in Work [A ética ateia da preguiça, ou por que os europeus não acreditam no trabalho]. Os europeus e, em particular, os europeus do Sul acabam sempre mal tratados por comentários deste género.
É preciso, no entanto, alguma cautela quando se analisa a relação entre a produtividade dos trabalhadores e o maior ou menor tempo de férias.
Aqui há tempos, quando os suicídios de trabalhadores da France Telecom se tornaram notícia, alguém observou com razão que a infelicidade no trabalho está a crescer nas economias ocidentais. Os números confirmam-no e a depressão económica só agravou esse facto. A epidemia de mal-estar atinge hoje qualquer trabalhador do Ocidente, mas não é absurdo dizer que é mais nociva na Europa do que na América. Confesso, pensando no caso português, que nunca conheci muita gente que se sentisse feliz no trabalho. Em geral, quase todos se queixam: do salário, do superior hierárquico ou dos colegas de refeitório. Ou do país que não ata nem desata. A vida laboral corresponde, salvo excepções, a uma longa habituação ao queixume.
Forçados a rever os incentivos à produtividade, os Governos podem cair no erro de pensar exclusivamente nas férias e feriados ou no tempo de trabalho. Podem ou não ter razão. Mas não devem esquecer que muitas vezes a condição para termos ou não trabalhadores mais produtivos encontra-se não nas férias mas no grau de satisfação do trabalhador. E essa satisfação resulta de uma realidade mais complexa em que a organização do trabalho, a gestão, o próprio tempo de férias, as relações com as chefias, os sentimentos de lealdade, confiança e cooperação constituem aspectos decisivos.
Já sei o que estão a dizer: as pessoas queixam-se em demasia, desejam sempre mais, vivem do protesto e da exigência, querem entrar no Facebook durante o expediente e não as deixam. Sim, mas não caricaturem. A insatisfação no trabalho está a crescer no Ocidente e os portugueses, já de si macambúzios, não passam ilesos.
Pedro Lomba, Jurista (Público - 06/07/11)

O fim último da vida não é a excelência!

(Especial: Leituras de Férias)

Não tenho filhos e tremo só de pensar. Os exemplos que vejo em volta não aconselham temeridades.
Hordas de amigos constituem as respectivas proles e, apesar da benesse, não levam vidas descansadas.
Pelo contrário: estão invariavelmente mergulhados numa angústia e numa ansiedade de contornos particularmente patológicos.
Percebo porquê. Há cem ou duzentos anos, a vida dependia do berço, da posição social e da fortuna familiar. Hoje, não. A criança nasce, não numa família mas numa pista de atletismo, com as barreiras da praxe: jardim-escola aos três, natação aos quatro, lições de piano aos cinco, escola aos seis, e um exército de professores, explicadores, educadores e psicólogos, como se a criança fosse um potro de competição.
Eis a ideologia criminosa que se instalou definitivamente nas sociedades modernas: a vida não é para ser vivida - mas construída com sucessos pessoais e profissionais, uns atrás dos outros, em progressão geométrica para o infinito. É preciso o emprego de sonho, a casa de sonho, o maridinho de sonho, os amigos de sonho, as férias de sonho, os restaurantes de sonho.
Não admira que, até 2020, um terço da população mundial esteja a mamar forte no Prozac. É a velha história da cenoura e do burro: quanto mais temos, mais queremos. Quanto mais queremos, mais desesperamos. A meritocracia gera uma insatisfação insaciável que acabará por arrasar o mais leve traço de humanidade. O que não deixa de ser uma lástima.
Se as pessoas voltassem a ler os clássicos, sobretudo Montaigne, saberiam que o fim último da vida não é a excelência, mas sim a felicidade!
João Pereira Coutinho, Jornalista

