quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Família de Sílvio Cruz homenageada

Foi por mero acaso, numa pesquisa na internet, que descobrimos estás páginas do jornal LusoAmericano, de 25 de Novembro de 2009. Mas como se trata de uma distinção a um golpilheirense na diáspora, não podíamos deixar de aqui as reproduzir.

Trata-se de Sílvio Lopes da Cruz, nascido na Golpilheira em 1962, filho de Manuel Henriques da Cruz e de Maria Celeste Monteiro Lopes, que emigrou com os pais para os Estados Unidos com apenas 10 anos de idade.

Como pode ler-se neste recorte, Sílvio Cruz e sua esposa Gisela foram homenageados numa gala de honra, como “Família do Ano 2009” da Sucursal 48 ‘Bartolomeu Dias’ da União Portuguesa Continental”, por serviços prestados à comunidade.

É sempre com alegria que noticiamos o sucesso dos golpilheirenses, não só na nossa freguesia, mas em qualquer parte do mundo onde se encontrem. A eles, os nossos parabéns e votos de felicidades!

Grutas de Mira de Aire são uma das 7 Maravilhas Naturais de Portugal!

Resultados da votação anunciados nos Açores


Eleitas na categoria de "Grutas e Cavernas", as galerias calcárias do Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros, situadas na vila de Mira de Aire, angariaram a maioria dos votos na sua categoria e ingressaram na lista das 7 Maravilhas Naturais de Portugal.

A gala de anúncio das votações, apresentada por Catarina Furtado e José Carlos Malato, decorreu no passado dia 11 de Setembro, nas Portas do Mar, em Ponta Delgada, nos Açores, onde estiveram presentes o presidente da Câmara Municipal de Porto de Mós, João Salgueiro, e o padrinho das grutas de Mira de Aire, Vítor Barros, a quem coube a feliz tarefa de subir ao palco e receber o prémio. Estiveram ainda presentes na gala dos Açores Carlos Alberto Jorge, administrador das grutas, e Vilma Bernardino, secretária da Junta de Freguesia.

O período de votação decorreu entre 7 de Março e 7 de Setembro, contando com 656 356 votos no total, distribuídos pelas 21 maravilhas finalistas de todo o País, num mega evento organizado pela "New 7 Wonders", com intuito de preservar a natureza e comemorar o Ano da Biodiversidade.

Juntamente com as Grutas de Mira de Aire, foram também vencedores: a Lagoa das 7 Cidades (Açores), na categoria de "Zonas Aquáticas Não Marinhas"; a Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico (Açores), na categoria de "Grandes Relevos"; a Floresta Laurissilva da Madeira, na categoria de "Florestas e Matas"; o Parque Natural da Peneda-Gerês, na categoria das "Zonas Protegidas"; o Portinho da Arrábida, na categoria de "Praias e Falésias"; e a Ria Formosa (Algarve), na categoria de "Zonas Marinhas".

Da melhor forma termina esta declaração oficial à natureza, que indiscutivelmente relembrou os portugueses das muitas maravilhas naturais de Portugal, não só das vencedoras, mas de todas aquelas que o seu território alberga, e da necessidade de preservá-las.

Escolas convidadas às grutas

Centro de Interpretação das Grutas da Moeda - S. Mamede


Visando ser uma ferramenta pedagógica de apoio à coordenação e organização das actividades escolares dos vários níveis de ensino, o Centro de Interpretação Cientifico – ambiental das Grutas da Moeda elaborou um Plano de Actividades para o ano lectivo 2010/2011.

Para além das habituais visitas de estudo, o referido plano apresenta inúmeras actividades didácticas e lúdicas, desde concursos, acções de sensibilização, de prevenção e promoção ambiental, bem como um conjunto de outras iniciativas integradas no âmbito da comemoração de dias temáticos para diferentes faixas etárias.

Assim, diariamente e mediante inscrição prévia, as visitas de estudo à Gruta podem ser complementadas com um "Roteiro de Visita", um pequeno livro de apoio, cuja consulta pelo aluno lhe permite fundamentar as explicações que recebe do guia.

Semanalmente, as escolas interessadas podem participar em palestras e oficinas, como é o caso da que se realiza em parceria com a SIMLIS – "O Mistério da Água", ou ainda sobre os "Minerais, Fósseis e Rochas". Propõem-se também actividades designadas por "Saídas de Campo", que visam levar os alunos a compreender e entender toda a envolvência natural/ambiental das Grutas da Moeda (Maciço Calcário Estremenho). Os já habituais passeios pedestres e os jogos como a "Caça ao Tesouro", ecológicos e tradicionais, sempre com objectivos de carácter lúdico e pedagógico, são exemplos das inúmeras iniciativas contempladas pelo plano de actividades.

Ao desenvolver acções de sensibilização sobre as áreas da geologia, mineralogia e do ambiente junto da população escolar, o CICA está a caminhar no alcance de uma das metas a que se propôs desde a sua abertura ao público, e que é, entre muitas outras, a de criar um espaço alternativo com actividades lúdicas e pedagógicas de grande componente prática, visando despertar mentalidades para os temas actuais, tais como, os problemas ambientais, a biodiversidade, motivando os participantes a agirem e a alterarem comportamentos do seu quotidiano.

Info: http://www.grutasmoeda.com/.

“Chamados à Caridade”

Carta de D. António Marto para o Ano Pastoral 2010-2011


Passa por toda a Carta Pastoral uma notável e singular síntese da fé cristã. D. António Marto centra o leitor no essencial da fé e daí tira as mais variadas e inquietantes conclusões para a diocese.
D. António começa por recordar o cenário do projecto pastoral diocesano, no qual é incluído o presente ano pastoral. Dedicado à "acção sócio-caritativa, este ano é apresentado como corolário dos anos anteriores, dedicados ao acolhimento, à vocação cristã e à revitalização da fé e corresponsabilidade na Igreja".
Depois de definir a caridade cristã como "expressão do amor misericordioso e libertador de Deus, o sinal mais credível para dizer quem é Deus, Deus amor, e o que quer de nós", D. António traça os 3 objectivos principais para o presente ano pastoral:
- redescobrir a caridade como forma (estilo) de ser da existência cristã, pessoal e comunitária
- desenvolver a espiritualidade da gratuidade, da disponibilidade, da partilha e do serviço
- repensar e reorganizar os serviços sócio-caritativos nas comunidades cristãs
Partindo de uma análise sucinta dos "rostos de pobreza no cenário do mundo actual" (sócio-económico, culturas e humano), o prelado conclui de forma contundente que "o problema central que atormenta a vida de muitos e da sociedade neste cenário é a falta de amor". Esse o desafio que se lança à Igreja, e de modo particular à Igreja de Leiria-Fátima neste ano.
Sempre centrando a sua reflexão na Palavra de Deus, D. António recorda 3 paradigmas Bíblicos (lava-pés, bom samaritano e juízo universal), para concluir como a caridade, o amor cristão, é mais do que solidariedade ao justiça e se transforma em " relação, doação e serviço de amor concreto a todo o ser humano necessitado de ajuda". Uma "caridade de proximidade" que deve ser organizada, comprometer toda a comunidade cristã e que, por tudo isso, deve ter um rosto concreto e uma definição concreta. Neste sentido, D. António propõe que a caridade seja anunciada, celebrada e vivida, fazendo, para isso, algumas propostas concretas:
- sensibilizar, educar e formar os cristãos para a vivência e testemunho da caridade
- alimentar esta sensibilidade com um verdadeiro itinerário espiritual (escuta e meditação da Palavra, conversão de coração e fervor espiritual) para o que poderá ajudar o Retiro Popular
- incrementar um conjunto de acções concretas de relações pessoais, sinceras, acolhedoras e pacientes
- abrir os olhos e o coração para tomar consciência das pessoas que vivem em situação de necessidade (desafio a que as comunidades tracem um quadro o mais completo possível das diversas formas de pobreza e fragilidade).
- fazer com que a catequese (com especial relevo a preparação do crisma) proporcione a aprendizagem da capacidade de doação, partilha e serviço
- revitalizar a celebração da Eucaristia, nomeadamente o abraço da paz, o momento do ofertório e a Oração Eucarística
- incrementar o interesse pela cooperação missionária entre as igrejas, nomeadamente com a diocese do Sumbe, geminada com Leiria-Fátima
- avaliar e repensar o serviço sócio-caritativo diocesano (Cáritas, comissão justiça e paz, pastoral da saúde, pastoral da mobilidade)
- constituir grupos sócio-caritativos em todas as paróquias e incentivo ao trabalho em rede a nível das vigararias
- promover a experiência de voluntariado e boas vontades
- incentivar a formação cristã dos agentes da acção sócio-caritativa
- intervir junto das famílias para que, à luz do tema proposto, "reacendam o fogo da caridade que nelas existe"
- dinamizar o serviço de animação vocacional nas comunidades paroquiais
- acompanhar o Santuário e Fátima nas suas celebrações para que se torne "escola de caridade de serviço aos irmãos".
D. António, como é seu apanágio, brinda-nos com uma carta pastoral que é uma verdadeira síntese da fé e que pode desde já suscitar um novo fulgor na caminhada espiritual da igreja de Leiria-Fátima. O desafio está lançado, restando a cada um o empenho e a dedicação para que dê fruto.
Padre Rui Ribeiro


Bispo convida à Assembleia Diocesana

A Assembleia Diocesana que marcará o início do ano pastoral 2010/2011 terá lugar no domingo 3 de Outubro, no Seminário Diocesano de Leiria. O Bispo D. António Marto publicou uma convocatória a todos os fiéis para esta celebração do Dia da Igreja Diocesana, para "em comunhão visível apresentarmos o programa do novo ano e damos-lhe início juntos". O convite é sobretudo para os principais agentes pastorais, como membros dos conselhos pastorais, catequistas, ministros da comunhão, etc.

O programa será:

15h00 - Acolhimento, música e retrospectiva da caminhada diocesana;

16h00 - Tempo de convívio;

16h30 - Música e apresentação da nova Carta Pastoral do Senhor Bispo;

18h00 - Eucaristia na igreja do Seminário.

NOTA: Durante a manhã, no colégio da Cruz da Areia, realiza-se o encontro anual dos catequistas da Diocese.

Miguel Sottomayor é o novo padre diocesano

Decorreu na Catedral de Leiria, no dia 19 de Setembro, a ordenação sacerdotal de Miguel Sottomayor, presidida por D. António Marto. Foi uma festa para todos os diocesanos, com numerosa participação de fiéis, leigos e padres, entre os quais muitos familiares e amigos do neo-sacerdote.

Miguel Azevedo Santiago Sottomayor tem 36 anos de idade e é natural de Vila do Conde. Proveniente de uma família católica marcada por uma intensa e genuína vida de fé, vivida juntamente com os 8 irmãos, o Miguel deixou de estudar muito cedo. O percurso escolar foi o normal durante a escolaridade obrigatória. Quando chegou a altura de fazer opções, tirou o curso de formação bancária. Aos 19 anos de idade foi trabalhar na área que mais o fascinava, economia. Com esse objectivo integrou o quadro do BCP. No entanto, sempre foi perseguido pela ideia de ingressar no seminário e seguir a vida sacerdotal.

