Vá rolando: veja abaixo as fotos de cada um dos dias...
Semana Cultural - dia 6
Festa dos anos 80: uma noite fantástica
O primeiro dia da Semana Cultural, sábado 6 de Novembro, foi este ano marcado por uma viagem no tempo, com o convite a um passeio até aos "loucos anos 80"!
Cerca de 120 pessoas embarcaram nesta viagem, para através da música recordarem tempos de juventude! Os que mais se divertiram foram, sem dúvida, os que na década de 80 eram jovens e puderam assim recordar entre eles, animadamente, estes tempos. Até às duas da manhã, foi vê-los a dançar: desde o "rock" ao "slow", todos mostraram os seus dotes! Mas também muitos outros, mais novos e mais velhos, marcaram presença, transformando este serão num convívio fantástico de diversão e bom humor. Mas houve uma pessoa que se destacou pelo seu vestuário, sendo o único a levar o tema mesmo a sério: o Cunha foi a verdadeira personagem dos anos 80!
O DJ de serviço foi o André da "A Karaoke", empresa que ofereceu os seus serviços de som e imagem, pois nem só de música se encheu a pista do salão de festas do CRG. As recordações desses anos foram também feitas através de imagens, desenhos animados, carros, videoclips e vários outros símbolos daquela época projectados em ecrã gigante. A organização contou ainda com a colaboração de alguns voluntários na montagem dos cenários e no serviço de bar, com especial empenho para o grupo de jovens que costuma organizar festas de dança na colectividade.
Uma nota também para a colaboração de todos os resistentes até ao final da festa, pois nessa altura ainda aceitaram o convite para ajudarem a arrumar o salão, que ficou pronto para o almoço dos idosos que iria decorreu no dia seguinte.
Vanessa Silva
Semana Cultural - dia 7
Almoço de idosos e conversas com Artur Agostinho
O primeiro domingo da Semana Cultural foi reservado a um animado almoço oferecido aos "jovens maiores de 60". Cerca de duas centenas de pessoas participaram neste convívio, que contou com a animação do rancho folclórico da colectividade, "As Lavadeiras do Vale do Lena".
Houve ainda um momento de formação para a prevenção da criminalidade, com a colaboração dos guardas Ferreira e Constantino, da GNR da Batalha. Foram prestadas informações sobre os cuidados a ter com a protecção das habitações e o evitar das burlas, sobretudo junto dos mais idosos, nos famosos "contos do vigário". Em resumo, nunca confiar em estranhos, normalmente bem parecidos e bem falantes, que pedem informações pessoais e prometem dinheiro fácil ou soluções financeiras. Uma das soluções é evitar a solidão e estabelecer contactos frequentes com familiares e vizinhos. Em caso de abordagem, dizer sempre que está mais alguém em casa e, logo que possível, alertar as autoridades (112).
Este ano contámos com um convidado muito especial, que aceitou graciosamente o convite para partilhar um pouco da sua vida numa conversa à sobremesa deste almoço. Dispensa muitas apresentações: Artur Fernandes Agostinho, nascido a 25 de Dezembro de 1920, em Lisboa, tem sido jornalista desportivo, locutor de rádio, apresentador de televisão, actor, escritor, etc.
A sua vida profissional tem sido caracterizada pela multiplicidade, como ele próprio afirma, dizendo que o importante é fazer o que se gosta, seja rádio, cinema ou televisão. "Este desafio mais recente de fazer telenovelas foi muito divertido, foi sentir que estou a fazer coisas úteis para os outros e também para mim, porque até me esquecia das dores de costas...".
Perguntou a idade aos presentes na sala. Só havia um ou dois mais velhos do que os seus quase 90 anos. O segredo é manter-se activo, de corpo e mente. As dificuldades da vida, compara-as com o momento em que foi preso no Montijo quando era jovem e que diz ter valido a pena: "Porque depois do mal passar é que damos valor às coisas boas; a força interior, mesmo nos maus momentos, é que nos salva".
Depois de uma breve apresentação, dispôs-se a responder às perguntas da audiência, o que levou a "conversas" diversas. Conversas sérias sobre a arte da vida, mas também com muito humor à mistura, a arrancar algumas gargalhadas, como se pode perceber pelo desenrolar do diálogo.
- Lembra-se de ter vindo à Golpilheira há muitos anos, gravar uma cena de um filme?
Costumo gabar-me da minha boa memória, mas agora apanhou-me... não estou a recordar...
- Foi na eira do sr. Afonso Pereira...
Ah! Exactamente, já recordo! Pois foi... não estava a associar à Golpilheira, afinal foi mesmo aqui! Olhe que engraçado... isso foi mesmo há muitos anos e foi uma coisa muito gira.
- Nos relatos desportivos, por que é que gritava os golos do Sporting mais alto?
Acha? Eu também vibrava muito com os golos do Benfica e em especial do Eusébio. Talvez houvesse alguns mais animados, mas isso dependia era das jogadas: quando uma equipa está a fazer uma avançada o locutor vai-se entusiasmando e quando chega o momento grita o golo com muito entusiasmo. Se for um golo inesperado o grito sai com menos tempo. Mas é verdade, no tempo dos Violinos gozei muito com os golos do Travassos!
- Nós os menos jovens queixamo-nos muito de falta de memória e das dores no corpo. Se não quisermos ser tão velhos, não podemos deixar ganhar bafio e devemos sair à rua. Que lhe parece?
Claro que sim. Eu já fui operado e o médico recomendou-me que continuasse a andar. O corpo, tal como a memória, precisa de ser exercitado. A propósito, relembro a minha amiga Palmira Bastos: antes de adormecer lia um soneto e decorava-o. A sua melhor alegria era no dia seguinte conseguir lembrar-se. É óptimo para a memória o exercício. Temos de arranjar truques. Vou contar-vos um segredo. Eu tenho grande dificuldade em recordar o nome das pessoas que vou conhecendo, então arranjei um truque: pergunto "qual é o seu primeiro nome?"; elas respondem sempre o primeiro e o último e então posso dizer "sim, o último eu sabia"!
- Lembro-me muitas vezes de si a apresentar o programa do totobola, mas nunca ganhei nada com as suas sugestões. Pode dar-me um palpite para o euromilhões?
Claro que posso. E se ganhar quero uma parte. Cá vai: números 8, 11, 23, 27 e 30 e estrelas 4 e 5.
- O senhor faz novelas... o que achou desta novela com a actual Selecção Nacional de Futebol?
Eu sou sempre pelo treinador, mas concordo que às vezes as coisas não correm bem. A dada altura eu achei que o professor Carlos Queiroz já não tinha conserto: deixou de ter a confiança dos jogadores e do público. O treinador actual até está a fazer um bom trabalho.
- Depois de tantas actividades na vida, é normal escreverem-se memórias. Mas o senhor está a escrever romances. Usa o romance como espelho das suas memórias ou é mesmo um género que lhe surgiu naturalmente?
Eu já escrevi as minhas memórias. A variedade é o prazer da vida, gosto de histórias, ficção personagens… Comecei o primeiro romance sem saber como iria terminar. Achei que queria falar da corrupção, depois criei personagens fictícias. Eu escrevo de madrugada e a dada altura parece que as personagens apareciam e falavam comigo… "ó Artur, o senhor está a dar um rumo à minha personagem que eu não gosto!" O romance é uma evasão, para dar asas à criação das personagens.
- Ler é uma das melhores actividades da vida, até como exercício para a memória, como dizia. Dê-nos algumas razões para motivar os presentes a lerem este seu último romance "Bela, riquíssima e além disso... viúva".
Eu quis escrever sobre uma jovem bonita, loura, mas logo percebi que só era realmente atractiva se ela fosse rica e, melhor ainda, viúva. Quis abordar o tema dos jovens que querem muito ser actores, um sonho que nem todos conseguem. Em cada 10 que aparecem, só 2 é que se aproveitam… Alguns chegam e já se acham os maiores, por vezes até desrespeitam os grandes actores… Eu não consigo entender isso, porque sempre respeitei os que me ajudaram, grandes nomes como o António Silva.
Bom, a minha ideia era essa, mas depois desviei-me e criei uma república para os jovens que vinham da província. E aparece também uma viúva rica que vinha do Brasil e cujo marido tinha morrido de forma misteriosa, e um suspeito envolvimento como o motorista, e … não digo mais nada. Vão ler e descubram.
- E os beijos nas novelas, o chamado "beijo técnico"... o que é isso?
O beijo técnico é uma invenção dos produtores para não causar problemas aos casais. Colocamo-nos numa posição em que a câmara não apanha a boca e parece mesmo real. Mas a verdade é que alguns entusiasmam-se e aquilo de "técnico" não tem nada!
- Falou dos relatos de futebol. Num tempo em que não havia telemóveis, nem satélites, nem o suporte tecnológico que existe hoje, como era fazer um relato do estrangeiro, de jogos na Roménia ou na Bulgária?
A falta de meios tecnológicos provocava várias dificuldades, até mesmo em estabelecer contactos telefónicos com Lisboa. Havia alguma abertura em relação à Rádio, mas as coisas eram complicadas. Mas fui criando grupos de amizades com jugoslavos, checoslovacos, brasileiros, franceses, ingleses... essa amizade colmatava as necessidades técnicas. Não havia som de retorno, fazia o relato sem saber se estavam a ouvir, sem saber se o som estava a chegar. Mas hoje tenho um computador, que uso sem deixar que ele mande em mim. É preciso manter a alma acesa. Não há jornalismo sem alma.
(Alguém contou um pequeno segredo: Artur Agostinho escreve todos os seus artigos e livros no computador, manda-os pela internet, nunca achou tarde para aprender a adaptar-se às novas tecnologias.)
O Pedro Rodrigues, jovem deficiente nosso conterrâneo, aproveitou a presença de tão mediático amigo e pediu:
- "Quero uma cadeira eléctrica"!
Vamos pedir aqui ao senhor vereador. Vou meter uma cunha. Mas toma cuidado com a cadeira eléctrica que te vão dar...
- Nós temos a ilusão de que as figuras públicas ganham muito dinheiro, é verdade?
Há artistas muito bem pagos, mas há também artistas que ganham muito pouco. Fazem muito trabalho gratuito, como entrevistas e programas de encher a grelha televisiva.
O jovem Telmo Monteiro dirigiu-se ao convidado em forma de verso:
Nasci, cresci e vou crescendo
e do seu nome ouvi falar,
mas hoje veio à Golpilheira
para as suas histórias nos contar.
Se todos como ele fossem
talvez o mundo pudesse melhorar,
todos sabem que ser gentil
não é só levantar o braço e acenar.
Por todas as histórias
das quais sempre ouvi falar
nada melhor que ser eu próprio
a ir ter com ele e o cumprimentar.
Depois do cumprimento, Artur Agostinho agradeceu e despediu-se também com uma quadra:
Gostei muito de aqui estar
Esta vez foi a primeira
Espero de novo voltar
Aqui à Golpilheira.
Aproveitando a onda poética, a Cremilde Monteiro leu também um poema, como costuma fazer todos os anos nestes encontros (ver secção de poesia).
Claro que isto é só um resumo muito breve da animada e familiar conversa com Artur Agostinho. Só quem esteve lá pôde apreciar devidamente a simpatia e bom humor deste grande vulto da nossa cultura. Nós gostámos muito e ele confessou o mesmo na despedida:
Tive muito prazer em estar convosco e teria todo o gosto em cá voltar. Mas agora tenho de ir. Vou assistir ao jogo do Porto-Benfica, para poder completar a minha crónica. Foi uma alegria estar com tanta gente de idade próxima da minha. Fica um conselho: contem anedotas, pois rir dá saúde e faz bem às pessoas. Desejo-vos muita saúde, dinheiro e amor!
Cristina Agostinho
Semana Cultural - dia 8
Pela sua saúde
O dia 8 de Novembro foi destacado na Semana Cultural para o tema da Saúde. Pelas 17h00, uma equipa médica acolheu no Centro Recreativo várias dezenas de pessoas que ali se deslocaram para fazerem rastreios gratuitos ao colesterol, diabetes, tensão arterial e outras maleitas que podem atacar a qualquer hora. Uns confirmaram com alegria que "está tudo bem". Outros foram aconselhados a verificar com mais atenção alguns "níveis" e a seguir algum tratamento mais específico.
Pelas 21h00, realizou-se um debate, numa mesa com médicos e enfermeiras, moderada por Carlos Agostinho, director do Centro Hospitalar de Nossa Senhora da Conceição (CHNSC) da batalha, cujo tema foi "dicas para uma vida saudável".
Começou por falar o Dr. José Leite, director clínico do CHNSC, frisando que, para se conseguir ter com sucesso um estilo de vida saudável, têm de se mudar duas atitudes: primeiro, cada um deve aceitar que é o principal responsável pela sua saúde; depois, que essa responsabilidade se exercita no comportamento e na escolha de hábitos de vida saudáveis, de forma a prevenir a doença, em vez de esperar e ter de "gerir a doença".
Sublinhou também que "se alguém morrer antes da sua esperança natural de vida, isso deve-se ao estilo de vida que levou". Um estilo de vida saudável não significa deixar de fazer todas as coisas de que gosta e submeter-se a coisas que ninguém no seu juízo certo se submeteria. Tem de apreciar as coisas boas da vida, suportando alguns requisitos saudáveis, mas com moderação. Tem que mudar aquilo que come ou bebe e não necessita de fazer exercícios forçosos e indesejáveis.
Cada um colhe aquilo que semeia. Os hábitos indesejáveis são criados na infância e começam na juventude. Hábitos indesejáveis como o uso do tabaco, falta de exercício e os maus hábitos alimentares levam a altos níveis de colesterol e a excesso de peso. A nossa saúde reflecte o nosso estilo de vida.
Seguiu-se a enfermeira Irene, responsável pela Consulta de Diabetes na área de enfermagem do Hospital de Santo André (HSA), de Leiria, que deu ênfase às doenças cardíacas, neoplásica e diabetes que aparecem quando se come e bebe em excesso, nomeadamente gorduras, açúcar, álcool e sal, não esquecendo o tabaco. O benefício ao adoptar uma vida saudável é o de reduzir as doenças relacionadas com a idade e o declínio, para que mais pessoas possam atingir a esperança máxima de vida e gozar de uma boa saúde.
Por fim, a Dra. Sónia Salgueiro, diabetologista do HSA e também colaboradora do CHNSC, foi eloquente a explicar como se diagnostica a terrível doença de diabetes e o respectivo quadro clínico e tratamento.
Todos focaram a atenção no exercício físico, que pode retardar alguns declínios das funções que acompanha o envelhecimento, nomeadamente, a perda do tecido muscular, a capacidade para o esforço físico, podendo normalizar a tensão arterial, a glicemia e o colesterol. Não vale pena fazer exercício físico de forma exagerada, "não fazendo desporto para ficar apto, mas estar apto para praticar desporto".
Concluindo, as principais "dicas para uma vida saudável" que nos deixaram foram a mudança de hábitos de vida: praticar exercício físico para reduzir o stress; restringir a ingestão de bebidas alcoólicas e de cafeína; evitar comer em excesso gorduras, açúcar e sal, lembrando que o que para uns é alimento, para outros poderá ser um veneno violento.
Dr. José Leite
Semana Cultural - dia 9
Fórum Golpilheira
O Orçamento do Estado "versus" orçamento familiar constituiu o ponto de partida da apresentação de projectos da Junta de Freguesia da Golpilheira, no dia 9 de Novembro, na 17.ª Semana Cultural.
A sessão, assistida por cerca de 20 pessoas, nunca perdeu de vista o actual aperto financeiro. Carlos Santos, presidente da Junta de Freguesia, sublinhou o corte de 8 por cento no orçamento para 2011. "Quando nos pedirem alguma coisa, a resposta não é ‘vamos fazer’, mas ´vamos pensar´, pois as limitações de orçamento são enormes, afirmou, considerando que a solução passa por "gerir bem" os dinheiros públicos.
O autarca traçou as linhas gerais do Plano Estratégico definido até 2013. Revisão do PDM, infra-estruturas de lazer e desporto, ambiente e Rio Lena, arranjos do Largo "As Lavadeiras do Vale do Lena"; são alguns dos pontos que constam do programa.
Um dos projectos mais aguardados pela população refere-se à construção do Polidesportivo. "Está a decorrer o concurso de adjudicação. Se tudo correr bem, a obra pode começar em Dezembro", adiantou Carlos Santos.
O autarca sublinhou o papel da Junta de Freguesia na progressão da infra-estrutura, uma prioridade em detrimento de uma antiga promessa eleitoral: a construção de piscinas. "Este equipamento tem outro tipo de utilidade, já está em falta há alguns anos no concelho. Facilmente chegamos à conclusão de que os clubes não têm mais jogadores porque não há pavilhão para desenvolver as equipas".
A obra, a construir nas traseiras do Centro Recreativo da Golpilheira, até peca por excesso, considerou o presidente da Junta de Freguesia, acrescentando que o decreto lei 63/2006 levou à introdução de "inutilidades" no projecto, com uma multiplicação de salas para equipas, ginásios, arrumos, ou salas para árbitros.
Carlos Santos alertou ainda os proprietários de terrenos nas margens do Rio Lena para procederem à limpeza dos mesmos. "O Rio foi limpo há dois anos e os proprietários não prosseguiram com a limpeza." O autarca defendeu a necessidade de um inquérito para efectuar um levantamento exaustivo do tipo de despejos ilegais para o ramal de águas pluviais. "Há dificuldade de denunciar e fiscalizar despejos suinícolas", justificou.
Num quadro de atropelos ao meio ambiente, revelou, a "Junta não tem autoridade para pedir a construção de um açude no Rio".
Aline Duarte (Rádio Batalha)
Semana Cultural - dia 10
Música e livros com António Manuel Ribeiro
A noite de quarta-feira da Semana Cultural estava destinada a ser especial. A sala compôs-se e, por volta das 22h00, iniciou-se a sessão dedicada a "livros e música", com cerca de uma centena de participantes. No centro da mesa, um convidado muito especial: António Manuel Ribeiro, vocalista de uma das mais carismáticas bandas portuguesas, os UHF. Mas outros autores locais tinham sido chamados a falar do seu trabalho.
O primeiro deles, Joaquim Santos, natural dos Pousos, começou a escrever muito novo como jornalista, sendo actualmente colaborador do jornal O Mensageiro e director do jornal Notícias de Colmeias. Os livros surgiram por um motivo triste: o atropelamento mortal da sua filha Eduarda, com 6 anos, levou-o a escrever em 2006 sobre o tema dos pais em luto. Depois, ganhou esse gosto e voltou a publicar livros de poesia, conto, infantis e romances. O mais recente, apresentado na semana anterior, "Ancorar o Amor". Neste momento, dedica-se à investigação histórica para a sua tese de mestrado.