170 - Saúde

Por Ana Maria Henriques, Enfermeira

Serviço Nacional de Saúde
O Serviço Nacional de Saúde (SNS) é o conjunto de instituições e serviços que têm como missão garantir o acesso de todos os cidadãos aos cuidados de saúde. O SNS oferece aos seus beneficiários um conjunto de instituições e serviços, designadamente Centros de Saúde e Hospitais, que prestam cuidados de prevenção e tratamento da doença, reabilitação e apoio na reinserção familiar e social do doente. Este serviço é tendencialmente gratuito.
A porta de entrada por excelência no SNS é o Centro de Saúde, útil para vigiar a saúde ou tratar alguma doença. A utilização indevida do Serviço de Urgências para consultas que poderiam ser realizadas no Centro de Saúde cria um congestionamento e uma grande dificuldade em gerir os meios neste serviço tão importante para os verdadeiros casos de urgências e emergências médicas. A marcação com antecedência e a utilização de consultas de vigilância quando necessário são fundamentais para optimizar os recursos, quer do Centro de Saúde, quer hospitalares.
É importante ter disponíveis documentos necessários, quer no Centro de Saúde, quer no Serviço de Urgência. Possibilita um melhor diagnóstico e seguimento ao utente se este estiver acompanhado pelo cartão de utente, pelas últimas análises e outros exames complementares, pelo nome dos medicamentos que foram prescritos e por uma lista sintética de problemas e sintomas.
No Centro de Saúde estão disponíveis várias consultas médicas: consultas de saúde infantil e juvenil, consultas de saúde materna, consultas de planeamento familiar e consultas de vigilância em doenças crónicas (como hipertensão ou diabetes). Nestas instituições estão também disponíveis outros serviços, como o de vacinação, realização de tratamentos/pensos e sessões de educação para a saúde. Em alguns Centros de Saúde estão também disponíveis apoio por um técnico de serviço social, exames auxiliares de diagnóstico, unidades de internamento, serviço de atendimento alargado ou permanente, consultas e apoio domiciliário.
A inscrição deve ser realizada no Centro de Saúde da área de residência e preferencialmente toda a família deve estar inscrita no mesmo médico de família. Este pode ser escolhido, mas depende das vagas na lista de doentes.
As consultas externas são realizadas em meio hospitalar por médicos especialistas em determinadas áreas. O encaminhamento para estas consultas é realizado pelo médico de família ou no seguimento de um atendimento no Serviço de Urgência.
O internamento hospitalar acontece quando o médico da consulta externa o decide, aquando de uma entrada no serviço de urgência que o justifique ou a pedido do médico de família ou de médico particular. Para o internamento, o utente deve estar acompanhado dos documentos acima referidos, de objectos de higiene pessoal, pijama e chinelos (se o serviço de internamento o permitir).
Existe ainda outra modalidade dos cuidados de saúde que consiste na realização de tratamentos durante o dia e o retorno a casa durante a noite, chamado o hospital de dia.
Por fim, e porque existem as taxas moderadoras, é importante pagar as devidas taxas no final dos procedimentos, caso se apliquem. Existem grupos de utentes que são isentos das taxas moderadoras, para isso é necessário estar informado e ter os documentos comprovativos. Caso não pague na altura devida a conta será enviada para casa ou paga no próximo serviço.


170 – Beleza & bem-estar

Por Carina Pereira, Terapeuta de Massagem

Drenagem Linfática Manual e o Pós-Operatório
O nosso corpo, como as árvores, as folhas e os animais, é percorrido por um líquido incolor e transparente que, contido nos vasos linfáticos, tem a função de filtrar as impurezas do sangue.
Quando a circulação linfática diminui ou se interrompe, o material a ser descartado fica estagnado em algumas zonas do corpo, causando inchaços dolorosos e inflamações, como a celulite e os edemas pós-operatórios.
Nestes e noutros casos, a Drenagem Linfática Manual actua como descongestionante, com quatro funções básicas: além de desintoxicar, contribui para a eliminação de líquidos, activa o sistema imunológico e funciona também como analgésico. Após cirurgias plásticas, alivia hematomas e inchaços. Auxilia no tratamento da celulite, cujo acumulo se deve à falta de movimentos locais, que provoca a estagnação da linfa nas células de gordura.
Para realizar a Drenagem Linfática, o profissional percorre todo o corpo (por inteiro ou áreas específicas) com as palmas das mãos e pontas de dedos em toques bastante suaves, movimentando a linfa em direcção aos gânglios. As toxinas são libertadas através dos rins.
A verdadeira Drenagem Linfática Manual consegue acelerar as reacções próprias do organismo sem alterá-las. Isto é possível graças a uma técnica especial, que consiste em manobras manuais próprias, que são movimentos precisos e monótonos e que têm pressões graduadas e constantemente alteradas, imitando as contracções da musculatura lisa dos vasos linfáticos e acompanhando o ritmo dos mesmos.
Há que se diferenciar a Drenagem Linfática Manual da Massagem Estética. Esta última é realizada com pressões muito fortes, o que acarreta a interrupção da circulação linfática, pois os vasos linfáticos não suportam tamanha pressão.