Aos 30 anos, ganhou coragem, deixou tudo e ingressou no Seminário. Depois de uma passagem por Roma, onde terminou o curso de Teologia, e devido ao relacionamento próximo com D. António Marto, acabaria por vir para a Diocese de Leiria--Fátima, a fim de terminar o tempo de preparação para a ordenação. No presente ano pastoral colabora com o pároco de Leiria e Cruz da Areia.

160 - Saúde

Emergência em casa


Numa situação de emergência, seja uma catástrofe natural, um problema social ou simplesmente uma greve de camionistas, é necessário pensar na sobrevivência do agregado familiar. Nestas situações, a casa constitui o melhor refúgio e deve ter a capacidade para manter-se durante uma a duas semanas. Para isso existem conselhos e directivas específicas do ministério da agricultura, entre outros, para armazenar uma quantidade ideal de alimentos na despensa e criar uma mochila de emergência.


Esta despensa deve estar adaptada às idades de quem deve servir, sendo necessário ter especial atenção a bebés, crianças pequenas, idosos e doentes crónicos (que têm necessidades especiais). Existem ementas com valores nutricionais adequados, disponibilizadas pelo Instituto Ricardo Jorge em www.cncpe.gov.pt/?cpea, pelo que fazer um plano de compras adequado a estas ementas é aconselhado.

Alguns alimentos são essenciais. Um deles é a água, que deve ser uma prioridade absoluta, pois esta é condição fundamental à sobrevivência. Uma boa reserva de água consiste em 4 a 5 litros/dia/pessoa, sendo uma parte para o consumo directo e outra para a confecção de refeições. No sítio da Internet acima referido estão também disponíveis técnicas simples de obtenção e purificação de água.

Alimentos também necessários são: sumos e leite em pó; sopas enlatadas ou desidratadas; comida enlatada (peixe, carne, leguminosas, fruta e vegetais); bolachas, biscoitos secos e pão de longa duração; arroz, batatas e massas pré-cozidas; sal, açúcar, café e chá instantâneos; barras de chocolate e cereais; frutos secos ou cristalizados; suplemento de vitaminas e sais minerais; ração e água para animais domésticos.

Existem também utensílios auxiliares que não necessários: guardanapos de papel ou toalhetes; talheres, pratos e copos (descartáveis); fonte de calor para pequenas refeições; fósforo ou isqueiro; panela pequena; produto para tratamento de água; caixa de plástico pequena para guardar sobras; canivete multiusos ou abre-latas; lanterna.

Para além da criação desta "despensa que não de dispensa" e da mochila para emergência, é necessário uma manutenção, verificando prazos de validade e integridade dos alimentos, substituindo-os quando necessário.

A manutenção deste material de emergência é uma resposta obrigatória dos Estados-Membros da Nato, pois é necessário criar "trancas à porta" antes de esta ser arrombada. Esta segurança preventiva não é apenas responsabilidade do Estado, mas também de cada cidadão e de cada família. Por isso existe este convite, pela comissão de Planeamento de Emergência de Agricultura, para serem criadas reservas para uma ou duas semanas de sobrevivência, de uma forma sustentada e equilibrada em situações inesperadas.

Ana Maria Henriques

Enfermeira

Um rei muito bom

Um conto... com moral actual

Conta-se que um fanático rei mandou construir uma cama de ouro, muitíssimo valiosa, adornada com milhares de diamantes e mandou que a colocassem no quarto de hóspedes do palácio. Sempre que havia convidados, o rei elogiava a cama e dizia do prazer que sentia por receber pessoas tão ilustres. Porém, existia uma condição: o convidado teria que se encaixar na cama que fora fabricada sob medida. Se fosse gordo, o hóspede deveria ser cortado para caber na cama, com a desculpa do preço e do valor da cama.

Era impossível encontrar alguém que se ajustasse ao tamanho do leito real, porque o homem médio não existe e o móvel do político-rei era de tamanho único, mas as pessoas são diferentes. Sendo o rei matemático, mandou medir a altura de todos os cidadãos e dividiu o resultado entre os cidadãos de sua cidade, assim obteve o tamanho do homem médio.

Na cidade havia pequenos, gente jovem, gente idosa, pigmeus, gigantes, porém o homem mediano não havia. E a cama do rei continuava matando o gordo, o magro, o baixo, o alto... O rei não tinha culpa nenhuma, ele tinha o maior prazer de receber as pessoas; elas eram culpadas, porque não cabiam na cama preciosa do rei, tão hospitaleiro e tão bom! Ele tinha uma equipa de funcionários aptos para esticar o baixinho até caber na cama. Chegava morto, claro! Eram muito esforçados aqueles funcionários públicos, mas o homem era baixinho, a culpa era dele!

Que lição se pode aprender! As políticas públicas existem, lindas, perfeitas, humanas, caríssimas, preciosas! Só que o cidadão não se ajusta a elas; eles não se encaixam nos hospitais abarrotados e com filas de espera, não se encaixam nas escolas sem professores, não se encaixam nas ruas infestadas de bandidos soltos atirando para todo o lado, mas o rei tem o maior prazer de fazer o enterro do hóspede de graça – de graça não – toma o dinheiro do baixo, do gordo, do magro, do alto e o investe num cemitério pobre, cheio de mato, abandonado e triste, sem flores. O defunto foi culpado, porque não teve dinheiro para fazer um plano de saúde e um plano pós-vida. Que culpa tem o rei?

A educação, esta sim, é a verdadeira culpada! Por que não se educa para a competência de enxergar e distinguir políticas públicas de políticas privadas, mas, principalmente, aquelas que deveriam ir directamente para as privadas públicas?

Ivone Boechat, http://ivoneboechat.blogspot.com/

O Mosteiro da Batalha segundo D. Fernando de Menezes, conde da Ericeira

Por Saul António Gomes
D. Luís de Meneses, terceiro conde da Ericeira, pertencia à grande nobreza de Portugal. Nasceu em 1632 e desempenhou, nas guerras da Restauração, cargos relevantes ao serviço da Coroa. Notabilizando-se por feitos militares, foi igualmente respeitado pelos seus dotes de governante, mormente como vedor da Fazenda, assim como apreciado pela craveira de escritor e historiador. Desiludido com o aparente insucesso das suas políticas de foro económico, viria a suicidar-se em 1690.

A sua historiografia tem tanto de memorialístico, quando escreve sobre as campanhas militares em Portugal e em Angola, da Guerra da Restauração, como de exaltação e encómio dos valores pátrios, caso do que se verifica na biografia que dedica a el-rei D. João I. É autor da História de Portugal Restaurado, saída em Lisboa, em dois volumes, justamente em 1679 e 1698.

De 1677 é a publicação da sua obra intitulada Vida e Acçoens d’El Rey Dom João I, que dedicou à memória do príncipe D. Teodósio. Cumpria ao ideário português de D. Fernando de Menezes o louvor sem reservas da nação lusitana, entretecendo-o tanto pela sua vida de militar e político, como se referiu, como pela escrita empenhada e interventiva da sua história.

D. Fernando de Menezes conhecia bem o Mosteiro da Batalha. Como vedor da Fazenda tinha acesso ao mapa económico de tenças e padrões régios que a Coroa canalizava para o sustento material e manutenção da casa dominicana. Como historiador, a descrição que nos deixou do monumento, conquanto inspirada e devedora daquela que, anos antes, se tornara cristalina e de referência maior, devida a Fr. Luís de Sousa, não deixa de evidenciar particularidades sensíveis a um membro da grande nobreza e a um estratega militar de eleição.

Do edifício tanto nos deixa uma apreciação estética, quanto enquadra pormenores pertinentes aos modos de circulação pelo mesmo, aos acabamentos da estrutura arquitectónica, à paisagem lumínica provocada pelos vitrais que reiteradamente admira. E, nestes, aponta a informação, a todos os títulos importante, de coincidirem, na Capela do Fundador, os túmulos e capelas funerárias dos jazentes nela recolhidos com os padrões pictóricos, de heráldica e divisas, patentes nas vidraças dessa santa sala, dado praticamente ignorado hoje em dia.



Documento

1677 — Descrição do Mosteiro da Batalha por D. Fernando de Menezes, conde da Ericeira.
Pub.: Dom Fernando de Menezes, Conde da Ericeyra, Vida, E Acçõens D’El Rey Dom João I, Offerecida à Memoria Posthuma do serenissimo Principe Dom Theodosio. Lisboa: Officina de João Galrão, 1677, pp. 413-425.

“Para alivio do Povo, se dispoz o enterro com a mayor pompa, e ostentação, que em Portugal se tinha visto. Levouse o corpo em hombros d’El Rey e dos Infantes com assistencia de toda a Corte, Prelados, e Religiosos á Sé de Lisboa, aonde se colocou em huma essa sumptuosa. Depois de feytos solemnemente os primeyros officios, se trasladou ao Convento da Batalha, vinte legoas distante, como ordenava [p. 414] nava o testamento, saiu da Cidade em hum carro triumphal, que tiravão quatro cavallos, que outros seguião, levando differentes Ministros as armas do defuncto, que naquelle Mosteyro como reliquias se conservão. El Rey, os Infantes, e toda a Corte a pé, e em habito lugubre acompanharão o carro até o ultimo da Cidade, e depois subindo a cavallo com os Prelados e Religiosos se continuou o caminho na mesma fórma. Nas principaes Igrejas dos lugares a que se chegava, estavão prevenidos tumulos, e officios. Velavase o corpo de noyte, repartindo-se este cuydado pelos Infantes, com precedencia dos Mayores, e assistencia dos Prelados e Religiosos a que tocava. Ultimamente chegou o corpo ao Convento da Batalha, aonde entrou com a mesma pompa que se vio em Lisboa; depois de se fazerem as exequias com a mayor solemnidade foy sepultado no mesmo sepulchro com a Rainha Dona Philippa 1 sua mulher na capella, que fabricou para este intento.