Seguiu-se a professora Maria da Purificação Bagagem, que dispensa apresentações. Filha da terra, saiu cedo da Golpilheira para seguir uma vida de estudo. A escrita foi uma actividade que abraçou por acaso, quando lhe foi pedido que publicasse a sua tese de mestrado sobre jovens toxicodependentes. Se no primeiro livro o assunto foi abordado de uma forma académica, no segundo, sobre a importância da família para o desenvolvimento da criança, foi decisiva a experiência vivida pela autora na sua própria família.
Também Adélio Amaro começou a sua carreira no jornal o Mensageiro. Passou pelo Notícias de Leiria, publicou alguns livros de poesia e prosa, e há oito anos fundou a empresa Folheto Edições e Design. Pode dizer-se que foi uma aposta ganha e, com cerca de 200 livros publicados, a Folheto orgulha-se de ter dado um novo fôlego à literatura regional. Mais recentemente este autor fundou uma associação cultural que liga os Açores, sua terra natal, a Leiria, onde reside. Nesse contexto publicou já vários cadernos histórico-culturais e álbuns fotográficos de sua autoria.
Quanto a António Manuel Ribeiro, a sua vida está cheia de letras e músicas, em muitos CD gravados e quatro livros editados. Falou sobretudo do seu último trabalho, o álbum "Porquê?", que definiu como sendo "um disco político", o que serviu de mote para uma interessante conversa sobre o actual panorama social e económico do país. Com voz calma e ponderada, defendeu que "é preciso tomarmos consciência do estado grave a que a nossa sociedade chegou e encarar o futuro como um desafio a construir".
Revelando uma faceta pouco conhecida do público, mais habituado a vê-lo como a "fera de palco", António Ribeiro falou com conhecimento de causa de livros e autores, de ideais políticos e de projectos sociais, que resumiu num convite a descruzar os braços: "sabemos que muitos dos nossos dirigentes são maus e têm culpa do estado a que chegámos. E nós, não temos também responsabilidades? Não estará na hora de assumir o nosso papel de cidadania mais activa e fazermos o que nos compete para sairmos da crise?".
Em diálogo familiar e descontraído com a assistência, o músico foi revelando alguns momentos mais importantes da sua carreira e o segredo do sucesso: "algum talento, muita determinação na vontade de ser fiel ao próprio estilo de ser e de fazer música, e muito trabalho", porque "o sucesso não cai do céu, o que cai do céu é a chuva, a neve e os raios de sol que nos guiam todos os dias".
Claro que a noite não foi só de palavras feita. O som estava montado e era de excelente qualidade, graças ao patrocínio da Sinfonia, loja de instrumentos musicais leiriense. Assim, na companhia da sua guitarra e das palmas do público animado, o músico foi tocando alguns dos temas mais conhecidos dos UHF, como "Rua do Carmo", "Cavalos de Corrida", "Menina Estás à Janela" ou "Toca-me", e deu um "cheirinho" dos temas que enchem o novo álbum, com destaque para o excelente tema "Porquê?"que lhe dá o nome. Para surpresa de todos, no final ainda aceitou o desafio para um dueto, cantando "Um copo contigo" acompanhado à guitarra pelo Carlos Santos, nosso presidente da Junta de Freguesia.
O saldo do evento foi muito positivo. Em clima de "simplicidade, comunhão, amizade e responsabilidade", houve espaço para temas diversos, como política, família, jornalismo e literatura regional, sempre bem acompanhados de música. No final, todos diziam: "quem não veio nem sabe o que perdeu!"
Foi também a prova de que é possível trazer ilustres convidados à nossa freguesia, simplesmente em troca de "hospitalidade, simpatia e um jantar"!
Ana Rito
Semana Cultural - dia 11
Castanhada de S. Martinho no Carvalhal
No dia 11 de Novembro, mais uma vez, no Carvalhal, foi festejado o São Martinho. Integrado na senda da Semana Cultural, juntaram-se as gentes da Golpilheira naquele lugar tão característico, ou diria mesmo, pitoresco. E para festejar esta data, o que é que não pode faltar? Respondendo, a bela da água-pé e a castanha assada, numa união com as pessoas e o dançar típico do rancho da Golpilheira.
Foi, na verdade, uma noite bem passada, onde as conversas terminaram noite dentro. Agradece-se o esforço dos locais, que mais uma vez foram hospitaleiros.
Concluindo: realmente, são as pessoas que fazem os lugares ou os locais, que os moldam à sua forma de ser e que atraem os seus amigos, fazendo com que sintam bem e em comunidade. Daí até ao sucesso destas iniciativas vai um fósforo.
David Lucas
Semana Cultural - dia 12
Golpilheira Fashion’10
Não podia faltar no programa da 17.ª Semana Cultural da Golpilheira o habitual desfile de moda "Golpilheira Fashion". Assim, no dia 12 de Novembro, com a casa bem composta por pessoas de todas as idades, apresentaram-se as colecções de Fátima Cruz, Street Fashion e FC...In.
Mais uma vez, a estilista conterrânea Fátima Cruz foi convidada para exibir as suas marcas no desfile. "Aceito sempre o convite com um carinho enorme, é um prazer servir esta casa", disse-nos a criadora.
Fátima Cruz considera a sua colecção "extremamente activa, onde sobressaem os tons animais". A roupa conta com "um toque casual e confortável" e foi vestida por jovens golpilheirenses. Oito modelos femininos e um masculino desfilaram na passerelle do Centro Recreativo da Golpilheira, maquilhados por "O Boticário".
Quanto ao calçado, o "Golpilheira Fashion’10" voltou a contar com a colecção das "Sapatarias Inês Ferreira", do empresário também golpilheirense Carlos Ferreira.
A noite decorreu em clima descontraído e familiar, mas com muito charme e elegância, e boas propostas para quem quer acompanhar as últimas tendências da moda.
Ângela Susano
Semana Cultural - dia 13
Cinema e Todo-o-Terreno
Mudar o dia do cinema infantil para um sábado foi uma boa aposta. O salão do CRG ficou a abarrotar com a criançada e muitos pais que também gostam de um bom filme de animação. A escolha recaiu em "Alvim e os Esquilos 2", uma animada comédia que motivou por vezes sonoras gargalhadas. No final, ainda houve a oferta de balões, com o patrocínio da empresa golpilheirense de animação A Karaoke. No final, alguns sugeriram que a iniciativa deveria repetir-se mais vezes no ano, dado o sucesso registado. Vamos pensar nisso...
Ao mesmo tempo, os cerca de 80 participantes no TT Nocturno jantavam no Restaurante Etnográfico, ali ao lado. Após a refeição, divididos nos cerca de 30 jipes inscritos, partiram à descoberta da noite fria e chuvosa, onde o calor da amizade e da boa disposição circulou a todo o vapor. O rumo foi a Senhora do Monte, passando por diversas outras paisagens pitorescas da região, onde à noite nem todos os gatos são pardos.
Já chovia a cântaros quando chegaram para o trial na Canoeira, passava da meia-noite, pelo que poucos se atreveram a enterrar as máquinas na lama, nem as sequer as fotográficas. Não há registos, portanto, mas há memórias: uma noite de convívio, com boa comida e farta bebida, e um passeio inundado de emoções. Resumindo: caía a água do céu, corria a cerveja nos copos, soltavam-se sorrisos à mesma, apertando as roupas nos corpos.
E pronto. Se tudo correr bem, no TT diurno "Anjos sobre Rodas", a realizar lá para Fevereiro ou Março, há-de chover menos.
Luís Miguel Ferraz
Semana Cultural - dia 14
Convívio foi a "chave-de-ouro"
Como dissemos no mês passado, esta edição da Semana Cultural estava em risco de não se realizar. Graças à união de esforços, como podemos verificar pelas páginas deste jornal, o programa foi possível e com muitos momentos altos de cultura, diversão e participação das pessoas. Ficou provado, que quando queremos e nos unimos em torno de um projecto comum as coisas acontecem.
No último domingo, o convite era para o convívio entre a população como forma de encerrar o evento. Primeiro a missa, depois um passeio pedestre, a terminar com o almoço de Sopa da Pedra e a tarde recreativa. Não sabíamos qual iria ser a resposta, pois não eram pedidas inscrições. Mas cerca das 11h00, as mais de meia centena de pessoas que se juntavam sede da colectividade para o passeio superaram as expectativas. E o panelão do almoço, preparado a contar com 60 ou 70 pessoas, foi mesmo à justa para as mais de 100 que ali se juntaram. Muitos saíram logo para suas casas, mas ainda foram duas ou três dezenas que ali permaneceram até final da tarde, divertindo-se a jogar à sueca ou em jogos mais tradicionais como o pião, saltar à corda, andar em andolas, com rodeiros, etc.
Não podemos dizer que tudo foi fantástico. Poderia ter havido muito maior participação da população, pelo menos nalgumas das propostas. Mas foi melhor do que em anteriores edições, o que nos deve animar a fazer ainda melhor no próximo ano.
Luís Miguel Ferraz
domingo, 28 de novembro de 2010
Dar sangue é dar vida: Mais uma recolha na Golpilheira
Os golpilheirenses levam bem à letra o slogan "dar sangue é dar vida" e respondem sempre em massa ao convite para as recolhas que se fazem duas vezes por ano na nossa colectividade. A última foi no dia 7 de Novembro, com cerca de 120 colheitas efectuadas durante a manhã, um número muito bom, segundo os técnicos do Centro Regional de Sangue de Coimbra que aqui se deslocaram.
Grupos dos nascidos em 1971 em convívio
Reavivar memórias e partilhar gratidão
Foi uma despedida da casa dos "30", pois no próximo ano entrarão no grupo dos quarentões. Para assinalar o facto, os naturais e residentes na Golpilheira nascidos em 1971 juntaram-se num jantar de convívio, no passado dia 20 de Novembro, no Restaurante Etnográfico do CRG.
Nem todos se inscreveram, dos que podem ser identificados numa fotografia tirada na 1.ª classe, em 1977, mas alguns outros que vieram de outras paragens se juntaram a eles. Ao todo, foram 16 os que marcaram presença e puderam conviver com as duas professoras primárias que os acompanharam, Maria dos Anjos Cardoso e Madalena Almeida.
As professoras agradeceram o convite e dirigiram algumas palavras aos seus antigos alunos, lembrando alguns dos bons momentos passados nos bancos da escola do Paço e sobretudo partilhando a alegria de os ver "crescidos", felizes e... todos vivos. Numa pequena prenda que distribuíram, deixaram a seguinte quadra: "Recordar tempos da escola / Revivê-los com o coração / Não é processo de esmola / Mas uma mútua gratidão".
De facto, é mútua a gratidão, pois aquilo que somos hoje deve-se também à ajuda que as nossas professoras nos prestaram no início da vida escolar.
O convívio foi animado, com muitas histórias dos velhos tempos de escola e outras memórias reavivadas. Mas também se falou do presente, do que cada um faz neste momento a nível pessoal e profissional. E de futuro: o grupo pretende realizar algumas actividades conjuntas, a começar pela organização da festa em honra do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, no primeiro fim-de-semana de Agosto.
Portanto, iremos voltar a ouvir falar deles...
LMF
Foi uma despedida da casa dos "30", pois no próximo ano entrarão no grupo dos quarentões. Para assinalar o facto, os naturais e residentes na Golpilheira nascidos em 1971 juntaram-se num jantar de convívio, no passado dia 20 de Novembro, no Restaurante Etnográfico do CRG.
Nem todos se inscreveram, dos que podem ser identificados numa fotografia tirada na 1.ª classe, em 1977, mas alguns outros que vieram de outras paragens se juntaram a eles. Ao todo, foram 16 os que marcaram presença e puderam conviver com as duas professoras primárias que os acompanharam, Maria dos Anjos Cardoso e Madalena Almeida.
As professoras agradeceram o convite e dirigiram algumas palavras aos seus antigos alunos, lembrando alguns dos bons momentos passados nos bancos da escola do Paço e sobretudo partilhando a alegria de os ver "crescidos", felizes e... todos vivos. Numa pequena prenda que distribuíram, deixaram a seguinte quadra: "Recordar tempos da escola / Revivê-los com o coração / Não é processo de esmola / Mas uma mútua gratidão".
De facto, é mútua a gratidão, pois aquilo que somos hoje deve-se também à ajuda que as nossas professoras nos prestaram no início da vida escolar.
O convívio foi animado, com muitas histórias dos velhos tempos de escola e outras memórias reavivadas. Mas também se falou do presente, do que cada um faz neste momento a nível pessoal e profissional. E de futuro: o grupo pretende realizar algumas actividades conjuntas, a começar pela organização da festa em honra do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, no primeiro fim-de-semana de Agosto.
Portanto, iremos voltar a ouvir falar deles...
LMF
Autarcas da Junta da Golpilheira foram ao Parlamento
No passado dia 3 de Novembro propunha-se na Assembleia da República a votação do Orçamento de Estado para 2011. Foi um momento emblemático para a economia portuguesa, caracterizado por forte turbulência político-partidária.
O Orçamento do Estado foi então aprovado na generalidade: com os votos favoráveis do PS, a abstenção do PSD e o voto contra do CDS-PP, BE, PCP e PEV. A proposta orçamental foi viabilizada pela abstenção do PSD, na sequência de um acordo com o Governo, já que o PS não dispõe de maioria absoluta no Parlamento.
Cristina Agostinho
Na Escola Secundária da Batalha...
Escola Secundária de olhos no Céu
Na noite de 15 de Novembro, na Escola Secundária da Batalha, os alunos do 7.º ano puderam observar o céu com outro olhar…
A experiência foi realizada ao ar livre, a partir das 20h00. Apesar do frio que se fazia sentir, as condições meteorológicas tornaram a noite favorável à observação. Através de dois telescópios, observámos a Lua, na sua fase de quarto crescente, as suas crateras e em particular a cratera de Arquimedes. Observámos também Júpiter, conseguindo ver três dos seus satélites naturais.
A olho nu, seguindo os mapas celestes fornecidos e explicados pelos professores, observámos a Estrela Polar que nos orienta para o Norte e a constelação de Cassiopeia. Estas experiências são muito importantes e contribuem para o interesse dos alunos pela disciplina.
Ângela Agostinho Monteiro (7.º B)
Alunos da Batalha visitam o berço de Afrodite
Os alunos do Curso de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos da Escola da Batalha tiveram a oportunidade de realizar uma visita ao Chipre, ao abrigo do Programa Comenius, intitulado "Steps to Improve the Environment", no âmbito do programa de aprendizagem ao longo da vida. A actividade foi realizada no período compreendido entre o dia 7 e 15 de Outubro, registando-se a sua passagem pela cidade de Milão, em virtude da inexistência de voo directo e atendendo ao facto dessa passagem ser vantajosa no que respeitava a custos de deslocação.
Este intercâmbio visa essencialmente sensibilizar a comunidade escolar para as questões ambientais, perceber de que forma os diferentes países desenvolvem actividades que promovam a qualidade ambiental. Os países participantes são: Portugal, Espanha, Finlândia e Chipre. Pretende-se, ainda, medir a qualidade atmosférica, realizando a geo-referenciação de dados ambientais, através de dispositivos adequados, sensores disponibilizados pelo Centro de Competência "Entre Mar e Serra".
Durante essa semana, os alunos e professores participantes tiveram a oportunidade de conhecerem alguns monumentos da cidade de Milão, tais como a Catedral de Milão (Duomo), as Galerias Vittorio Emanuele, o Teatro La Scala e o Castelo Sforzesco. No Chipre, visitaram cidades como Larnaka, Nicósia e Paphos.
Os alunos portugueses ficaram, durante a primeira parte do programa, alojados em hotel e, posteriormente, já na zona de implantação da escola Makarios III Technical School, com a qual se realizou o intercâmbio, com famílias de acolhimento.
A participação dos alunos neste projecto constituiu uma oportunidade única no que concerne à sua formação enquanto cidadãos europeus, fomentando a sua abertura e tolerância no que respeita a outras culturas, facilitando, assim, a aproximação e cooperação entre os vários países europeus.
Na noite de 15 de Novembro, na Escola Secundária da Batalha, os alunos do 7.º ano puderam observar o céu com outro olhar…
A experiência foi realizada ao ar livre, a partir das 20h00. Apesar do frio que se fazia sentir, as condições meteorológicas tornaram a noite favorável à observação. Através de dois telescópios, observámos a Lua, na sua fase de quarto crescente, as suas crateras e em particular a cratera de Arquimedes. Observámos também Júpiter, conseguindo ver três dos seus satélites naturais.
A olho nu, seguindo os mapas celestes fornecidos e explicados pelos professores, observámos a Estrela Polar que nos orienta para o Norte e a constelação de Cassiopeia. Estas experiências são muito importantes e contribuem para o interesse dos alunos pela disciplina.
Ângela Agostinho Monteiro (7.º B)
Alunos da Batalha visitam o berço de Afrodite
Os alunos do Curso de Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos da Escola da Batalha tiveram a oportunidade de realizar uma visita ao Chipre, ao abrigo do Programa Comenius, intitulado "Steps to Improve the Environment", no âmbito do programa de aprendizagem ao longo da vida. A actividade foi realizada no período compreendido entre o dia 7 e 15 de Outubro, registando-se a sua passagem pela cidade de Milão, em virtude da inexistência de voo directo e atendendo ao facto dessa passagem ser vantajosa no que respeitava a custos de deslocação.
Este intercâmbio visa essencialmente sensibilizar a comunidade escolar para as questões ambientais, perceber de que forma os diferentes países desenvolvem actividades que promovam a qualidade ambiental. Os países participantes são: Portugal, Espanha, Finlândia e Chipre. Pretende-se, ainda, medir a qualidade atmosférica, realizando a geo-referenciação de dados ambientais, através de dispositivos adequados, sensores disponibilizados pelo Centro de Competência "Entre Mar e Serra".
Durante essa semana, os alunos e professores participantes tiveram a oportunidade de conhecerem alguns monumentos da cidade de Milão, tais como a Catedral de Milão (Duomo), as Galerias Vittorio Emanuele, o Teatro La Scala e o Castelo Sforzesco. No Chipre, visitaram cidades como Larnaka, Nicósia e Paphos.
Os alunos portugueses ficaram, durante a primeira parte do programa, alojados em hotel e, posteriormente, já na zona de implantação da escola Makarios III Technical School, com a qual se realizou o intercâmbio, com famílias de acolhimento.
A participação dos alunos neste projecto constituiu uma oportunidade única no que concerne à sua formação enquanto cidadãos europeus, fomentando a sua abertura e tolerância no que respeita a outras culturas, facilitando, assim, a aproximação e cooperação entre os vários países europeus.
Novidades na Missa da Golpilheira
Para uma comunidade mais unida
No passado dia 10 de Outubro foram apresentadas à comunidade da Igreja da Golpilheira algumas alterações na celebração da eucaristia. Trata-se de um programa que está a ser desenvolvido com vista a uma maior comunhão na comunidade cristã da nossa Freguesia, nomeadamente na dignificação e maior participação das pessoas na Eucaristia dominical e outros actos de pastoral litúrgica, catequética e social.