A importância da Drenagem Linfática no Pós-Operatório
A drenagem linfática no pós-operatório é uma massagem específica realizada com movimentos suaves e lentos por todo o corpo, dando prioridade à área cirúrgica. São usados movimentos de compressão e descompressão, executando movimentos leves e lentos, o que direcciona e melhora o fluxo linfático.
A drenagem linfática pós-operatória é completamente indolor, promove relaxamento muscular, melhora a circulação sanguínea eliminando toxinas e diminuindo a retenção hídrica (inchaço), além de activar a oxigenação celular e a nutrição dos tecidos. Os movimentos suaves e rítmicos da drenagem ajudam a eliminar o edema e hematomas que se instalam no pós-operatório, auxiliando na restauração dos tecidos, eliminando aderências, diminuindo dor, aliviando desconfortos e outras consequências cirúrgicas.
Por funcionar e por ser indolor a drenagem linfática, está indicada e medicamente aconselhada em pós-operatório de cirurgias plásticas faciais e corporais, reconstruções mamárias, escleroterapias (secagem de derrames), entre outros.
Aconselhamento terapêutico: no mínimo 10 sessões, com frequência de duas a três vezes por semana.
Fonte: www.informacaonutricional.net



170 - Combatentes

Coluna da responsabilidade do Núcleo da Batalha da Liga dos Combatentes

Vantagens de ser sócio
“O que é que eu ganho em ser sócio? Quais são as minhas regalias? O que é que eu beneficio com isso?” Estes são exemplos das interrogações que quase sempre são dirigidas a quem propõe a outro cidadão a adesão deste, como sócio, a uma qualquer agremiação, associação, colectividade ou instituição social sem fins lucrativos.
Ou seja: à partida, a primeira reacção da maioria dos abordados é considerarem uma proposta destas uma espécie de negócio, que só farão se ficarem a ganhar com este.
É claro que, logo a seguir, a maioria cai em si e acaba por compreender que ser sócio de uma instituição deste género não é um mero negócio mas, sim, uma forma de ser solidário com uma causa, na sua génese altruísta e desinteressada. Isto sem embargo de, não raro, os seus associados, que são o pilar da sua sustentação, poderem vir a ter, para além da satisfação pessoal de estarem a ajudar algo ou alguém, também alguns benefícios materiais.
A Liga dos Combatentes é uma instituição equiparada a IPSS que, prioritariamente, visa exactamente tentar ajudar os combatentes com maiores carências e a quem a sociedade, em geral, votou ao ostracismo, olvidando os sacrifícios que estes fizeram pela Pátria. Sacrifícios que, em tantas e tantas situações, culminaram com sequelas físicas e mentais que os vão acompanhando até ao fim dos seus dias, isto sem falar nas dezenas de milhares que perderam a vida nos teatros de guerra, recaindo as consequências de tão infausto desenlace sobre os familiares.
Ora, a principal fonte de rendimentos de que a Liga dispõe para procurar atingir tais objectivos advém das quotizações dos seus sócios que, paulatinamente, se vão inscrevendo como tal, nos já mais de 80 Núcleos, implantados no território nacional.
Sabendo, pois, os sócios e dirigentes dos Núcleos que, em qualquer destas condições, estamos a ser solidários para com os nossos camaradas que vivem em pior situação económica e social do que nós, não devemos ter qualquer prurido em tentarmos ir ainda um pouco mais além, designadamente procurando trazer até nós novos associados, sejam ex-combatentes ou não.
Para dar exemplo público desse empenhamento, a actual Direcção do Núcleo da Batalha aproveita a oportunidade de dispor deste privilegiado espaço no Jornal da Golpilheira para exortar os golpilheirenses, em particular, e os batalhenses, em geral, a tornarem-se sócio da Liga dos Combatentes. Acreditem: se o fizerem, irão colaborar numa causa justa e altruísta!

P.S. – Parabéns à Junta de Freguesia do Reguengo de Fetal por ter mandado restaurar o monumento de homenagem aos seus combatentes e tê-lo reinstalado em local mais acessível, visível e arejado.