E para que se conheça mais claramente o generoso animo de hum Principe, que passou a mayor parte da vida nas guerras e trabalhos, que a sua historia nos representa, daremos desta fabrica, em que levantou hum sagrado trofeo das suas victorias breve noticia tirada da elegante e copiosa descripção, que faz de toda ella hum dos Authores2 mais graves da nossa nação, e que pode competir com os que a fama celebra com [p. 415] com mayores aplausos. 3 Determinou El Rey comprir o voto, que fez a Nossa Senhora o dia da batalha de Algibarrota, de lhe levantar no mesmo sitio hum templo sumptuoso, se alcançasse a victoria. Para desempenho desta promessa, que não quis dilatar, elegeo o sitio, que lhe pareceo mais accomodado naquella campanha seca, e esteril pela vizinhança da serra de Minde que lhe communica as suas qualidades; por este respeyto elegeo para a fabrica do templo o sitio, que rega huma ribeyra, que o faz mais fresco, e aprazivel, pois sem esta commodidade, se conservarião com difficuldade Religiosos, e moradores; fica distante duas legoas da Cidade de Leyria, pouco mais da Villa de Algibarrota, meya de Porto de Mós, que com outros lugares daquelles contornos fazem este abundante de tudo que necessita para regalo e alimento, e o fazem hoje mais celebre minireaes de Azeviche, que se lavra nelle com primorosa industria. Para que fosse a fabrica mais insigne consultou El Rey os Architectos naturaes, e estrangeyros de mayor nome, e elegeo entre os desenhos, o que lhe pareceo mais magestoso. Fez a Igreja de trezentos palmos até a capella mór, que tem mais sessenta, a largura de cento com a altura proporcionada, que augmentando-se do pé direyto com as abobedas tem o mayor auge de cento, quarenta e seis palmos, dividese todo este corpo em tres naves com justa proporção que se sustentão [p. 416] tão com pedestaes de marmore branco, e bem lavrado, como he toda a obra, que não descobre outra materia, beneficio daquellas serras que a produzem em abundancia, e de calidade, que sendo branquissima na cor, e quasi eterna na duração, admitte com facilidade as formas que a industria lhe imprime. O cruzeyro corresponde á mais obra com justa grandeza, e assim elle como a capella mór, e corpo da Igreja recebem tanta claridade do grande numero e grandeza das janelas, que cubertas de vidraças finas, illuminadas de varias cores, e pinturas, quando as fere o Sol fazem quasi hum corpo luminoso, e he tal o primor com que os artifices as segurarão, que passando muytas de quarenta palmos de altura, e as menores de vinte, se conservão quasi illesas das injurias dos tempos, que naquelle sitio sogeyto aos ventos furiosamente as combate, e para reparar qualquer perjuizo tem official perpetuo que as reforma.

No lado direyto do corpo da Igreja se abre hum arco, dentro do qual se inclue huma capella que El Rey elegeo para sepultura, e de seus filhos, deyxando a mayor a El Rey Dom Duarte. He huma quadra de noventa palmos da mesma fabrica, cuberta de abobeda, que com primoroso artificio, se levanta sobre oyto pilares, que subindo em fórma oytavada até noventa e dous palmos faz hum pavilhão, ou docel artificioso, que cobre a sepultura Real, que está no meyo levantada, [p. 417] tada, e se compoem do mesmo marmore lavrado sutilmente em hum silvado de meyo relevo com espinhos e amoras, e a espaços huma letera Francesa: Il me plait pour bien. Que se interpreta pela sarça de Moyses, e aspereza dos espinhos, sem os quaes se não logrão as Coroas, mostrando no que a letra significa, contentame por bem. He rodeada esta capella das mesmas luzes, com mayor elegancia fabricadas, ornase com hum altar no frontespicio e outros na face dos pedestaes, rodease de sepulchros mais humildes da mesma obra, com lavores, e emprezas diversas, em que estão os Infantes seus filhos nos lugares, que conforme a preferencia dos annos lhe pertencem, vendo-se nos Altares, e vidraças que lhe respondem as suas Armas, e divizas. Sobre o sepulchro d’El Rey, que se levanta com competente altura, está a sua estatua de inteyro relevo armada, fóra a cabeça, e junto delle a da Rainha da mesma obra, e he tão grande a Magestade, e artificio desta capella, que causa veneração aos que a reconhecem.

A parte exterior do templo não deyxa menos que admirar; porque o frontespicio, que sobre a porta principal se levanta em altura immensa, he tão ornado de estatuas; e lavores artificiosos e delicados, que servem mais a admiração que ao discurso, fica no meyo delle, e dando mais luz ao templo hum espelho circular de obra de pedra tão sutil e miuda que se não [p. 418] não pudera exprimir com tanta elegancia na materia mais docil; os vazios que as pedras permittem occupão vidraças do mesmo artificio que as outras, e como fere nelle o Sol em nascendo, parece que outro serve de illuminar aquelle templo. Toda a immensidade desta fabrica exterior cobrem os mesmos marmores, e sobre elles se levantão, quasi em fórma piramidal, tres Zimborios de obra tão primoroza, que augmentando a Magestade do edificio, influem nova admiração: da mesma materia são as telhas com que se cobre, e as escadas com que todo este edificio se communica, sobindo humas dos lados da Igreja dissimuladas entre a grossura da muralha; saindo outras mais suavemente das officinas superiores do Convento, e todas guarnecidas de cordões de pedra, e tarjas floreadas sobem e communicão as mais superiores eminencias deste sumptuoso edificio, que excedeo sem duvida os mayores, que naquelle tempo se edificarão, e póde competir, com os que agora no Mundo causão mayor admiração. A grandeza da obra corresponderão os ornamentos, alguns delles tão preciosos, que por se não poderem sustentar pelo grave pezo dos borcados e guarnições de ouro e prata de martelo, consumida com o tempo a seda, se converterão em outros usos necesarios. Forão infinitos os vasos sagrados, corpos de Santos, alampadas, cruzes de ouro, e prata para que em tudo se mostrasse [p. 419] trasse a grandeza de hum Rey tão magnanimo como devoto. O que deu mais lustre a este Convento forão, as preciosas Reliquias, 4 que mandou a El Rey, o Emperador Paleologo, vindo a França a pedir soccorro contra os Turcos, da vestidura de Christo, do Santo Lenho, e outros que se conservão com a mesma carta do Emperador do anno de 1401.

Ostentão a mesma grandeza todas as mais officinas interiores, que não permitte descrever a brevidade que professamos, só não parece justo passar em silencio a fabrica do Capitulo, que he huma das mais estranhas, que o Mundo celebra. No lado do Claustro principal, que he da mesma obra e delicadeza de lavores, ornado com hum jardim e fontes, que o fazem mais aprazivel, está o Capitulo, que he hum quadro de oytenta e sinco palmos da mesma pedraria cuberto de huma abobeda tão estranhamente fabricada, que ficando pela parte superior toda igual sem volta nem columna ou pedestal, que a sustente, admira os Architectos mais insignes, parecendo impossivel que naquella fórma se fabricasse. Fóra do corpo principal do templo, mas unida com elle, se ve huma capella que ficou imperfeyta, e mostra ser destinada para enterro dos reys de estructura e lavores tão sutis e admiraveis, que intentando-se depois, não houve officiaes, que se atrevessem a rematala com igual perfeyção, mostrando este principe nas acções que obrou e [p. 420] e nas obras que fez, que era impossivel competilo, quanto mais excedelo, assim remataremos este discurso com o seu Epitafio que atras promettemos, e reservamos para este lugar por ser largo, e não interromper a historia, cujo credito fica com elle seguro.

(…)5.

[p. 424] Este Epitafio escrito sem a elegancia e pureza da lingoa latina, com que outros se compuzerão, referindo com verdade as acções deste principe, he o seu mayor elogio, e o não offerecemos traduzido, assim por ser claro, como porque se póde ver no author citado, e não he justo offender com traducções a energia e significação das palavras proprias, e ainda que nos insitava o desejo continuar o discurso, não parecendo possivel reduzir successos tão grandes a summa tão breve representados nella como em Mapa, servirá o de mostrar aos Principes o caminho por que [p. 425] que se alcança o amor dos subditos, o temor dos inimigos, e a segurança da Republica: de animar os timidos para que assistão á defensa da Patria com todo o affecto, e ainda que nos principios se representem difficuldades, que pareção invinciveis, tenhão por certo, que sendo a causa justa hão de conseguir com a divina assistencia glorioso remate.

Assim acabaremos com hum parallelo entre El Rey Dom João, e Julio Cesar, pois não tiverão nas suas acções menos semelhança. Que Romulo e Theseo, Marcello e Pelopidas, Annibal e Scipião, Lizando e Sylla, Eumenes e Certorio, Agicilião e Pompeo, e outros Heroes que os antigos comparárão.”



Notas

1 Na margem esquerda da página: “Sepultase com a Rainha no Convento da Batalha.”

2 Na margem esquerda da página: “Frey Luis de Souza, Chronica de S. Domingos, I parte.”

3 Margem direita da página: “Noticia descriptiva do Convento da Batalha.”

4 Na margem direita da página: “Reliquias deste templo.”

5 Segue-se, entre as páginas 420 e 424, a transcrição do epitáfio latino patente no túmulo de D. João I, já publicado por Fr. Luís de Sousa, de cuja lição, cremos, o Conde da Ericeira o retira.

160 - Poesia

Olá meus amiguinhos


Já batem à porta

Da vossa escola,

Para as aulas começar

Já tinham saudades

Para os colegas abraçar.

Para alguns o início é difícil,

Outros estavam ansiosos

Para começar.

Meus queridos, ouvi

O que vos digo,

Decerto o fareis:

Procurai os vossos

Verdadeiros amigos,

Não se preocupem

Depressa os achareis.

De manhã carregados

Com a vossa sacola

Correm de alegria,

Saibam brincar

Uns com os outros

Para passarem um bom dia.

Na vossa escolinha

Aprendam com atenção.

A sempre amiguita

Para todos vós envia

Um xi-coração.

Cremilde Monteiro



As minhas flores

Os anos vão passando,

E eu na esperança

De voltar a ver florir

De noite vou sonhando.

A vida de criança

Quando acorda a sorrir.

Novo dia já nasceu,

Acordei foi Deus que o quis

E a alegria que me deu

As flores a florir como fiquei feliz.

As minhas flores,

São a alegria de cada dia

São como meus filhos meus amores

Me acompanham na tristeza e na alegria.

São estas as minhas flores,

Que acabo de semear

São pedaços de amores

Que o meu pensamento tem para dar.

Eu sou como a flor dormindo,

Ela está a crescer

E eu pensando e a escrever

O que minha alma vai sentindo.

Doce flor de espinhos trabalhada,

Que falando em silencio contigo

És um valor para mim do nada

Mas melhor que ignorando um amigo.

Olhando para estas letras sem valor,

Que ao leres não compreendes

Que são pedaços de verdadeiros amor

Mas jamais as defendes

José António Carreira Santos

Sugestões musicais

Never Too Late to Dance
Nu Soul Family
Universal Music Portugal
2010 é o ano dos Nu Soul Family. Se dúvidas existiam, a nomeação para o prémio MTV – Best Portuguese Act – é o coroar de uma carreira fulgurante. «Never Too Late to Dance» foi editado este ano e tem sido o motor de uma extensa digressão nacional e internacional. Virgul, Dino, DJ Alan Gul e Bassman apresentaram-se no início do ano com uma proposta musical na área da música de dança, que logo à partida conquistou muitos fãs com o primeiro single – «This is For My People». Ao reconhecimento dos media numa aposta arriscada juntou-se o público que foi aderindo ao som dance, house e funky do grupo. A banda teve um Verão preenchido, com actuações em palcos como Rock in Rio, Delta Tejo, Sudoeste e na grande festa do Jamor partilhando o mesmo palco com os Black Eyed Peas. Passagens por Angola e Cabo Verde também foram marcantes. Por todos estes motivos, a nomeação para o prémio MTV é  vista como mais do que merecida num ano de muita festa. No dia 7 de Novembro, no Complexo Caja Magica, de Madrid, decorre a edição dos MTV Europe Music Awards. A votação nos candidatos termina no dia 15 de Outubro (ema.mtv.pt). Até lá, «it`s never too late to dance»!