O primeiro sinal simbólico foi dado com a alteração da disposição dos bancos, ligeiramente virados ao centro, permitindo uma melhor visualização entre as pessoas e orientação para o altar. A breve prazo, pretende-se criar outras condições de comodidade, iluminação, climatização e qualidade acústica, o que está a ser preparado no âmbito de um projecto global de intervenções necessárias no templo, visando a dignificação e o conforto do espaço celebrativo. Sobre isso, iremos dando novas informações.
Mas essas melhorias só farão sentido se forem acompanhadas por uma aposta na animação litúrgica e na qualidade da celebração, em todos os seus aspectos e envolvendo todos os intervenientes, desde o sacerdote aos leitores, cantores, acólitos e outros colaboradores ocasionais. Assim, decidiu-se avançar desde logo para a reestruturação do grupo coral, de acordo com o seu anterior maestro Mário Costa, com novos dinamizadores e colaboradores, tanto nas vozes como nos instrumentos. É um trabalho que está a começar agora e que se pretende vir a melhorar com o tempo, estando o convite aberto a todos os que queiram integrar o grupo (ensaios à quinta-feira, às 20h00).
Paralelamente, está a ser agendada uma acção de formação para leitores, uma outra acção junto dos alunos do 7.º ano de catequese para acólitos, e uma programação para a participação de todos os grupos de catequese na celebração, juntamente com os pais, devidamente distribuídos pelos vários domingos do ano.
De referir que este trabalho está a ser desenvolvido pela Comissão da Igreja da Golpilheira, com a colaboração permanente da Comissão da Igreja de S. Bento, numa integração gradual das duas equipas de trabalho. Este é mais um sinal da união que se pretende incentivar a para a qual todos os cristãos da comunidade são convidados a contribuir. Porque este é um trabalho que terá tanto mais sucesso quanto maior for o envolvimento de cada um, na partilha dos seus dons com todos.
O convite fica feito.
Luís Miguel Ferraz
Mensagem de agradecimento
A propósito da minha substituição na regência do grupo coral, no passado dia 10 de Outubro, gostaria de publicamente agradecer a Deus o dom que me deu do canto e que desenvolvi a pedido do Sr. Prior e responsáveis de então. Servi a Golpilheira durante 56 anos, quase sem interrupções. Agradeço ao Sr. Prior, que desde que veio para a Batalha sempre colaborou comigo nos programas litúrgicos de cada domingo e pela confiança que sempre depositou em mim.
É com muita alegria que vejo a substituição por dois elementos da nossa terra: o Dr. Luís Miguel e a Dra. Marta Frazão, por quem tenho muito carinho (e segundo diz, aprendeu muito comigo). É uma alegria reforçada, porque os dois foram elementos do Coro Infantil e Juvenil da Golpilheira, que eu fundei há muitos anos.
Ao coro litúrgico da Golpilheira quero pedir desculpa por alguma coisa que tivesse corrido menos bem e agradecer as prendas que me ofereciam no meu aniversário.
Por fim, agradeço de uma maneira geral a toda a comunidade da Golpilheira, pelo carinho e respeito que sempre tiveram para comigo, incluindo os meninos a meninas da catequese, que quando passam por mim me cumprimentam com um simpático "olá".
A todos o meu muito obrigado!
Mário Monteiro Costa
No passado dia 10 de Outubro foram apresentadas à comunidade da Igreja da Golpilheira algumas alterações na celebração da eucaristia. Trata-se de um programa que está a ser desenvolvido com vista a uma maior comunhão na comunidade cristã da nossa Freguesia, nomeadamente na dignificação e maior participação das pessoas na Eucaristia dominical e outros actos de pastoral litúrgica, catequética e social.
O primeiro sinal simbólico foi dado com a alteração da disposição dos bancos, ligeiramente virados ao centro, permitindo uma melhor visualização entre as pessoas e orientação para o altar. A breve prazo, pretende-se criar outras condições de comodidade, iluminação, climatização e qualidade acústica, o que está a ser preparado no âmbito de um projecto global de intervenções necessárias no templo, visando a dignificação e o conforto do espaço celebrativo. Sobre isso, iremos dando novas informações.
Mas essas melhorias só farão sentido se forem acompanhadas por uma aposta na animação litúrgica e na qualidade da celebração, em todos os seus aspectos e envolvendo todos os intervenientes, desde o sacerdote aos leitores, cantores, acólitos e outros colaboradores ocasionais. Assim, decidiu-se avançar desde logo para a reestruturação do grupo coral, de acordo com o seu anterior maestro Mário Costa, com novos dinamizadores e colaboradores, tanto nas vozes como nos instrumentos. É um trabalho que está a começar agora e que se pretende vir a melhorar com o tempo, estando o convite aberto a todos os que queiram integrar o grupo (ensaios à quinta-feira, às 20h00).
Paralelamente, está a ser agendada uma acção de formação para leitores, uma outra acção junto dos alunos do 7.º ano de catequese para acólitos, e uma programação para a participação de todos os grupos de catequese na celebração, juntamente com os pais, devidamente distribuídos pelos vários domingos do ano.
De referir que este trabalho está a ser desenvolvido pela Comissão da Igreja da Golpilheira, com a colaboração permanente da Comissão da Igreja de S. Bento, numa integração gradual das duas equipas de trabalho. Este é mais um sinal da união que se pretende incentivar a para a qual todos os cristãos da comunidade são convidados a contribuir. Porque este é um trabalho que terá tanto mais sucesso quanto maior for o envolvimento de cada um, na partilha dos seus dons com todos.
O convite fica feito.
Luís Miguel Ferraz
Mensagem de agradecimento
A propósito da minha substituição na regência do grupo coral, no passado dia 10 de Outubro, gostaria de publicamente agradecer a Deus o dom que me deu do canto e que desenvolvi a pedido do Sr. Prior e responsáveis de então. Servi a Golpilheira durante 56 anos, quase sem interrupções. Agradeço ao Sr. Prior, que desde que veio para a Batalha sempre colaborou comigo nos programas litúrgicos de cada domingo e pela confiança que sempre depositou em mim.
É com muita alegria que vejo a substituição por dois elementos da nossa terra: o Dr. Luís Miguel e a Dra. Marta Frazão, por quem tenho muito carinho (e segundo diz, aprendeu muito comigo). É uma alegria reforçada, porque os dois foram elementos do Coro Infantil e Juvenil da Golpilheira, que eu fundei há muitos anos.
Ao coro litúrgico da Golpilheira quero pedir desculpa por alguma coisa que tivesse corrido menos bem e agradecer as prendas que me ofereciam no meu aniversário.
Por fim, agradeço de uma maneira geral a toda a comunidade da Golpilheira, pelo carinho e respeito que sempre tiveram para comigo, incluindo os meninos a meninas da catequese, que quando passam por mim me cumprimentam com um simpático "olá".
A todos o meu muito obrigado!
Mário Monteiro Costa
Novembro, “mês dos finados”
Novembro é o mês dos finados e dos crisântemos, ou seja, faz-se o culto da família e daqueles que já partiram.
Neste mês, em especial, visita-se o cemitério, elevam-se preces a Deus, acendem-se velas, oferecem-se flores como forma de expressar carinho e amor por eles. É a celebração da ausência sem regresso que a lembrança aviva, contornando a morte.
É um tempo especial para recordar e ninguém escapa a isso, mesmo que não o mostre com uma ida ao cemitério.
A comemoração dos fiéis defuntos oferece-nos uma excelente oportunidade para meditar sobre o significado da morte e as lições daí decorrentes.
Em cada sepultura estão os restos mortais dos que percorreram, como nós o fazemos nestes dias, os caminhos da vida.
Batalha já conta com duas agências funerárias
Anterior a este processo está outro bastante complexo e também importante: o funeral. Este consiste numa cerimónia, tradicionalmente adoptada para a despedida de um ente querido logo após a morte, preparada por uma agência especializada.
O concelho da Batalha conta há 30 anos com a Agência Funerária Santos & Matias. Esta agência surgiu para preencher uma lacuna deste tipo de serviços na zona, uma vez que até essa data os falecidos eram transportados em "carretas", passando depois a ser conduzidos em auto-fúnebres.
"A empresa é reconhecida pelos princípios pelos quais se rege: discrição, profissionalismo e honestidade", afirma o seu responsável, José António Matias. Para que possam corresponder a todas as necessidades que se apresentam hoje em dia, têm frequentado diversos cursos de formação profissional: psicologia do luto, tanatopraxia (método de conservação do corpo), tanoestética (maquilhagem de cadáveres), gestão de agências funerárias, entre outros. Presta serviço a nível nacional e internacional, abrangendo no entanto, com maior predominância, a zona do distrito de Leiria.
Este ano, os batalhenses passaram a ter mais uma especialista no concelho, a Agência Funerária Espírito Santo, que nasceu em Abril com o objectivo de ser uma nova opção para os clientes deste concelho, mobilizada a "humanizar cada vez mais a perda do ente querido". A sua política centra-se nos "princípios de trabalho, no respeito pelos falecidos e suas famílias, independentemente das suas crenças religiosas ou estatuto social", e embora respeitando as tradições milenares, dirige a sua aposta para a oferta de novos serviços no sector funerário, como por exemplo música ambiente, serviço de catering no velório, reportagem vídeo/fotografia, apoio psicológico, urnas ecológicas, cremação, etc.
O gerente é André Espírito Santo, com 7 anos de experiência no ramo funerário, formado em Tanatopraxia e Tanatoestética. Segundo ele, "a família em sofrimento é a razão da nossa existência, com a preocupação de a tratarmos com um respeito sublime, pois cada cliente tem a sua maneira de viver luto, pelo que a nossa psicóloga faz um primeiro contacto gratuitamente".
O balanço nos primeiros meses tem sido satisfatório, pois apesar da "meninez" do negócio, as pessoas têm notado a sua presença. "Este negócio é muito complicado e muito competitivo e temos de apostar na publicidade para chegar à população, pelo que o concelho da Batalha ainda necessitará de alguma maturação, que só se consegue com o tempo, para as pessoas se aperceberem de que têm mais uma opção de escolha", afirma o empresário.
Para os cristãos, este é um momento especial, que significa a passagem para a vida eterna. É normal experimentar-se a dor e o sentimento de perda de quem se ama, mas deve ser vivido com a dignidade e a esperança de que não é ali que termina tudo: "Aquele que crê em Mim, mesmo que morra, viverá eternamente" (Jo 11, 25).
Ângela Susano
Neste mês, em especial, visita-se o cemitério, elevam-se preces a Deus, acendem-se velas, oferecem-se flores como forma de expressar carinho e amor por eles. É a celebração da ausência sem regresso que a lembrança aviva, contornando a morte.
É um tempo especial para recordar e ninguém escapa a isso, mesmo que não o mostre com uma ida ao cemitério.
A comemoração dos fiéis defuntos oferece-nos uma excelente oportunidade para meditar sobre o significado da morte e as lições daí decorrentes.
Em cada sepultura estão os restos mortais dos que percorreram, como nós o fazemos nestes dias, os caminhos da vida.
Batalha já conta com duas agências funerárias
Anterior a este processo está outro bastante complexo e também importante: o funeral. Este consiste numa cerimónia, tradicionalmente adoptada para a despedida de um ente querido logo após a morte, preparada por uma agência especializada.
O concelho da Batalha conta há 30 anos com a Agência Funerária Santos & Matias. Esta agência surgiu para preencher uma lacuna deste tipo de serviços na zona, uma vez que até essa data os falecidos eram transportados em "carretas", passando depois a ser conduzidos em auto-fúnebres.
"A empresa é reconhecida pelos princípios pelos quais se rege: discrição, profissionalismo e honestidade", afirma o seu responsável, José António Matias. Para que possam corresponder a todas as necessidades que se apresentam hoje em dia, têm frequentado diversos cursos de formação profissional: psicologia do luto, tanatopraxia (método de conservação do corpo), tanoestética (maquilhagem de cadáveres), gestão de agências funerárias, entre outros. Presta serviço a nível nacional e internacional, abrangendo no entanto, com maior predominância, a zona do distrito de Leiria.
Este ano, os batalhenses passaram a ter mais uma especialista no concelho, a Agência Funerária Espírito Santo, que nasceu em Abril com o objectivo de ser uma nova opção para os clientes deste concelho, mobilizada a "humanizar cada vez mais a perda do ente querido". A sua política centra-se nos "princípios de trabalho, no respeito pelos falecidos e suas famílias, independentemente das suas crenças religiosas ou estatuto social", e embora respeitando as tradições milenares, dirige a sua aposta para a oferta de novos serviços no sector funerário, como por exemplo música ambiente, serviço de catering no velório, reportagem vídeo/fotografia, apoio psicológico, urnas ecológicas, cremação, etc.
O gerente é André Espírito Santo, com 7 anos de experiência no ramo funerário, formado em Tanatopraxia e Tanatoestética. Segundo ele, "a família em sofrimento é a razão da nossa existência, com a preocupação de a tratarmos com um respeito sublime, pois cada cliente tem a sua maneira de viver luto, pelo que a nossa psicóloga faz um primeiro contacto gratuitamente".
O balanço nos primeiros meses tem sido satisfatório, pois apesar da "meninez" do negócio, as pessoas têm notado a sua presença. "Este negócio é muito complicado e muito competitivo e temos de apostar na publicidade para chegar à população, pelo que o concelho da Batalha ainda necessitará de alguma maturação, que só se consegue com o tempo, para as pessoas se aperceberem de que têm mais uma opção de escolha", afirma o empresário.
Para os cristãos, este é um momento especial, que significa a passagem para a vida eterna. É normal experimentar-se a dor e o sentimento de perda de quem se ama, mas deve ser vivido com a dignidade e a esperança de que não é ali que termina tudo: "Aquele que crê em Mim, mesmo que morra, viverá eternamente" (Jo 11, 25).
Ângela Susano
Festa da Imaculada Conceição e Concerto “Canções de Esperança”
Eventos a favor do Seminário
O Seminário de Leiria convida todos os diocesanos, em especial os que se ocupam das vocações sacerdotais pela oração, testemunho e partilha e quantos ajudaram a executar a 1.ª fase das obras no edifício do Seminário, para a festa da sua Padroeira – a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria –, que se vai realizar na tarde do dia 8 de Dezembro, com início às 15h30, na igreja do Seminário.
Do programa consta:
- Eucaristia, presidida por D. António Marto, na qual farão a admissão às Ordens Sacras quatro alunos do nosso Seminário: Patrício Oliveira, Miguel Alves, Fábio Bernardino e Tiago Silva;
- Bênção e visita aos espaços renovados do edifício do Seminário – mandado construir por D. João Pereira Venâncio, entre os anos 1962 e 1965 –, e que se destinam à Comunidade do Seminário e à Casa de Retiros;
- Inauguração de uma exposição de Presépios, evocativa do Natal do Senhor e da missão específica de uma casa de retiros: ser espaço de escuta e meditação da Palavra de Deus para que, como em Maria, também ela possa incarnar em nossas vidas e dar muito fruto.
"Canções de Esperança" para angariar fundos
Por iniciativa de João Junqueira, antigo aluno do Seminário de Leiria, apoiada e assumida pela Associação de Antigos Alunos do Seminário, irão realizar-se, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, nos dias 11 e 12 de Dezembro, dois espectáculos a favor das obras no edifício do Seminário Diocesano.
É uma forma generosa e ousada de mostrar o quanto estão agradecidos pelo muito que receberam do Seminário. Mas esta gratidão não é, não deve, nem pode ser só deles: é antes de toda a Diocese, pois ali se formaram e continuam a formar os que a servem a tempo inteiro, e ali estão alojados os serviços que dinamizam a comunidade diocesana, nos seus diferentes níveis de acção.
Com este espectáculo, a apresentar no sábado, às 21h00, e no domingo, às 17h00, João Junqueira, acompanhado por 25 músicos profissionais, mais alguns amigos, oferece duas horas de música de mensagem cristã, "provocadora e inquietante (…), e com sabor a um Natal de Jesus, tão arredado das preocupações dos homens de hoje".
Vamos, pois, encher a sala no sábado e no domingo. Não será difícil, se em todas as comunidades houver interesse em ajudar esta Instituição que tanto tem dado e continua a dar à vida da Diocese.
A divulgação deste evento está a ser feita nas paróquias, movimentos e serviços diocesanos, e pela imprensa escrita e radiofónica; os bilhetes, ao preço de 12,50 euros, podem também adquirir-se na portaria do Seminário.
Padre Manuel Armindo Janeiro (Reitor)
O Seminário de Leiria convida todos os diocesanos, em especial os que se ocupam das vocações sacerdotais pela oração, testemunho e partilha e quantos ajudaram a executar a 1.ª fase das obras no edifício do Seminário, para a festa da sua Padroeira – a Imaculada Conceição da Virgem Santa Maria –, que se vai realizar na tarde do dia 8 de Dezembro, com início às 15h30, na igreja do Seminário.
Do programa consta:
- Eucaristia, presidida por D. António Marto, na qual farão a admissão às Ordens Sacras quatro alunos do nosso Seminário: Patrício Oliveira, Miguel Alves, Fábio Bernardino e Tiago Silva;
- Bênção e visita aos espaços renovados do edifício do Seminário – mandado construir por D. João Pereira Venâncio, entre os anos 1962 e 1965 –, e que se destinam à Comunidade do Seminário e à Casa de Retiros;
- Inauguração de uma exposição de Presépios, evocativa do Natal do Senhor e da missão específica de uma casa de retiros: ser espaço de escuta e meditação da Palavra de Deus para que, como em Maria, também ela possa incarnar em nossas vidas e dar muito fruto.
"Canções de Esperança" para angariar fundos
Por iniciativa de João Junqueira, antigo aluno do Seminário de Leiria, apoiada e assumida pela Associação de Antigos Alunos do Seminário, irão realizar-se, no Centro Pastoral Paulo VI, em Fátima, nos dias 11 e 12 de Dezembro, dois espectáculos a favor das obras no edifício do Seminário Diocesano.
É uma forma generosa e ousada de mostrar o quanto estão agradecidos pelo muito que receberam do Seminário. Mas esta gratidão não é, não deve, nem pode ser só deles: é antes de toda a Diocese, pois ali se formaram e continuam a formar os que a servem a tempo inteiro, e ali estão alojados os serviços que dinamizam a comunidade diocesana, nos seus diferentes níveis de acção.
Com este espectáculo, a apresentar no sábado, às 21h00, e no domingo, às 17h00, João Junqueira, acompanhado por 25 músicos profissionais, mais alguns amigos, oferece duas horas de música de mensagem cristã, "provocadora e inquietante (…), e com sabor a um Natal de Jesus, tão arredado das preocupações dos homens de hoje".
Vamos, pois, encher a sala no sábado e no domingo. Não será difícil, se em todas as comunidades houver interesse em ajudar esta Instituição que tanto tem dado e continua a dar à vida da Diocese.
A divulgação deste evento está a ser feita nas paróquias, movimentos e serviços diocesanos, e pela imprensa escrita e radiofónica; os bilhetes, ao preço de 12,50 euros, podem também adquirir-se na portaria do Seminário.