170 – Vinha

Por José Jordão Cruz | Eng. Técnico Agrário

Vindimas
Como estamos neste mês de Agosto, um mês especial para os viticultores, que se preparam para as colheitas da maior parte das castas de que vos tenho falado, vou abordar esse assunto.
Como tem sido um ano atípico no que diz respeito à inconstância climatérica, há casos em que as produções vitícolas de determinadas castas estão irremediavelmente perdidas, mas há outras muito boas. O ataque de míldios e oídios, nalguns casos, é de dor, mas noutros estas doenças nunca tiveram sorte para se desenvolver, pois os tratamentos fitossanitários preventivos foram feitos atempadamente. Salvaram-se assim algumas produções, que são boas e excepcionais nalguns casos.
Assim, as vindimas já começaram no dia 1 de Agosto, por exemplo, na Adega Cooperativa do Redondo, no coração alentejano. Começaram por colher algumas brancas, como o Chardonnay. O grau é bom, nalguns casos, noutros nem tanto. Mas como os enólogos acham que se deve começar a vindimar nesta altura, para apresentar um néctar (vinho) com determinadas características. Por isso, se neste momento não for atingido o grau estabelecido para a zona e para a casta, a adega paga pelo grau estabelecido, não prejudicando a agricultor nesta altura em que estão a vindimar.
Como neste mundo cada vez mais globalizado o consumidor tem primazia, a ciência tem de estar atenta às tendências de mercado. Logo, a agricultura e, no caso da nossa área de trabalho, a produção de plantas vitícolas, tem de corresponder ao que os enólogos pretendem. E eles, por sua vez, têm de estar atentos ao consumidor final deste néctar dos tempos remotos, que está a conquistar novos consumidores, mais exigentes. Por isso há vindimas mais cedo e vindimas mais tarde, dando por isso vinhos distintos.
Neste mês por aqui me fico, desejando a todos um reforço de energias para Setembro.


170 - Mãos na massa

Por Sofia Ferraz

Ameijoas com natas

Ingredientes:
1 kg de amêijoas frescas e de boa qualidade
2 cebolas
3 dentes de alho
2 dl de natas
pimenta q.b.
paprica q.b.
3 colheres de sopa de coentros picados
2 colheres de sopa de manteiga

Preparação
Colocam-se as amêijoas, cerca de 2 horas, em água fria e um pouco de sal para retirar a areia. Após as 2 horas, lavam-se muito bem as amêijoas e abrem-se ao lume numa frigideira grande, aproveitando todo o líquido que largarem. Aloura-se na manteiga, a cebola e os dentes de alho muito bem picadinhos. Tempera-se com a pimenta e a paprica. Ao refogado, junta-se o líquido das amêijoas, as natas e as 2 gemas de ovo batidas. Quando levantar fervura, adicionam-se as amêijoas. Sirva de imediato polvilhado com coentros.

170 - Livros

Mitos e Mistérios Templários Pedro Silva
Editora Inverso
“Abordar o tema dos Templários não se resume a dar palpites sem nexo. Por detrás da muita fantasia que podemos observar, e que pulula sobretudo no maior veículo de comunicação global da atualidade, a Internet, é que a extrapolação de factos à partida menos fáceis de explicar não tem sido o caminho seguido por qualquer dos autores que temos lido e, desse modo, julgamos que esse é o melhor caminho quando se fala de uma obra no campo do ensaio”. Assim apresenta Pedro Silva, autor português da cidade de Tomar, este seu trabalho editorial – Mitos e Mistérios Templários –, com um convite aos leitores a “viajar comigo na maravilhosa história templária”.



Primórdios Místicos de Portugal
Pedro Silva
Ministério dos Livros Editores
Esta é uma obra fascinante sobre Pré-história e Pré-Portugal, sobre um Portugal inequivocamente belo, repleto de influências judaicas e árabes, onde o misticismo impera e o leitor é envolvido na busca da origem do património cultural, nomeadamente da arquelogia portuguesa. A visão de um país é apresentada aos olhos do leitor, dando a conhecer toda uma série de factos que nem sempre obtêm o devido realce nas obras tradicionais que narram a História portuguesa. Pedro Silva presenteia-nos com um ensaio empolgante, escrito de forma ritmada e acessível, sobre o passado do nosso país e um outro lado da História. E sobre o fascínio da ancestralidade remanescente na realidade que nos rodeia.