A year without rain
Selena Gomez
Universal Music Portugal
O novo disco de Selena Gomez tem duas versões. No formato CD, o álbum é apresentado com 11 músicas, num alinhamento que inclui ainda «Naturally», o grande single de «Kiss and Tell», o primeiro álbum da cantora. Na versão CD + DVD, podemos conhecer de perto a artista com imagens retiradas da última visita à Europa. Um trabalho que está também repartido na internet em 7 episódios – «Girl Meets World», dado a conhecer em sapo.pt e universalmusic.pt. Entrevistas, making of, sessões fotográficas e vídeos do novo álbum também pontuam nesta edição de luxo. E são os vídeoclips de Selena que muito têm sido vistos na Internet. Só no YouTube, «Round and Round» já ultrapassou os 18 milhões de visualizações, assim como o vídeo para o segundo single – «A Year Without Rain» – também já foi visto por mais de 5 milhões de pessoas. Selena Gomez, estrela na série «Os Feiticeiros de Waverly Place», continua a fazer capa em todas as revistas do mundo… e Portugal não foge à regra.



Manuscrito
Sandy
Universal Music Portugal
Sandy é uma das maiores estrelas da música pop brasileira. Construiu carreira com o seu irmão, tendo formado uma das duplas mais famosas de sempre do imaginário brasileiro: Sandy & Júnior. «Manuscrito» é o primeiro acto a solo de Sandy, onde a palavra Liberdade ganha especial destaque: “É muito bom ter total liberdade de criação: gravei o repertório que eu queria, do jeito que queria, com os músicos que escolhi, fazendo muitos ensaios, sem me preocupar com prazos: é o sonho de qualquer artista”, diz a cantora e compositora. Este disco é um avanço ousado na contramão do que se esperava de uma artista que bateu recordes de vendas e de público. Um trabalho intimista, predominantemente acústico e suave. Na companhia do seu marido, Lucas Lima, e do irmão, Junior Lima, que dividem a autoria da maioria das canções, Sandy estreia-se com um disco a que chama “a minha cara”. O álbum foi gravado com calma e em vários lugares, numa inesperada conexão São Paulo-Londres-Campinas. «Pés Cansados» é o single de avanço.



Hands All Over
Maroon 5
Universal Music Portugal
Já chegou a Portugal o novo álbum de Maroon 5, «Hands All Over», cujo single «Misery» já conquistou muito público por todo o mundo, incluindo Portugal. Holanda, Suiça, Alemanha e França são alguns dos países rendidos a esta música, que volta a trazer à ribalta os compositores de momentos pop memoráveis como «This Love», «She Will Be Loved», «Makes MeWonder», «Won’t Go Home Without You», entre outras. Produzido pelo lendário Robert John «Mutt» Lange (AC/DC, Def Leppard), gravado na Suiça, o disco tem sido referenciado como um dos discos mais aguardados do ano, um pouco por todo o mundo. A imprensa como a Billboard (capa), People Magazine, NY Daily News, entre outras, junta-se a actuações na BBC, passagens por Tóquio, que acabam por globalizar ainda mais a carreira desta banda já vencedora de Grammy. A partir de 11 de Fevereiro, os Maroon 5 visitam a Europa (Reino Unido, Alemanha, Holanda, França, Suíça, Rússia, Finlândia). Portugal ainda não está no roteiro.

Sugestões de Leitura

República das Mulheres
Maria João Seixas
Bertrand Editora
Por ocasião da comemoração do centenário da República, Maria João Seixas reuniu em livro entrevistas a várias figuras cimeiras da cultura portuguesa, como Ana Hatherly, Ana Luísa Amaral, Eduarda Chiote, Helga Moreira, Hélia Correia, Inês Pedrosa, Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes, Maria Andresen, Maria Isabel Barreno, Maria do Rosário Pedreira, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa e Patrícia Reis. Segundo a autora, “são sete poetas e sete romancistas da minha eleição. Delas ficará o trilho dos seus passos, dos passos que as guiaram até à (tão penosa quanto jubilatória) aventura da escrita, traçando uma cartografia pessoal, que tornará mais claro para os leitores as rectas, as esquinas e as curvas do caminhar da obra de cada uma”. É também uma colecção de olhares sobre a República, com o denominador comum de serem sentidos por corações femininos.


A morte do Barão de Porto de Mós
Ricardo Charters d’Azevedo
Edição CEPAE
O Barão de Porto de Mós, Venâncio Pinto do Rego Ceia Trigueiros, nomeado Par do Reino por D. Maria II, tinha propriedades como a Quinta da Cortiça e a Herdade do Esporão. Nasceu em Porto de Mós em 1801, filho de gentes importantes da vila, e morreu com 66 anos, assassinado na Nazaré. Diplomado por Coimbra, assumiu o cargo de vereador da Câmara Municipal de Porto de Mós, foi procurador às Cortes por Porto de Mós em 1828, nomeado com 29 anos juiz em Monsaraz e chegou a presidente do Tribunal de Contas. O autor, que é parente do Barão, apresenta os ascendentes até à 9ª geração (1530) e para cada um refere uma pequena história. Relata ainda a forma como foi cometido o assassínio do Barão de Porto de Mós, mostra como se lutava por propriedades e como se singrava em política em meados do século XIX em Portugal.



Caderneta de Cromos
Nuno Markl (texto)
Patrícia Furtado (ilustração)
Editora Objectiva
Em O Homem Que Mordeu o Cão, Nuno Markl contou histórias muito bizarras. Mas haverá história mais bizarra do que crescer nas décadas de 70 e 80? Dos microfones da Rádio Comercial para as páginas profusamente ilustradas desta edição, eis a Caderneta de Cromos – onde cada crónica é acompanhada de um cromo, ilustrado por Patrícia Furtado, que reflecte também em desenho uma centena dos mais bombásticos e inesquecíveis cromos da nossa infância e juventude! Uma colecção que responde a questões pertinentes como: Samantha Fox e Kim Wilde: Qual delas para casar? Qual delas para coiso? Usar um casaco branco igual ao do Don Johnson no Miami Vice resulta na vida real quando se é caixa-de-óculos? Porque é que o Fizz Limão é o D. Sebastião da indústria dos gelados? Como se resolve, afinal, o Cubo Mágico?

Requiem - P.e António Estevam (1883-1950)
Miguel Portela
Margarida Herdade Lucas
Recolher e divulgar uma das peças mais significativas do nosso património artístico é o principal desiderato desta publicação. Disperso, truncado e maioritariamente ignorado, este património é constituído por inúmeros tesouros concebidos pelo engenho e arte de homens e mulheres de várias eras, mas consideravelmente cultos e criativos. A Missa de Requiem do P.e António Estevam, que aqui se reproduz, data de 1939. A sua composição assenta na inspiração de todas as escolas anteriores, onde se podem redescobrir frases de canto gregoriano e polifonias barrocas, de feição cuidada e exuberante. É um dos exemplos das peças de Música Sacra da primeira metade do século XX que transportam consigo toda a história da música europeia anterior. E quando de manifesta qualidade, como é o caso, são marcos indeléveis do nosso Património Artístico.



O Professor que o Adolescente Deseja
Maria Gabriela de Sousa
Coisas de Ler
Um professor é um artista da vida. Porque os seus gestos e palavras habitam as vidas dos alunos. Ser professor de adolescentes é partilhar com eles a magia do saber, viajar no tempo e no espaço, revelar mundos desconhecidos, partir com eles à descoberta da vida autêntica. Maria Gabriela tem viajado com os adolescentes pelos caminhos da Língua e da Literatura Portuguesa, da Literatura Emocional e da Educação para a Saúde. Têm sido viagens pelo mundo fantástico do conhecimento. Esta obra é o relato dessa viagem com eles, à descoberta do professor que desejam ter e que nem sempre é, necessariamente, aquele que têm. Aqui, pais, professores e adolescentes podem acompanharem a autora pelos diálogos vivos com a adolescência, com pedagogos e filósofos da Educação! A sensatez das suas respostas irá surpreender.



Sexualidade: Afectos e Cultura - Gestão de problemas de saúde em meio escolar
Margarida Gaspar Matos
Coisas de Ler
Depreende-se desta obra uma atitude de respeito pela escola e pelos diversos actores da comunidade educativa (professores, alunos, pais e auxiliares), na perspectiva da sua mobilização concentrada, única forma de ultrapassar os problemas que atravessam as escolas. Ficamos com o sentimento da sua complexidade, mas com esperança na sua resolução, conseguida a partir de um esforço de reflexão de que este livro é um bom exemplo. Reúnem-se, numa só publicação, ferramentas de diagnóstico e soluções que apontam para a escola e a família. Mas uma vez, como em tantos aspectos do comportamento humano, as raízes do problema são simultaneamente a sua solução. Não menos importante, a característica internacional de muitos dos estudos agora publicados, confere-lhes uma solidez científica invulgar.



1910 a duas vozes
Fernando Rosas
Mendo Castro Henriques
Bertrand Editora
É apenas um livro, mas são duas capas. Tal como são dois os autores e dois os pontos de vista para a abordagem ao mesmo tema, como se pretende com esta colecção Vice-Versa da editora Bertrand. No ano em que se comemora o Centenário da República, duas vozes distintas – Fernando Rosas e Mendo Castro Henriques – mostram as duas faces da Implantação da República em Portugal, a queda da Monarquia e as repercussões desse momento histórico durante o último século. É um exercício de leitura estimulante, por permitir o contraditório intelectual ao leitor, revelando como são possíveis visões históricas diversas sobre o mesmo acontecimento, influenciadas até pelo espectro político (mais à esquerda ou mais à direita) em que se situam os observadores.



O Rapaz das Fotografias Eternas
Edson Athayde
Guerra & Paz Editora
O Rapaz das Fotografias Eternas é o primeiro romance do criativo Edson Athayde, apresentado em Abril passado em Portugal. Polaroids escritas, cinema em livro. Acompanhe a trajetória de Pedro, o mago da luz e das sombras, único retratista que consegue eternizar as fotografias que tira. Na solar Vila de Clarabóia ou na lúgubre cidade sem nome, Pedro carrega um grande segredo e cruza-se com personagens maiores do que a própria vida: as três Marias, cada uma com sua mania; Bakunin, o cão que fala em russo; Alaor, o viúvo da mulher que nunca nasceu; Apolónio, o barbudo que fabrica guarda-chuvas; Flora, a falsa oráculo nipoandaluza; Jonas, o que será louco, poeta ou morto. Neste romance, Edson Athayde oferece aos leitores dois universos paralelos, numa fábula dramática e, ao mesmo tempo, divertida.