Padre Manuel Armindo Janeiro (Reitor)
CPCJ do distrito em videoconferência
"A Criança tem um interesse público superior"
Realizou-se, no passado dia 16 de Novembro, na Câmara Municipal, uma reunião da Comissão Alargada da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Batalha, que esteve ligada em videoconferência com todas as CPCJ dos distritos de Leiria e Castelo Branco, tendo ainda as CPCJ do distrito do Porto como assistentes, num total de 38 equipas ligadas em rede.
O momento inicial foi a comunicação do presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro. Defendendo um cada vez maior empenho dos colaboradores destas comissões, este responsável lembrou que "tudo o que diz respeito à criança deve ter um interesse público superior", sendo necessário insistir na "interiorização de todos os direitos das crianças nas várias legislações e convenções internacionais".
A primeira linha de acção corresponde às famílias e à comunidade em geral, competindo às CPCJ intervir em casos de risco, sendo "a sua prioridade fundamental a prevenção". Para tal, exige-se o trabalho solidário entre os vários actores sociais, desde as autarquias e serviços sociais até às autoridades de saúde, polícias e tribunais. "A CPCJ é mais do que uma parceria, é uma representação da comunidade e das suas várias instituições, pelo que nela ganha especial ênfase a necessidade de colaboração e plurifuncionalidade entre os seus membros, que devem ser escolhidos como representantes de qualidade", defendeu Armando Leandro.
No final, foi aberto o debate às várias CPCJ, que colocaram ao seu presidente nacional algumas das questões com que se debatem no seu trabalho diário. No entanto, algumas dificuldades técnicas não permitiram que a conversa decorresse com a participação de todos, como foi o caso da Batalha. Esta foi a primeira vez que se usou a videoconferência para este trabalho, uma solução que poupa recursos e viagens e que, com a prática e a resolução desses entraves, poderá vir a agilizar a troca de informações e optimizar os resultados do serviço feito no terreno.
LMF
Realizou-se, no passado dia 16 de Novembro, na Câmara Municipal, uma reunião da Comissão Alargada da Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Batalha, que esteve ligada em videoconferência com todas as CPCJ dos distritos de Leiria e Castelo Branco, tendo ainda as CPCJ do distrito do Porto como assistentes, num total de 38 equipas ligadas em rede.
O momento inicial foi a comunicação do presidente da Comissão Nacional de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro. Defendendo um cada vez maior empenho dos colaboradores destas comissões, este responsável lembrou que "tudo o que diz respeito à criança deve ter um interesse público superior", sendo necessário insistir na "interiorização de todos os direitos das crianças nas várias legislações e convenções internacionais".
A primeira linha de acção corresponde às famílias e à comunidade em geral, competindo às CPCJ intervir em casos de risco, sendo "a sua prioridade fundamental a prevenção". Para tal, exige-se o trabalho solidário entre os vários actores sociais, desde as autarquias e serviços sociais até às autoridades de saúde, polícias e tribunais. "A CPCJ é mais do que uma parceria, é uma representação da comunidade e das suas várias instituições, pelo que nela ganha especial ênfase a necessidade de colaboração e plurifuncionalidade entre os seus membros, que devem ser escolhidos como representantes de qualidade", defendeu Armando Leandro.
No final, foi aberto o debate às várias CPCJ, que colocaram ao seu presidente nacional algumas das questões com que se debatem no seu trabalho diário. No entanto, algumas dificuldades técnicas não permitiram que a conversa decorresse com a participação de todos, como foi o caso da Batalha. Esta foi a primeira vez que se usou a videoconferência para este trabalho, uma solução que poupa recursos e viagens e que, com a prática e a resolução desses entraves, poderá vir a agilizar a troca de informações e optimizar os resultados do serviço feito no terreno.
LMF
“Música para Bebés” veio à Golpilheira
No passado dia 30 de Outubro, o salão nobre da Junta de Freguesia da Golpilheira recebeu o espectáculo "ISHIZUKA - O Afinador de Sonhos". Foi um evento destinado a bebés e que consistiu em fazer despertar para novas sensibilidades aos bebés, convidando-os a ouvirem e a participarem na sessão de forma activa e respondendo aos estímulos sonoros.
Uma hora para bebés e pais, que os despertou para momentos com alguma ternura e interacção com sonoridades desconhecidas, enquadradas numa história com carácter teatral.
A registar fica a promessa de brevemente podermos assistir a uma segunda sessão, para quem não teve oportunidade de assistir desta vez.
A nós, cabe agradecer o empenho do projecto Musicalmente e ao Município da Batalha por trazer às freguesias do concelho este tipo de eventos.
Carlos Santos, Presidente da Junta de Freguesia
Uma hora para bebés e pais, que os despertou para momentos com alguma ternura e interacção com sonoridades desconhecidas, enquadradas numa história com carácter teatral.
A registar fica a promessa de brevemente podermos assistir a uma segunda sessão, para quem não teve oportunidade de assistir desta vez.
A nós, cabe agradecer o empenho do projecto Musicalmente e ao Município da Batalha por trazer às freguesias do concelho este tipo de eventos.
Carlos Santos, Presidente da Junta de Freguesia
Pela região...
Jantar de Natal da CERCILEI
A CERCILEI é uma instituição com 30 anos que apoia actualmente cerca de 370 deficientes entre os 0 e os 50 anos. Vai organizar um jantar de Natal, para angariação de fundos, no dia 4 de Dezembro, pelas 19h00, na Quinta dos Castanheiros, na Boa Vista.
Info: 244850970/965
Jantar da APPC “Aprender a Crescer”
A APPC – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Leiria realiza o seu 8.º Jantar de Natal, no sábado 4 de Dezembro, pelas 20h00, com o tema "Aprender a Crescer", no restaurante "Tromba Rija" - Quinta do Fidalgo, na Batalha.
Info: 244833983, 919940299, 967747517
Banco Alimentar contra a Fome
Nos dias 28 e 29 de Novembro, o Banco Alimentar Contra a Fome irá promover uma campanha de recolha de alimentos nos concelhos de Leiria, Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós, Ourém, Pombal, Ansião e Figueiró dos Vinhos. Esta campanha decorrerá junto de 57 superfícies comerciais do País, com a colaboração de 1400 voluntários. Em Maio passado foram recolhidas 69 toneladas de alimentos, distribuídos por 53 instituições que apoiam cerca de 5300 pessoas carenciadas.
Concurso de Presépios em Porto de Mós
Durante o mês de Dezembro e Janeiro, o Município de Porto de Mós irá organizar o 20.º Concurso de Presépios, com 4 categorias: Adultos; 3.º Ciclo; 1.º e 2.º Ciclos; Jardim-de-infância. Os trabalhos devem ser entregues até dia 16 de Dezembro, no edifício do Espaço Jovem, no Jardim Municipal. Os premiados ficarão expostos no mesmo local de 18 de Dezembro a 22 de Janeiro.
“Shop On” regressa a leiria
Vai voltar a organizar-se em Leiria o "Shop On", no dia 4 de Dezembro, projecto que pretende valorizar o comércio de rua local e atrair novos públicos à cidade, através da abertura das lojas até à meia-noite. Já com 108 lojas aderentes, esta edição vai contar com algumas surpresas dos comerciantes, como montras-vivas, tapetes vermelhos, decoração natalícia, lojistas com indumentária natalísica, pinturas faciais, DJ, oferta de brindes, descontos, promoção de produtos, degustações, Pai-Natal da loja, etc. Terá ainda um desfile de Pais-Natal em bicicleta, a partir do Largo do Papa, pelas 18h30, e variada animação: coros natalícios, dança, charrete, modelagem de balões, cuspidores de fogo...
FAG 2010 na Marinha Grande
A FAG 2010 – XXI Feira Nacional de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande decorre de 26 de Novembro a 5 de Dezembro, no Parque Municipal de Exposições da Marinha Grande. O evento conta com os artesãos a trabalhar ao vivo e com diversos restaurantes a mostrar a melhor gastronomia tradicional, bem como pontos de venda de produtos regionais como queijos, doces, enchidos, a tradicional poncha da madeira, entre outros. A diversão e o convívio também estão garantidos, com um rico programa de animação, baseado nas mais tradicionais e populares sonoridades locais e nacionais.
A CERCILEI é uma instituição com 30 anos que apoia actualmente cerca de 370 deficientes entre os 0 e os 50 anos. Vai organizar um jantar de Natal, para angariação de fundos, no dia 4 de Dezembro, pelas 19h00, na Quinta dos Castanheiros, na Boa Vista.
Info: 244850970/965
Jantar da APPC “Aprender a Crescer”
A APPC – Associação Portuguesa de Paralisia Cerebral de Leiria realiza o seu 8.º Jantar de Natal, no sábado 4 de Dezembro, pelas 20h00, com o tema "Aprender a Crescer", no restaurante "Tromba Rija" - Quinta do Fidalgo, na Batalha.
Info: 244833983, 919940299, 967747517
Banco Alimentar contra a Fome
Nos dias 28 e 29 de Novembro, o Banco Alimentar Contra a Fome irá promover uma campanha de recolha de alimentos nos concelhos de Leiria, Batalha, Marinha Grande, Porto de Mós, Ourém, Pombal, Ansião e Figueiró dos Vinhos. Esta campanha decorrerá junto de 57 superfícies comerciais do País, com a colaboração de 1400 voluntários. Em Maio passado foram recolhidas 69 toneladas de alimentos, distribuídos por 53 instituições que apoiam cerca de 5300 pessoas carenciadas.
Concurso de Presépios em Porto de Mós
Durante o mês de Dezembro e Janeiro, o Município de Porto de Mós irá organizar o 20.º Concurso de Presépios, com 4 categorias: Adultos; 3.º Ciclo; 1.º e 2.º Ciclos; Jardim-de-infância. Os trabalhos devem ser entregues até dia 16 de Dezembro, no edifício do Espaço Jovem, no Jardim Municipal. Os premiados ficarão expostos no mesmo local de 18 de Dezembro a 22 de Janeiro.
“Shop On” regressa a leiria
Vai voltar a organizar-se em Leiria o "Shop On", no dia 4 de Dezembro, projecto que pretende valorizar o comércio de rua local e atrair novos públicos à cidade, através da abertura das lojas até à meia-noite. Já com 108 lojas aderentes, esta edição vai contar com algumas surpresas dos comerciantes, como montras-vivas, tapetes vermelhos, decoração natalícia, lojistas com indumentária natalísica, pinturas faciais, DJ, oferta de brindes, descontos, promoção de produtos, degustações, Pai-Natal da loja, etc. Terá ainda um desfile de Pais-Natal em bicicleta, a partir do Largo do Papa, pelas 18h30, e variada animação: coros natalícios, dança, charrete, modelagem de balões, cuspidores de fogo...
FAG 2010 na Marinha Grande
A FAG 2010 – XXI Feira Nacional de Artesanato e Gastronomia da Marinha Grande decorre de 26 de Novembro a 5 de Dezembro, no Parque Municipal de Exposições da Marinha Grande. O evento conta com os artesãos a trabalhar ao vivo e com diversos restaurantes a mostrar a melhor gastronomia tradicional, bem como pontos de venda de produtos regionais como queijos, doces, enchidos, a tradicional poncha da madeira, entre outros. A diversão e o convívio também estão garantidos, com um rico programa de animação, baseado nas mais tradicionais e populares sonoridades locais e nacionais.
Campo da Batalha de Aljubarrota elevado a Monumento Nacional
O Campo da Batalha de Aljubarrota e a sua área envolvente, no concelho de Porto de Mós, estão desde o dia 4 de Novembro classificados como monumento nacional, uma decisão tomada em Conselho de Ministros.
A decisão foi justificada com o facto de se tratar de "património que representa um valor cultural de significado para o País e que deve ser objecto de especial protecção e valorização, no quadro da obrigação do Estado de proteger e valorizar o património cultural".
Recorde-se que o espaço em causa foi palco da Batalha de Aljubarrota, ocorrida entre os exércitos português e castelhano num planalto entre a Ponte da Boutaca, no concelho da Batalha, a Norte, e o Chão da Feira, concelho de Porto de Mós, a Sul, no dia 14 de Agosto de 1385, representando, como realça o comunicado do Conselho de Ministros, "um momento decisivo de afirmação de Portugal como reino independente, marcando o imaginário de muitas gerações".
"Para além da sua importância histórica, a batalha foi igualmente pretexto para o desenvolvimento de uma táctica militar inédita, apurada na Guerra dos 100 Anos e posta em prática por D. Nuno Álvares Pereira, de que é testemunho o complexo sistema defensivo, constituído por cerca de 800 covas de lobo e dezenas de fossos, posto a descoberto nas campanhas arqueológicas que decorrem desde 1958", acrescenta o referido comunicado.
A decisão foi justificada com o facto de se tratar de "património que representa um valor cultural de significado para o País e que deve ser objecto de especial protecção e valorização, no quadro da obrigação do Estado de proteger e valorizar o património cultural".
Recorde-se que o espaço em causa foi palco da Batalha de Aljubarrota, ocorrida entre os exércitos português e castelhano num planalto entre a Ponte da Boutaca, no concelho da Batalha, a Norte, e o Chão da Feira, concelho de Porto de Mós, a Sul, no dia 14 de Agosto de 1385, representando, como realça o comunicado do Conselho de Ministros, "um momento decisivo de afirmação de Portugal como reino independente, marcando o imaginário de muitas gerações".
"Para além da sua importância histórica, a batalha foi igualmente pretexto para o desenvolvimento de uma táctica militar inédita, apurada na Guerra dos 100 Anos e posta em prática por D. Nuno Álvares Pereira, de que é testemunho o complexo sistema defensivo, constituído por cerca de 800 covas de lobo e dezenas de fossos, posto a descoberto nas campanhas arqueológicas que decorrem desde 1958", acrescenta o referido comunicado.
V edição do Fórum do Associativismo da Batalha
As associações e o seu espaço na sociedade
Com o objectivo de dar continuidade ao debate em torno da temática do associativismo, o Município da Batalha, através do Museu da Comunidade Concelhia, e o Centro Recreativa da Rebolaria, que comemora em 2010 meio século de existência, organizam o V Fórum do Associativismo do Concelho da Batalha, subordinado ao tema "As associações e o seu espaço na sociedade". A iniciativa decorre no dia 27 de Novembro, sábado, a partir das 14h00, nas instalações daquela colectividade.
A importância das associações no desenvolvimento territorial como espaços de cidadania, de formação, de convívio e de preservação de memórias constitui o cerne de um fórum que pretende, uma vez mais, preencher-se de experiências motivadores e de reconhecido sucesso, dando lugar à partilha de ideias.
Para tal, o Painel I abordará o tema “Movimento Associativo - que espaço a ocupar na sociedade actual?”, partindo de dois exemplos práticos: Luís Ferreira, da Organização do Festival "Bons Sons", falará do Sport Club Operário de Cem Soldos - Tomar; Luís Leitão, presidente da Assembleia Geral do Atlético Clube de Vermoil falará da sua associação. No Painel II, José Travaços dos Santos falará do “Centro Recreativo da Rebolaria – 50 Anos de Associativismo ao Serviço da População”.
No evento serão ainda assinados os protocolos de Apoio Municipal ao Associativismo, em áreas como o Desporto, as Actividades Regulares e os projectos de Investimento.
O encontro contará com animação musical pelo Grupo "Sons do Lena", da Batalha.
Com o objectivo de dar continuidade ao debate em torno da temática do associativismo, o Município da Batalha, através do Museu da Comunidade Concelhia, e o Centro Recreativa da Rebolaria, que comemora em 2010 meio século de existência, organizam o V Fórum do Associativismo do Concelho da Batalha, subordinado ao tema "As associações e o seu espaço na sociedade". A iniciativa decorre no dia 27 de Novembro, sábado, a partir das 14h00, nas instalações daquela colectividade.
A importância das associações no desenvolvimento territorial como espaços de cidadania, de formação, de convívio e de preservação de memórias constitui o cerne de um fórum que pretende, uma vez mais, preencher-se de experiências motivadores e de reconhecido sucesso, dando lugar à partilha de ideias.
Para tal, o Painel I abordará o tema “Movimento Associativo - que espaço a ocupar na sociedade actual?”, partindo de dois exemplos práticos: Luís Ferreira, da Organização do Festival "Bons Sons", falará do Sport Club Operário de Cem Soldos - Tomar; Luís Leitão, presidente da Assembleia Geral do Atlético Clube de Vermoil falará da sua associação. No Painel II, José Travaços dos Santos falará do “Centro Recreativo da Rebolaria – 50 Anos de Associativismo ao Serviço da População”.
No evento serão ainda assinados os protocolos de Apoio Municipal ao Associativismo, em áreas como o Desporto, as Actividades Regulares e os projectos de Investimento.
O encontro contará com animação musical pelo Grupo "Sons do Lena", da Batalha.
Os Grafitos Medievais do Mosteiro da Batalha
Exposição na Casa-Museu João Soares
A Casa-Museu Centro Cultural João Soares, nas Cortes, tem patente a exposição "Os Grafitos Medievais do Mosteiro da Batalha".
A mostra aborda um assunto até hoje ignorado: o gesticular anónimo de quem esteve no Mosteiro durante a sua construção. Escultores, pedreiros, carpinteiros, arquitectos e monges fixaram nas paredes uma linguagem paralela, não a dos alicerces, das abóbadas e de um imaginário que iriam legar à posteridade, mas as dúvidas, as conversas, as ironias, as crenças de um quotidiano forjado numa das épocas mais criativas do viver português.
Graças a circunstâncias casuais – as características do calcário das pedreiras do Reguengo do Fetal –, as linhas espontâneas que traçaram ficaram gravadas através dos séculos na face rugosa das pedras. São esses registos ténues que são aqui ressuscitados numa aparição imprevista: a cegonha, símbolo da vigilância ascética dos frades que ficou inscrita à porta do seu dormitório; os barcos dos carpinteiros navais que levantaram os cimbres, ou seja, as estruturas de madeira para suporte das abóbadas; as volutas dos escultores de capitéis; os jogos riscados de improviso nas horas de descanso.
É uma outra Idade Média, que cruza os alvores do renascimento e nasce num sussurro íntimo, após 500 anos de silêncio.
A Casa-Museu Centro Cultural João Soares, nas Cortes, tem patente a exposição "Os Grafitos Medievais do Mosteiro da Batalha".
A mostra aborda um assunto até hoje ignorado: o gesticular anónimo de quem esteve no Mosteiro durante a sua construção. Escultores, pedreiros, carpinteiros, arquitectos e monges fixaram nas paredes uma linguagem paralela, não a dos alicerces, das abóbadas e de um imaginário que iriam legar à posteridade, mas as dúvidas, as conversas, as ironias, as crenças de um quotidiano forjado numa das épocas mais criativas do viver português.