Empenhai-vos!
Stéphane Hessel
Planeta Editora
Neste livro se condensa um diálogo de gerações entre Stéphane Hessel, de 93 anos, nomeado para o prémio Nobel da Paz, e Gilles Vanderpooten, de 25 anos. Hessel intensifica as suas exigências morais, porque, diz ele, não basta indignarmo-nos. Cada um de nós deve empenhar-se em todas as frentes de combate da nossa época: os direitos do homem, a luta contra as desigualdades, a defesa dos sem-abrigo e ilegais, a ecologia… Eterno optimista, Hessel acredita que a Natureza é rica em ardis e convida as gerações jovens a indignar-se e a resistir às coisas escandalosas que as rodeiam. O livro inclui a Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, e o Programa do Conselho Nacional da Resistência, de 1944, duas referências frequentes do autor.



À rasca – retrato de uma geração
Ana Filipa Pinto
Booket / Editorial Planeta
O primeiro livro em Portugal que dá voz a pessoas da chamada “Geração à Rasca” – a que promoveu a manifestação a 12 de Março e que reuniu 500 mil portugueses em protesto nas ruas. A notável investigação desta jovem jornalista, também ela «precária» e «à rasca», leva-nos à intimidade de dezenas de membros forçados desta geração, e desvenda uma realidade comum a tantos, feita de sonhos esmagados, oportunidades eliminadas e vazios contínuos, criados pela incapacidade de agir e pelo desconhecimento total do que vai acontecer. Um livro extremamente actual, que mostra a indignação e revolta adesta geração, que já ultrapassa as fronteiras de Portugal.



Um Homem Imoral
Emma Wildes
Planeta Editora
Emma Wildes é uma escritora premiada com mais de 20 livros publicados, com destaque para o best-seller “Lições de Sedução”. “Um Homem Imoral” é o seu novo romance, acabado de chegar a Portugal, numa combinação perfeita entre sensualidade e erotismo. Lady Amelia Patton é a bela filha de Lorde Hathaway. Alexander St. James é o filho do seu pior inimigo e um ladrão de corações. O primeiro encontro entre ambos dá-se quando Alexander entra furtivamente em casa de Amelia e a encontra numa sedutora camisa de renda… Desde aí, ela fica sem fôlego sempre que o vê e ele está fascinado com a beleza e a inteligência dela. São estes os protagonistas de uma história de amor e paixão avassaladores, num romance sem pudores.



O Guerreiro Highlander
Monica McCarty
Planeta Editora
Um romance histórico, intenso e vibrante, passado na Escócia medieval, escrito com ritmo e mestria, o que o torna altamente viciante. Uma viagem única pelas magníficas paisagens das Terras Altas. Uma história de paixão entre duas pessoas de clãs rivais. Uma teia de jogos de traição, enganos e segredos. Uma lição de justiça, lealdade e amor. O minucioso trabalho de pesquisa histórica e a paixão da autora pela Escócia é revelado ao virar de cada página. Em resumo, um romance poderoso de uma autora de culto que conta com uma legião de fãs em todo o mundo e que é best-seller do New York Times. É também o primeiro de uma trilogia, pelo que a aventura está apenas a começar…



Leiria-Fátima - Órgão Oficial da Diocese
Edição 47 • Jan.-Jun 2009
Embora com algum atraso, como se justifica no editorial, esta edição da revista “Leiria-Fátima” compendia a documentação oficial e pastoral diocesana relativa ao período de Janeiro e Junho de 2009. Constitui assim um precioso arquivo documental, que ficará disponível em todos os cartórios paroquiais e algumas outras instituições eclesiais. Além do resumo noticioso do mesmo semestre, este número publica ainda um trabalho especial sobre a canonização de São Nuno Álvares Pereira. E termina com um valioso artigo histórico de Saul António Gomes, intitulado “D. Frei Brás de Barros: elementos documentais sobre o seu episcopado leiriense”. À venda na Gráfica de Leiria e no Seminário Diocesano, por 6 euros.



Um casamento sem gritos
Hal Edward Runkel e Jenny Runkel
Pergaminho Editora
Este livro não lhe ensina truques para melhorar a compatibilidade com o seu par, nem novas formas de comunicar, nem estratégias para eliminar os defeitos do seu cônjuge. Também não lhe oferece uma receita simples para um relacionamento sem conflitos. Não, o casamento é demasiado importante para se usar esses truques. O casamento é a relação central da vida, e merece que seja abordado com honestidade. A verdade é que o casamento é difícil e vai naturalmente gerar conflitos. O que pode ajudar não é um programa que o ensine a evitar conflitos; o que pode ajudar é apenas aprender a discutir menos e comunicar mais. Este é um método já ajudou milhões de pessoas a viver relacionamentos mais felizes.