O Acompanhante
Jonathan Ames
Edição Contraponto
Esta é a história de Louis Ives, um jovem cavalheiro, ao jeito de um personagem de Scott Fitzgerald, que ensina Literatura Inglesa num colégio privado… até ao dia em que é apanhado a vestir o sutiã de uma colega (em plena sala de professores) e é despedido. Esta também é a história de Henry Harrison, um velho cavalheiro, ao jeito de um personagem de Hemingway, dramaturgo brilhante mas fracassado, viajante incansável mas falido, que ganha a vida como «homem extra» (um acompanhante de velhinhas de alta sociedade) e com o aluguer de um quarto no seu diminuto apartamento em Manhattan. Do encontro entre os dois resultam algumas lições de vida. Louis aprende que há muito por descobrir na cidade que nunca dorme e, nos bares de travestis e transexuais de Times Square, atreve-se a explorar a sua atracção pelo lado mais feminino da vida.




Pense como Um Campeão
Donald Trump
Edição Gestão Plus
Ao longo da sua vasta carreira, Donald Trump tem escrito diversos best-sellers sobre sucesso e perseverança nos negócios, mas também tem escrito ensaios que reflectem a sua filosofia de viver a vida em pleno, tanto a nível pessoal como profissional. Neste livro, apresenta diversos destes ensaios inspiradores, seleccionados pessoalmente pelo autor, num convite à reflexão sobre o verdadeiro significado do sucesso. Qual o futuro da economia de mercado tal como a conhecemos? Como podemos treinar e moldar os nossos pensamentos para atingir o sucesso? Qual a importância do «alfabetismo financeiro»? Qual a verdadeira relação entre a inovação e o empreendedorismo? Estas são apenas algumas das questões abordadas ao longo destas páginas, num estilo inspirador, original e com toques de humor.




Tudo sobre a Osteoporose
Joan Gomez
Arte Plural Edições
Com a idade, os ossos entram num processo de desagregação, facilitando a ocorrência de fracturas, dores prolongadas e deformações incapacitantes. Todos estamos em risco de ser afectados pela osteoporose, mas está nas nossas mãos retardar ou evitar o seu aparecimento. Nestas páginas pode encontrar conselhos úteis que o ajudarão a isso. Se já tem este problema, será uma grande ajuda para lidar com o problema e prevenir maior deterioração. Conheça os tipos de osteoporose, os riscos, testes de diagnóstico e tratamentos existentes. Saiba ainda como se manifesta, como recuperar das fracturas e como esta doença pode afectar o seu estado de espírito. Com estes conhecimentos, sentir-se-á preparado para iniciar uma mudança no seu estilo de vida...



Tudo sobre a Diabetes
Joan Gomez
Arte Plural Edições
O número de pessoas que sofre de diabetes tem vindo a aumentar drasticamente ao longo dos últimos anos. O stresse, o regime alimentar, os medicamentos e a falta de exercício têm um papel preponderante no desenvolvimento da doença, que pode afectar qualquer pessoa, em qualquer idade. Se tem diabetes, é essencial manter-se informado, e quanto mais cedo melhor, pois quando esta doença pode revelar-se mortal. Este livro contém informação fundamental para quem sofre de diabetes. Explica de forma simples como se manifesta esta doença, porque surge, como mantê-la sob controlo e o que fazer em caso de emergência. Além disso, pode revelar-se uma ajuda preciosa para lidar com os aspectos físicos e emocionais da diabetes, e com o seu impacto em relacionamentos e rotinas diárias ou em alturas tão especiais como a gravidez e o parto.

A Família e a Saúde Mental
Purificação Bagagem
“Resultado de mais de cinquenta anos de uma vida de trabalho, de estudo, análise e reflexão, visa contribuir para ajudar os pais, em especial os jovens pais, a prepararem-se para encarar com responsabilidade e empenho a educação dos filhos”.

O livro desta autora golpilheirense aborda temas como “a importância da família na vida humana”, “a família e a saúde mental”, “o papel dos pais na criação e formação dos filhos” e “a caracterização da família onde nasci e cresci”.

À venda no CENTRO RECREATIVO da Golpilheira!

Carta do Brasil - Já temos site na internet!

Olá a todos!
Dou-vos uma boa notícia: o nosso site já está na internet! Podem visitar em http://www.consolatasp.com.br/ e ver o que nós já lá temos. A nossa história, a padroeira, a minha apresentação e muitas das actividades que estamos a dinamizar. Estamos a fazer o possível para que ele esteja sempre actualizado.

Enquanto aí foram férias, por aqui muito trabalho. Por isso estive este tempo longo sem escrever. Mando-vos algumas fotos das crianças e da creche. Estamos a fazer reuniões constantemente, para resolver muitos problemas relacionados com elas, pois agora a prefeitura proibiu as crianças de ficarem muito tempo numa creche. Por este motivo, mudam constantemente. Praticamente, aquelas que eram assistidas pelo nosso bom povo, algumas já foram e no fim do ano teremos que mudar todos os nomes. Estamos a refazer alguns ambientes das creches, para ficarem mais bonitas.

No dia 20 de cada mês, celebro a Missa votiva de Nossa Senhora da Consolata. Neste dia 20 de Setembro, estava programado fazer uma procissão de velas, mas a chuva veio e tivemos que fazer dentro da igreja. Mas foi bom, Deus sabe melhor o que faz do que nós.

Já sei que continuam a enviar algum dinheiro. É motivo para agradecer mais uma vez o esforço que a comunidade está a fazer para as nossas crianças. Obrigado! Um abraço amigo e até breve.

P. João Monteiro da Felícia

160 - A Vinha

Casta de Uva Gouveio

Esta casta, também denominada de Verdelho nas ilhas da Madeira e Açores, é conhecida no Douro como Gouveio. Os seus bagos são pequenos, de uma cor verde amarela. Produz uvas com elevado teor alcoólico, que por sua vez dão um vinho licoroso, à volta dos 17 graus, suave mas encorpado.

É uma casta de uvas brancas que se dá bem em solos bem expostos ao sol, sendo cultivada em praticamente todas as regiões no nosso País, incluindo nas ilhas da Madeira e Açores. No continente, é razoavelmente cultivada no Douro, no fabrico de vinho do Porto, e também, embora pouco, no Dão.

Na Madeira, é cultivada desde o século XV em grande quantidade, foi muito dizimada com o ataque da filoxera por volta de 1860, mas era já a mais cultivada no século XX, no fabrico do vinho generoso. Há cerca de 15 anos, a legislação obriga a que qualquer vinho rotulado de verdelho deve ter pelo menos 85% desta casta.

Nos Açores é cultivada desde o início do povoamento, sendo praticamente cultivada em todas as ilhas, com forte de predominância no Pico, Terceira e S. Jorge. Nas vinhas que vimos nestas ilhas verificámos que as mesmas são cultivadas nas rochas basálticas, onde só se junta terra, se for caso disso, na altura da plantação (ver foto).

O Verdelho dos Açores tem mercado na Europa, sobretudo na Inglaterra. Devido à importância que tem na região, foi criada a revista Verdelho e a Confraria do Vinho Verdelho dos Biscoitos.

Em Espanha, mais propriamente na Galiza, assim como na Argentina, são também cultivadas como Verdelho. Tem sido também cultivada nos vinhedos da Austrália.Também utilizada na Austrália.

O abrolhamento dá-se na 1.ª quinzena de Março, a floração na 1.ª quinzena de Maio, o pintor em 15 de Julho, para vindimar no final de Agosto. A sua afinidade com os porta-enxertos é boa, nomeadamente, com o R99, 196-17 e R110. A poda deve ser conduzida em vara e talão, a produção é que baixa. Tem uma resistência moderada a doenças como o míldio e oídio, e resistente à botris (Podridão). É pouco resistente às pragas de cochonilhas e erinose.

José Jordão Cruz
Eng. Técnico Agrário

Alcina do Rosário Henriques

Pela região...

Mobilização pelo Distrito: 24 Horas pelo Combate à Pobreza e Exclusão Social

No âmbito da iniciativa “24 Horas pelo Combate à Pobreza e à Exclusão Social” – um evento de activismo, mobilização e sensibilização para a problemática da pobreza e da exclusão social – nove concelhos do distrito de Leiria vão promover actividades sob o lema comum "Mobiliza-te contra a Pobreza e a Exclusão Social!"

A iniciativa é organizada por várias instituições de solidariedade social e autarquias e consiste na mobilização da comunidade em geral para a realização de várias actividades, tendo como tema de fundo a Pobreza e a Exclusão Social, no dia 6 de Outubro de 2010.

Info: http://www.2010combateapobreza.pt/.


Nas Cortes - À Tarde na Casa-Museu

No dia 6 de Outubro, das 15h00 às 16h30, na Casa-Museu João Soares, nas Cortes, Leiria, vai dinamizar-se “À Tarde na Casa-Museu João Soares", que proporciona actividades dirigidas a crianças do 4.º ao 8.º anos (9-14 anos). A actividade é gratuita e as inscrições deverão ser efectuadas até ao dia 4 de Outubro, na Casa-Museu.



Em Porto de Mós - Doces & Licores

Nos próximos dias 9 e 10 de Outubro terá lugar a ‘VI Mostra de Doces & Licores’ no Forum Cultural de Porto de Mós, organizado pelo Coral Vila Forte Associação. O programa pretende promover o licor da região e contempla a gastronomia tradicional com o tradicional café da avó e filhós.



Gala de Leiria continua - “Idade Maior”

A Gala de Leiria é um acontecimento que marca o calendário dos grandes espectáculos realizados desde há 18 anos na nossa região. Já sem a chancela da Rádio, a habitual equipa dirigida por Emília Pinto avança para a 18.ª edição, com o tema "Idade Maior". Será a 15 de Outubro, às 20h30, no Centro Paulo VI, em Fátima.

Voltarão a ser entregues os "Troféus Pedrada no Charco", que visam premiar aqueles que se distinguiram no ano de 2009/2010.

Info: http://www.galadeleiria.com/

160 - Foto do Mês

160 - Tintol e Traçadinho

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

William Beckford regressa ao Mosteiro da Batalha

Há 216 anos, um famoso, excêntrico e polémico cidadão britânico de 33 anos, William Beckford, foi recebido no Mosteiro da Batalha, dando início a uma visita que, apesar de breve, marcou profundamente as suas memórias e notáveis realizações ulteriores. Nas próximas Jornadas Europeias do Património, o Mosteiro da Batalha vai lembrar William Beckford, as suas recordações de viagem e realizações inspiradas por este monumento ímpar.

Dia 24 de Setembro
18H15
Encenação O regresso de William Beckford ao Mosteiro da Batalha
Inscrições gratuitas na bilheteira do monumento / em beckfordnabatalha@gmail.com

Dia 25 de Setembro
10H30
Visita à Vila da Batalha
16H00
Visita à Capela do Fundador
18H00
Abertura da exposição documental William Beckford e o Mosteiro da Batalha

Dias 24, 25 e 26 de Setembro

Podem adquirir-se na bilheteira do monumento, a um preço simbólico, folhetos que permitem a realização de vários jogos educativos.
Durante as Jornadas Europeias do Património, a entrada no monumento é gratuita.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Edição 159 - Agosto de 2010

Cá está a 1.ª página completa...

