segunda-feira, 30 de julho de 2007
Festas do CRG | Grande noite de folclore
Para fazermos uma ideia desse espectáculo, deixamos as fotos e um breve historial de todos os grupos.
MCR
"As Lavadeiras do Vale do Lena" - Golpilheira
Fundado em 12 de Julho de 1989, sediado no lugar e freguesia da Golpilheira, concelho da Batalha e distrito de Leiria, estando assim inserido na região de Turismo Leiria/Fátima e representando o folclore da Alta Estremadura. Golpilheira foi em tempos um lugar vocacionado para a agricultura, nas margens do rio Lena, onde se cultivava milho, hortas, vinho, azeite e legumes. As suas danças e cantares foram recolhidas de pessoas nascidas na última década do século XIX. Eram as que se "bailhavam" a céu aberto, nas alpenduradas e de portas a dentro, nas eiras, nas descamisadas, nos terreiros pelos Santos Populares, nos "serões dos enxovais", nos serões dos casamentos, nas "adiafas" da vindima e da azeitona e na "casa da brincadeira". Seus trajos de trabalho, domingueiro ou de cerimónia, eram os que se usavam a rigor na segunda metade do século XIX. As alfaias, ferramentas e pertences correspondentes a cada actividade também estão representados, como o malhador, a ciranda, a vindimeira, o lagareiro, o abegão, a jantareira e o par de noivos pobres. Os instrumentos usados na tocata são tradicionais da região. Este rancho folclórico é sócio efectivo da Federação do Folclore Português, da Associação Folclórica da Região de Leiria – Alta Estremadura e filiado no INATEL. Durante estes anos de existência, já teve mais de setecentas actuações, de Norte a Sul do País, tendo participado também em alguns festivais internacionais, nomeadamente em Espanha, França e Roménia, onde mostrou toda a beleza de trajos, danças e cantares, preservando a nossa cultura e tradição.
Rancho Folclórico de Zebreiros - Gondomar
O Rancho Folclórico de Zebreiros (Gondomar) foi fundado em Maio de 1959 e é sócio da Federação do Folclore Português. É constituído por um grupo de pessoas de boa vontade, animados a preservarem e a divulgarem os usos e costumes dos seus antepassados, especialmente no sector das danças e cantares tradicionais populares, onde o amanho da terra e as lides do rio constituíam um modo de viver para a sua maioria, motivando uma mistura de trajos de lavrador com os de pescador, o que emprestava a Zebreiros um ambiente de rara beleza. Enquanto a maioria das lavradeiras exibiam trajos remediados e ricos, ornados com muito ouro, as mulheres que trabalhavam no rio apresentavam-se de aspecto mais pobre. O Rancho Folclórico de Zebreiros tem-se exibido em muitas terras do nosso país e no estrangeiro, sendo de destacar as actuações em França, Açores (Ilha Terceira e S. Miguel, Brasil (S. Paulo), Festival do Algarve, Espanha (Corunha). Organiza anualmente o seu festival de folclore, sendo de destacar o de 1997, que teve a transmissão directa da Missa dominical pela TVI, e fez várias gravações em CD, cassetes, discos e vídeos, que têm sido exibidos em vários órgãos da comunicação social. A sua acção continua bem viva, para bem das raízes do povo da sua terra, das suas gentes e da cultura tradicional do nosso país.
Rancho da Casa do Povo de Espariz - Tábua
O Rancho Folclórico da Casa do Povo de Espariz iniciou a sua actividade em 13 de Junho de 1980, com a finalidade de preservar os costumes, tradições, danças e cantares da região em que está inserido. Representa uma zona de transição Beira Alta/Beira Litoral, onde desenvolveu e desenvolve um trabalho de pesquisas e recolhas. Exibe danças leves, na sua maioria de roda. Os trajos pouco garridos traduzem a maneira de ser e de sentir dos seus antepassados. Ao longo da sua existência, actuou em importantes festivais nacionais e internacionais de folclore, realizados em Portugal, tendo também actuado em Espanha, França e Itália. Em 1989, em representação da Região de Turismo do Centro, participou no IX Festival de Gastronomia de Santarém, e em 1991, a convite da Região de Turismo do Algarve, participou no XV Festival Nacional de Folclore do Algarve. É sócio efectivo da Associação de Folclore e Etnografia da Região do Mondego desde 1987 e da Federação do Folclore Português desde 1988.
Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo
O Rancho Regional da Casa do Povo de Ílhavo foi fundado em 6 de Janeiro de 1984, com a finalidade de fazer reviver as danças e cantares, usos e costumes de Ílhavo. É sócio efectivo da Federação do Folclore Português, justamente pela autenticidade e verdade que representa. Anualmente, organiza três festivais de folclore e, desde a sua fundação, tem participado nos melhores festivais nacionais e internacionais do país. Já esteve em França e em Espanha, por diversas vezes. Em 1993 e 2002 representou a Beira Litoral/Zona Vareira no XVII e XIX Festival do Algarve. Em 2001 esteve na Ilha da Madeira e em 2005 na Ilha Terceira/Açores.
Rancho Típico da Palheira - Coimbra
Em 1971 e com a finalidade de angariação de fundos para a nova capela, no dia de inauguração desta, um grupo de rapazes e raparigas dançaram pela primeira vez, ao som de gravador, danças e cantares do folclore português. Usavam então trajos com fitas de veludo e lantejoulas. Com o apoio de alguns membros da população, formou-se então o primeiro grupo, a que foi dado o nome de Rancho Típico Flores da Palheira. Em 1972 e usando já como traje base a "tricana" de Coimbra, foi inaugurado o Rancho Típico da Palheira. Desde essa data e já como membro da Federação do Folclore Português, foi este grupo actuando em vários festivais da região, tendo em 1977 recebido o 1º Prémio da região pela melhor apresentação em palco, de danças trajes e cantares. Em 1980, teve a sua primeira actuação além fronteiras, mais propriamente na cidade de Salamanca, onde representou Coimbra no dia de Portugal. De então para cá, a sua actividade tem sido intensa, tendo percorrido o País de lés a lés, tomando parte nos mais categorizados festivais nacionais e internacionais de folclore e levando bem longe o bom nome da região em que está inserido. Em 1990, uma vez mais, foi o digno representante português no grandioso festival internacional que se efectuou na vizinha Espanha, na cidade de Guijuelo. Hoje, aprovado pelos serviços culturais da Câmara Municipal de Coimbra e pela Região de Turismo do Centro, fazendo parte integrante da AFERM e da Federação de Folclore Português, este grupo tem efectuado imensas recolhas, quer a nível de danças e cantares, quer a nível de trajes, sendo o seu baluarte, a este nível, o de calceteiro, profissão preponderante dos antigos homens desta terra.
"Rodas de Aço" com emoções ao rubro
Esta sétima edição das "Rodas de Aço" terá sido a que mais emoções despertou nas muitas pessoas que se juntaram nas quatro rampas da Golpilheira em que os carros de rolamentos deslizaram. Não faltaram aparatosos acidentes e mesmo... alguns sustos, que, felizmente, não passaram disso.
Mas comecemos pelo princípio. Inicialmente prevista para o dia 15 de Julho, no decorrer dos festejos do aniversário do Centro Recreativo, a corrida teve de ser adiada para o domingo seguinte, graças aos chuviscos que quiseram aparecer na freguesia nesse domingo. O adiamento acabou por resultar bem, já que o público foi numeroso, como é já hábito, e não faltou o jantar servido na colectividade para a multidão que aproveitou mais esta ocasião para se deliciar com o belo frango assado. No fundo, foi mais um dia de festa... e de receita.
Já com o sol garantido na pista, a tarde do domingo 22 de Julho acolheu cerca de três dezenas de participantes, ávidos da adrenalina das velocidades ou apenas desejosos de uns momentos de brincadeira e boa disposição, bem como algumas centenas de pessoas, preparadas para assistir ao desenrolar dos acontecimentos.
