quinta-feira, 29 de julho de 2010

Crónica de uma viagem: Ao encontro de golpilheirenses na Argentina

Caros leitores e conterrâneos, quero partilhar convosco uma viagem que fiz à Argentina, de 6 a 16 de Fevereiro, e que estava programada há cerca de 30 anos, para visitar um amigo e colega de escola primária, o Bertolino, filho do nosso vizinho António "Palheiro", do Casal de Mil Homens. Foi para aquele país com a idade de 13 anos, na companhia da sua tia paterna, dona Lourdes, que ali se encontrava há cerca de 16 anos, bem como o seu sogro, da Codiceira, que emigrou nos anos 30 do século passado. Na altura dedicava-se à produção de hortícolas e ainda hoje mantém a actividade agrícola, e levou o Bertolino para que tivesse uma vida diferente da que podia ter num Portugal atrasado e obsoleto.


O Bertolino andou por lá cerca de 25 anos e eu sempre dizia que um dia iria visitá-lo, mas ele regressou definitivamente há cerca de 20 anos. Porém, no exercício das minhas actuais funções, quis conhecer a sua tia Lourdes, que lá se encontra há 60 anos. Sabia que ela e sua família se davam muito bem como o meu pai José Henriques da Cruz e restante família, pelo que não tive dúvidas de que seria bem recebido, como aconteceu.

À minha chegada a Buenos Aires, esperavam por mim com um cartaz de identificação os seus dois filhos, a Noemy e o Horácio, que eu não conhecia. Dirigimos para Chivilcoy, a 160 km do aeroporto, para a sua propriedade agrícola, onde neste momento produzem soja, milho, trigo e carne bovina, numa área de 1220ha, cuja responsabilidade é do Horácio, com o apoio do Marcelo, filho da Noemy.

Conheci a dona Lourdes, que só tinha visto na Golpilheira quando eu tinha uns 13 anos. Foi emocionante, ela é uma pessoa conversadora, muito lúcida, apesar dos seus 83 anos, e contou-me as suas peripécias de Portugal e da ida para a Argentina, a D. Lourdes, uma semana depois de casar. A dona Lourdes nasceu no Choupico, em Dezembro de 1926, filha de António da Silva Pereira (conhecido por "Palheiro"), irmão do António, Armando e Maria Julieta, que faleceu em Setembro de 2008, no Brasil, e que era casada com Manuel Jesus Monteiro (Manuel "da Carpinteira"), irmão do Luís e do António, ainda meus parentes por parte da minha avó paterna, que era irmã do Afonso Cabeço, que ainda conheci. A dona Lourdes é viúva de Joaquim Henriques, da Codiceira, cujo sogro também esteve na Argentina nos anos 30, onde ganhou para comprar propriedades na sua terra natal, de modo a dar uma vida mais digna aos seus filhos, pois na Europa havia crise por causa da II Grande Guerra.

Pernoitei esta primeira noite na sua casa de campo, como é evidente muito emocionado por estar numa propriedade agrícola duma nossa conterrânea, a tantos quilómetros de Portugal. No dia seguinte, visitei a exploração e à noite fomos jantar a casa do seu filho Horácio, rapaz da minha geração, com a presença de outros membros da família. Como é da praxe, o banquete foi churrasco de carne argentina. A noite foi extremamente emocionante, com a dona Lourdes na força da sua idade a reviver o passado de Portugal, com a declamação de versos, a contar como ia confessar-se de burro à Rebolaria (terra da minha mãe) no ano de 1950, imediatamente antes do seu casamento. O seu noivo veio da Codiceira ao Choupico, depois dirigiu-se o Mosteiro da Batalha para a cerimónia, após o que se dirigiram à Codiceira para a respectiva boda.

Como disse, embarcaram para aqui passada uma semana, trazendo uma oferta especial do pai da noiva: uma tesoura da poda e uma faca, que se despediu da filha dizendo: "Aqui vai o homem da minha casa". E partiu para criar uma excelente propriedade agrícola nas Terras de Prata, rentável e de que fala com muito orgulho.

Aqui reproduzo um excerto dos versos que nos declamou nesta noite de churrasco: "Batalha, linda Batalha / é por seres tão pequena / que tens dentro de ti uma obra / feita de pedra morena. / Com o teu primor, ao mundo inteiro / tu mostras o teu valor / nós sabemos que muito sofremos / mas sempre vencemos, somos vencedores."

Recitou ainda outra, acerca do Mosteiro da Visitação, na Faniqueira: "As freiras de Santa Clara / quando vão cantar ao coro / já cá levo o meu namoro / bacalhau assado, cozido e muito bem temperado / com dentinho de alhos / e remédios para tirar os calos" (não se lembrava de mais...)

Contou-me também que uma sua tia materna, Maria do Rosário Leal, estava na Cova da Iria quando se deu o milagre de 13 de Outubro de 1917, em que apareceu uma luz e a Lúcia disse: "Fechem os guarda-chuvas que vem aí a Virgem Maria".

No dia seguinte, fui ao Uruguai, à cidade de Colónia/Sacramento, visitar esta linda cidade fundada pelos portugueses, onde se vêem bem preservadas, com a colaboração da Gulbenkian, as casas típicas portuguesas, as muralhas, as calçadas à portuguesa (em contrate com as espanholas, as nossas são bem mais perfeitas), assim como o Museu Português, inaugurado em 1985 pelo primeiro-ministro português António Guterres, estando lá também em 2008 o nosso presidente, Cavaco Silva, numa viagem de Estado àquele país.

Depois fui para o norte da Argentina, visitar a província de Chaço e as cidades de Resistência, Corrientes e Presidente Roque Saênz, para uma das regiões mais pobres, onde convivi com os aborígenes, fui a escolas, bibliotecas (ofereceram-me alguns livros sobre a realidade local, cultura do algodão, floresta, etc). Terminei com a visita às Cataratas do Iguaçu, no lado Argentino, que fazem fronteira com Paraguai e Brasil.

José Jordão Cruz

Saúde | Brincadeiras de criança

Com a chegada das férias escolares, acentua-se um problema frequente ao longo do ano – o que fazer com as crianças após a escola? Que tipo de brincadeiras são saudáveis? Como ocupar o tempo destes homens e mulheres em potência, cheios de energia?

As actividades ideais não existem, mas o ideal é aproveitar o bom tempo para actividades ao ar livre. Existem campos de férias, instituições e centros de ocupação dos tempos livres que proporcionam estas actividades. Além de estimularem as relações sociais das crianças, proporcionam um aumento da sua capacidade de socialização, existindo também actividades físicas que contribuem para a saúde da criança. É muito bom e saudável inscrever as crianças em aulas de música, inglês, ballet, ginástica e artes marciais, desde que a criança tenha tempo para, além de estar com a família, estar sem nada para fazer e brincar na rua com os vizinhos e amigos.

As crianças precisam de ter tempo para fazer nada, mas este nada não é em frente à televisão. Crianças que passam muito tempo sozinhos em frente à televisão têm tendência para cair no sedentarismo e possível obesidade. Os videojogos são uma grande invenção do século passado, mas estes tornaram-se cada vez mais violentos e menos educativos. É necessário filtrar o acesso das crianças a estes videojogos e restringir o tempo que estas passam a jogá-los. Ao seleccionar os videojogos para as crianças, devem ser escolhidos aqueles que desenvolvam aptidões essenciais, tais como a competitividade, o espírito de equipa, a solidariedade, a resiliência, etc.

Mandar as crianças brincar na rua não é suficiente. É também necessário vigiar possíveis acidentes e guiá-las para brincadeiras mais saudáveis. Os jogos tradicionais estão de volta e devem ser ensinados às crianças, para que elas descubram a contentamento de brincar como os seus pais e avós brincaram. Desportos e jogos de equipa são muito aconselhados, pois socializam a criança, edificando competências como o espírito de equipa, a competitividade e até capacidades como a gestão de conflitos e a liderança. Sem esquecer a inevitável capacidade física, pois o estímulo físico é essencial nas crianças para estas se tornarem adultos saudáveis.

As brincadeiras dentro de casa também são muito benéficas para as crianças. Jogos de cartas e tabuleiro (tão esquecidos actualmente) fazem com que o intelecto da criança se desenvolva e adquira conhecimentos sem dar conta. Os brinquedos são elementos fundamentais para desenvolver a imaginação e a capacidade de se adaptar a novas situações, para além da exploração do brinquedo.

Para que as crianças se tornem adultos capazes socialmente, inteligentes e fisicamente saudáveis, têm de desenvolver brincadeiras variadas, que criem o sentimento de satisfação nas crianças e que lhes deixem tempo para libertarem a imaginação e fazerem o que quiserem.

Instituto Nacional de Administração promove Cursos de Gestão Pública em Leiria

Já abriram as inscrições para os cursos avançados em Gestão Pública (CAGEP), a decorrer de 20 de Setembro a 12 de Novembro de 2010, em Leiria. Promovida pelo Instituto Nacional de Administração (INA), esta formação é totalmente financiada e tem como objectivo modernizar a administração pública. Para isso, a aposta passa pela descentralização, fazendo chegar os cursos a todo o País.
O CAGEP é, desde 2005, formação obrigatória para os dirigentes de topo da administração pública portuguesa. Participar neste curso permite conhecer as tendências actuais da gestão pública, bem como reconhecer os traços dos novos modelos de organização. Os participantes ficam, assim, dotados de instrumentos para a condução eficaz de processos de mudança na contratação e gestão de pessoas, bens e serviços.