EDITORIAL | Dois bónus: uma capa e um senhor

Acabaram-se as festas cá da terra e, como sempre, cá estamos para apanhar as canas. Que é como quem diz, para fazer o relato e publicar as melhores imagens. Tarefa difícil, esta de seleccionar meia dúzia de fotos, entre as centenas que os repórteres do Jornal da Golpilheira captaram. Como o papel é caro e as cores também, não temos outro remédio senão encher “apenas” duas páginas a preto e branco para cada uma. Deixamos uma dica aos que desejavam ver mais: façam uma visita ao nosso sítio na internet...
Como bónus, deixamos uma primeira página em tamanho gigante (sim, é para abrir o jornal ao alto), que pode até usar aí em casa como poster decorativo (no final de ler o jornal todo, claro). [Ver post acima]
E se isso não chega de bónus, que tal uma entrevista exclusiva que fizemos ao Rui Veloso? É um artista português, com tudo o que de melhor estas duas palavras encerram. No palco espalha talento, na nossa conversa distribuiu simpatia.
Como se diz lá no Norte: é um senhor, carago!

Rui Veloso considera “excepcional” o concerto na Batalha e “malha” nas rádios nacionais



Entrevista exclusiva ao jornal da Golpilheira

Rui Veloso, um dos nomes cimeiros da música portuguesa, foi o artista que encerrou as Festas da Batalha 2010, no dia 15 de Agosto. O concerto de cerca de duas horas fez vibrar as cerca de 15 mil pessoas que lotaram o recinto junto às Capelas Imperfeitas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, onde era bem visível a variedade etária, desde as crianças de colo até aos que já eram adultos quando Rui Veloso actuou pela primeira vez na Batalha, em 1984.
O alinhamento musical percorreu também a longa discografia que marca a carreira deste músico, onde não faltaram clássicos como “Chico Fininho”, “Sei de uma Camponesa”, “Porto Côvo”, “Não há Estrelas no Céu” e “A Paixão”, até aos mais recentes “Lado Lunar”, “Todo o Tempo do Mundo” ou “Jura”. Acompanhado por seis excelentes músicos em palco, apresentou ainda a visita surpresa de Katia Guerreiro, que subiu ao palco para um “Porto Sentido” em dueto.
No final, Rui Veloso recebeu o Jornal da Golpilheira nos camarins, para uma entrevista exclusiva. Em tom coloquial e bem-disposto, começou por perguntar algumas informações sobre o Jornal, enquanto desfolhava a nossa última edição e nos dava os parabéns pela “carolice”. Depois, comentou o agradável “extra” do dueto com a Katia, que “correu muito bem e não estava no programa... não tínhamos combinado nada”.
Depois, falou com emoção da sua carreira, da actualidade da música portuguesa e do concerto “fantástico” desta noite. A única coisa que o “tirou do sério” e fez soltar algumas palavras mais azedas foi a falta de apoio das rádios nacionais aos músicos portugueses...
Entrevista de Ângela Susano e Luís Miguel Ferraz

Celebra este ano 30 anos de carreira. Ainda se lembra de como tudo começou?
Já foi há tanto tempo que nem me lembro bem. Começou quando a minha mãe veio a Lisboa trazer umas bobines minhas... umas gravações com duas guitarras e uma voz. Era uma coisa assim, um bocado incipiente, mas eles interessaram-se e gostaram muito do que ouviram. Eu fui apanhado ali no meio, tive que ir para Lisboa e fazer músicas em português, que não tinha feito. Depois, fui evoluindo e cá ando, 30 anos depois.

Com uma vida dedicada à música e 13 álbuns editados, como resumiria o caminho percorrido e a evolução do que significa para si a música portuguesa?
Quanto ao caminho... foi o caminho possível. Nós éramos um País muito afastado culturalmente da Europa e das coisas que se faziam lá fora. O País era muito deficitário em tudo o que diz respeito à música: instrumentos, estúdios, técnicos, tudo. Era muito incipiente. Melhorou bastante nos últimos 30 anos, felizmente, mas não foi nada fácil.
Actualmente, só tenho pena que os músicos portugueses ainda não tenham o apoio da nossa televisão, nem que seja a estatal, nem da rádio. Às vezes costumo dizer que os tipos lá na televisão e na rádio não gostam mesmo dos músicos. Eles gostam dos ingleses, têm lá as coisas inglesas que ninguém conhece.
Acho que, 30 anos depois, os músicos portugueses mereciam bastante mais de quem devia apoiar a música portuguesa. Infelizmente, eu estava a contar que nesta altura já tivéssemos uma rádio totalmente em português, nossa. Até porque somos nós que pagamos a rádio e os ordenados dos directores, com os nossos impostos. No entanto, eles têm um contrato qualquer com os ingleses e põem para lá música inglesa.

Falou dos músicos portugueses. Como avalia os artistas e grupos que foram surgindo entretanto ou que estão agora a começar?
Há muita coisa boa. No fado, apareceram muitos nomes de músicos e cantores bestiais. No pop, também temos projectos como “Diabo na Cruz” e outros com coisas muito giras. Nós temos muito boa música, eu acho. Temos bons músicos e boa música, apesar de sermos um país muito pequenino e da música portuguesa ser muitíssimo desapoiada.

Volta a referir a questão dos apoios... é assim tão gritante essa falha?
É uma vergonha! Nós temos uma rádio nacional, que não apoia os artistas portugueses. Se formos ver as rádios de música, que é a Antena 2 e a Antena 3, tudo o que é música folk ou fado, música popular portuguesa, tipo Brigada, que até são daqui ao pé, o Sebastião, os Gaiteiros, nunca passam nas nossas rádios, não entendo.

Mas essa selecção não passa pelo que as editoras querem promover?
Não. A rádio põe e dispõe, passa o que lhe apetece e mais nada. Os apresentadores estão completamente em roda livre, como se estivessem no café a discutir a música de que gostam, e não a apoiar a música portuguesa. No mínimo, deviam pôr lá pessoas para os substituir que gostassem de outras coisas, os que gostam de fado, os que gostam de rock, os que gostam de jazz, os que gostam de música popular, há gente para tudo e que sabia ir lá pôr música dessa com gosto. Não é como aqueles gajos que passam metade música inglesa e, ainda por cima, quando põem música portuguesa é cantada em inglês. Isso é do melhor...

Vê alguma solução?
Tinha de vir uma revolução de cima, dos directores. Mas o português, para dar um passo, para arriscar... nunca faz nada. Deixa estar assim, que está bom. Muda-se de partido, tira-se um, põe-se lá outro, fica tudo na mesma. A única coisa que eu posso fazer é “mandar vir”, dizer que aquilo é uma cambada de indigentes que não atam nem desatam. E não digo isto por eu não passar na Antena 3, onde estou proibido, não pela direcção, mas pelos apresentadores, porque eles é que mandam naquilo como se fosse a quinta deles. Porque sou eu, é o João Gil, o Vitorino... nenhuma dessa gente passa na Antena 3. Por muito estranho que pareça, passa o Sérgio Godinho e o Jorge Palma, porque cabem lá dentro das cabecinhas loucas deles.

Podemos garantir que na Rádio Batalha passa Rui Veloso e muita outra música portuguesa...
Acho muito bem! A questão é: como é que uma rádio de música nacional se pode dar ao luxo de não passar músicas minhas? Mas há algum país do mundo civilizado em que um artista da dimensão que eu tenho aqui, no seu próprio país não passe na rádio nacional? É impensável! É só aqui. É a mesma coisa que uma rádio americana nacional não passar o Bruce Springsteen, ou na Inglaterra não passar o Elton John. Cada qual na sua dimensão – eu na minha pequenina – mas no fundo a importância é essa. Eles dão-se ao luxo de não passar, é uma vergonha. Eu já estou farto de falar desses gajos... por mim, chegava lá e fazia uma limpeza que era uma maravilha... com uma vassoura, varria aquilo tudo!

Voltando à música... faz hoje precisamente 26 anos, no início da sua carreira, que actuou na Batalha. Lembra-se desse concerto?
Lembro-me perfeitamente de ter tocado aqui neste mesmo sítio, ao lado do Mosteiro. Mas já nem me lembrava da data... foi há muitos anos. Tenho uma ideia vaga... esteve pouca gente, porque estava muito mau tempo, choveu e estava um frio danado... foi uma coisa assim.

E hoje, como correu o concerto?
Foi muito bom, muito bom. Gostei imenso do público, foi muito bom mesmo, excepcional. Emocionei-me e tudo, lá no fim... o pessoal todo a cantar é muito bonito. No “Primeiro Beijo”, foi o máximo! Acho que o público também gostou, estávamos todos bem-dispostos.

Tocar “à sombra” de uma das maravilhas de Portugal é para si um privilégio?
É um privilégio, mas eu nem vi o Mosteiro. Só vi o palco e as pessoas, não vi mais nada. Mas que é lindo é, este Mosteiro é uma coisa extraordinária.

Durante o concerto, não falou de assuntos fora das canções. Não tem esse hábito?
Às vezes apetece, é conforme... quando há algum assunto mais candente. Mas a principal mensagem é a malta tocar bem. Mostrar que uma pessoa está a fazer aquilo que gosta, mas fazê-lo bem. A mensagem é essa.

E se lhe pedissem uma mensagem especial para os milhares de fãs que o seguem, sobretudo as gerações mais novas?
Que sejam felizes, trabalhem, procurem fazer aquilo que gostam para ajudar o País, que bem precisa da ajuda de todos. E que ajudem também a música portuguesa, consumam, vão aos concertos e comprem…

Quanto à sua música... o último álbum, “Espuma das Canções”, surgiu já em 2005. Podemos esperar alguma novidade para breve?
Estou a trabalhar uma ideia que me surgiu há tempos, que é voltar a pegar em temas meus antigos, alguns que ficaram em “lados B”, temas que eu gosto mas que não passaram muito na rádio. A ideia é refazer, rearranjar os temas e fazer parcerias, por exemplo, com a Katia Guerreiro ou o Camané, e também com músicos como o guitarrista Afonso Pais ou o Bernardo Sassetti. Queria fazer um álbum desses “lados B”, revestir aquilo tudo e tentar que funcionem como “lados A”, como se dizia antigamente, no tempo dos “singles”. São canções que ficaram um bocadinho metidas no fundo do armazém e que eu queria revisitar, ainda antes de me dedicar a fazer um disco novo.