Fartos de tudo aos 30 & tal
Kasey Edwards
Pergaminho Editora
Esta é uma memória irreverente e cheia de ironia, escrita por uma mulher ambiciosa, com uma excelente formação e uma carreira de sucesso – até ao dia em que acordou e se apercebeu de que não tinha vontade de ir trabalhar; nem nesse dia, nem nunca mais! Neste livro, Kasey Edwards narra o seu percurso de autodescoberta e a busca pelas razões de fundo da sua desmotivação e do seu descontentamento. Com um estilo acessível e cheio de humor, a autora aborda questões de relevo, tais como a descriminação sexual e a questão da geração «opt-out», o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal e a forma como o trabalho define a nossa identidade.



O Dia em Que Matei o Cúpido         
Jennifer Love Hewitt
ArtePlural Edições
Jennifer Love Hewitt é uma viciada no amor e uma romântica irremediável. Tem tido sorte e azar no amor, porém, o mais importante é que sobreviveu para contar. Além do mais, conseguiu fazê-lo na ribalta. Muito se escreveu sobre a sua vida amorosa (grande parte apenas para vender revistas), mas, agora, a actriz partilha a verdadeira história do que aprendeu ao percorrer os sinuosos caminhos do amor. Neste livro, apresenta a sabedoria que conquistou com algum custo e mostra-nos como viver o amor com os pés bem assentes na terra. Para isso, temos de começar por matar o Cupido. Temos de acreditar que “e viveram felizes para sempre” exige trabalho árduo e que nem tudo é um mar de rosas, serenatas e corações pelo ar.



Huck
Janet Elder
Pergaminho Editora
Depois de lhe ser diagnosticado um cancro da mama, Janet Elder teve de passar pelo desgaste físico e emocional de um longo período de tratamento. Ultrapassado este desafio, ela e o marido, Richard, decidem ceder aos intermináveis pedidos do filho, Michael, que sempre quis ter um cachorrinho. Nada melhor, pensam todos, para assinalar um novo começo de vida. Huck, um simpático poodle anão, passa a fazer parte da família. Um dia o cachorro fugiu e inicia-se então um processo de busca que acaba por envolver a pequena cidade de Ramsey, desde o chefe da polícia até às crianças da primária. Huck é uma história comovente que faz lembrar que a esperança é sempre recompensada e que os finais felizes existem mesmo.

170 - CD

In Your Face REDLIZZARD
Os Bon Jovi delegaram na Rádio Comercial, no HardRock Café e na Everything Is New a tarefa de escolher uma banda para a primeira parte do concerto em Lisboa, dia 31 de Julho no Parque da Bela Vista. O concurso foi renhido e os vencedores foram os REDLIZZARD, banda Rock oriunda de Almada, composta por Mauro Carmo (voz), Elvis Batista (guitarra), Patrick Elmer (guitarra), David Smith (baixo) e Ricardo Gonçalves (bateria). Este é um projecto que abrange vários estilos e correntes musicais, propondo um rock-pop com influências de “classic-rock”. Apoiados numa atitude positiva, num olhar curioso e crítico do “habitat” que os rodeia, bem como na força das suas mensagens, os REDLIZZARD procuram afirmar o seu estilo próprio no panorama do Rock feito em Portugal. Com apenas 3 anos de existência a banda já leva mais de 50 concertos por bares, clubes e pavilhões, com vários prémios conquistados pelo meio. Neste momento, a banda têm o primeiro EP (edição de autor), “In Your Face”, gravado mas ainda não editado. Um nome a seguir de perto…

170 - Poesia

Meu Pai

Gosto de rever
a imagem forte do meu pai,
tremendo o assoalho
ao caminhar.
É doce me lembrar
como se temia
quando ele perdia
a abotoadura,
o guarda-chuva,
a chave de fenda!
Hoje é lenda
a figura enigmática,
a disciplina dura,
a rotina sistemática.
O pai não morre,
ele corre na frente
pra levantar o segredo do véu
e guardar pra gente
o lugar mais estrelado do céu.
Ivone Boechat

170 - Fotos do Mês

170 - Tintol & Traçadinho