Com a duração de 50 horas presenciais, acrescidas de 25 horas de "e-learning", a formação abrange, entre outras temáticas, a Gestão Pública Contemporânea e Desafios do Contexto Português, Modelos de Organização Micro e Macro da Administração e Gestão de Recursos Humanos na Administração Pública.

O CAGEP destina-se a dirigentes que prestem serviço na administração pública e é financiado ao abrigo do QREN – POPH (Programa Operacional de Potencial Humano). Desde 2004, o INA já formou cerca de 10.000 dirigentes superiores e intermédios da administração pública portuguesa.

158 - Sugestões de leitura

A Idade do Ouro da Imprensa do Norte do Distrito de Leiria

Miguel Portela e Margarida Herdade Lucas

Município de Pedrógão Grande

Aqui se apresenta a história da imprensa dos concelhos do Norte do distrito de Leiria, durante um período de grande produção de jornais locais, entre as últimas décadas do século XIX e a primeira metade do século XX. Revela também a própria história da região e seus protagonistas, pois a imprensa era o meio de comunicação mais forte, escolhida por ideólogos, políticos e artistas para transmitirem as suas crenças, prosas aguerridas ou sentimentos líricos. No Norte do Distrito, este fenómeno é notório pela qualidade e número de edições de jornais, produzidos em tipografias locais. São, por isso um dos melhores espelhos da história recente do interior do País.



Homens, Espadas e Tomates

Rainer Daehnhardt

Zéfiro Edições

Com o subtítulo “Feitos Heróicos dos Portugueses nos Descobrimentos – As suas Armas e as dos seus Adversários”, não precisaria de mais apresentações. O autor, luso-alemão, revela uma História de Portugal repleta de actos de bravura que desafiam a lógica. “O estudo comparativo do armamento utilizado esclarece as razões pelas quais foram assumidos certos riscos. Porém, a superioridade das armas lusas não explica tudo. A razão principal reside na coragem, qualidade, fé e convicção dos homens que defendiam as suas vidas e a sua lusa identidade”. O autor conclui: “Não houve outra nação a par da portuguesa que, com tão poucos homens, tivesse escrito páginas tão significativas na História da Humanidade”.



O relato secreto da implantação da república feito pelos maçons e carbonários

Costa Pimenta (org.)

Guerra & Paz Editores

Costa Pimenta organiza e assina o prefácio do livro que revela os relatórios oficiais sobre a implantação da República elaborados, em 1910, pelos próprios agentes desse movimento revolucionário – maçons e carbonários. Através dos textos confidenciais agora desvendados, o leitor recordará o nome de Magalhães Lima, a quem se deve fundamentalmente a implantação da República, conhecerá o Código Fundamental da República Portuguesa, aprovado pela Assembleia Nacional Constituinte em 1911, e ficará mais familiarizado com a Maçonaria e Carbonária – os seus fins, métodos e juramentos secretos.



Historia Misteriosa de España y Portugal

Pedro Silva e Jordi Buch Oliver

Editorial Europa Viva

Escrito em língua espanhola, esta obra a duas mãos pretende analisar os dois países, Portugal e Espanha, sob a perspectiva do chamado “outro lado da História”, numa visão, simultaneamente, mística e misteriosa. Segundo os autores, que se confessam “apegados às crenças mais ancestrais que se regem pelos movimentos cósmicos”, esta pretende também ser “uma contribuição para a aproximação literária e cultural de ambas as nações ibéricas”. Dividido em duas partes distintas, conforme cada país, abordam-se neste livro temas como os mitos, as figuras mais proeminentes, as ordens militares e religiosas, os jogos, a arte, os símbolos e outras temáticas do passado histórico.



As Artes da Educação - Contextos de aprendizagem promotores de criatividade

Miguel Oliveira e Sandrina Milhano

Folheto Edições

Este livro procura celebrar a riqueza das artes na educação nas suas várias dimensões: estética, social, criativa e formativa. Há por isso neste livro uma polifonia de vozes, de ideias e de perspectivas que procuram reflectir a diversidade de modos através dos quais as crianças se podem envolver e participar nas vivências e nas aprendizagens que a artes proporcionam. Consequentemente, o livro procura incluir diferentes ângulos, abordagens e tradições de investigação. Através de abordagens essencialmente temáticas, este livro proporciona recursos que viam contribuir para a aprendizagem, desenvolvimento e contacto sistematizado com as artes e as suas linguagens.



Fora-da-lei

Angus Donald

Objectiva / Suma de Letras

No submundo sangrento da Inglaterra feudal do século XII, Robin dos Bosques é o líder incontestado dos criminosos. Vive na floresta de Sherwood, à margem da civilização e da lei, e é o homem mais temido da região. Rouba dos ricos para dar aos mais desfavorecidos, e não olha a meios para atingir os fins. Quando o jovem Alan Dale é apanhado a roubar, vê-se forçado a deixar a família para se juntar ao bando de Robin, que se torna seu mentor. Mais de 750 anos depois das primeiras histórias sobre o vilão com coração de outro, Robin dos Bosques continua a exercer tanto fascínio como sempre. Fora-da-lei mergulha nessa lenda e oferece-nos uma aventura trepidante, cheia de ritmo, acção e mistério.



A Filha do Sol

Barbara Wood

Edição Contraponto

Hoshi’tiwa, uma rapariga de dezassete anos, levava uma vida tranquila: filha de um humilde cultivador de milho, tencionava casar com um aprendiz de contador de histórias. Porém, o seu mundo é virado do avesso ao ser capturada pelo poderoso e violento governante de uma cidade infame, conhecido pela sua enorme riqueza e pelos inenarráveis actos de violência cometidos em seu nome. Hoshi’tiwa é assim repentinamente lançada para a corte do Senhor da Escuridão e, ao mesmo tempo que tenta sobreviver, inicia um romance ilícito com o único homem capaz de a destruir. Esta é uma saga envolvente sobre a luta de uma mulher pela sua sobrevivência no seio do exótico e perigoso mundo da corte tolteca.



A Paixão do Príncipe Hiram

José Martins Saraiva

Edição Textiverso

Este livro cruza a história com a ficção, onde a beleza da fantasia nos revela um amor forte, inesquecível, perpassado de candura poética, com os protagonistas Hiram e Apiana vivendo intensos e dramáticos momentos de paixão nas costas oceânicas de S. Pedro de Moel. É uma obra que irá certamente enriquecer as nossas bibliotecas com algo de novo que procura abrir as portas, nebulosas, dum passado quase esquecido. Segundo o prefaciador, o autor «transporta-nos à ansiedade dos dois personagens com tal intensidade que o nosso ritmo cardíaco acaba por se fundir com os deles». E conclui: «É uma história de Amor com História»!



O Diário de Um Mago

Paulo Coelho

Editora Pergaminho

“Antes eu via as coisas de forma complexa mas depois de fazer a peregrinação percebi que as coisas são muito mais simples.” Esta frase pode resumir o verdadeiro sumo da obra em que Paulo Coelho conta a história da sua viagem pelo lendário caminho de Santiago de Compostela em busca de uma sabedoria ancestral. Foi uma viagem que transformou a sua vida para sempre e que inaugurou uma excepcional carreira como escritor. Revela-nos, no fundo, o caminho para a sabedoria que habita no interior de todos nós. Esta é uma edição de grande beleza produzida pela Pergaminho, comemorativa dos 20 anos desde a sua primeira edição.



A arte de saber escutar

Francesc Torralba

Guerra & Paz Editores

Autor de mais de 40 livros, muitos deles bestsellers, apresenta agora este ensaio simples e prático sobre como escutar os outros e conhecer-se melhor a si mesmo. O ritmo de vida frenético a que estamos habituados dificulta-nos a prática da escuta. Há demasiado ruído, tanto no interior da pessoa como fora, e isso provoca incompreensões e mal-entendidos. Neste manual de psicologia comportamental, o autor aconselha o leitor a fazer da escuta um processo activo, a colocar-se à margem e a ser receptivo em relação aos outros. Porque saber escutar não é uma coisa que se aprenda de repente – é um processo de crescimento.



Templários

Pedro Silva

Editora Catedral das Letras

Os Cavaleiros Templários são uma instituição medieval simultaneamente militar e religiosa criada em Jerusalém num período onde a Terra Santa era local de peregrinações de religiosos e onde estes sofriam ataques constantes. Numa brilhante explanação, Pedro Silva conta-nos a sua história desde os primórdios, a hierarquia, a sua formação, as leis ‘internas’, os hábitos e modo de vida, e ainda a sua sobrevivência nos dias de hoje. Uma leitura fabulosa que nos transporta a idade média e nos faz ‘reviver’ o que foi a vida destes bravos homens. Isto, naturalmente, sem esquecer uma visita a Tomar, a cidade templária por excelência. No fim, deleite-se com imagens de monumentos templários.



Liberdade Emocional

Judith Orloff

Editora Pergaminho

Este é um guia prático e acessível para todos os que se sentem stressados, desencorajados ou simplesmente exaustos, seja a nível físico, mental ou espiritual. Cada dia que vivemos apresenta-nos a oportunidade de sermos os heróis das nossas próprias vidas; basta afastarmo-nos da negatividade, reagir de forma construtiva e controlar as emoções para podermos atingir a verdadeira liberdade emocional. É que o ensina esta especialista, combinando as mais recentes descobertas do campo da Neurologia com os princípios da medicina alternativa e da terapia energética, sobre a forma como a mente, o corpo, o espírito e o ambiente se relacionam.