Com uma carreira tão vasta e bem sucedida, ainda há lugar para sonhos?
Sim. Fazer músicas novas, fazer um disco novo, continuar a compor. Não sou muito ambicioso. Mudar a rádio portuguesa... isso sim era um sonho que eu gostava de ver, ainda em vida. Ver alguém com coragem para mudar e apoiar os artistas portugueses e os músicos. Eles precisam muito, porque, se estão com trabalho e querem ser profissionais e depois não passam na rádio, como é que se conhece o trabalho que eles fazem?...

domingo, 29 de agosto de 2010

625 anos da Batalha de Aljubarrota e Dia do Município



Os diversos actos comemorativos

A importância da Batalha de Aljubarrota é um facto incontornável no contexto da independência nacional e da História de Portugal em geral. Mas a importância que é dada à sua comemoração a nível nacional é diametralmente oposta. Resta-nos contar com a memória local, este ano organizada conjuntamente pelos municípios de Batalha e Porto de Mós e a Fundação Batalha de Aljubarrota.
O programa começou com a colocação do estandarte oficial dos 625 da Batalha de Aljubarrota na praça do Município de Porto de Mós, no dia 1 de Agosto. A mesma autarquia promoveu, no dia 6 de Agosto, um colóquio sobre a Batalha Real, com o coronel Américo Henriques, no Campo Militar de S. Jorge.
Nos dias 7 e 8 de Agosto, coube ao Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA) promover algumas actividades, com destaque para uma noite de animação popular medieval e passeios de balão, em S. Jorge. E no fim-de-semana de 13 a 15 de Agosto, as atenções viraram-se para a vila da Batalha, nas tradicionais festas deste concelho.

Celebrações Oficiais
Quanto às "celebrações oficiais", o figurino manteve-se dentro do que tem sido hábito nos últimos anos.
Pelas 10h00, no CIBA, foi celebrada uma missa campal, em memória dos heróis de Aljubarrota, com a figura de São Nuno de Santa Maria em destaque.
No final da Eucaristia, seguiram-se algumas alocuções, começando Carlos Evaristo, presidente da Fundação Oureana, por lembrar a importância da data e dos 650 anos do nascimento de São Nuno, que serão motivo para algumas iniciativas de comemoração, nomeadamente em Ourém, a divulgar oportunamente.
Depois, foi a vez do coronel Américo Henriques fazer uma apresentação épica da batalha de 1385, louvando a valentia dos portugueses e a inteligência militar do Condestável. "A táctica utilizada pelos dois exércitos não terá sido muito diferente, pois o ‘quadrado’ já era prática usual naquele tempo, mas a disposição no terreno foi genial e aí é que ganhámos a batalha", afirmou o historiador, salientando o papel fulcral que teve a "preparação do combate". Mas o maior segredo, o que fez com que "naquele dia se passasse ali mais do que uma simples batalha, algo de transcendente", foi "a vontade de um povo reunido pela primeira vez sob a ideia de Pátria". "É essa vontade, esse ideal, esse amor à Pátria que faz com se vençam todos os combates, seja rei, seja condestável, seja primeiro-ministro, seja quem for", concluiu Américo Henriques.
Por fim, o presidente da Câmara de Porto de Mós, João Salgueiro, falou também desse exemplo de patriotismo de Aljubarrota, apelando a que "também hoje saibamos honrar os heróis desta Nação valente e imortal".
As cerimónias passaram depois para a Capela do Fundador, no Mosteiro de Santa Maria da Vitória, onde as várias entidades civis e militares depuseram coras de flores junto ao túmulo de D. João I, num acto de homenagem silencioso.

Dia do Município
Já da parte da tarde, foi inaugurada a exposição "Festas da Batalha – Uma História com mais de 50 anos", na galeria Mouzinho de Albuquerque. Trata-se de uma mostra de cartazes, imagens de artistas e outros documentos relativos a estas festas, iniciadas em 1948. Organizada pela Associação de Propaganda e Defesa da Região da Batalha, a mostra ficará patente até final do mês.
A sessão solene decorreu no auditório municipal, tendo como pontos principais a alocução histórica sobre "O Voto de El-Rei D. João I antes da Batalha Real", pelo engenheiro António Almeida Monteiro, e o lançamento de um livro sobre as gárgulas do Mosteiro, da autoria de Ana Patrícia Alho.

O voto de D. João I
Na sua apresentação, acompanhada de algumas imagens projectadas, António Monteiro salientou a ligação da Batalha a Guimarães, pelo único e verdadeiro voto de D. João I antes da batalha, à Senhora de Oliveira, na "cidade berço". Este ex-autarca batalhense, investigador da história local, mostrou como pela análise dos caminhos existentes à época é possível reconstruir grande parte da história da Batalha de Aljubarrota, desde os preparativos até à vitória.
Uma das novidades apresentadas foi a da adaptação de que foi alvo o pórtico do Mosteiro, para receber um projecto magnífico que mestre Huguet trazia de França e que muito agradou ao rei, dada a sua imponência, mas, por ser grande demais para o espaço existente entre as colunas centrais, ficou "entalado" entre elas, como se pode verificar no local. E aqui surge uma nova ligação a Guimarães: é que o projecto original de Afonso Domingues foi levado para a igreja da Senhora de Oliveira, onde foi colocado como janelão por cima do pórtico já existente.
Com esta apresentação, ficaram, assim, revelados mais alguns dados sobre um monumento que tem sempre novidades para revelar. E fica também uma conclusão do autor desta investigação: "Guimarães não é só berço de Portugal, é também o berço da Batalha". E uma sugestão: "Guimarães vai ser Capital da Cultura em 2010... que tal até lá fazer a geminação entre os dois municípios?".

Livro sobre as gárgulas
De seguida, mantendo o Mosteiro como tema, foi apresentado o livro "As Gárgulas do Mosteiro de Santa Maria da Vitória – Função e Forma", de Ana Patrícia Alho. Trata-se de um resumo da sua tese de mestrado em História da Arte, Património e Restauro, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde a investigadora apresenta um estudo sobre o sistema hidráulico do monumento e as famosas gárgulas que servem de ponta final do sistema de escoamento de água pluviais.
Apresentada pelo professor Fernando Grilo, daquela universidade, a obra é mais um meio de divulgação das "novidades" que é possível continuar a descobrir neste monumento. As conclusões são "ainda naturalmente parciais sobre a técnica constritiva dos vários mestres envolvidos, assim como sobre a poética e o valor simbólico, decorativo e funcional das gárgulas ainda presentes nos edifícios, sejam de feitura antiga, como as que se publicam com menção específica a datação possível, como as que são claramente ‘modernas’ e que, como se verificou no local, ostentam datações esculpidas a memorizar restauros oitocentistas", referiu o orador.
A autora prossegue agora um trabalho para o seu doutoramento, de comparação deste caso com outros monumentos similares, numa área "praticamente inédita" de estudo sobre os sistemas hidráulicos medievais.

Que futuro?
No final, António Lucas, presidente da autarquia, louvou os trabalhos apresentados nesta tarde, como "contributos para a construção da memória", que ajudam ao desenvolvimento cultural e histórico do concelho. Na mesma linha, deu algumas informações sobre os projectos culturais mais relevantes em curso, como a definição de um novo percurso pedonal pelas pedreiras de onde saíram os materiais para a construção do Mosteiro, ou a inauguração para breve do novo Museu da Comunidade Concelhia Batalhense.
Ainda no campo do património, o presidente lamentou ter perdido a batalha pela não introdução de portagens na futura variante ao IC2, que poderia ser "a resposta para, finalmente, se desviarem cerca de 40 mil viaturas que passam diariamente junto ao Mosteiro, das quais 8 mil veículos pesados, e que assim dificilmente optarão pelo novo percurso, pagando esse troço de cerca de 10 km".
Quanto ao futuro do Concelho, António Lucas manifestou a sua preocupação com o actual corte à possibilidade de recurso dos municípios ao crédito, "numa altura em que o QREN começa a disponibilizar verbas e que significaria o arranque de muitos projectos agendados, mas que ficam dependentes da possibilidade de o município se financiar para a respectiva comparticipação". O autarca lembrou que "a actual capacidade de endividamento da Batalha estava usada em apenas 4%, permanecendo 96% disponíveis, e agora ficámos com zero, tal como ficaram municípios que já tinham usado os 100% dessa capacidade".
Como agravante, apontou o presidente, "os municípios podem voltar a contrair empréstimos conforme os montantes que forem amortizando, o que significa que quem já deve muito é que poderá voltar a pedir mais ainda". Em conclusão, "quem gere mal é beneficiado e quem gere bem fica sem nada". "Isto não é forma de gerir um país, assim não vamos lá", lamentou António Lucas, terminando com um aviso: "Se isto não se inverter, este país nunca mais tem sentido".
O último acto desta sessão foi a recepção dos ranchos convidados para a XXV Gala Internacional de Folclore, que nessa noite iria preencher o serão das festas. Houve troca de lembranças e um aplauso a estes representantes das culturas tradicionais dos respectivos países e regiões etnográficas, que com enorme "carolice" vão tentanto manter e divulgar esse património colectivo.

Luís Miguel Ferrraz

XXV Gala Internacional de Folclore
Decorreu no passado dia 14 de Agosto, tendo como pano de fundo o majestoso Mosteiro da Batalha, a XXV Gala Internacional de Folclore da Batalha, organizada pelo rancho "Rosas do Lena", com o apoio de diversas entidades e empresas. Começou com um espectáculo etnográfico, "Um Serão na Alta Estremadura", com alguns componentes do rancho folclórico anfitrião. Seguiu-se a actuação deste grupo e dos convidados, em representação do Algarve, Minho, Espanha, Equador e Bulgária. Foi um excelente serão, que serviu para promover tanto o folclore nacional como o internacional.
MCR


Conferência sobre a Batalha de Aljubarrota
"Introdução Histórica à Crise de 1383/1385"

Realizou-se no passado dia 6 de Agosto, em São Jorge, uma conferência sobre "A Batalha de Aljubarrota - Introdução Histórica à Crise de 1383/1385", com organização conjunta da Câmara Municipal de Porto de Mós e do Centro de Interpretação da Batalha de Aljubarrota.
O orador convidado foi o coronel de Infantaria Américo Henriques, que demonstrou ter um conhecimento pormenorizado de tudo o que se passou durante esta crise e, mais concretamente, naquela tarde de calor tórrido do dia 14 de Agosto de 1385. Conseguiu com que toda a plateia ficasse electrizada com o tom do seu discurso, militarista e patriótico.
Não se restringindo à sala em que cerca de meia centena de pessoas o escutavam, saiu para o terreno do campo militar de S. Jorge, onde continuou a palestra. Ali enalteceu todas as virtudes de D. João I, de D. Nuno Álvares Pereira, dos soldados portugueses e ingleses que nos ajudaram nesta vitoriosa batalha, contra os castelhanos que no seu exército possuíam cerca de mil portugueses traidores e dois mil franceses. Enalteceu também o papel das gentes de S. Jorge, Porto de Mós, Calvaria, Aljubarrota, Alcobaça, etc., no apoio ao nosso exército. Realçou ainda a disparidade dos guerreiros de ambos os lados: a cada português correspondiam cinco castelhanos. Foram a astúcia, o saber, a valentia e o grande estratagema guerreiro do Condestável os pilares importantes em que assentou a nossa vitória.
"Foi aqui, nesta terra, neste chão sagrado, perto desta capela, que foi constituída a armadilha onde tombaram mais de três mil castelhanos. E também muitos Portugueses. Na altura, era uma pequena colina, que foi disfarçada para aqui ser construída esta capela, também ela, símbolo desta grande vitória". Estas foram algumas das palavras que pudemos ouvir no local, apreciadas por todos os presentes e, infelizmente, esquecidas de muitos.
Manuel Carreira Rito

Festa em honra de Nossa Senhora da Esperança em S. Bento



A localidade de S. Bento, na freguesia da Golpilheira, esteve em festa nos dias 21 a 23 de Agosto, em honra de Nossa Senhora da Esperança. O domingo foi o dia principal, com missa solene no adro e procissão pelas ruas da Cividade.