Graças a circunstâncias casuais – as características do calcário das pedreiras do Reguengo do Fetal –, as linhas espontâneas que traçaram ficaram gravadas através dos séculos na face rugosa das pedras. São esses registos ténues que são aqui ressuscitados numa aparição imprevista: a cegonha, símbolo da vigilância ascética dos frades que ficou inscrita à porta do seu dormitório; os barcos dos carpinteiros navais que levantaram os cimbres, ou seja, as estruturas de madeira para suporte das abóbadas; as volutas dos escultores de capitéis; os jogos riscados de improviso nas horas de descanso.
É uma outra Idade Média, que cruza os alvores do renascimento e nasce num sussurro íntimo, após 500 anos de silêncio.
Exposição de pintura: "Aguarelas" de Artur Franco
Artur Franco, natural de Leiria, nasceu em 1950 e desde muito novo revelou uma especial apetência para as artes, especialmente para a pintura. Apresenta-se cada vez mais realista, com um traço genuíno na técnica da aguarela que marca a sua pintura. Nesta exposição, pretende mostrar ao público, para além de monumentos, figuras do mercado antigo, mas no séc. XXI. Patente na galeria Mouzinho de Albuquerque, de 4 a 18 de Dezembro, das 14h00 às 18h00.
Comemorações na Batalha - Estátua do Infante inaugurada
Depois dos actos evocativos do Infante D. Henrique em Aljezur, Vila do Bispo e Lagos, nas Terras do Infante, designação feliz para a associação destes três municípios algarvios, concluíram-se na Batalha, em 14 do corrente, as homenagens à memória do iniciador e impulsionador de uma das maiores epopeias da história da Humanidade: os Descobrimentos Portugueses.
Após a Missa, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, presidida pelo Bispo emérito de Leiria-Fátima D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, e concelebrada por Monsenhor Luciano Gomes Paulo Guerra e Padre José Ferreira Gonçalves, procedeu-se à deposição de flores no túmulo do Infante e realizou-se, no auditório do Mosteiro, a conferência do Professor Doutor Saul António Gomes, subordinada ao título "O Infante, a Batalha e os Destinos de Portugal", notável lição de história e declaração de fé nos destinos do Povo português (ver neste blog).
À mesa da sessão presidiu um ilustre batalhense, o professor doutor Rui Manuel Gens de Moura Ramos, presidente do Tribunal Constitucional. Constituíram-na, ainda, o presidente da Câmara Municipal da Batalha, António José Martins de Sousa Lucas, alma destas comemorações na histórica vila, e o presidente do IGESPAR, Gonçalo Couceiro. No claustro houve a agradável surpresa de um magnífico quarteto de sopro da SAMP – Sociedade Artística Musical dos Pousos brindar os presentes com algumas peças de música clássica.
A terminar, no vasto terreiro a leste do Mosteiro (que no próximo ano vai finalmente beneficiar de obras), terreiro que tem o nome do Infante, foi inaugurado o seu busto, esplêndida escultura dos artistas batalhenses António José Moreira e Alzira Antunes, que se inspiraram na cabeça da estátua jacente do túmulo da Capela do Fundador. Trabalho inteiramente moldado e assente no calcário regional, do mesmo calcário de que é feito o Mosteiro. O Infante, à semelhança da jacente batalhina, tem a coroa ducal a invocar a sua condição de duque de Viseu.
O novo monumento é muito expressivo e muito belo e reveste-se de verdadeira espiritualidade. Está ali o Infante das prodigiosas navegações e da expansão dum povo que, apesar da sua pequenez numérica, correu as partidas do mundo e deixou marcas indeléveis em quatro continentes.
José Travaços Santos
A televisão vinha e depois não veio. Porquê?
Isto faz-me lembrar a história de certo padre que, para atrair mais crianças à catequese, avisou que tal dia ia haver "cinema". Cinema era apenas a projecção de algumas imagens fixas, mas para a pequenada, naquele tempo, aquilo era "cinema". A sala encheu-se, mas o padre, ou por não poder ou por esquecimento, de "cinema", nada. Ao sair, um dos miúdos, cabisbaixo, diz para os colegas: "Sacana do padre, disse qu‘abia e na abeu!".
E assim foi agora. Estava tudo combinado para a transmissão das cerimónias de homenagem ao Infante D. Henrique, no passado dia 14 de Novembro. No dia 5, estiveram cá alguns responsáveis e técnicos da RTP a examinar todo o local onde iam decorrer as cerimónias, tiraram medidas, combinaram locais de estacionamento, tudo a correr bem. Mas, no final desse encontro, quando pediram a lista das "personalidades" que iriam estar presentes, houve, logo ali, um engelhar de narizes. Não havia "figuras mediáticas". Pensei logo comigo: temos o caldo entornado. E, se bem o pensei, pior aconteceu. Dias depois, vem a comunicação do cancelamento da transmissão, porque a RTP não tinha dinheiro para a iluminação. Ficava muito cara. Certamente temeram ficar sem dinheiro para os "ordenaditos" de administradores e directores de programas.
Será que, se as tais "figuras mediáticas" que foram convidadas tivessem vindo, não haveria mesmo dinheiro para a iluminação? Fico na dúvida, se a RTP vinha para apresentar aos seus telespectadores a figura heróica do Infante D. Henrique, ou as caras dos nossos políticos.
Lamento que a figura do Infante, que escreveu uma das mais belas páginas da nossa história, tenha ficado para segundo plano, perante as figuras da nossa política, que têm levado Portugal ao estado em que se encontra. Se não vinham aquelas caras, o mosteiro da Batalha é Património Mundial, é uma das Sete Maravilhas de Portugal. Qualquer repórter, mesmo de "meia tigela", conseguia, sem dificuldade, encontrar neste monumento imagens muito acima da beldade de Suas Excelências (com isto, não quero dizer que sejam feios).
Diz-se que o nível cultural dos portugueses é pobre. É pena que quem tem meios e condições para lhes dar a conhecer importantes valores históricos e culturais prefira apresentar-lhes "figuras mediáticas".
A cerimónia fez-se. Foi homenageado o Infante. A RTP falhou.
In Ecos do Domingo, boletim paroquial da Batalha
Após a Missa, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, presidida pelo Bispo emérito de Leiria-Fátima D. Serafim de Sousa Ferreira e Silva, e concelebrada por Monsenhor Luciano Gomes Paulo Guerra e Padre José Ferreira Gonçalves, procedeu-se à deposição de flores no túmulo do Infante e realizou-se, no auditório do Mosteiro, a conferência do Professor Doutor Saul António Gomes, subordinada ao título "O Infante, a Batalha e os Destinos de Portugal", notável lição de história e declaração de fé nos destinos do Povo português (ver neste blog).
À mesa da sessão presidiu um ilustre batalhense, o professor doutor Rui Manuel Gens de Moura Ramos, presidente do Tribunal Constitucional. Constituíram-na, ainda, o presidente da Câmara Municipal da Batalha, António José Martins de Sousa Lucas, alma destas comemorações na histórica vila, e o presidente do IGESPAR, Gonçalo Couceiro. No claustro houve a agradável surpresa de um magnífico quarteto de sopro da SAMP – Sociedade Artística Musical dos Pousos brindar os presentes com algumas peças de música clássica.
A terminar, no vasto terreiro a leste do Mosteiro (que no próximo ano vai finalmente beneficiar de obras), terreiro que tem o nome do Infante, foi inaugurado o seu busto, esplêndida escultura dos artistas batalhenses António José Moreira e Alzira Antunes, que se inspiraram na cabeça da estátua jacente do túmulo da Capela do Fundador. Trabalho inteiramente moldado e assente no calcário regional, do mesmo calcário de que é feito o Mosteiro. O Infante, à semelhança da jacente batalhina, tem a coroa ducal a invocar a sua condição de duque de Viseu.
O novo monumento é muito expressivo e muito belo e reveste-se de verdadeira espiritualidade. Está ali o Infante das prodigiosas navegações e da expansão dum povo que, apesar da sua pequenez numérica, correu as partidas do mundo e deixou marcas indeléveis em quatro continentes.
José Travaços Santos
A televisão vinha e depois não veio. Porquê?
Isto faz-me lembrar a história de certo padre que, para atrair mais crianças à catequese, avisou que tal dia ia haver "cinema". Cinema era apenas a projecção de algumas imagens fixas, mas para a pequenada, naquele tempo, aquilo era "cinema". A sala encheu-se, mas o padre, ou por não poder ou por esquecimento, de "cinema", nada. Ao sair, um dos miúdos, cabisbaixo, diz para os colegas: "Sacana do padre, disse qu‘abia e na abeu!".
E assim foi agora. Estava tudo combinado para a transmissão das cerimónias de homenagem ao Infante D. Henrique, no passado dia 14 de Novembro. No dia 5, estiveram cá alguns responsáveis e técnicos da RTP a examinar todo o local onde iam decorrer as cerimónias, tiraram medidas, combinaram locais de estacionamento, tudo a correr bem. Mas, no final desse encontro, quando pediram a lista das "personalidades" que iriam estar presentes, houve, logo ali, um engelhar de narizes. Não havia "figuras mediáticas". Pensei logo comigo: temos o caldo entornado. E, se bem o pensei, pior aconteceu. Dias depois, vem a comunicação do cancelamento da transmissão, porque a RTP não tinha dinheiro para a iluminação. Ficava muito cara. Certamente temeram ficar sem dinheiro para os "ordenaditos" de administradores e directores de programas.
Será que, se as tais "figuras mediáticas" que foram convidadas tivessem vindo, não haveria mesmo dinheiro para a iluminação? Fico na dúvida, se a RTP vinha para apresentar aos seus telespectadores a figura heróica do Infante D. Henrique, ou as caras dos nossos políticos.
Lamento que a figura do Infante, que escreveu uma das mais belas páginas da nossa história, tenha ficado para segundo plano, perante as figuras da nossa política, que têm levado Portugal ao estado em que se encontra. Se não vinham aquelas caras, o mosteiro da Batalha é Património Mundial, é uma das Sete Maravilhas de Portugal. Qualquer repórter, mesmo de "meia tigela", conseguia, sem dificuldade, encontrar neste monumento imagens muito acima da beldade de Suas Excelências (com isto, não quero dizer que sejam feios).
Diz-se que o nível cultural dos portugueses é pobre. É pena que quem tem meios e condições para lhes dar a conhecer importantes valores históricos e culturais prefira apresentar-lhes "figuras mediáticas".
A cerimónia fez-se. Foi homenageado o Infante. A RTP falhou.
In Ecos do Domingo, boletim paroquial da Batalha
Equipas do CRG
FUTSAL
Juniores Femininos – Campeonato Distrital
19-11 – Louriçal – 2/Golpilheira – 6
Próximos Jogos
28-11 – 18h00 – (Batalha) – Golpilheira/G. Alegre e Unido
05-12 – 17h00 – (Pousos) – União de Leiria/Golpilheira
12-12 – 18h00 – (Batalha) - Golpilheira/Portomosense
18-12 – 21h00 – (Segodim) – Segodim/Golpilheira
Seniores Femininos – Campeonato Distrital da Divisão de Honra
23-10 – Academia da Caranguejeira – 5/Golpilheira – 1
30-10 – Golpilheira – 2/Vidais – 1
06-11 – Golpilheira – 5/Pocariça – 2
Próximos Jogos
27-11 – 20h30 – (Escola Correia Mateus – Leiria) – Núcleo do Sporting/Golpilheira
04-12 – 19h00 – (Batalha) – Golpilheira/Amigos da Ribeira do Sirol
10-12 – 21h00 – (Parceiros) – União de Leiria/Golpilheira
18-12 – 19h00 – (Batalha) – Golpilheira/Clube o Abelha
Futebol
Benjamins "A" – 1º. Torneio Distrital Fut. 7
13-11 – Golpilheira – 0/Academia Sport. Mª. Grande – 6
20-11 – Lisboa e Marinha – 3/Golpilheira – 6
Próximos Jogos
27-11 – 09h30 – (Barrocas) – Golpilheira/Alcobaça "B"
04-12 – 09h30 – (Porto Mós) – Portomosense/Golpilheira
11-12 – 09h30 – (Barrocas) – Golpilheira/UDB – Batalha
18-12 – 11h00 – (Cruz da Légua) – Andorinhas/Golpilheira
Infantis Sub/13 – Campeonato Distrital Fut. 7
30-10 – Golpilheira – 0/UDB – Batalha – 4
06-11 – Esc. Sport. Mª. Grande – 6/Golpilheira – 3
13-11 – Golpilheira – 1/Marinhanse – 5
20-11 – Nazareno – 5/Golpilheira – 1
Próximos Jogos
27-11 – 11h00 – (Barrocas) – Golpilheira/Marrazes "B"
04-12 – 11h00 – (Cruz da Légua) – Andorinhas/Golpilheira
11-12 – 11h00 – (Barrocas) – Golpilheira/Lisboa e Marinha "A"
18-12 – 11h00 – (Maceirinha) – Maceirinha/Golpilheira
Veteranos Futebol 11
30-10 – Golpilheira – 3/Fátima – 2
13-11 – Golpilheira/União de Tomar (Adiado)
Próximos Jogos
27-11 – Ansião/Golpilheira
15-01 – Golpilheira/Pinhal Novo
Juniores Femininos – Campeonato Distrital
19-11 – Louriçal – 2/Golpilheira – 6
Próximos Jogos
28-11 – 18h00 – (Batalha) – Golpilheira/G. Alegre e Unido
05-12 – 17h00 – (Pousos) – União de Leiria/Golpilheira
12-12 – 18h00 – (Batalha) - Golpilheira/Portomosense
18-12 – 21h00 – (Segodim) – Segodim/Golpilheira
Seniores Femininos – Campeonato Distrital da Divisão de Honra
23-10 – Academia da Caranguejeira – 5/Golpilheira – 1
30-10 – Golpilheira – 2/Vidais – 1
06-11 – Golpilheira – 5/Pocariça – 2
Próximos Jogos
27-11 – 20h30 – (Escola Correia Mateus – Leiria) – Núcleo do Sporting/Golpilheira
04-12 – 19h00 – (Batalha) – Golpilheira/Amigos da Ribeira do Sirol
10-12 – 21h00 – (Parceiros) – União de Leiria/Golpilheira
18-12 – 19h00 – (Batalha) – Golpilheira/Clube o Abelha
Futebol
Benjamins "A" – 1º. Torneio Distrital Fut. 7
13-11 – Golpilheira – 0/Academia Sport. Mª. Grande – 6
20-11 – Lisboa e Marinha – 3/Golpilheira – 6
Próximos Jogos
27-11 – 09h30 – (Barrocas) – Golpilheira/Alcobaça "B"
04-12 – 09h30 – (Porto Mós) – Portomosense/Golpilheira
11-12 – 09h30 – (Barrocas) – Golpilheira/UDB – Batalha
18-12 – 11h00 – (Cruz da Légua) – Andorinhas/Golpilheira
Infantis Sub/13 – Campeonato Distrital Fut. 7
30-10 – Golpilheira – 0/UDB – Batalha – 4
06-11 – Esc. Sport. Mª. Grande – 6/Golpilheira – 3
13-11 – Golpilheira – 1/Marinhanse – 5
20-11 – Nazareno – 5/Golpilheira – 1
Próximos Jogos
27-11 – 11h00 – (Barrocas) – Golpilheira/Marrazes "B"
04-12 – 11h00 – (Cruz da Légua) – Andorinhas/Golpilheira
11-12 – 11h00 – (Barrocas) – Golpilheira/Lisboa e Marinha "A"
18-12 – 11h00 – (Maceirinha) – Maceirinha/Golpilheira
Veteranos Futebol 11
30-10 – Golpilheira – 3/Fátima – 2
13-11 – Golpilheira/União de Tomar (Adiado)
Próximos Jogos
27-11 – Ansião/Golpilheira
15-01 – Golpilheira/Pinhal Novo
Golpilheira... acorda!
Durante o final de Outubro e nestes primeiros dias de Novembro, aconteceram coisas extraordinárias para a nossa freguesia. Pareceu-me que, finalmente, a pacatez dos últimos anos dos golpilheirenses deu lugar a uma efervescência, quase saudosista, para voltarmos a viver o que fomos e o que conseguimos fazer no passado. Senão reparem:
Uma Semana Cultural…
…como há muito tempo não se via. Apesar da organização ter sido sempre do Centro Recreativo, este ano contou com uma comissão própria que colaborou com a direcção na agenda e organização da mesma. Não vou focar pormenores dos momentos altíssimos deste evento, deixo essa tarefa para os "jornalistas e comentadores", mas vou centrar o meu comentário apenas na forma como foi organizada. Foi excelente. Pessoas ligadas ao clube e outras que, embora não estando directamente ligadas, conseguiram congregar energias e criatividade para uma realização como há muito não se via.
No entanto, fico triste por ter ouvido demasiadas vezes a frase "eu até tinha conhecimento, mas se eu soubesse que era assim, também tinha lá estado". Pois é! Numa próxima oportunidade, seria bom deixarmos os comentários supérfluos e que mais pessoas se juntassem à direcção para voltar a surpreender a comunidade local, com eventos idênticos e que são o pilar cultural de uma freguesia.
De 0 a 20, dou claramente 18 valores.
Um grupo coral renovado…
…para que a participação no rito dominical possa ser um pouco mais motivadora. Desde que me lembro, o Sr. Mário Costa, cidadão ilustre da nossa freguesia, que sempre mostrou dedicação e um esforço inegável na regência do Grupo Coral da Igreja, tentou congregar a si novos métodos e até novas caras para o gradual rejuvenescimento no grupo.
Quase sem nos apercebermos, os anos foram passando, e nos últimos tempos a ajuda veio finalmente da Marta Frazão, que assumiu primeiramente a função de organista e depois foi gradual e naturalmente fazendo a regência de quando em vez, trazendo uma lufada de ar fresco, novas interpretações, aplicando todo o seu brilho e reconhecidos conhecimentos musicais.
Em meados de Outubro passado e no seguimento da vontade de alterar gradualmente o sentido de comunidade cristã na nossa freguesia, o Luís Miguel Ferraz tomou a si a responsabilidade de contribuir também para um refrescar das celebrações de domingo.
Esta decisão era inevitável acontecer, só não sabíamos quando aconteceria. É publico que, quer pela sua formação teológica, quer pela sua sensibilidade musical, é de longe a pessoa da freguesia mais bem preparada para o cargo.
Em articulação com a Marta, não tenho dúvidas de que conseguirá levar as vozes do actual coro para um patamar diferente, dentro de alguns meses, podendo ambicionar até outro tipo de espectáculos, que não só as participações de canto litúrgico.
Já agora, um voto de confiança, também, ao grupo de instrumentos composto pela Ana Rito, Carlos Agostinho, José Carlos Ferraz e outros, onde eu me incluo também, que acompanham na medida do possível esta paciente transformação.
Resta agora que outros se juntem, para darem o seu contributo na renovação que se pretende.
De 0 a 20, 16 valores.
Conclusão...
...são as pessoas que fazem acontecer coisas.