Educação Siberiana

Nicolai Lilin

Editora Objectiva / Alfaguara

Apaixonante e assombroso, este romance é uma grande epopeia pessoal relatada com uma voz extremamente vívida e cativante. Nicolai Lilin tem apenas 30 anos, mas tem já para contar uma história de vida extraordinária. Herdeiro de uma linhagem ancestral de guerreiros, Nicolai dá a conhecer neste romance a sua juventude singular no seio de uma comunidade de criminosos siberianos que dão pelo nome de Urca. Deportados por Estaline para a Transnistria, os Urca regem-se por regras muito próprias, onde a arte da tatuagem é uma tradição sagrada, uma linguagem em código que grava na pele a história de vida que não se pode contar de outra forma.



Homens – caçá-los, domá-los, amá-los

Belle de Jour

Editora Objectiva

Esta é uma colecção de segredos e dicas de uma sedutora infalível, que parte da sua experiência passada como prostituta de luxo para revelar o que poucas teriam coragem de contar. Desde sempre, as mulheres tentam compreender os mistérios da espécie masculina. Seja qual for a sua situação – solteira ou comprometida, calculista ou romântica, conformada ou optimista – este é um guia para compreender o homem moderno. Da sedução à conquista, do desgosto à felicidade, passando pelas melhores técnicas de caça, Belle de Jour usa o saber de experiência feito para oferecer conselhos valiosos sobre o amor, o sexo e o desejo.



O primeiro dia

Marc Levy

Edição Contraponto

Um objecto misterioso encontrado num vulcão adormecido vai mudar para sempre a vida de Adrian e Keira. Ela é uma arqueóloga ambiciosa e cheia de paixão que um dia recebe uma jóia estranha de um órfão etíope. Ele é um astrofísico de sucesso que um dia se cruza com ela na competição por uma bolsa prestigiosa em Londres e, acidentalmente, toma contacto com essa jóia. Juntos embarcarão numa aventura extraordinária que os levará das margens do lago Turkana, no coração de África, até às montanhas da China, em busca da resposta a uma das perguntas ancestrais da humanidade: como começou a vida na Terra?



O Viajante do Século

Andrés Neuman

Editora Objectiva / Alfaguara

Este é um romance futurista que decorre no passado, numa ponte com o presente feita através de personagens fascinantes e de um argumento intenso, pleno de intriga, humor, mistério e paixão. Hans é o cidadão errante que carrega o mundo inteiro dentro da mala de viagem e que vive um amor memorável num mundo imaginário, que condensa, em pequena escala, os conflitos da Europa moderna. O autor propõe uma experiência única: ler o século XIX com o olhar do século XXI. E oferece um mosaico cultural da Europa pós-napoleónica, que, como a de hoje, se debate com uma crise de identidade e em que encontramos muitos dos conflitos que animam os debates do nosso século.



Álbum de Família

David Sedaris

Edição Contraponto

Este é um livro que promete deixar muita gente bem-disposta. O autor anda pela vida com um caderno de notas, onde aponta as bizarrias que vê, que para muitos de nós poderão parecer normais. Aqui, reúne ensaios e memórias sobre alguns dos seus temas favoritos: a família, os relacionamentos e os desconhecidos meio loucos que encontramos no autocarro, na fila do supermercado ou até no apartamento do lado. A sua escrita está repleta de humor, mas é também marcada pela crítica aguçada e dura aos comportamentos dos que o rodeiam, mesmo familiares e amigos, o que lhe dá um toque de ironia sarcástica que pode levar-nos a olhar o espelho com algum receio...

158 Sugestões Musicais

Paginas De Um Dia

DR1VE - Chiado Records
Já está à venda nas lojas e no iTunes, o 3.º álbum de originais dos Dr1ve. “Páginas de um dia” é um disco de registo pop/rock mainstream, que assume como influências projectos que marcam o panorama musical nacional e internacional como Coldplay, Keane ou John Mayer. Os Dr1ve assumem ainda o desafio de nos apresentarem algumas baladas, carregadas de palavras paradigmáticas e impregnadas de sentido. Porque é aos sentidos que se apela em poemas onde cada verso se assume como mais uma ‘página’. Contrariando o disco anterior, o reportório é todo em português (contendo apenas 1 faixa extra – “Why” – um tema produzido em especial para a banda sonora do novo filme de Telmo Martins, “Um funeral à Chuva”). O tema “Fica (para me ouvir)” é outra das certezas a constar da banda sonora da nova série de Verão “Morangos com Açúcar”. Entretanto, o single “Sem Cor” já ‘pinta’ nas rádios e promete colorir um Verão recheado de espectáculos.


Dinastia Parangoleira: 10 Anos
Parangolé - Universal Music Portugal
O novo fenómeno da Bahia está de volta, agora com a voz de Léo Santana, eleito o cantor revelação no Prémio Dodó e Osmar 2009. “Dinastia Parangoleira: 10 Anos” traz 14 canções fantásticas, incluindo “Rebolation” uma das músicas mais tocadas em Salvador e já espalhada pelas pistas de dança mundiais. De facto, já toda a gente conhece a coreografia deste tema, usado pela selecção brasileira para festejar os golos que marcou no Campeonato do Mundo de África do Sul. Na televisão portuguesa, a música dos Parangolé é repetida em vários programas e na Internet o vídeo oficial ultrapassou as 2 milhões de visualizações. O grupo tinha sido, aliás, eleito o rei do Carnaval da Baia de 2010, com distinções para melhor canção (Rebolation), melhor cantor (Léo Santana) e melhor grupo de pagode. Se gosta de ritmos quentes, bem mexidos e sensuais, esta é a banda sonora perfeita para o seu Verão de 2010.

Symphonicity
Sting com Orquestra - Universal Music Portugal
Neste novo álbum, Sting interpreta as suas canções mais célebres acompanhado pela Royal Philarmonic Concert Orchestra, dirigida por Steven Mercúrio. Desenhada a partir de uma carreira diversificada e ilustre que produziu vários álbuns multi-platinados, uma lista impressionante de canções que chegaram ao número um dos tops, inúmeros elogios e recordes de vendas em todo o mundo, esta colecção de “greatest hits” de Sting é reinterpretada com a marca de novas orquestrações. O interesse de Sting em colaborar com uma orquestra começou em 2008, com um convite para tocar com a lendária Orquestra Sinfónica de Chicago. Ansioso por explorar outras possibilidades de colaboração de carácter sinfónico, ficou bastante feliz quando a Orquestra de Filadélfia lhe pediu para se lhe juntar na comemoração do 153º aniversário da sua Academia de Música. As experiências com orquestra despertaram em Sting uma enorme vontade de explorar o imaginário musical que construiu. O álbum «Symphoniticies» é um compêndio de grandes momentos revistos por orquestrações dignas da superior dimensão de um artista como Sting.


100 Miles to Memphis
Sheryl Crow - Universal Music Portugal
O novo álbum de Sheryl Crow é o sétimo capítulo da carreira de uma das maiores estrelas mundiais. O CD conta com as colaborações de Keith Richards e Justin Timberlake. Com uma amplitude musical bastante demarcada, o novo trabalho apresenta temas como «Stop» (balada dramática) e logo depois «Eye to Eye», com uma toada reggae, em que a artista sentiu a inspiração na amizade que a prende a Keith Richards (Rolling Stones). «100 Miles From Memphis» marca bem a origem de Sheryl Crow, como que um manifesto, totalmente inspirado em discos da Stax. Das 12 músicas escutadas, a Rolling Stone norte-americana já adiantou que o disco está repleto de funk e soul. Na mesma publicação, Sheryl Crow indica que cresceu a ouvir discos de Stevie Wonder, Curtis Mayfield, Carla Thomas, entre outros. Não é à toa que o alinhamento dos novos concertos de Sheryl Crow tem contempladas versões a músicos como Marvin Gaye e Terence Trent D`Arby. «Sexy», foi o termo que a artista encontrou para descrever o seu novo registo.


Recovery
Eminem - Universal Music Portugal
Pouco tempo depois de ter regressado à Europa em concertos, após longa ausência, Eminem edita ‘Recovery’ e chega novamente ao topo das tabelas de vendas um pouco por toda o Mundo, sendo número 1 em diversos países. Também editado em Portugal este mês, “Recovery” parece destinado a cumprir a herança do seu antecessor, “Relapse”, o álbum de hip hop mais vendido em 2009, que deu a Eminem uma presença constante no top norte-americano de vendas e marcou o regresso actuações ao vivo, como nos American Music Awards e nos Grammy Awards. Eminem também arrebatou mais dois prémios Grammy na cerimónia de 2010, elevando assim a sua colecção de Grammys para onze. Desde o lançamento do seu clássico álbum “The Slim Shady LP”, em 1999, Eminem já vendeu mais de 75 milhões de álbuns em todo o mundo, mais de 30 milhões só nos Estados Unidos. Ele é o campeão de vendas dos últimos dez anos, o que lhe valeu recentemente o título de Artista da Década, atribuído pela Nielsen Soundscan.