Como habitual, funcionou bem o restaurante, quermesse, bares e outras tendinhas temáticas.

Para recordar, ficam as imagens da nossa reportagem, desde a preparação ao arraial e às celebrações religiosas.

Festa do Senhor Bom Jesus dos Aflitos na Golpilheira



A Golpilheira esteve em festa, nos dias 31 de Julho a 2 de Agosto, em honra do Senhor Bom Jesus dos Aflitos, evocação da igreja mais velha da freguesia. O momento alto foi a missa e a procissão de domingo, onde grande massa de povo acorreu, em sinal de devoção. Durante os três dias, o arraial registou uma grande afluência de pessoas, tanto nos serões musicais, como no restaurante, bares, quermesse e vários tipos de divertimentos populares.

Nestas páginas, partilhamos com os leitores algumas das melhores imagens colhidas durante o evento.

Fotos: MCR e LMF

Prova de Resistência de Motorizadas em S. Bento



Quando nos dá para a maluqueira, a coisa parece bater mesmo a sério. Desta vez, a ideia foi pôr umas motorizadas de 50cc a andar durante duas horas à volta de S. Bento e do pinhal do Furadouro. O resultado já se previa: no dia 8 de Agosto, lá estavam cerca de duas dezenas de relíquias, a maioria delas encostadas há anos num barracão a ganhar pó. Claro que vieram com pó e tudo, porque aquilo já nem dá para tirar.

Para começar, as duas horas passaram a uma hora e meia, ainda antes da partida, pois estava-se mesmo a ver que as máquinas não aguentavam tanta pedalada. Logo no arranque ficaram algumas com os pistões colados e só metade acabaria por chegar ao fim. Mesmo as que se foram aguentando, só rolavam com alguma facilidade na descida, porque quando era a subir pelo pinhal, foram mais os que empurraram a mota à mão do que os que montavam na dita.

De salientar a batota feita pelo Cunha, que veio quase sempre a reboque, mas tinha desculpa, porque uma grade de cervejas no suporte da sua "Mayal" ainda é coisa para pesar. De registar ainda algumas visitas ao silvado e entradas bruscas no ribeiro, mas tudo sem consequências de maior. Chegou a haver preocupação com alguns atletas que demoravam meia hora a dar a volta (aquilo nem um quilómetro era), mas logo se desvendou o mistério: havia um posto de abastecimento de minis escondido a meio do percurso...

Diz que houve prémios para os cinco melhores, mas nem foi preciso pagar, pois foi tudo rapidamente convertido em cerveja. "É para ajudar o Santo", diziam alguns. Chama-lhe santo, chama...

O que houve mesmo foi umas barrigadas de rir e por essas ninguém pagou nada. Portanto, para o ano queremos mais...

Texto e Fotos: LMF

Ecovia vai ligar Batalha e Golpilheira pela margem do rio Lena


A Câmara Municipal da Batalha prevê para Dezembro deste ano o arranque da construção de uma "ecovia" entre a vila da Batalha e o limite da freguesia da Golpilheira. O projecto prevê um investimento de cerca de um milhão de euros e pretende criar uma pista pedonal e para bicicletas na margem esquerda do rio Lena, bem como arranjos urbanísticos que permitam desfrutar comodamente a paisagem e descansar ao longo do percurso.
A ecovia vai nascer junto à Zona Desportiva da Batalha, onde existem diversos equipamentos desportivos, como campos de ténis, campo de futebol e piscinas, equipamentos culturais e também zonas comerciais e de serviços, potenciando assim a sua funcionalidade. Virá até junto à Ponte do Almagro, já na nossa freguesia, completando uma extensão de 2,2 quilómetros.

A sua conclusão está prevista para Novembro de 2011, altura em que nos atrevíamos a sugerir a continuidade do projecto até à ponte de Casal de Mil Homens, garantindo assim à população da Golpilheira um pleno gozo das paisagens naturais do rio que atravessa a nossa freguesia ao longo de cerca de 2 quilómetros.

Pavilhão da Golpilheira - Início previsto para Dezembro

A Câmara Municipal da Batalha colocou já na rubrica "obras em curso" do seu sítio www.cm-batalha.pt o processo n.º 80/2010. Trata-se, concretamente, da construção do futuro Pavilhão Gimnodesportivo da Golpilheira.
No mesmo local encontra-se a informação da adjudicação dos projectos de arquitectura e de especialidades à empresa Arquihom, Lda, com um custo de 22.500 euros + IVA, cujo prazo de execução deverá terminar este mês de Agosto. Os interessados poderão consultar ali uma imagem de três alçados do projecto.

Com data prevista de início para Dezembro desde ano, e num custo estimado de cerca de 1,2 milhões de euros, esta infra-estrutura virá colmatar uma carência grave da nossa freguesia. Espera-se, assim, que o projecto comece a ganhar corpo, depois de um processo burocrático de vários anos junto de várias instâncias da administração regional.

Teatro infantil na Golpilheira

No dia 5 de Setembro


"Sementinha Story" é o espectáculo teatral que, no próximo dia 5 de Setembro, às 15hh0, sobre ao palco do Centro Recreativo da Golpilheira, produzido pela companhia leiriense "O Nariz" Teatro de Grupo.

Dirigida sobretudo às crianças, a peça resulta de um texto da autoria de Luís Mourão, que abre a porta para um mundo de aventura, onde a amizade e os sonhos prevalecem. Uma história marcada pela diferença em que uma semente persegue o seu sonho, expondo-se a diversas aventuras.

Numa linguagem simples e acessível, os espectadores são levados e envolvidos por esta viajem onde intervêm diversas personagens fantásticas, impedindo ou facilitando a concretização do sonho.

Mercado do Século XIX

Na praça Mouzinho de Albuquerque


A praça Mouzinho de Albuquerque, na vila da Batalha, vai voltar a ser palco de mais uma reconstituição do Mercado do Século XIX, no próximo dia 26 de Setembro. Organizado pela Câmara Municipal da Batalha, este evento conta com a colaboração dos ranchos folclóricos do concelho e alguns convidados, entre os quais o rancho "As Lavadeiras do Vale do Lena", da Golpilheira.

Na praça, haverá as habituais reconstituições históricas, venda de produtos regionais, animação da época, leitura da sina, tasca típica com vinho da região e sardinha assada. Em complemento, serão dinamizados alguns jogos tradicionais do século XIX, em que os visitantes poderão participar.

Formação Informática Iniciação no Centro Recreativo

O Centro Recreativo da Golpilheira assinou um protocolo de parceria com a Planicôa – Cooperativa de Planeamento e Desenvolvimento Rural, Local e Regional, com sede na Guarda, no âmbito da formação profissional. Esta instituição desenvolve acções de formação em vários distritos, chegando agora ao distrito de Leiria, no concelho da Batalha, e será no centro Recreativo da Golpilheira que iniciara a sua actividade.
No âmbito do protocolo estabelecido, a primeira acção de formação será na área de informática, com um curso de Informática-Iniciação, com a duração de 25 horas. Estão abertas as inscrições e os interessados poderão dirigir-se ao Centro Recreativo onde farão a sua pré-inscrição, ou através dos números 962586007 e 919408852.

Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota procura jovem para OTL de Longa Duração

O CIBA – Centro de Interpretação Batalha de Aljubarrota procura um/a jovem entre os 19 e os 25 anos, para participar no programa de Ocupação de Tempos Livre de Longa Duração patrocinado pelo Instituto Português da Juventude, que decorrerá naquele espaço (São Jorge - Porto de Mós), de 6 de Outubro a 6 de Novembro de 2010.
O horário da actividade é das 14h00 às 17h00, de terça-feira a sábado.

Info: rita.canavarro@fundacao-aljubarrota.pt.

Orquestra Barroca e Coro da Casa da Música na Batalha

A Orquestra Barroca e o Coro da Casa da Música do Porto actuam nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, a 19 de Setembro, às 16h00, naquele que será certamente um concerto único e memorável.

Contando com a direcção musical de Andrew Parrott, o concerto insere-se no âmbito do programa Rede de Mosteiros Portugueses Património da Humanidade, promovida pelo IGESPAR, I.P. e pelos Municípios da Batalha, Alcobaça e Tomar. Caso as condições atmosféricas sejam adversas, o concerto realizar-se-á na Igreja do Mosteiro à mesma hora.

Rancho da Golpilheira actuou nas Torrinhas

O rancho folclórico "As Lavadeiras do Vale do Lena", do Centro Recreativo da Golpilheira, esteve presente no dia 8 de Agosto nos festejos em honra de Santa Maria Madalena e de Santo António, no lugar das Torrinhas. Esta presença foi o cumprimento de uma promessa do acordeonista deste rancho, Mário Pires, natural do Rio Seco. O grupo efectuou uma bela actuação, fazendo desfilar os trajos, danças e cantares tradicionais da nossa região, com destaque para uma peça em que puderam participar várias pessoas presentes no arraial. No final, não faltou a "chanfana", acompanhada com um excelente vinho, em casa do Sr. Álvaro.

MCR

Linha Batalha-Lavos já funciona

Investimento de 30 milhões de euros em muito alta tensão


Apesar de todas as polémicas, das manifestações do residentes no Celeiro e dos pareceres negativos da autarquia da Batalha, a Linha de Muito Alta Tensão entre Batalha e Lavos foi concluída e entrou em funcionamento no passado dia 4 de Agosto. Podemos dizer, apesar também dos protestos de muitas outras populações por onde passa, como aconteceu nos concelhos de Leiria e Pombal.

Segundo a Rede Eléctrica Nacional (REN), esta nova linha vem assegurar "as condições necessárias ao escoamento da energia produzida nas centrais de ciclo combinado da EDP e futuramente da Iberdrola, na Figueira da Foz", dois novos centros produtores que "obrigaram a um considerável reforço da rede nesta zona do País".

Em comunicado à imprensa, a REN esclarece que esta obra obrigou também a ser "remodelada a subestação da Batalha, num projecto que representou um investimento superior a 30 milhões de euros".

Lembramos que, apesar da sua construção em pouco mais de um ano, o processo de estudo da linha Batalha-Lavos iniciou-se em 2006, sendo o resultado de "três anos de contributos de variadíssimas entidades públicas, privadas, cidadãos e organizações não governamentais e teve em conta todas as condicionantes, incluindo os planos de ordenamento", refere a REN, adiantando que a nova linha "responde ainda às principais preocupações que foram sendo colocadas nas diferentes fases do processo e mereceu parecer positivo por parte da Direcção Geral de Saúde". Quem não está muito convencido disso é quem vive perto das linhas e da subestação.

Quanto aos efeitos reais na saúde pública, sejam prejudiciais ou inócuos, só o tempo se encarregará de os revelar.