Não posso deixar de comentar com o meu olhar habitual, por vezes acusativo, aos que por fora pouco contribuem para que esta comunidade tenha vida própria, mas mesmo assim maldizem e opinam sobre quem ainda tem coragem de por mãos à obra.
Temos que entender de uma vez por todas que já lá vai o tempo em que outros faziam tudo, ou quase tudo por nós. A percepção que tenho, neste momento, sobre a nossa comunidade é que ela está a reconstruir-se, com novas pessoas, mais interventivas, mais capazes, com competência necessária fazer coisas novas. Saibamos neste momento difícil valorizar o que só com pessoas pode ser valorizado.
Não adianta falar de crise financeira ou económica, se não resolvermos primeiro a crise social que vai dentro de cada um de nós ou que vive ao nosso lado. Acordem! Façam acontecer!
Carlos Santos, presidente da Junta
Uma Semana Cultural…
…como há muito tempo não se via. Apesar da organização ter sido sempre do Centro Recreativo, este ano contou com uma comissão própria que colaborou com a direcção na agenda e organização da mesma. Não vou focar pormenores dos momentos altíssimos deste evento, deixo essa tarefa para os "jornalistas e comentadores", mas vou centrar o meu comentário apenas na forma como foi organizada. Foi excelente. Pessoas ligadas ao clube e outras que, embora não estando directamente ligadas, conseguiram congregar energias e criatividade para uma realização como há muito não se via.
No entanto, fico triste por ter ouvido demasiadas vezes a frase "eu até tinha conhecimento, mas se eu soubesse que era assim, também tinha lá estado". Pois é! Numa próxima oportunidade, seria bom deixarmos os comentários supérfluos e que mais pessoas se juntassem à direcção para voltar a surpreender a comunidade local, com eventos idênticos e que são o pilar cultural de uma freguesia.
De 0 a 20, dou claramente 18 valores.
Um grupo coral renovado…
…para que a participação no rito dominical possa ser um pouco mais motivadora. Desde que me lembro, o Sr. Mário Costa, cidadão ilustre da nossa freguesia, que sempre mostrou dedicação e um esforço inegável na regência do Grupo Coral da Igreja, tentou congregar a si novos métodos e até novas caras para o gradual rejuvenescimento no grupo.
Quase sem nos apercebermos, os anos foram passando, e nos últimos tempos a ajuda veio finalmente da Marta Frazão, que assumiu primeiramente a função de organista e depois foi gradual e naturalmente fazendo a regência de quando em vez, trazendo uma lufada de ar fresco, novas interpretações, aplicando todo o seu brilho e reconhecidos conhecimentos musicais.
Em meados de Outubro passado e no seguimento da vontade de alterar gradualmente o sentido de comunidade cristã na nossa freguesia, o Luís Miguel Ferraz tomou a si a responsabilidade de contribuir também para um refrescar das celebrações de domingo.
Esta decisão era inevitável acontecer, só não sabíamos quando aconteceria. É publico que, quer pela sua formação teológica, quer pela sua sensibilidade musical, é de longe a pessoa da freguesia mais bem preparada para o cargo.
Em articulação com a Marta, não tenho dúvidas de que conseguirá levar as vozes do actual coro para um patamar diferente, dentro de alguns meses, podendo ambicionar até outro tipo de espectáculos, que não só as participações de canto litúrgico.
Já agora, um voto de confiança, também, ao grupo de instrumentos composto pela Ana Rito, Carlos Agostinho, José Carlos Ferraz e outros, onde eu me incluo também, que acompanham na medida do possível esta paciente transformação.
Resta agora que outros se juntem, para darem o seu contributo na renovação que se pretende.
De 0 a 20, 16 valores.
Conclusão...
...são as pessoas que fazem acontecer coisas.
Não posso deixar de comentar com o meu olhar habitual, por vezes acusativo, aos que por fora pouco contribuem para que esta comunidade tenha vida própria, mas mesmo assim maldizem e opinam sobre quem ainda tem coragem de por mãos à obra.
Temos que entender de uma vez por todas que já lá vai o tempo em que outros faziam tudo, ou quase tudo por nós. A percepção que tenho, neste momento, sobre a nossa comunidade é que ela está a reconstruir-se, com novas pessoas, mais interventivas, mais capazes, com competência necessária fazer coisas novas. Saibamos neste momento difícil valorizar o que só com pessoas pode ser valorizado.
Não adianta falar de crise financeira ou económica, se não resolvermos primeiro a crise social que vai dentro de cada um de nós ou que vive ao nosso lado. Acordem! Façam acontecer!
Carlos Santos, presidente da Junta
O Infante D. Henrique, a Batalha e os Destinos de Portugal
Alocução proferida no dia 14 de Novembro de 2010, no Auditório do Mosteiro da Batalha, integrada nas Celebrações dos 550 Anos da Morte do Infante D. Henrique: 1460-2010, organizadas pela Associação de Municípios Terras do Infante e Câmara Municipal da Batalha.
Por Saul António Gomes
Universidade de Coimbra
1 - O monumento em que nos encontramos, antigo mosteiro de frades dedicados à pregação da palavra evangélica mas também ao vigilante culto do silêncio que permite ouvir a voz do sagrado, dedicado ao título de Santa Maria da Vitória, é um dos lugares mais simbólicos da identidade pátria.
Rima esta palavra pátria, tão pequena nas letras com que se escreve, mas tão grande na memória que em nós acorda, com aquela outra que pronunciamos “vitória”, a vitória das armas dos leais portugueses que, no desfavor do número e em circunstâncias militares difíceis e muito desfavoráveis, ainda assim, animados de uma fé a Deus e à ideia da legitimidade da sua luta pela liberdade daqueles que eram o seu reino e o seu novo rei, na distante tarde de 14 de Agosto de 1385, triunfaram sobre os injustos invasores, consagrando a independência nacional.
Para comemorar tão “maravilhosa vitória”, palavras de D. João I, ordenou, aquele que foi o décimo rei de Portugal, que se edificasse neste sítio uma “casa de oraçom”. Um templo que, desejava o Rei da Boa Memória, fosse o maior que até então se levantara em toda a Hispania. Depois de Ceuta, em 1415, a Batalha viu acrescidas as suas responsabilidades já não apenas como “casa de Deus” mas também como panteão da nova dinastia.
Deste modo, o majestoso Mosteiro de Santa Maria da Vitória tornava-se arca de uma memória permanente em torno da ideia de Portugal e daquelas gerações de homens ilustres que conduziram os destinos pátrios ao longo desse tão rico século XV em que as portas do mundo novo se abriram, no mapa que as descobertas marítimas portuguesas construíram, definitivamente para toda a Humanidade. Comemora o triunfo português, a entronização de uma nova dinastia real, a vitória da fidelidade a Roma num tempo em que a Igreja do Ocidente se cindia entre a Cidade Eterna e Avinhão.
Este é, sobre todos, o templo maior da memória pátria. Foi essa a razão da sua edificação e tem sido essa, nestes últimos mais de seis centos de anos, a lógica da sua preservação, da sua exaltação e valorização utópica, política e cultural, princípios, estes, reiterados em todas as épocas, por todos os governos, por todos os “Estados”, que se sucederam em Portugal.
Não queria, de modo algum, deixar aqui a visão de que a ideia de pátria que este monumento comemora é uma representação estática e imóvel. Bem sabemos que as pátrias se renovam na mudança das gerações a que são berço, enriquecem-se no encontro de culturas, na partilha multicultural dos povos. E este monumento testemunha muito bem esse encontro de culturas que, desde os tempos medievais e sobretudo nessa centúria de ouro dos Descobrimentos marítimos. Nele trabalharam homens de diferentes proveniências e nações. A sua linguagem estética demonstra a europeidade portuguesa nos finais da Idade Média e nos alvores de Quinhentos. A sua história mostra-nos a evolução dos tempos, das ideias, dos sentimentos e das expressões religiosas.
Mas reconhecermos que essa mudança permanente do tempo e dos homens é o motor da própria História, não anula o necessário assentimento de que, para lá de todas as transformações, mutações e mudanças, permanece, na História, em geral, como neste monumento, em particular, o vínculo durável do sentido de Portugal ou da pátria portuguesa.
Tão grande como este monumento é, numa escala humana, o legado histórico do Infante D. Henrique. Não poderá nenhum historiador reticenciar, por mais que a sua biografia seja escrita e reescrita, que, aquele que foi consagrado como Infante de Sagres, influiu de modo determinante nos destinos históricos de Portugal, como também nos de toda a Humanidade.
A sua determinação e a sua capacidade de acção e de realização de projectos e vontades, o seu desejo de descoberta, de procurar toda a certeza das realidades geográficas e humanas mal conhecidas no seu tempo, estão na base do que é o Portugal moderno e contemporâneo. D. Henrique, criado por um destino português afirmado nesta Batalha, seria fautor de um novo destino para Portugal.
Não podem, efectivamente, as discussões historiográficas, mais ou menos favoráveis ao papel do Infante na História, ou sequer as “utilizações políticas” que dele se fizeram, apagar as pegadas com que D. Henrique marcou os destinos de Portugal.
No início do século XVI, Duarte Pacheco Pereira escreveu, na sua obra Esmeraldo de situ orbis, avaliando o legado henriquino, as seguintes palavras:
“Tantos sam os beneficios que o virtuoso Infante Dom Anrique teem feytos nestes Reynos, que os Rex e povoos d’elles lhe sam em muita obriguaçam, porque na terra que elle descobrio, grande parte de jente de Portugual ganha de comer, e os Rex d’este comercio grandes proveytos ham.”2
Não poderia haver síntese mais adequada, neste momento, do que esta que acabámos de ler. O legado henriquino resumia-se a um destino português, pois que, pelos Descobrimentos, “grande parte da jente de Portugal ganha de comer”. E os Descobrimentos não só mataram a fome a muitos portugueses, mas também trouxeram riqueza aos reis de Portugal, tornando-os grandes e respeitados em todo o orbe e, por eles, Portugal no mundo.
2 - Em data indeterminada, mas próxima da morte do ilustre Infante D. Henrique, cuja memória aqui celebramos, um frade dominicano, de seu nome Fr. Afonso de Alfama, recolhido em cela do Convento de S. Domingos de Lisboa, anotou, no Livro de Aniversários, desse antigo claustro, a seguinte informação:
“Em a era de Nosso Senhor Jehsu Christo de iiijc lx anos xiij dias andados do mes de Novembro no Algarve morreo ho ilustrissimo Senhor Ifante Dom Henrrique filho do dicto senhor rey Dom Joham e da raynha Dona Philipa. E morreo em honrra de velhice de hydade de Lx e vij annos, na sua villa do Ifante, aas dez horras da noute. Boo morrer de christãao em tal modo que todos aqueles que presentes foram teem esperança e fe de seer em gloria e salvaçom.
E na era de iiijc lxj, vº dias andados do mes de Julho foy traladado ho seu corpo no seu muymento na capella delle … do dicto Mosteiro da Batalha e visto por nosso senhor el Rey Dom Afomso seu sobrinho … fazendo-lhe muito solempnes exequias etc.”3
Não se alonga mais o apontamento deste informado frade dominicano de Lisboa. Mas mau grado a brevidade da notícia, ainda que notícia primeira porque redigida em momento muito próximo dos factos que narra, há que sublinhar que nela ressalta já a visão elogiosa e comemorativa da sociedade portuguesa em torno do Infante de Sagres. “Ilustrissimo Senhor” lhe chama o quase desconhecido cronista pregador, sublinhando que o passamento do filho dos reis fundadores da nova dinastia acontecera nesse ainda distante reino do Algarve, para, de seguida, sublinhar que a boa morte do Infante se revestira de indícios de virtudes cristãs prenunciadoras de santidade: um bom morrer, de cristão, de tal modo que todos quanto lhe assistiram ao passamento tinham “esperança e fé de ele ser em glória e salvação”.
A sociedade portuguesa no entorno de 1460 mostrava-se reconhecida para com o Infante que morrera no Algarve. E não deixará de comemorar, com magnificência lusitana, a trasladação dos restos mortais do Infante para este Mosteiro da Batalha, onde foi definitivamente tumulado a 5 de Julho de 1461, no meio de exéquias solenes presididas pelo monarca reinante, D. Afonso V, sobrinho do Infante.
Anos mais tarde, o cronista Rui de Pina, enaltecendo este “infante Dom Anrryque” que, palavras suas, “foy em tudo princepe tam perfeito”, e acrescentado interpretação histórica à memória da morte do Infante, escreveu, sobre o momento da sua morte, o seguinte:
“Faleceo em Sagres ho jfante Dom Anrrique, com synaaes e comprimento de fiell christãao, em hidade de sesenta e sete annos, cujo corpo foy logo soterrado na igreja da villa de Laagos. E hy, no anno que vinha de mjl e quatrocentos e sesenta e huum, foram seus ossos levados ao moesteiro da Batalha per o jfante dom Fernando, que tinha adoptado por filho, que foy por elles e os trouxe, com grande honrra e mujta cerimonia, ao dicto moesteiro. Onde elrrey, acompanhado de toda a nobre gente de Portugal e mujtos prellados, saio a os rreceber, com sollempne procissam, e lhe fezeram honradas exequjas.”4
3 - A história da vida do Infante D. Henrique encontra-se muito interligada com a memória plural que se respira neste templo pátrio. Na verdade, o Infante de Lagos, admirado e elogiado pela Cristandade do seu tempo, foi uma das personalidades da Dinastia de Avis que mais se interessou por este Mosteiro. Se para seu pai, D. João I, a Batalha comemorava a vitória da Batalha Real de Aljubarrota, para D. Henrique este lugar assumiria, como passarei a expor, uma vocação ainda mais sensível no campo da memória de si e dos seus familiares.
O Infante D. Henrique foi, efectivamente, dentre a “Ínclita Geração, Altos Infantes”, como a caracterizou com feliz inspiração Luís de Camões5, depois dos reis de Portugal, um dos promotores que mais se interessou pela edificação deste Mosteiro e panteão dinástico.
Não há dúvida alguma acerca do facto de o Infante ter visitado por várias vezes, ao longo da sua vida, este Mosteiro. Esteve aqui nas exéquias solenes por sua mãe, D. Filipa de Lencastre, em 1416, como regressaria, ainda, para acompanhar a deposição junto do altar-mor do féretro de seu pai, em 1433 e, um Agosto de 1434, a trasladação de ambos os progenitores para a Capela do Fundador. Acompanharia pessoalmente, também, a deposição das primeiras relíquias de seu irmão, o Infante D. Fernando, trazidas de Marrocos, em 1458, no mausoléu fúnebre deste.
O interesse do Infante D. Henrique pelo Mosteiro da Batalha, enquanto lugar de memória dinástica e pátria, e, nisso, de distinção e honra para os que nele se tumulavam, é atestado, de forma extremamente singular, em carta régia de D. Duarte, promulgada a 24 de Agosto de 1436, em Óbidos, na qual o monarca Eloquente concedia, a seu irmão, autorização para que ele:
“Posa mandar lançar na capella do noso Moesteiro da Vitoria que esta junto com a samchristia aqueles seus criados que lhe a ell prover porque a nos praz que seja pera jazygoo delles.”6
Esta importante carta atesta a elevada importância simbólica que o Infante dava a este Mosteiro. Como a concedia, ainda, ao celebrado Convento de Tomar, no qual fez levantar novo claustro e desenvolveu obra artística de dignificação desse mesmo cenóbio, sede da Ordem que governava, no qual se tumulavam os religiosos cavaleiros que serviam debaixo do pendão com a celebrada cruz de Cristo.
Tenhamos presente, todavia, que, em 1436, D. Henrique se empenhava fortemente na preparação da armada militar com que pretendia conquistar Tânger. É possível que o privilégio de poder vir a sepultar aqueles que o servissem, nessa nova conquista marroquina que se avizinhava, em jazigos da Capela de Santa Bárbara, constituísse um factor psicológico para alguns desses seus criados e servidores, sendo, como era, um sinal de evidente prestígio e honra sociais.
Tenhamos presente, todavia, que o Mosteiro acolhia, por privilégio real, capelas funerárias de servidores da Casa Real. É assim que o vedor-mor da casa da rainha D. Filipa de Lencastre, D. Fr. Lopo de Sousa, mestre da Ordem de Cristo até 1418, recebeu a capela de S. Miguel ou dos Mártires, no absídiolo sul da cabeceira da igreja. Também nas capelas de Nossa Senhora do Rosário e de Nossa Senhora da Piedade foram enterrados servidores da rainha D. Isabel, mulher de D. Afonso V, e de D. João II, respectivamente. O próprio Infante D. Pedro, duque de Coimbra, conseguiu que o vedor da sua casa, Diogo Gonçalves de Travassos, parente de Gonçalo Velho Cabral, um dos descobridores dos Açores, recebesse uma nobre sepultura no estremo poente desta igreja dominicana, bem ao lado da capela do Fundador.
Não era, como se sabe, inédito, o facto de os Infantes procurarem galardoar os seus mais fiéis ou directos servidores com a honra de poderem receber sepultura junto ou perto das dos seus senhores. A Casa de Avis, como bem reflectiu o Infante D. Pedro, no seu Tratado da Virtuosa Benfeitoria, premiava com benefícios relevantes o mérito dos seus súbditos e sujeitos, vivificando uma cadeia de lealdades e de repartição de responsabilidades, de sentido de comando e de disciplina, que, em boa parte, ajuda a explicar a capacidade de acção e de união que marcou os portugueses que embarcaram nas caravelas dos Descobrimentos.
A súbita morte de seu irmão, el-rei D. Duarte, na vila de Tomar, em 1438, não pode ter deixado de perturbar fortemente o Infante das Descobertas. Nota-se, desde então, uma preocupação mais acentuada, por parte dele, em relação ao espaço que viria a ser o seu túmulo e às celebrações religiosas que deveriam ser asseguradas pelos frades dominicanos por sua alma.
Certo é que, já no testamento de seu pai, lavrado em Sintra, a 2 de Outubro de 1426, ficava expressa a vontade do rei da Boa Memória de que, neste cenóbio e capela ou panteão que aqui fazia erguer, citamos: “pellos jazyguos das paredes da capela todas em quadra, asy como sam feytas, se possam lamçar filhos e netos de rreix e outros nom”7.
D. Henrique sempre gozou de uma especial proximidade com seu pai. Não estranha que, reflectindo no inevitável fim da sua vida, também, depois de morto, desejasse ficar junto dos seus progenitores. A primeira manifestação documentada desse desiderato chega-nos em carta de 1 de Junho de 1439, pela qual os regentes do Reino, a rainha viúva D. Leonor e o Infante D. Pedro, concedem ao Infante e Duque de Viseu e senhor da Covilhã, licença:
“Que elle possa aver huum altar e huum jazigoo pera sseu corpo na capeella delrrey meu avoo, cuja alma Deus ajam que ho no moesteyro da Vitoria, junto com ho outro do jfante dom Pedro, duque de Cojnbra e ssenhor de Montemoor, meu muyto amado e prezado tyo, a saber, ho altar junto com ho outro altar sseu he jazigoo per esta guissa.”8
Em 1444, o regente D. Pedro reconhecia a seu irmão o estabelecimento que este promovera de uma feira franca em Viseu, autorizando-o a apropriar, à capela que ele tinha no Mosteiro da Batalha, o rendimento dos alugueres das barracas aos feirantes9. A 8 de Março de 1449, nas vésperas da fatídica batalha de Alfarrobeira, onde viria a morrer o ex-regente do reino, D. Afonso V renovou esta concessão, nos mesmos e exactos termos, a seu tio10.