Carta do padre João: Um sítio na internet para breve

Olá a todos. Terminámos as celebrações da Padroeira muitas coisas boas têm acontecido, mas o tempo é sempre curto. Estou a ultimar o sítio da paróquia na internet com uma equipa de trabalho grande e boa e em breve vocês podem saber tudo o que está acontecendo aqui na paróquia em www.consolatasp.com.br.
Continuo a receber as ajudas que muitas pessoas amigas e colaboradoras vão enviando. Agradeço a todos, em nome dos mais pobres das favelas de São Paulo. Neste mês de Julho a paróquia pára um pouco, porque é tempo de lazer de Inverno. Tudo volta às actividades no mês de Agosto. Desejo a todos um tempo de férias cheio de paz e fraternidade. Abraço do amigo de sempre,

P. João, missionário no Brasil

“Plantando as árvores do futuro” em livro

LeiriaShopping com as crianças de Leiria



O LeiriaShopping promoveu no passado dia 7 de Junho o lançamento do livro "Plantando as árvores do Futuro", desenvolvido no âmbito do seu compromisso com a comunidade local. Sob o tema fauna e flora da região de Leiria, este livro congrega os desenhos artísticos das crianças de Leiria, algumas histórias de autores da região e actividades interactivas que as crianças podem fazer com os pais, avós e amigos.

A publicação resulta de uma acção promovida pelo LeiriaShopping, que lançou o desafio a três escolas da região (EB1 de Parceiros, EB1 de Pernelhas e Jardim-escola João de Deus) para decorarem o túnel que faz a ligação de acesso do estacionamento subterrâneo à galeria comercial. Em parceria com o Centro de Interpretação Ambiental da Câmara Municipal de Leiria, que forneceu a listagem das espécies e acompanhou de perto o desenvolvimento do trabalho, o resultado revelou-se bastante interessante. Para José Alberto Parada, director do LeiriaShopping, "a adesão da comunidade local foi tão forte que decidimos lançar um livro como forma de imortalizar esta experiência única".

O lançamento do livro foi feito pelos alunos das referidas escolas, autores dos desenhos, e incluiu uma sessão de autógrafos e uma animação para os mais jovens. O evento contou com a presença de entidades locais, dos pais, professores e responsáveis do atelier de ilustração "Nós na Linha", que desenvolveu e apoiou este projecto.

Para imortalizar esta divertida experiência, todos os interessados podem agora adquirir o livro por apenas 4 euros, sendo a totalidade das receitas a favor das 3 escolas participantes no projecto, para apoiar a aquisição de material didáctico.

158 Humor - Foto do Mês

158 Humor - Tintol

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Edição 157 - Junho de 2010

EDITORIAL | Caminhos

Nesta edição, damos destaque a um tema que poderá parecer “estranho”. Na verdade, até por isso, merece o destaque. Numa sociedade cada vez mais centrada no ter, no poder e na fama, há quem encontre o caminho da felicidade no despojamento total de bens, na obediência absoluta a Deus e no segredo da clausura. E isso não pode deixar de nos interpelar e, quem sabe, mudar hábitos de vida.
Nos 400 anos da Visitação, lembramos que temos um mosteiro por “vizinho”, onde vivem 17 pessoas, uma delas natural da nossa freguesia. Será que a conhecemos? Julgo que para muitos leitores será uma novidade...
Cá fora, corre outra vida. Com o aproximar das férias, fecham-se os calendários lectivos, desportivos e culturais e enchem-se as agendas com os eventos de ar livre.
De um lado e de outro, por diferentes caminhos, temos o mesmo sentido: a procura da felicidade.
Esperamos que estas leituras sejam uma ajuda para a encontrar.

Grande reportagem nos 400 anos da Ordem da Visitação: Visita ao interior do convento...

...na companhia da Irmã Maria Pia, da Golpilheira

Nos 4 séculos da fundação da Ordem da Visitação, fizemos a visita autorizada ao interior do Convento da Batalha, onde encontrámos a Irmã Maria Pia Cruz, natural da Golpilheira. Relatamos ainda a celebração da Missa festiva, presidida pelo Bispo de Leiria-Fátima, publicamos o discurso histórico de António Monteiro e terminamos com uma entrevista à Superiora.

Reportagem (textos e fotos [ver slide à esquerda] ) de Luís Miguel Ferraz


Entrega a Deus, na humildade e simplicidade de vida

Fundada a 6 de Junho de 1610, em Annecy (França), por São Francisco de Sales e Santa Joana de Chantal, a Ordem da Visitação de Santa Maria celebra agora os seus 400 anos de existência.
Na mente do fundador estava uma congregação feminina que se dedicasse ao serviço dos pobres e dos doentes, sem a austeridade que marcava as muitas ordens religiosas da época, todas elas de clausura. Mas a presença das irmãs nas ruas causou alguma perplexidade às autoridades eclesiásticas, nomeadamente ao Cardeal Arcebispo de Lyon, cidade onde havia sido fundado o segundo mosteiro da Visitação, em 1616. Este Bispo pediu a Francisco de Sales que transformasse a Congregação em Ordem e a dedicasse à clausura, o que ele aceitou como sinal da vontade divina: "Eu não fiz o que queria, fiz o que não queria". E a co-fundadora completaria: "Deus deu às nossas Irmãs um espírito de inteira submissão à sua Divina Vontade; da sua bondade recebemos grande disposição e atractivo para viver em clausura, com inteira consolação para as nossas almas".
Ainda assim, os fundadores mantiveram a sua intenção original de não seguir regras tão austeras como as que adoptavam outras ordens religiosas, permitindo que nela ingressassem irmãs de todos os géneros e condições, mesmo que de fraca compleição física, idosas ou doentes. Único objectivo, segundo o fundador: "Dar a Deus almas tão interiores que sejam julgadas dignas de O adorar em espírito e verdade". As suas virtudes de referência seriam a humildade perante Deus e a simplicidade para com o próximo.

Expansão mundial e presença em Portugal
A Ordem rapidamente se expandiu. À data da morte de Francisco de Sales (1622) existiam já 11 mosteiros, e quando morreu Joana de Chantal (1641) o número de casas era já de 87.
Ao longo da sua história, muitas das suas Irmãs foram exemplos de santidade, como Santa Margarida Maria Alacoque (1647-1690), talvez a mais famosa das Visitandinas, pelas revelações recebidas sobre a consagração e o amor ao Sagrado Coração de Jesus. Mas o "apagamento" característico do modo de vida destas religiosas faz com que poucos conheçam esses exemplos e mesmo a própria Ordem. Ainda assim, quatro séculos depois da sua fundação, a Visitação está presente em quatro continentes do mundo, com cerca de 3000 irmãs em 168 mosteiros.
A Ordem chegou a Portugal em 1784, com a fundação do mosteiro de Lisboa. Em 1879 foi fundado o mosteiro do Porto. Com as perseguições de 1910, pelo regime da I República, as religiosas dispersaram-se por vários mosteiros europeus, acabando por se juntarem no primeiro mosteiro de Madrid, onde permaneceram até à Guerra Civil de Espanha.
Voltaram a formar uma comunidade no nosso país em 1924, num mosteiro em Guilhufe (Penafiel) e fixaram-se, finalmente, na Batalha, em 1936. A vinda para a diocese de Leiria ficou a dever-se à intercessão do Dr. Carlos Mendes e à generosidade do Bispo D. José Alves Correia da Silva, que lhes cedeu a Quinta do Casal (Faniqueira, Batalha), que havia sido deixada à Diocese por Júlia Charters Crespo, com a condição de as irmãs dedicarem as suas orações ao Seminário Diocesano.
Hoje existem três mosteiros da Visitação em Portugal, situados em Braga, Vila das Aves e Batalha.



Bispo diocesano, D. António Marto, presidiu à celebração festiva na Batalha
“Mosteiro é oásis espiritual no deserto do mundo”

De modo simples, mas "na Acção de Graças por excelência que é a Santa Missa", a efeméride comemorada no Convento da Faniqueira, no passado dia 11 de Junho, festa do Sagrado Coração de Jesus, numa celebração presidida pelo Bispo diocesano, D. António Marto. Participou ainda D. Augusto César, Bispo Emérito de Portalegre/Castelo Branco, bem como diversos sacerdotes da diocese de Leiria-Fátima, algumas autoridades autárquicas locais e cerca de duas centenas de pessoas, entre as quais muitos familiares e amigos das irmãs visitandinas.
Afirmando associar-se com muita alegria a esta festa, "na proximidade, afecto e gratidão pelo testemunho e pela oração destas irmãs por todos nós e pelo mundo", D. António Marto lembrou a intenção do fundador, São Francisco de Sales, de que fossem "violetas entre outras flores, pequeninas e de cor menos brilhante, mas que dão ao Criador todo o seu perfume".
A propósito do ícone escolhido pela Ordem, o Sagrado Coração de Jesus trespassado por duas lanças, cuja devoção muito se deve à visitandina Santa Margarida Maria Alacoque, o Bispo afirmou que este é símbolo da "festa do amor divino num sinal humano, que se manifesta em carinho, amizade e amor, mas também em misericórdia e compaixão". "O amor de Deus não é um conceito, uma abstracção, mas um coração que leva o nosso a palpitar ao mesmo ritmo", referiu D. António, apontando o exemplo do Evangelho desta Eucaristia, em que o Bom Pastor deixou o rebanho todo para ir à procura da ovelha perdida. "Por isso esta festa é tão querida ao povo cristão, porque usa a linguagem do coração, que o povo entende e à qual adere facilmente", afirmou ainda o prelado. "A raiz da nossa fé não é um ideal grandioso nem um código de leis, mas um encontro com Deus, pelo coração de Cristo", acrescentou.
Desta realidade resulta o "convite a reconhecer o primado de Deus e do seu amor", pois "quando se esquece Deus, fica-se mais triste e abandonado, perde-se o sentido da vida e o calor para vencer as dificuldades do caminho". Referindo-se a uma actual "escuridão pelo eclipse dos valores na sociedade", o Bispo diocesano apontou a Ordem da Visitação como "exemplo vivido, oásis espiritual no deserto do mundo e estrela de esperança", que testemunha esse amor divino e incita ao amor aos irmãos, já que "no coração de Jesus Cristo estão todos os seres humanos e nele somos chamados a amar todos os irmãos".
No final da celebração, o engenheiro António Monteiro, um dos "vizinhos" e amigos deste mosteiro, fez um breve resumo histórico desta comunidade (ver abaixo), seguindo-se o descerramento da placa evocativa no exterior da igreja, após o canto do Hino da Visitação pelo grupo coral dos Arautos do Evangelho, que animara também a liturgia da celebração eucarística.
Após esse último acto comemorativo, todos os presentes foram convidados para um lauto lanche oferecido pelas irmãs no rústico espaço do celeiro da sua Quinta do Casal.