Lembremos, por fim, que, por carta régia de 14 de Junho de 1474, foi acrescentada ao sustento da capela do Infante D. Henrique, neste Mosteiro, a tença de quatro mil reais para um anal de missas, os quais seriam pagos na Casa da Guiné11.
4 - Junto de seu pai, como referimos, quis o Infante dos Descobrimentos marítimos portugueses receber sepultura, como declarou reiteradamente no seu segundo e último testamento, por ele subscrito a 28 de Outubro de 1460:
“Item mando que ho meu corpo seja lançado no muimento que estaa pera mym onde jaz elrrej meu ssenhor e padre, no mosteiro de Sancta Maria da Ujtoria. E, se morrer fora, que seja leuado chãamente e assy seja soterrado e ssem doo, que mando que por mym nom façam; mas, chãamente e honestamente, seja encomendado a Deus com oras e mjssas acustumadas e oferta e dalhas que o meu testamenteiro ouuer por bem, o que faram conpridamente paguar, desencarreguando mjnha conçiençia.”12
Neste Mosteiro, em que o Navegador “a Deus prazendo, entendia de jazer”13 foi, pois, solenemente sepultado.
Acautelara previamente o Infante que queria que aqui se cantassem para sempre “tres capellas”, cuja liturgia determinara minuciosamente em cartas que deixava à guarda do seu testamenteiro. Para custear estas capelanias de missas e ofícios por sua alma, o Infante contratara-se, havia anos, com os padres conventuais deste Mosteiro, determinando que as celebrações em causa seriam pagas, anualmente, no montante de 16 marcos de prata, pagos, generosamente, reconheçamos, em prata pelos rendimentos das suas terras de Tarouca e de Valdigem14.
Nos três anos seguintes à sua morte, todos os encargos e dívidas que deixava, bem assim as despesas com as celebrações por “descarreguamento de minha conciençia” e com sua sepultura, deveriam ser pagos dos seus bens, a saber, o assentamento que lhe estava consignado na fazenda régia, as saboarias do Reino, as Ilhas da Madeira e Porto Santo e a Deserta, a Guiné com suas ilhas e toda a sua renda, e o quinto das enxavegas e das pescas de atuns e corvinas e Lagos e Alvor15.
É bem possível que uma parte dos códices litúrgicos da capela palatina do Infante tenham vindo enriquecer, depois da sua morte, o espólio da sua capela funerária. A 17 de Novembro de 1461, regista-se a entrega, por um executor testamentário de D. Henrique, a Fr. João Martins, provedor das obras do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, de “huma estante de ferro pera a capeella” do Infante16.
5 – Em Santa Maria da Vitória se cultuou, desde então, a memória deste Infante.
Uma memória diferenciada da dos irmãos. Basta verificar que o seu túmulo tem uma estátua jazente em que o Infante é apresentado na solenidade dos trajes principescos e de fundador da casa ducal de Viseu. As fontes históricas coevas do Infante sugerem que lhe foi devotada a aura de santidade.
Narra Diogo Gomes de Sintra, seu criado e panegirista, como Zurara, que, por mandado do rei D. Afonso V, em Julho de 1461, se dirigiu a Lagos, citamos, “junto do corpo do Infante a dar o que era necessário aos sacerdotes que se entregavam a continuas vigílias no ofício divino.”
Refere Diogo Gomes que o monarca lhe mandara:
“Que visse com cuidado se o corpo do Infante estava decomposto, porque queria trasladar os seus ossos para o mosteiro que se chama Santa Maria da Batalha, obra muito bela que o rei Dom João, seu pai, edificara com os Frades da Ordem dos Pregadores.
Eu, pela minha parte, chegando junto ao cadáver, descobri-o e encontrei-o seco e íntegro, com excepção da ponta do nariz. Achei-o revestido de um cilício áspero de cerdas de cavalo. Bem canta a Igreja: “Não consentirás que o teu santo veja a corrupção”.
Este senhor Infante permaneceu virgem até à morte e em sua vida praticou muitas boas obras que seria muito longo enumerar.
Então o rei mandou que o seu irmão, o Infante Dom Fernando, Duque de Beja, com os bispos e os condes fossem buscar o corpo até ao mosteiro da Batalha, acabado de referir, onde o rei o esperava. Foi deposto o corpo do Infante numa grande e belíssima capela que fez o pai dele, o rei Dom João; aí jaz esse mesmo rei e a sua esposa Dona Filipa, mão do Infante, e os seus cinco irmãos, todos eles de memória digna de louvor para sempre. Descansem na paz dos santos; amen.”17
Um corpo incorrupto que ainda hoje podemos entrever admirando a sua estátua jacente, deposta sobre a pedra do seu túmulo, manifesto definitivo da sua imagem de homem que o seu principal biógrafo e panegirista, Gomes Eanes de Zurara, referiu ter tido:
“A estatura do corpo em boa grandeza e foe homem de carnadura grossa e de largos e fortes membros. A cabelladura avya algum tanto alevantada. A coor de natureza branca, mais polla continuaçom do trabalho, por tempo, tornou doutra forma. Sua presença, do primeyro esguardo, aos nom husados era temeroso, arrebatado em sanha, empero poucas vezes, com a qual avya muy esquivo sembrante.”
O Infante revelava muito bem a sua identidade genética na sua fisionomia, tão discutida nos últimos anos, não escondendo o sangue inglês, que herdara por linha materna, aparentando claras parecenças com seu pai D. João I. É esse rosto que se gravou na estátua do seu túmulo e que, neste momento, pelo cinzel de novas gerações de canteiros batalhenses se volta a reproduzir em busto público, para mais larga admiração de todos, em praça contígua a este monumento.
Neste Mosteiro, pois, em que se ilumina o sentimento da alma pátria, repousam os restos mortais daquele cuja memória hoje, uma vez mais e num gesto repetido pelos séculos, celebramos. O Infante que impulsionou e sonhou os Descobrimentos, aquele que, na velha Europa, usando palavras do cronista Rui de Pina, “mandou primeiramente navegar e descobrir pello mar oceano.” Dessa verdadeira gesta e manifesto civilizacional recebeu Portugal, recorrendo a palavras do mencionado memorialista dos príncipes de Avis, “muyto bem e proveito”.
6 - Não cumpre, aqui e agora, estabelecer uma outra biografia deste príncipe e grande de Portugal. O momento é de celebração e traduz a importância que, entre nós portugueses dos alvores de uma nova centúria e de um novo milénio, se reconhece ao legado histórico de uma vida e de uma obra de todo invulgares nos destinos de Portugal e da Humanidade. O historiador deve também ser cidadão e partilhar com os seus contemporâneos o preito de homenagem e de memória que agora se tributa.
Se procurarmos uma lição de síntese, no que nos chegou de mais ideal na memória do Infante de Sagres, encontrá-la-emos na sua divisa heráldica. Por empresa, o Infante escolheu a azinheira carregada de glandes, símbolo da força e da sabedoria, símbolo de uma firmeza e de uma tenacidade bem portuguesas. Por moto, D. Henrique elegeu a expressão “Talent de bien faire.” Uma divisa feliz para um príncipe sem coroa desta grandeza.
O Infante teve, de facto, a capacidade e a inclinação para a realização do bem, de um bem-fazer que se traduzia e associava, naquele seu tempo tão distante de nós, na ideia de “bem comum”, de comunidade. “Bien faire” significava, sobremodo, fazer o “bem comum”. Este foi um ideal político muito presente nas primeiras gerações da Dinastia de Avis, esse “talant de bien faire”, de lealdade a um Portugal renovado, de serviço à causa pública.
Mau grado todas as leituras e todos os debates que se teçam em torno desta egrégia figura da história de Portugal e do Mundo, mais críticos ou mais elogiosos, não poderemos nunca deixar de lhe atribuir a importância ímpar que ele assumiu, no contexto e nas circunstâncias do seu tempo e do seu espaço civilizacional, nos destinos históricos daquele Portugal das Descobertas que “matavam a fome a muita gente”.
Por mais que se reescreva a sua biografia, e hoje, tenhamos noção disso, este acto de comemoração reitera, também ele e de vários modos, a continuidade de uma reescrita cívica dessa vida de um “filho ditoso” de Portugal, encontraremos sempre na margem cimeira, de qualquer texto que se lhe dedique, o reconhecimento do seu legado maior. O reconhecimento de um grande homem de Estado, do construtor de uma obra que se inscreve nos trilhos de todos aqueles homens da História Universal dotados desse insondável dom e incrível mistério do “talento de bem-fazer”.
Desse escol de grandes homens faz parte o Infante D. Henrique. Na sua vida abriram-se os seus destinos de um Portugal moderno. Um Portugal congregado em torno de um projecto de renovação, de grandeza, de expansão dos horizontes “por mares nunca de antes navegados”, assim se construindo a maravilhosa epopeia pátria na sua interminável viagem pelo tempo. Desse mesmo tempo que se suspende quando entramos, pequenos, neste magnífico templo gótico em que se contemplam os mistérios do mundo português de Quatrocentos.
TÁBUA BIBLIOGRÁFICA
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PRADO, Fr. André do – Horologium Fidei. Diálogo com o Infante D. Henrique. Introdução, tradução e notas de Aires A. Nascimento. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses – Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994.
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Notas
2 Livro I, Capº 33.
3 Citado por S. A. Gomes – O Mosteiro de Santa Maria da Vitória no Século XV. Coimbra: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1990, p. 355, nota 4.
4 Rui de Pina, Crónica de el-Rei D. Afonso V, Capº 144; MH, Vol. XIV, Doc. 19, p. 84.
5 Os Lusíadas, IV, 50.
6 Fontes Documentais e Artísticas... I, Doc. 78, p. 197.
7 MH, Vol. III, Doc. 70.
8 MH, VI, Doc. 133.
9 MH, Vol. VIII, Doc. 84.
10 MH, Vol. X, Doc. 15.
11 S. A. Gomes – O Mosteiro de Santa Maria da Vitória…, p. 355.
12 MH, Vol. XIV, Doc. 11, p. 27.
13 MH, XIV, Doc. 11, p. 27.
14 MH, Vol. XIV, Docs. 7, 9, 11 e 19.
15 MH, Vol. XIV, Doc. 11, pp. 27-29.
16 MH, Vol. XIV, Doc. 127, p. 299
17 Diogo Gomes de Sintra, Descobrimento primeiro da Guiné. Edição crítica de Aires A. Nascimento. Introdução de Henrique Pinto Rema. Lisboa: Colibri, 2002, pp. 67-69.
Por Saul António Gomes
Universidade de Coimbra
1 - O monumento em que nos encontramos, antigo mosteiro de frades dedicados à pregação da palavra evangélica mas também ao vigilante culto do silêncio que permite ouvir a voz do sagrado, dedicado ao título de Santa Maria da Vitória, é um dos lugares mais simbólicos da identidade pátria.
Rima esta palavra pátria, tão pequena nas letras com que se escreve, mas tão grande na memória que em nós acorda, com aquela outra que pronunciamos “vitória”, a vitória das armas dos leais portugueses que, no desfavor do número e em circunstâncias militares difíceis e muito desfavoráveis, ainda assim, animados de uma fé a Deus e à ideia da legitimidade da sua luta pela liberdade daqueles que eram o seu reino e o seu novo rei, na distante tarde de 14 de Agosto de 1385, triunfaram sobre os injustos invasores, consagrando a independência nacional.
Para comemorar tão “maravilhosa vitória”, palavras de D. João I, ordenou, aquele que foi o décimo rei de Portugal, que se edificasse neste sítio uma “casa de oraçom”. Um templo que, desejava o Rei da Boa Memória, fosse o maior que até então se levantara em toda a Hispania. Depois de Ceuta, em 1415, a Batalha viu acrescidas as suas responsabilidades já não apenas como “casa de Deus” mas também como panteão da nova dinastia.
Deste modo, o majestoso Mosteiro de Santa Maria da Vitória tornava-se arca de uma memória permanente em torno da ideia de Portugal e daquelas gerações de homens ilustres que conduziram os destinos pátrios ao longo desse tão rico século XV em que as portas do mundo novo se abriram, no mapa que as descobertas marítimas portuguesas construíram, definitivamente para toda a Humanidade. Comemora o triunfo português, a entronização de uma nova dinastia real, a vitória da fidelidade a Roma num tempo em que a Igreja do Ocidente se cindia entre a Cidade Eterna e Avinhão.
Este é, sobre todos, o templo maior da memória pátria. Foi essa a razão da sua edificação e tem sido essa, nestes últimos mais de seis centos de anos, a lógica da sua preservação, da sua exaltação e valorização utópica, política e cultural, princípios, estes, reiterados em todas as épocas, por todos os governos, por todos os “Estados”, que se sucederam em Portugal.
Não queria, de modo algum, deixar aqui a visão de que a ideia de pátria que este monumento comemora é uma representação estática e imóvel. Bem sabemos que as pátrias se renovam na mudança das gerações a que são berço, enriquecem-se no encontro de culturas, na partilha multicultural dos povos. E este monumento testemunha muito bem esse encontro de culturas que, desde os tempos medievais e sobretudo nessa centúria de ouro dos Descobrimentos marítimos. Nele trabalharam homens de diferentes proveniências e nações. A sua linguagem estética demonstra a europeidade portuguesa nos finais da Idade Média e nos alvores de Quinhentos. A sua história mostra-nos a evolução dos tempos, das ideias, dos sentimentos e das expressões religiosas.
Mas reconhecermos que essa mudança permanente do tempo e dos homens é o motor da própria História, não anula o necessário assentimento de que, para lá de todas as transformações, mutações e mudanças, permanece, na História, em geral, como neste monumento, em particular, o vínculo durável do sentido de Portugal ou da pátria portuguesa.
Tão grande como este monumento é, numa escala humana, o legado histórico do Infante D. Henrique. Não poderá nenhum historiador reticenciar, por mais que a sua biografia seja escrita e reescrita, que, aquele que foi consagrado como Infante de Sagres, influiu de modo determinante nos destinos históricos de Portugal, como também nos de toda a Humanidade.
A sua determinação e a sua capacidade de acção e de realização de projectos e vontades, o seu desejo de descoberta, de procurar toda a certeza das realidades geográficas e humanas mal conhecidas no seu tempo, estão na base do que é o Portugal moderno e contemporâneo. D. Henrique, criado por um destino português afirmado nesta Batalha, seria fautor de um novo destino para Portugal.
Não podem, efectivamente, as discussões historiográficas, mais ou menos favoráveis ao papel do Infante na História, ou sequer as “utilizações políticas” que dele se fizeram, apagar as pegadas com que D. Henrique marcou os destinos de Portugal.
No início do século XVI, Duarte Pacheco Pereira escreveu, na sua obra Esmeraldo de situ orbis, avaliando o legado henriquino, as seguintes palavras:
“Tantos sam os beneficios que o virtuoso Infante Dom Anrique teem feytos nestes Reynos, que os Rex e povoos d’elles lhe sam em muita obriguaçam, porque na terra que elle descobrio, grande parte de jente de Portugual ganha de comer, e os Rex d’este comercio grandes proveytos ham.”2
Não poderia haver síntese mais adequada, neste momento, do que esta que acabámos de ler. O legado henriquino resumia-se a um destino português, pois que, pelos Descobrimentos, “grande parte da jente de Portugal ganha de comer”. E os Descobrimentos não só mataram a fome a muitos portugueses, mas também trouxeram riqueza aos reis de Portugal, tornando-os grandes e respeitados em todo o orbe e, por eles, Portugal no mundo.
2 - Em data indeterminada, mas próxima da morte do ilustre Infante D. Henrique, cuja memória aqui celebramos, um frade dominicano, de seu nome Fr. Afonso de Alfama, recolhido em cela do Convento de S. Domingos de Lisboa, anotou, no Livro de Aniversários, desse antigo claustro, a seguinte informação:
“Em a era de Nosso Senhor Jehsu Christo de iiijc lx anos xiij dias andados do mes de Novembro no Algarve morreo ho ilustrissimo Senhor Ifante Dom Henrrique filho do dicto senhor rey Dom Joham e da raynha Dona Philipa. E morreo em honrra de velhice de hydade de Lx e vij annos, na sua villa do Ifante, aas dez horras da noute. Boo morrer de christãao em tal modo que todos aqueles que presentes foram teem esperança e fe de seer em gloria e salvaçom.
E na era de iiijc lxj, vº dias andados do mes de Julho foy traladado ho seu corpo no seu muymento na capella delle … do dicto Mosteiro da Batalha e visto por nosso senhor el Rey Dom Afomso seu sobrinho … fazendo-lhe muito solempnes exequias etc.”3
Não se alonga mais o apontamento deste informado frade dominicano de Lisboa. Mas mau grado a brevidade da notícia, ainda que notícia primeira porque redigida em momento muito próximo dos factos que narra, há que sublinhar que nela ressalta já a visão elogiosa e comemorativa da sociedade portuguesa em torno do Infante de Sagres. “Ilustrissimo Senhor” lhe chama o quase desconhecido cronista pregador, sublinhando que o passamento do filho dos reis fundadores da nova dinastia acontecera nesse ainda distante reino do Algarve, para, de seguida, sublinhar que a boa morte do Infante se revestira de indícios de virtudes cristãs prenunciadoras de santidade: um bom morrer, de cristão, de tal modo que todos quanto lhe assistiram ao passamento tinham “esperança e fé de ele ser em glória e salvação”.
A sociedade portuguesa no entorno de 1460 mostrava-se reconhecida para com o Infante que morrera no Algarve. E não deixará de comemorar, com magnificência lusitana, a trasladação dos restos mortais do Infante para este Mosteiro da Batalha, onde foi definitivamente tumulado a 5 de Julho de 1461, no meio de exéquias solenes presididas pelo monarca reinante, D. Afonso V, sobrinho do Infante.
Anos mais tarde, o cronista Rui de Pina, enaltecendo este “infante Dom Anrryque” que, palavras suas, “foy em tudo princepe tam perfeito”, e acrescentado interpretação histórica à memória da morte do Infante, escreveu, sobre o momento da sua morte, o seguinte:
“Faleceo em Sagres ho jfante Dom Anrrique, com synaaes e comprimento de fiell christãao, em hidade de sesenta e sete annos, cujo corpo foy logo soterrado na igreja da villa de Laagos. E hy, no anno que vinha de mjl e quatrocentos e sesenta e huum, foram seus ossos levados ao moesteiro da Batalha per o jfante dom Fernando, que tinha adoptado por filho, que foy por elles e os trouxe, com grande honrra e mujta cerimonia, ao dicto moesteiro. Onde elrrey, acompanhado de toda a nobre gente de Portugal e mujtos prellados, saio a os rreceber, com sollempne procissam, e lhe fezeram honradas exequjas.”4
3 - A história da vida do Infante D. Henrique encontra-se muito interligada com a memória plural que se respira neste templo pátrio. Na verdade, o Infante de Lagos, admirado e elogiado pela Cristandade do seu tempo, foi uma das personalidades da Dinastia de Avis que mais se interessou por este Mosteiro. Se para seu pai, D. João I, a Batalha comemorava a vitória da Batalha Real de Aljubarrota, para D. Henrique este lugar assumiria, como passarei a expor, uma vocação ainda mais sensível no campo da memória de si e dos seus familiares.
O Infante D. Henrique foi, efectivamente, dentre a “Ínclita Geração, Altos Infantes”, como a caracterizou com feliz inspiração Luís de Camões5, depois dos reis de Portugal, um dos promotores que mais se interessou pela edificação deste Mosteiro e panteão dinástico.
Não há dúvida alguma acerca do facto de o Infante ter visitado por várias vezes, ao longo da sua vida, este Mosteiro. Esteve aqui nas exéquias solenes por sua mãe, D. Filipa de Lencastre, em 1416, como regressaria, ainda, para acompanhar a deposição junto do altar-mor do féretro de seu pai, em 1433 e, um Agosto de 1434, a trasladação de ambos os progenitores para a Capela do Fundador. Acompanharia pessoalmente, também, a deposição das primeiras relíquias de seu irmão, o Infante D. Fernando, trazidas de Marrocos, em 1458, no mausoléu fúnebre deste.
O interesse do Infante D. Henrique pelo Mosteiro da Batalha, enquanto lugar de memória dinástica e pátria, e, nisso, de distinção e honra para os que nele se tumulavam, é atestado, de forma extremamente singular, em carta régia de D. Duarte, promulgada a 24 de Agosto de 1436, em Óbidos, na qual o monarca Eloquente concedia, a seu irmão, autorização para que ele:
“Posa mandar lançar na capella do noso Moesteiro da Vitoria que esta junto com a samchristia aqueles seus criados que lhe a ell prover porque a nos praz que seja pera jazygoo delles.”6
Esta importante carta atesta a elevada importância simbólica que o Infante dava a este Mosteiro. Como a concedia, ainda, ao celebrado Convento de Tomar, no qual fez levantar novo claustro e desenvolveu obra artística de dignificação desse mesmo cenóbio, sede da Ordem que governava, no qual se tumulavam os religiosos cavaleiros que serviam debaixo do pendão com a celebrada cruz de Cristo.
Tenhamos presente, todavia, que, em 1436, D. Henrique se empenhava fortemente na preparação da armada militar com que pretendia conquistar Tânger. É possível que o privilégio de poder vir a sepultar aqueles que o servissem, nessa nova conquista marroquina que se avizinhava, em jazigos da Capela de Santa Bárbara, constituísse um factor psicológico para alguns desses seus criados e servidores, sendo, como era, um sinal de evidente prestígio e honra sociais.
Tenhamos presente, todavia, que o Mosteiro acolhia, por privilégio real, capelas funerárias de servidores da Casa Real. É assim que o vedor-mor da casa da rainha D. Filipa de Lencastre, D. Fr. Lopo de Sousa, mestre da Ordem de Cristo até 1418, recebeu a capela de S. Miguel ou dos Mártires, no absídiolo sul da cabeceira da igreja. Também nas capelas de Nossa Senhora do Rosário e de Nossa Senhora da Piedade foram enterrados servidores da rainha D. Isabel, mulher de D. Afonso V, e de D. João II, respectivamente. O próprio Infante D. Pedro, duque de Coimbra, conseguiu que o vedor da sua casa, Diogo Gonçalves de Travassos, parente de Gonçalo Velho Cabral, um dos descobridores dos Açores, recebesse uma nobre sepultura no estremo poente desta igreja dominicana, bem ao lado da capela do Fundador.
Não era, como se sabe, inédito, o facto de os Infantes procurarem galardoar os seus mais fiéis ou directos servidores com a honra de poderem receber sepultura junto ou perto das dos seus senhores. A Casa de Avis, como bem reflectiu o Infante D. Pedro, no seu Tratado da Virtuosa Benfeitoria, premiava com benefícios relevantes o mérito dos seus súbditos e sujeitos, vivificando uma cadeia de lealdades e de repartição de responsabilidades, de sentido de comando e de disciplina, que, em boa parte, ajuda a explicar a capacidade de acção e de união que marcou os portugueses que embarcaram nas caravelas dos Descobrimentos.
A súbita morte de seu irmão, el-rei D. Duarte, na vila de Tomar, em 1438, não pode ter deixado de perturbar fortemente o Infante das Descobertas. Nota-se, desde então, uma preocupação mais acentuada, por parte dele, em relação ao espaço que viria a ser o seu túmulo e às celebrações religiosas que deveriam ser asseguradas pelos frades dominicanos por sua alma.
Certo é que, já no testamento de seu pai, lavrado em Sintra, a 2 de Outubro de 1426, ficava expressa a vontade do rei da Boa Memória de que, neste cenóbio e capela ou panteão que aqui fazia erguer, citamos: “pellos jazyguos das paredes da capela todas em quadra, asy como sam feytas, se possam lamçar filhos e netos de rreix e outros nom”7.
D. Henrique sempre gozou de uma especial proximidade com seu pai. Não estranha que, reflectindo no inevitável fim da sua vida, também, depois de morto, desejasse ficar junto dos seus progenitores. A primeira manifestação documentada desse desiderato chega-nos em carta de 1 de Junho de 1439, pela qual os regentes do Reino, a rainha viúva D. Leonor e o Infante D. Pedro, concedem ao Infante e Duque de Viseu e senhor da Covilhã, licença:
“Que elle possa aver huum altar e huum jazigoo pera sseu corpo na capeella delrrey meu avoo, cuja alma Deus ajam que ho no moesteyro da Vitoria, junto com ho outro do jfante dom Pedro, duque de Cojnbra e ssenhor de Montemoor, meu muyto amado e prezado tyo, a saber, ho altar junto com ho outro altar sseu he jazigoo per esta guissa.”8
Em 1444, o regente D. Pedro reconhecia a seu irmão o estabelecimento que este promovera de uma feira franca em Viseu, autorizando-o a apropriar, à capela que ele tinha no Mosteiro da Batalha, o rendimento dos alugueres das barracas aos feirantes9. A 8 de Março de 1449, nas vésperas da fatídica batalha de Alfarrobeira, onde viria a morrer o ex-regente do reino, D. Afonso V renovou esta concessão, nos mesmos e exactos termos, a seu tio10.
Lembremos, por fim, que, por carta régia de 14 de Junho de 1474, foi acrescentada ao sustento da capela do Infante D. Henrique, neste Mosteiro, a tença de quatro mil reais para um anal de missas, os quais seriam pagos na Casa da Guiné11.
4 - Junto de seu pai, como referimos, quis o Infante dos Descobrimentos marítimos portugueses receber sepultura, como declarou reiteradamente no seu segundo e último testamento, por ele subscrito a 28 de Outubro de 1460:
“Item mando que ho meu corpo seja lançado no muimento que estaa pera mym onde jaz elrrej meu ssenhor e padre, no mosteiro de Sancta Maria da Ujtoria. E, se morrer fora, que seja leuado chãamente e assy seja soterrado e ssem doo, que mando que por mym nom façam; mas, chãamente e honestamente, seja encomendado a Deus com oras e mjssas acustumadas e oferta e dalhas que o meu testamenteiro ouuer por bem, o que faram conpridamente paguar, desencarreguando mjnha conçiençia.”12
Neste Mosteiro, em que o Navegador “a Deus prazendo, entendia de jazer”13 foi, pois, solenemente sepultado.
Acautelara previamente o Infante que queria que aqui se cantassem para sempre “tres capellas”, cuja liturgia determinara minuciosamente em cartas que deixava à guarda do seu testamenteiro. Para custear estas capelanias de missas e ofícios por sua alma, o Infante contratara-se, havia anos, com os padres conventuais deste Mosteiro, determinando que as celebrações em causa seriam pagas, anualmente, no montante de 16 marcos de prata, pagos, generosamente, reconheçamos, em prata pelos rendimentos das suas terras de Tarouca e de Valdigem14.
Nos três anos seguintes à sua morte, todos os encargos e dívidas que deixava, bem assim as despesas com as celebrações por “descarreguamento de minha conciençia” e com sua sepultura, deveriam ser pagos dos seus bens, a saber, o assentamento que lhe estava consignado na fazenda régia, as saboarias do Reino, as Ilhas da Madeira e Porto Santo e a Deserta, a Guiné com suas ilhas e toda a sua renda, e o quinto das enxavegas e das pescas de atuns e corvinas e Lagos e Alvor15.
É bem possível que uma parte dos códices litúrgicos da capela palatina do Infante tenham vindo enriquecer, depois da sua morte, o espólio da sua capela funerária. A 17 de Novembro de 1461, regista-se a entrega, por um executor testamentário de D. Henrique, a Fr. João Martins, provedor das obras do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, de “huma estante de ferro pera a capeella” do Infante16.
5 – Em Santa Maria da Vitória se cultuou, desde então, a memória deste Infante.
Uma memória diferenciada da dos irmãos. Basta verificar que o seu túmulo tem uma estátua jazente em que o Infante é apresentado na solenidade dos trajes principescos e de fundador da casa ducal de Viseu. As fontes históricas coevas do Infante sugerem que lhe foi devotada a aura de santidade.
Narra Diogo Gomes de Sintra, seu criado e panegirista, como Zurara, que, por mandado do rei D. Afonso V, em Julho de 1461, se dirigiu a Lagos, citamos, “junto do corpo do Infante a dar o que era necessário aos sacerdotes que se entregavam a continuas vigílias no ofício divino.”
Refere Diogo Gomes que o monarca lhe mandara:
“Que visse com cuidado se o corpo do Infante estava decomposto, porque queria trasladar os seus ossos para o mosteiro que se chama Santa Maria da Batalha, obra muito bela que o rei Dom João, seu pai, edificara com os Frades da Ordem dos Pregadores.
Eu, pela minha parte, chegando junto ao cadáver, descobri-o e encontrei-o seco e íntegro, com excepção da ponta do nariz. Achei-o revestido de um cilício áspero de cerdas de cavalo. Bem canta a Igreja: “Não consentirás que o teu santo veja a corrupção”.
Este senhor Infante permaneceu virgem até à morte e em sua vida praticou muitas boas obras que seria muito longo enumerar.
Então o rei mandou que o seu irmão, o Infante Dom Fernando, Duque de Beja, com os bispos e os condes fossem buscar o corpo até ao mosteiro da Batalha, acabado de referir, onde o rei o esperava. Foi deposto o corpo do Infante numa grande e belíssima capela que fez o pai dele, o rei Dom João; aí jaz esse mesmo rei e a sua esposa Dona Filipa, mão do Infante, e os seus cinco irmãos, todos eles de memória digna de louvor para sempre. Descansem na paz dos santos; amen.”17
Um corpo incorrupto que ainda hoje podemos entrever admirando a sua estátua jacente, deposta sobre a pedra do seu túmulo, manifesto definitivo da sua imagem de homem que o seu principal biógrafo e panegirista, Gomes Eanes de Zurara, referiu ter tido:
“A estatura do corpo em boa grandeza e foe homem de carnadura grossa e de largos e fortes membros. A cabelladura avya algum tanto alevantada. A coor de natureza branca, mais polla continuaçom do trabalho, por tempo, tornou doutra forma. Sua presença, do primeyro esguardo, aos nom husados era temeroso, arrebatado em sanha, empero poucas vezes, com a qual avya muy esquivo sembrante.”
O Infante revelava muito bem a sua identidade genética na sua fisionomia, tão discutida nos últimos anos, não escondendo o sangue inglês, que herdara por linha materna, aparentando claras parecenças com seu pai D. João I. É esse rosto que se gravou na estátua do seu túmulo e que, neste momento, pelo cinzel de novas gerações de canteiros batalhenses se volta a reproduzir em busto público, para mais larga admiração de todos, em praça contígua a este monumento.
Neste Mosteiro, pois, em que se ilumina o sentimento da alma pátria, repousam os restos mortais daquele cuja memória hoje, uma vez mais e num gesto repetido pelos séculos, celebramos. O Infante que impulsionou e sonhou os Descobrimentos, aquele que, na velha Europa, usando palavras do cronista Rui de Pina, “mandou primeiramente navegar e descobrir pello mar oceano.” Dessa verdadeira gesta e manifesto civilizacional recebeu Portugal, recorrendo a palavras do mencionado memorialista dos príncipes de Avis, “muyto bem e proveito”.
6 - Não cumpre, aqui e agora, estabelecer uma outra biografia deste príncipe e grande de Portugal. O momento é de celebração e traduz a importância que, entre nós portugueses dos alvores de uma nova centúria e de um novo milénio, se reconhece ao legado histórico de uma vida e de uma obra de todo invulgares nos destinos de Portugal e da Humanidade. O historiador deve também ser cidadão e partilhar com os seus contemporâneos o preito de homenagem e de memória que agora se tributa.
Se procurarmos uma lição de síntese, no que nos chegou de mais ideal na memória do Infante de Sagres, encontrá-la-emos na sua divisa heráldica. Por empresa, o Infante escolheu a azinheira carregada de glandes, símbolo da força e da sabedoria, símbolo de uma firmeza e de uma tenacidade bem portuguesas. Por moto, D. Henrique elegeu a expressão “Talent de bien faire.” Uma divisa feliz para um príncipe sem coroa desta grandeza.
O Infante teve, de facto, a capacidade e a inclinação para a realização do bem, de um bem-fazer que se traduzia e associava, naquele seu tempo tão distante de nós, na ideia de “bem comum”, de comunidade. “Bien faire” significava, sobremodo, fazer o “bem comum”. Este foi um ideal político muito presente nas primeiras gerações da Dinastia de Avis, esse “talant de bien faire”, de lealdade a um Portugal renovado, de serviço à causa pública.
Mau grado todas as leituras e todos os debates que se teçam em torno desta egrégia figura da história de Portugal e do Mundo, mais críticos ou mais elogiosos, não poderemos nunca deixar de lhe atribuir a importância ímpar que ele assumiu, no contexto e nas circunstâncias do seu tempo e do seu espaço civilizacional, nos destinos históricos daquele Portugal das Descobertas que “matavam a fome a muita gente”.
Por mais que se reescreva a sua biografia, e hoje, tenhamos noção disso, este acto de comemoração reitera, também ele e de vários modos, a continuidade de uma reescrita cívica dessa vida de um “filho ditoso” de Portugal, encontraremos sempre na margem cimeira, de qualquer texto que se lhe dedique, o reconhecimento do seu legado maior. O reconhecimento de um grande homem de Estado, do construtor de uma obra que se inscreve nos trilhos de todos aqueles homens da História Universal dotados desse insondável dom e incrível mistério do “talento de bem-fazer”.
Desse escol de grandes homens faz parte o Infante D. Henrique. Na sua vida abriram-se os seus destinos de um Portugal moderno. Um Portugal congregado em torno de um projecto de renovação, de grandeza, de expansão dos horizontes “por mares nunca de antes navegados”, assim se construindo a maravilhosa epopeia pátria na sua interminável viagem pelo tempo. Desse mesmo tempo que se suspende quando entramos, pequenos, neste magnífico templo gótico em que se contemplam os mistérios do mundo português de Quatrocentos.
TÁBUA BIBLIOGRÁFICA
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PINA, Rui de – Crónicas de… Introdução e revisão de M. Lopes de Almeida. Porto: Lello & Irmão – Editores, 1977.
PRADO, Fr. André do – Horologium Fidei. Diálogo com o Infante D. Henrique. Introdução, tradução e notas de Aires A. Nascimento. Lisboa: Comissão Nacional para as Comemorações dos Descobrimentos Portugueses – Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1994.
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ZURARA, Gomes Eanes de – Crónica dos feitos notáveis que se passaram na conquista da Guiné por mandado do Infante D. Henrique. Ed. Torquato de Sousa Soares. 2 vols. Lisboa: Academia Portuguesa da História, 1978-1981.
ACTAS dos Congresso “Infante D. Henrique, Viseu e os Descobrimentos”. Viseu: Câmara Municipal de Viseu, 1995.1
COSTA, João Paulo Oliveira e – Henrique, o Infante. Lisboa. A Esfera dos Livros, 2009.
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Notas
2 Livro I, Capº 33.
3 Citado por S. A. Gomes – O Mosteiro de Santa Maria da Vitória no Século XV. Coimbra: Instituto de História da Arte da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1990, p. 355, nota 4.
4 Rui de Pina, Crónica de el-Rei D. Afonso V, Capº 144; MH, Vol. XIV, Doc. 19, p. 84.
5 Os Lusíadas, IV, 50.
6 Fontes Documentais e Artísticas... I, Doc. 78, p. 197.
7 MH, Vol. III, Doc. 70.
8 MH, VI, Doc. 133.
9 MH, Vol. VIII, Doc. 84.
10 MH, Vol. X, Doc. 15.
11 S. A. Gomes – O Mosteiro de Santa Maria da Vitória…, p. 355.
12 MH, Vol. XIV, Doc. 11, p. 27.
13 MH, XIV, Doc. 11, p. 27.
14 MH, Vol. XIV, Docs. 7, 9, 11 e 19.
15 MH, Vol. XIV, Doc. 11, pp. 27-29.
16 MH, Vol. XIV, Doc. 127, p. 299
17 Diogo Gomes de Sintra, Descobrimento primeiro da Guiné. Edição crítica de Aires A. Nascimento. Introdução de Henrique Pinto Rema. Lisboa: Colibri, 2002, pp. 67-69.
Rosas do Lena apresentou espectáculo etnográfico em Viana
O rancho folclórico Rosas do Lena apresentou no dia 21 de Novembro, em Viana do Castelo, o espectáculo etnográfico "Alta Estremadura", composto pelos quadros etnográficos "Um Serão na Alta Estremadura" (enfeite de ofertas da Santíssima Trindade, cantigas de serão, romances, curas e benzeduras e o fandango bailado em cima de um alqueire) e "A Batalha a Cantar e a Dançar, da Quaresma a Santo António" (cânticos da Quaresma, desfile das ofertas da Santíssima Trindade, "Encamisada" – círio a Santo António com as loas deitadas pelos "anjos", e casamento tradicional).
Este espectáculo foi integrado numa expressiva manifestação etnográfica, com representantes doutros pontos do nosso país, promovida pelas Cantadeiras do Vale do Neiva.
Este espectáculo foi integrado numa expressiva manifestação etnográfica, com representantes doutros pontos do nosso país, promovida pelas Cantadeiras do Vale do Neiva.
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