Visita “guiada” ao interior do Convento da Batalha
O peso da idade, a leveza de Deus

Para conhecermos mais profundamente estes 400 anos de história e, sobretudo, o presente da Ordem da Visitação, fomos visitar o convento da Batalha, na diocese de Leiria-Fátima. A irmã Maria de Lourdes da Conceição Mendes (73 anos), superiora desta comunidade, abriu-nos as portas e conduziu-nos amavelmente num "passeio" pela casa.
Acolheu-nos também a Irmã Maria Pia Cruz (75 anos), natural da Golpilheira, que entrou nesta Ordem aos 20 anos. Sabendo que vinha do Jornal da Golpilheira, aproveitou para me perguntar novidades da nossa terra, da família e outras pessoas conhecidas. Reconhece que muitos dos conterrâneos não devem saber da sua existência. É normal para quem decidiu viver toda a vida recolhida, longe dos "seus", numa entrega total a Deus. "Foi assim que encontrei o meu caminho de felicidade", afirma.
É das mais activas da comunidade. Durante a reportagem, encontro-a a varrer umas folhas no claustro, depois a cuidar das flores do jardim, mais tarde a preparar as mesas no refeitório. No final da manhã, ainda deu um pulinho ao quintal, para ajeitar as canas dos feijões, confessando que cultivar a horta é uma das suas tarefas favoritas. Quando nos despedimos, estava em oração na capela, antes do almoço.

O espaço
A igreja é o espaço público por excelência, sobretudo na celebração dominical em que participam muitas pessoas da localidade. Colada a ela, a área residencial e de serviços tem no coração um jardim interno, rodeado de claustros, em cujo centro domina uma estátua do Sagrado Coração de Jesus.
A decoração é sóbria mas colorida, onde as flores imperam, juntamente às imagens e quadros de cariz religioso. Muitas das peças são feitas pelas irmãs, como é o caso dos vasos em materiais reciclados, antigos potes de azeite ou outros recipientes, panos bordados, obras de tapeçaria, etc.
O ambiente é leve, arejado, com numerosas janelas e portadas a comunicar com os jardins e os espaços agrícolas da quinta.

As pessoas
Terminadas as orações da manhã e o pequeno-almoço, pelas 10h00, algumas irmãs circulam por ali. A "Mãe", tratamento carinhoso dedicado à superiora, explica a presença do jornalista de O Mensageiro, que veio para recolher imagens e informações, numa reportagem para dar a conhecer a Ordem e o dia-a-dia da comunidade visitandina. O acolhimento é numa boa-disposição contagiante. "É bom que se dê a conhecer a nossa vida, porque muitas pessoas, mesmo vizinhas, não fazem ideia de existirmos e do que fazemos", adianta a irmã Joana Margarida Maia, que foi muitos anos a superiora deste convento. É uma das mais idosas, com 92 anos, mas com um impressionante sorriso permanente e um olhar azul claro e límpido.
Aos poucos, a curiosidade da "estranha" presença vai concentrando as atenções. Lanço o convite a uma foto de grupo (ver capa). A superiora manda tocar o sino para a reunião e em poucos minutos todas comparecem no jardim. Escolhido o local, frente a um dos altares dos claustros, alinham-se por alturas. "Eu dantes ficava na fila de trás, mas a idade já me tirou altura, agora já posso ficar à frente", comenta com bom humor uma das irmãs. Mas foi fácil organizar o grupo e mantê-lo durante alguns minutos para várias fotografias. São 17 ao todo, mas ali só estão 15, pois as irmãs Maria Florinda Ribeiro (81 anos) e Maria Helena Mota (80 anos) estão acamadas.

Movimentos
A média de idades é elevada, mas pelo movimento não parece, mesmo das duas ou três que já precisam da cadeira de rodas para se deslocarem. É o caso da irmã Maria Leonor Ferreira (88 anos), uma das que segue pelas várias salas, dando sugestões para fotos e comentando com alegria o trabalho a que algumas se dedicam, como a irmã Maria Bernardete Amaro (78 anos) na cozinha a preparar a refeição, a irmã Maria Margarida Jesus (64 anos) na sala de convívio a bordar, a irmã Maria Jacinta Marques (78 anos) na rouparia a passar a ferro. No serviço exterior, a irmã Maria Augusta Jesus (83 anos) está na portaria, enquanto a irmã Maria Clara Gomes (77 anos) vai tratar dos perus, galinhas e outros animais de capoeira.
"Já não fazemos tudo o que fazíamos há uns anos, porque a idade da maioria já não o permite", explica a superiora, apresentando algumas das pessoas que foram contratadas para ajudar nas lides domésticas e no trabalho do campo. Mas ainda asseguram grande parte do serviço, "acumulando tarefas conforme podemos", como refere a irmã Maria Paula Valente (81 anos), que é assistente, arquivista e trata do economato. Outras apenas dão uma pequena ajuda nas tarefas comuns, como a irmã Maria Florinda Saraiva (87 anos), que foi sapateira muitos anos, mas agora só faz os "Bentinhos do Sagrado Coração", pequeno corações que oferecem como lembrança. Ou a irmã Maria Armanda de Moura (81 anos), a quem a doença de Alzheimer limita muito as capacidades de trabalho.
A mais nova é a noviça Rita Maria Sousa, de 37 anos, que tem à sua responsabilidade a enfermaria e os trabalhos informáticos no escritório. É ela que faz a ligação das irmãs às novas tecnologias, sobretudo pela Internet, uma ferramenta de divulgação que as irmãs acreditam ser muito útil para a evangelização de hoje em dia. "Estamos a preparar um site actualizado dos mosteiros portugueses", lembra a irmã Maria de Lourdes, confiante de que será uma forma de levar ao público mais jovem a informação sobre esta vocação específica. A outra noviça é Sílvia Maria, de 74 anos, que teve já uma experiência de vida consagrada activa e decidiu agora recolher à clausura.
A mais idosa, irmã Maria Nadir Faria, de 97 anos, é ainda a organista de serviço. Foi ela que compôs a letra e música do Hino da Visitação apresentado no dia da festa pelos Arautos do Evangelho. Faz questão de ir até à capela das irmãs para uma fotografia na sua "função", que desempenha com desenvoltura. Refiro a minha admiração pela facilidade com que os dedos percorrem os teclados. "É um dom de Deus, para eu continuar a louvá-l’O com o som do órgão", responde.

A despedida
É na capela que me despeço das irmãs, após a oração da Hora Intermédia. São 12h00, hora de almoço. Foram duas horas de agradável companhia, simpatia e simplicidade no trato. As irmãs acumulam muitos anos de vida, mas a sua vitalidade e energia são uma lufada de ar fresco e jovialidade. Sem dúvida, sente-se que Deus está presente em cada espaço e, sobretudo, em cada coração.
Os sorrisos da despedida são acompanhados pelos votos de "bom trabalho", para que a reportagem venha a ser "em honra de Deus e para o bom serviço às pessoas".
Faço os mesmos votos. E trago os cumprimentos da Irmã Maria Pia para todos os seus conterrâneos.


Memorial da Ordem da Visitação de Santa Maria
Por Eng. António Monteiro

Permito-me apresentar uma comparação muito simples e a modo da minha formação agronómica, sugerindo assemelhar-se esta Ordem da Visitação a uma já velha árvore, mas ainda vigorosa e frutífera, ainda que nascida no remoto ano de 1610, ou sejam passados Quatro Séculos em que teve a sua origem numa fecunda semente, então lançada à fértil terra de França por um experiente e bom semeador, ou fosse o virtuoso Bispo São Francisco de Sales, particu1armente inspirado por luzes divinas bem luminosas.
Mas sendo-lhe indispensável aplanar e desinfestar aquele promissor terreno, na época já eivado de uma praga assaz daninha propalada por uma gama de princípios contestatários da Igreja de Roma, tarefa esta para a qual utilizou não apenas a sua palavra fluente de pregador combativo, mas também outra tanta e firme escrita para livremente anunciar a Boa Nova fazendo a desinfestação do precioso alfobre ali germinado, de modo a o poder confiar bem limpo aos cuidados de uma inicial, mas logo próspera comunidade de apenas três Irmãs em religião: Santa Joana de Chantal, Maria Jacqueline Favre e Joana Carlota de Bréchard.
E seria no dia 6 de Junho daquele já distante ano de 1610, solenidade da Santíssima Trindade, que o Santo fundador designou e na qual se inspirou e por sua vez também a fundadora Madre Chantal, bem como aquelas duas primeiras Irmãs, para entrarem no "célebre lugar das suas delícias", ou fosse a pequena Casa da Galeria, situada em Annecy, burgo este então pertencente ao domínio de Sabóia, onde se iniciaram na contemplação ainda que sem clausura nem votos solenes, mas com muito desejo de perfeição interior, de almas sedentas de se entregarem totalmente ao Senhor.
E tão substancial foi esta vivência que logo bem alimentou a planta nascida daquela promissora semente que germinou e cresceu, passando por arbusto vigoroso para chegar a frondosa árvore, que bem tratada e até podada pelo prestimoso fundador, não tardou a ser um aprazível abrigo a modo de nela virem a pousar as aves do céu.
E com tão meritório crescimento veio a culminar em Santuário do Sagrado Coração de Jesus, após o maravilhoso prodígio de Paray-le-Monial, manifestando-se à sua confidente Santa Margarida Maria Alacoque. Acontecimento este qual vulcão de amor divino que Santo Afonso Maria de Ligório ousaria entender afirmando: "Depois da Criação e da Encarnação do Verbo, era a maior prova de amor de Deus pelos homens".
Com tão promissora vegetação, a grandiosa árvore continuou a frutificar e os seus frutos deram sementes genuínas que se dispersaram não só pela França, mas extravasando pela Europa e logo por África e pela Ásia, chegando ao novo mundo das Américas, onde uma profícua e continuada sementeira gerou múltiplos mosteiros da Visitação.
E seria nesta onda de fertilidade que veio a caber a vez a Portugal, por obra e diplomacia da rainha senhora dona Maria I, que até ficaria intitulada como sendo a Piedosa, dada a sua religiosidade que permitiu a feliz oportunidade de a casa mãe de Annecy, prodigalizar a vinda de cinco Irmãs que vieram a ser as fundadoras do primeiro Mosteiro da Visitação em Portugal.
Apesar do grande sacrifício pedido para deixarem o berço da sua profissão e mais as suas Irmãs em Religião, as famílias e a pátria, para a trocarem por "um país selvagem", como lhes diziam, todas abraçaram com verdadeiro espírito religioso tal obediência, para iniciarem a caminhada até Lisboa, ainda que naqueles tempos os transportes por terra se limitassem a andar a pé ou a cavalo, mas sendo a França pioneira não só na arte da segeria, bem como nas estradas construídas a preceito, para transporte em carruagens, foi este o preferido para as cinco senhoras viajarem.
Estas promissoras circunstâncias, acrescidas pela existência de suficientes mosteiros da Visitação ao longo do percurso, para apoio logístico à comitiva das duas seges devidamente equipadas e que, no dia 3 de Setembro de 1783, partiram do Mosteiro de Annecy para a longa jornada, mas que seria algo atribulada, pois não faltou o mau tempo e chuvoso, as viajantes molhadas e aflitas até adoecerem, as avarias desastrosas nas carruagens, os cocheiros em pânico e os cavalos estropiados e alguns problemas nas alfândegas, com fracos aposentos de emergência e um percurso que lhes parecia interminável.
No entanto, vieram a passar a fronteira para Espanha no dia 6 de Novembro, para logo em 19 deste mês chegarem a Madrid, e a Badajoz em 10 de Dezembro, atravessando a fronteira para Elvas no dia seguinte e continuando até chegarem a Estremoz, onde se hospedaram na casa da Senhora Dona Antónia Madalena Zagalo, com tanta generosidade e até pompa e acolhimento que a consideraram a mais agradável de toda a viagem, prova esta incontestada de que Portugal não era um país tão selvagem como em França lhes tinham anunciado...
No dia 13 partiram para Évora e logo seguindo para Montemor, para no dia 15 saírem para Vendas Novas, onde se instalaram num Palácio Real ali mandado construir pelo Rei Magnânimo, para apoio das suas deslocações a Vila Viçosa, prosseguindo a viagem para na última noite irem dormir a Pegões e no dia seguinte chegarem à margem sul do Tejo, em Aldeia Galega, hoje chamada Montijo, após uma viagem intermitente durante três meses e treze dias, que ficaria não só memorável mas também premonitória de uma manifesta modernidade dos transportes por via terrestre.
Ali à beira rio estava a nobreza curiosa mas entusiasmada que tinha ido ao encontro de tal novidade, ou fosse a Comunidade Visitandina que ali chegava e logo foi conduzida numa galeota com 120 remadores ao atravessarem o grande estuário, até à grandiosa recepção em Lisboa, onde as esperava a rainha e toda a família real, seguindo-se um solene "Te Deum" e aí ficaram aguardando oportunidade para entrarem no dia 28 de Janeiro de 1784 no Mosteiro que em Belém as aguardava e que ficaria conhecido como Mosteiro das Salésias e onde pacificamente se instalaram.
Esta primeira Comunidade ali prosperou a modo de árvore bem plantada, para mais tarde depois de entrado o século XIX se lhe iniciar um trajecto algo mais conturbado, com acontecimentos anormais que a devem ter inquietado, como fosse a inesperada saída para o Brasil da nossa realeza e da maior parte da fidalguia, à frente das Invasões Francesas, instabilidade esta continuada com a guerra civil, a par da iníqua e perversa extinção das Ordens Religiosas ainda que algo moderada para os mosteiros femininos, para se vir, por sua vez, a consumar no dealbar do século XX, com a Revolução de 1910, em que todas as comunidades que restavam terem de se dispersar para se exilarem em mosteiros estrangeiros, provocando a desertificação das suas comunidades, logo expropriadas sem qualquer pejo.
Até que, e com suficiente bonança e já em 1933, a visitandina Madre Maria de Chantal Machado se atreveu a voltar com a sua Comunidade, mas ainda ficando provisoriamente instalada em Guilhufe, por lhes ser negada a devolução do seu Mosteiro de Lisboa, ocupado por uma dependência da Casa Pia.
Entretanto, estas ainda desalojadas precipitavam-se com a intenção de adquirirem um tal Convento de Vila Boa, embora não lhes agradasse e com a sorte de quando terminava o prazo para fechar a compra, surgiria inesperadamente uma desejada alternativa para o seu mosteiro.
E foi o caso de o senhor Dr. Carlos Mendes, de Torres Novas, grande admirador da Visitação, dado a sua mulher ter sido das últimas educandas em Portugal, também ser um entusiasta do já promissor Santuário de Fátima, onde por sua vez o senhor Dr. José Maria Pereira Gens, da Batalha, era o médico assistente e de apoio aos peregrinos, consumando-se entre os dois um amistoso relacionamento, chegando ambos e dada a sua meritória colaboração com o senhor D. José, Bispo de Leiria, a terem conhecimento que este tinha recebido uma notável herança, que entre outros bens, incluía uma propriedade nos subúrbios da Batalha e que a respectiva mansão bem era apropriada a instalar uma Ordem Religiosa.
Foi um raio de esperança que o Dr. Carlos Mendes, conhecedor das dificuldades das suas protegidas ainda em Guilhufe, logo por carta lhes transmitiu a promissora notícia que lá foi recebida no limiar exacto do prazo fixado e dando azo às orações que logo redobraram e tantas e tão fervorosas seriam que, em 11 de Março de 1935, lhes escrevia o venerando Bispo de Leiria D. José Alves Correia da Silva uma carta à Superiora, ainda dele desconhecida, onde afirmava: "Se for possível a vinda das Visitandinas para esta Diocese, recebo-as como uma Graça do Céu, ajudando-as em tudo quanto puder..."
A resposta não se fez esperar, a modo de "quem quer vai, quem não quer manda", pelo que logo se puseram a caminho, para em Leiria tratarem pessoalmente do assunto, com o próprio Bispo D. José, donde regressaram satisfeitas, "com quase tudo combinado", até que em 29 de Março de 1935 o mesmo senhor Bispo, satisfeito e grato, formalizava a sua decisão escrita em dois pontos essenciais. Primeiro: "Considerar como uma grande bênção do Senhor a vinda de Vossas Caridades para esta Diocese". Segundo: "Oferecer gratuitamente a casa e a Quinta do Casal". E ainda rematava a mensagem com esta recomendação: "Parecia-me conveniente que o senhor Dr. Carlos Mendes, como muito dedicado a V.ªs C.ªs, fizesse ele mesmo as escrituras em Torres Novas ou viesse aqui para tudo ficar legal..."
Deste modo simplificado, tudo em breve ficaria resolvido e até as obras da casa para adaptação e ampliação do novo mosteiro não tardaram a consumar-se e passado apenas um ano, em 25 de Julho de 1936, ficaria aqui reunida e abrigada esta Comunidade da Visitação de Santa Maria e onde no dia de hoje jubilosamente nos encontramos.
Tratava-se com efeito de uma parte do espólio deixado pela senhora dona Júlia Charters Crespo, falecida em 14 de Outubro de 1934 e já viúva do Dr. José Taibner de Morais, do qual não teve filhos, pelo que dispôs livremente dos seus bens, mas declarando e testando por ser Católica, Apostólica e Romana, pelo que distinguia o senhor Bispo de Leiria D. José Alves Correia da Silva, contemplando-o com o valioso legado onde constava além de outras profusas propriedades esta Quinta do Casal.
E tinha sido na Cova da Iria que germinou esta promissora semente e de certo por obra e graça da Senhora de Fátima, que a tempo e horas não se esquecera de também ser a Senhora da Visitação.
A memória é um dom maravilhoso que não deixa esquecer o passado!
Quinta do Casal, 11 de Junho de 2010


Entrevista à Superiora do Convento da Visitação da Batalha
“Fazer subir até ao trono de Deus o «aroma das virtudes»”

A irmã Maria de Lurdes, de 73 anos de idade, natural de Lisboa, entrou na Ordem da Visitação a 25 de Outubro de 1975 e professou a 21 de Janeiro de 1979. Antes disso, esteve 20 anos – de 2 de Fevereiro de 1955 a 25 de Outubro de 1975 – na Congregação das Irmãs do Amor de Deus, 16 dos quais foram passados em Angola (Carmona e Vila Nova de Seles). Este é o terceiro mandato como superiora deste convento, tendo completado já dois triénios e sido eleita há um ano para este, que é o segundo consecutivo.

Fundada num contexto de combate às heresias, nomeadamente ao Calvinismo, a Ordem da Visitação pretendia ser um exemplo de vida em oração e entrega a Deus, ajudando dessa forma à salvação dos homens e à renovação da Igreja. Quatro séculos depois, que leitura faz da sua história?
Nestes 400 anos, a nossa Ordem passou por graves perseguições em França, Espanha e Portugal, chegando mesmo a ter Irmãs Mártires. O principal contributo contra as heresias passadas e actuais tem sido a nossa fidelidade ao Santo Padre e a doutrina da Igreja, pela nossa oração e vida de penitência.

Sente que esse ideal fundador está presente hoje?
Sim. Hoje, como no passado, as Irmãs esforçam-se por serem fiéis ao que os Santos Fundadores tanto desejaram, ajudando com a sua vida escondida, com a sua vida de oração e sacrifício, a Santa Igreja e a salvação do próximo.

A vida contemplativa nem sempre foi bem entendida e é muitas vezes criticada por não ser "produtiva" ou estar "desligada" do mundo. O que significa, afinal, esta opção da clausura?
É verdade que há muitas pessoas e até mesmo sacerdotes que não compreendem a vida religiosa em Clausura, mas o facto é que ela continua a ser de grande auxílio para a Igreja, porque dela continua a subir até ao trono de Deus o "aroma das virtudes", tocando assim o Coração de Deus e atraindo para a Igreja e para todo o mundo as bênçãos divinas.
O Papa João Paulo II assim o compreendeu quando fundou no Vaticano o Mosteiro Mater Ecclesiae para ajuda espiritual ao Papa e a toda a Igreja. Presentemente, estão lá as visitandinas.

A opção pela humildade, simplicidade e "apagamento" perante o mundo não terá prejudicado, de alguma forma, a expansão e o conhecimento da Ordem da Visitação por parte da sociedade e dos próprios cristãos?
Aparentemente, sim, somos pouco conhecidas. No entanto, a Ordem está espalhada por 4 continentes, o que significa que o Senhor continua a chamar e há correspondência a esse chamamento.

Quantas visitandinas existem actualmente em Portugal e, concretamente, no convento da Batalha? E qual a média de idades?
Em Portugal (Batalha, Braga e Vila das Aves) somos 56 Irmãs, sendo 17 neste Mosteiro. A nossa média etária é de 77,4 anos! Mas os nossos Mosteiros do Norte têm Irmãs mais novas.

Hoje há uma "crise" de vocações, nomeadamente, para a vida consagrada. De que forma essa realidade tem afectado a instituição?
Temos sentido esta "crise" como todas as congregações. No entanto, ainda temos duas noviças no nosso Noviciado.

Falou na riqueza da vocação contemplativa. De que forma concreta ela se exprime? Como é o dia-a-dia normal das irmãs deste convento?
Exprime-se pela nossa entrega total ao Senhor. O nosso dia é muito simples, marcado sobretudo pela oração, com destaque para a Santa Missa, a Liturgia das Horas cantada e o terço. Mas também com tempos de trabalho e recreio.
Levantamo-nos às 06h25, fazemos oração mental das 07h00 às 08h00, seguindo com oração de Laudes, Missa e Hora Tércia. Às 09h30 tomamos o pequeno-almoço, após o que nos dedicamos aos vários trabalhos. Pelas 11h40 rezamos a Hora Intermédia e almoçamos às 12h00, seguindo-se o recreio até às 14h00, altura da oração do Ofício de Leitura, Hora Noa e Terço. Às 16h00 fazemos meia hora de leitura espiritual individual, até à merenda, pelas 16h30. Depois fazemos a chamada "assembleia", em que nos juntamos para uma leitura comunitária, feita por uma das irmãs enquanto as outras fazem os seus trabalhos manuais, havendo no final uma partilha de comentários. Pelas 18h00 é a oração de Vésperas, seguida de meia hora de oração com o Santíssimo Sacramento exposto. O jantar é às 19h30, com recreio até às 21h30, para a oração de Completas. O deitar é entre as 22h00 e as 22h30.
Aos fins-de-semana os horários variam ligeiramente, mas esta é a nossa rotina diária mais comum.

A vossa Regra refere que podem aceitar quem queira fazer apenas um retiro espiritual temporário. Costumam ter pedidos dessa natureza?
Só aceitamos na clausura meninas ou senhoras, solteiras ou viúvas, que pretendam fazer uma experiência vocacional. Na mente do Fundador estava essa possibilidade de acolher senhoras em retiro, pois não havia casas com esse serviço, mas actualmente não o fazemos. Tem a ver sobretudo com a falta de estruturas e pessoas para o fazer.

Num campo mais pessoal, como sentiu o seu chamamento a uma vida de consagração deste tipo?
Estive 20 anos numa congregação missionária. Um dia, ao ler a vida de Frei Maria Rafael, senti que o Senhor me queria também num convento de Clausura. A princípio não liguei. Falei a um sacerdote com quem mantinha correspondência e ele não aprovou. No entanto, quando veio a este Mosteiro acompanhar uma pretendente, falou em mim e disse-me depois que se eu quisesse poderia corresponder-me com uma Irmã para ter mais conhecimento sobre a vida contemplativa.
Primeiro tentei entrar nas religiosas Cistercienses em Espanha, mas não me aceitaram. Eram outros os desígnios de Deus. Comecei então a escrever para este Mosteiro (eu estava em Angola) e, ao fim de mais ou menos um ano, escrevi à Superiora, pedindo-lhe a minha admissão. A sua resposta foi negativa, só que essa carta... nunca chegou às minhas mãos. Foi a 1ª carta que se perdeu nos vinte anos em Angola. Vim então a Portugal e falei pessoalmente. Fiz aqui um retiro de 10 dias e, poucos meses depois, entrei.

O que encontrou no convento correspondeu às suas expectativas, ou "aprendeu" só depois o que significava ser religiosa contemplativa?
A religiosa que me escrevia explicou-me bastante bem como era a vida no convento e como eu já vivia em comunidade não me foi muito difícil a adaptação.

É feliz nesse despojamento voluntário? Não sente saudades de algumas coisas que deixou para trás?
Sim, sinto-me feliz, o que não quer dizer que algumas vezes não sinta saudades da "minha querida Angola". Ainda "sonhei" com uma fundação nesse país, mas já perdi as esperanças, pela falta de vocações.

Acha que actualmente é mais difícil optar por um caminho de consagração, do que era quando tomou a decisão ou em tempos mais remotos?
Certamente. As jovens de hoje, com todas as liberdades que têm, com o ambiente barulhento em que vivem, não têm tempo para fazerem silêncio e escutar o Senhor que fala baixinho ao coração.

Finalmente, o que diria hoje a uma jovem à procura de respostas para o seu futuro, para lhe mostrar que a Ordem da Visitação pode ser uma dessas respostas para uma vida feliz, apesar de completamente divergente dos ideias de felicidade que a sociedade quase nos impõe como universais?
Dir-lhe-ia que não tivesse medo de se entregar totalmente ao Senhor e que na nossa Ordem ela poderia ser inteiramente feliz, porque a felicidade consiste na correspondência ao chamamento de Deus. A nossa Ordem tem uma particularidade que a diferencia das outras: não tem "austeras austeridades", porque o nosso Santo Fundador, São Francisco de Sales, dizia que "onde falta o rigor da mortificação corporal aí deve haver mais perfeição de espírito". E isto porque a Ordem podia receber jovens e senhoras de saúde fraca ou com defeitos físicos, que não podiam praticar as austeridades naquele tempo exigidas noutras congregações.

Festa da Música e Dança do CRG

No final de mais um ano lectivo

Como habitual, em mais um final de ano lectivo, as Escolas de Música e Dança do Centro Recreativo da Golpilheira organizaram uma festa de despedida. Os alunos da música foram ao palco apresentar alguns dos seus trabalhos, sobretudo em formações de grupo. E os alunos da dança mostraram também as suas coreografias. Este ano houve até uma apresentação conjunta, cantada e dançada, da história da Branca de Neve, muito aplaudida pelo salão que estava apinhado.
Também os professores de música mostraram as suas competências, executando uma peça musical em conjunto, enquanto os professores de dança galvanizaram a assistência com uma enérgica mostra de dança moderna. Todos eles receberam depois uma lembrança da direcção da colectividade, pelo seu trabalho ao longo deste ano.
No final, foi oferecido aos presentes um lanche de convívio.

Retrato: Golpilheira na FIABA

Decorreu no final de Maio, mais uma edição da FIABA, com muito artesanato, gastronomia e boa animação. A Golpilheira marcou presença com a tasquinha do CRG sempre em bom funcionamento e também no palco, com o rancho folclórico "As Lavadeiras do Vale do Lena".
Para além da boa ajuda financeira que o evento vem proporcionar às associações, esta é uma boa ocasião para o são convívio entre os muitos voluntários que garantem o sucesso da iniciativa.
Este ano, a inauguração contou com a presença do secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, que percorreu os vários expositores e tasquinhas um a um, reconhecendo a qualidade que já caracteriza este evento como um dos mais importantes do género na região. Durante os quatro dias, muitos milhares de pessoas puderam passar pela praça Simões Inácio e confirmar isso mesmo.
De referir que este ano a tasquinha do CRG ganhou o 3.º prémio de decoração.

Assembleia Geral do CRG: Sócios confiantes ou desinteressados?

Realizou-se, no passado dia 29 de Maio, a Assembleia Geral Ordinária do Centro Recreativo da Golpilheira, cujo principal ponto de agenda foi a apreciação e votação do Relatório da Direcção, Contas do Exercício de 2009 e Parecer do Conselho Fiscal.
Foi mais uma assembleia pouco participada, aliás como tem vindo a ser hábito, denotando duas coisas: ou confiança nos directores que neste momento gerem a associação, ou desinteresse dos associados pelo andamento e futuro da sua colectividade. De qualquer maneira, a assembleia tinha de ser feita, desde que a mesa estivesse formada e houvesse nem que fosse a presença de apenas um associado. Foram lidos o Relatório da Direcção e as Contas do Exercício de 2009. Foram pedido alguns esclarecimentos, aos quais foram dadas respostas convincentes. Seguidamente, foram postas à votação e aprovadas por unanimidade. Depois de lido o Parecer do Conselho Fiscal, foi também aprovado por unanimidade.
Em "outros assuntos para o interesse da colectividade", um dos sócios presentes defendeu que, devido à dimensão que a nossa associação está a ter, com movimento bruto de 2009 em mais de quinhentos mil euros, é altura de se pensar numa gestão profissionalizada. Foi ainda proposto um voto de louvor à direcção e a todos os colaboradores desta grandiosa colectividade, que foi aprovado por unanimidade.
Esperamos que em próximas assembleias compareçam mais sócios, apresentem aqui os problemas que por vezes se discutem à mesa do café. Aqui é o local ideal para os esclarecimentos. Também podem apresentar nestas assembleias soluções para alguns problemas que afligem a nossa colectividade. Pede-se que os sócios sejam mais activos.
Manuel Carreira Rito

Festa paroquial da Santíssima Trindade

Participação em crescendo

A festa paroquial da Santíssima Trindade, no passado dia 30 de Maio, registou uma das maiores participações dos últimos anos. Tendo como imperador Armindo Vieira Jordão, foram mais uma vez convidadas as várias comunidades da paróquia a participar com os seus andores, bem como as associações, autarquias e outras entidades a levarem as respectivas bandeiras. Juntando a isso as várias dezenas de ofertas particulares e o acompanhamento da Fanfarra dos Bombeiros Voluntários da Batalha, o cortejo foi longo e vistoso.
Ainda bem que assim foi, pois esta é uma festa multi-centenária e uma interessante manifestação religiosa popular, à qual está associada a lenda da promessa feita pelos frades dominicanos após a protecção dada aos seus celeiros perante uma praga de insectos.
A celebração eucarística foi o ponto alto da festa, com o presidente da celebração, monsenhor Luciano Guerra, a lembrar que "é importante alimentarmos as raízes da nossa fé, que são mais importantes para a saúde da árvore do que as flores e os frutos, representados pelas festa". E essas raízes devem estar "bem assentes na terra, que é Deus, a razão e o fundamento da nossa fé e das suas manifestações festivas". Lembrando as raízes desta devoção à Santíssima Trindade, o sacerdote frisou o incremento que lhe foi dado após as Aparições de Fátima, terminando com uma sugestão a "todos os diocesanos de Leiria-Fátima a recitarem diariamente as orações a Deus Pai, Filho e Espírito Santo ensinadas pelo Anjo aos Pastorinhos".
 LMF

Meninos do 2.º ano da catequese na Festa do Pai-Nosso
No passado dia 20, realizou-se na nossa igreja mais uma festa litúrgica das que assinalam o percurso dos meninos da catequese, desta vez os do 2.º ano. Estando na fase de aprender a rezar, o Pai-Nosso é a oração emblemática que aprenderam e que agora ficam encarregados de praticar diariamente.
São momentos bonitos, incorporados na liturgia do domingo e que são especialmente preparados para que fiquem na memória das crianças. É passo a passo que se cresce na fé e na vida cristã. E é na oração que se alimenta essa fé, pois é a forma de falarmos com Deus e o escutarmos. A oração do Pai-Nosso foi a que Jesus nos ensinou e, por isso, é uma das que devemos sempre rezar com muita devoção.

Oração e convívio popular no encerramento do Mês de Maria
Dinamizado pela Comissão da Igreja da Golpilheira, decorreu no dia 6 de Junho o encerramento do Mês de Maria. Iniciado com a oração do Terço na igreja de Nossa Senhora de Fátima, animado pelas crianças da catequese, seguiu-se a procissão até à igreja do Bom Jesus dos Aflitos, com a bandeira e as ofertas.
Participaram muitas pessoas, algumas das quais com ofertas para serem leiloadas, como é costume neste evento. Terminada a procissão, iniciou-se de imediato o leilão, sempre muito animado, no qual não faltam os compradores. Vendeu-se de tudo um pouco.
O assador não parou de trabalhar, preparando boas sardinhas, carapaus, chouriços, etc. Também não faltou o bom pão e a broa caseira, acompanhados com o bom vinho da região. E para a "sossega", lá estavam as filhós e o café da avó. E assim se cumpriu uma tradição, referente ao mês de Maio, mês de Maria, mês das Flores e mês dos Amores.
MCR

Palhaço Kaki na Feira dos ATL da Batalha

Pelo 6.º ano consecutivo e sempre com grande receptividade do público, vai decorrer no dia 27 de Junho mais uma edição da Feira dos ATL da Batalha, uma iniciativa promovida pelas animadoras dos vários ateliers do Concelho, a decorrer na praça Mouzinho de Albuquerque.
O programa compreende diversas actividades, tais como modelagem de balões, música, quermesse, jogos desportivos e tradicionaise um espectáculo com o conhecido palhaço Kaki.
A iniciativa pretende dar a conhecer aos pais as actividades desenvolvidas pelas crianças nos tempos livres e proporcionar a estas um dia inesquecível.

Animação no Dia da Criança

Insuflável, pinturas faciais e “Escolas a Cantar”
No Dia da Criança, 1 de Junho, a Comissão de Pais da Escola da Golpilheira preparou uma surpresa para os mais pequenos, com a instalação de um insuflável gigante no pátio. Todas as turmas tiveram oportunidade de ir até lá no recreio, soltar energias em saltos muito animados.
Para além disso, uma convidada especial veio fazer pinturas faciais para deixar os meninos mais bonitos. As fantasias foram variadas, desde as florzinhas mais singelas aos palhaços mais arrojados.
Durante a tarde, foram todos até à Batalha para uma festa de "Escolas a Cantar" que juntou os meninos de vários locais do concelho, mostrando em palcos os seus talentos musicais.

Encerramento do ano lectivo do 1.º CEB

Despedida em Festa

Acabaram as aulas e a melhor maneira de o assinalar é em festa. Foi assim que fizeram a Associação de Pais, os professores e os auxiliares da escola do 1.º ciclo do ensino básico da Golpilheira, no passado dia 18 de Junho.
Com o salão do CRG cheio de miúdos e graúdos, foi aos mais pequenos que coube a animação do serão, levando ao palco danças e músicas executadas com primor. Nem faltou a Marcha da Golpilheira, devidamente ensaiada pela auxiliar Gracinda Rito e acompanhada ao acordeão pelo senhor Mário do rancho do CRG.
Após as actuações, a Associação de Pais ofereceu uma lembrança a cada professor, pelo bom trabalho desempenhado durante o ano.
Um dos momentos mais emblemáticos foi a entrega pelo professor Manuel dos "diplomas" aos finalistas do 4.º ano, numa despedida emocionada a cada um dos que acompanhou neste percurso. E a catequista deste grupo, Isabel Costa, preparou com o professor uma surpresa para os meninos e com os meninos uma surpresa ao professor: eles receberam uma com a foto do grupo e o nome personalizado, ele recebeu um quadro com a mesma foto e um livro com as páginas compostas pelos textos e ilustrações de cada um dos alunos.
No final, todos confraternizaram em redor de uma mesa recheada com um jantar partilhado, terminando a noite em agradável convívio.
LMF

Alunos dinamizam Feira Agrícola

Turmas de EVT da Batalha promoveram

Realizou-se no passado dia 14 de Junho, na praça D. João I, na Batalha, a 3.ª edição da Feira Agrícola promovida pelo Grupo de Educação Visual e Tecnológica da Escola Básica Mouzinho de Albuquerque.
Esta feira constou na venda de produtos regionais e cuja receita reverteu a favor da "Loja Social da Batalha". A venda dos produtos não se confinou apenas a esta praça. As crianças, demonstrando grande descontracção e motivação, espalharam-se quase por toda a vila, à procura de clientes. E de tal maneira o fizeram que não demoraram muito tempo a escoar os seus produtos. Até os turistas colaboraram, pois o modo simpático mas incisivo como as crianças os abordavam, convenciam-nos a comprar. Feliz iniciativa e com um objectivo de grande solidariedade.
MCR