A primeira concentração estava prevista para a nova rampa da urbanização de S. Bento, mas foi impedida a sua utilização, devido ao asfaltamento recente ainda não estar apto a aguentar os riscos destes rolamentos cortantes. Assim, o povo concentrou-se na descida do Choupico para o Casal Mil Homens, onde foi feito o primeiro teste à capacidade dos condutores e comportamento das máquinas. Desde as simples tábuas sobre rodas até às verdadeiras obras de arte e engenharia automóvel, o desfile teve de tudo: os carros para vários passageiros, os veículos longos articulados, o caixote "8ª maravilha", o pato deslizante, o "flingstone car" de bidões, a banheira andante, o kart desportivo ou o chapéu-vassoura. Só um ou dois despistes a registar, sem consequências, e a manobra do Manuel Silva para tirar o jipe da ribanceira (grande máquina!), um espectáculo que poucos tiveram a sorte de ver...
Na segunda pista, já mais íngreme, desde S. Bento até ao Salgueiral, já os azares foram maiores. O despiste mais grave provocou a queda de uma criança, que acabou por ser assistida pelo INEM, comprovando-se uma pequena luxação no ombro. Talvez um aviso para um pouco mais de cuidado a quem leva os filhos para este evento... poucas velocidades e muita protecção. É que vimos algumas crianças a divertirem-se, sem correr qualquer perigo e com muita perícia de condução... não foi, Tiago Vieira?
A terceira descida, no Paço, reservava o maior susto da tarde. Um carro despistou-se no portão da Elvira, capotou e os três tripulantes foram cuspidos. Logo atrás vinham os bidões gigantes do Luís da Cruz, que desfizeram parte do veículo à sua passagem e só graças à perícia do condutor não atingiram os sinistrados. Ainda assim, dois deles ficaram imobilizados, foram transportados pelos Bombeiros da Batalha ao hospital e chegou a temer-se alguma fractura grave. A confusão foi geral, entre curiosidade e pânico. Mas, à hora do jantar, já os dois andavam na colectividade a rir-se da peripécia. Graças a Deus.
O acidente serviu de lição para os mais afoitos, pois a brincadeira só é boa se tudo acabar bem. Assim, na etapa final, do cemitério ao centro da Golpilheira, já todos vinham com mais atenção e os inevitáveis despistes voltaram a divertir-nos sem consequências de maior para ninguém.
Podemos dizer que foi uma tarde bem passada, apesar destes percalços, e algumas lições se podem tirar para o futuro.
Luís Miguel Ferraz
Golpilheira sagrou-se vice-campeã nacional de futsal feminino
Apenas o Benfica nos parou… e na final
O jogo grande da época para as pupilas de Teresa Jordão disputou-se no passado dia 30 de Junho, no pavilhão municipal Alfredo Calado, em Almeirim, e colocou frente a frente, o SL Benfica (campeão em título) e o CR Golpilheira.
Com um pavilhão repleto de público entusiástico, as principais intervenientes do espectáculo responderam da melhor forma possível, com um excelente jogo de futsal.
E não pense, quem não esteve presente, que o jogo foram "favas contadas" para as atletas do Benfica… As nossas "golpilhas" entraram muito aguerridas no jogo, exercendo uma pressão inicial muito forte sobre as atletas do Benfica, o que acabou por dar frutos, com a obtenção de um golo, por intermédio de Maria Inês. Foi enorme a explosão de alegria dos muitos adeptos da Golpilheira presentes.
Após a obtenção do golo, a superioridade do Benfica veio um pouco ao de cima, com as atletas comandadas por Vera Bettencourt a proporcionarem bonitos momentos de futsal e, com alguma naturalidade, a conseguiram chegar ao empate e, já muito perto do final da primeira parte, à vantagem no marcador (2 – 1).
Na fase inicial da segunda parte, a equipa orientada por Teresa Jordão voltou a entrar melhor em campo, criando três oportunidades flagrantes de golo, infelizmente não concretizadas. E como "quem não marca, arrisca-se a sofrer"… as atletas do Benfica lá fizeram máxima a este velhinho ditado da gíria futebolística e marcaram três golos num curto espaço de tempo. Nesta altura, aliás, o cansaço físico já era bem visível nas nossas atletas, que nessa semana já tinham realizado dois jogos, um deles muito desgastante, com prolongamento e grandes penalidades, em Chaves. Mesmo assim, perto do final do encontro, a Golpilheira ainda conseguiu fixar o resultado final em 5-2, numa bela jogada individual de Inês, que, com muita classe, sentou a guarda-redes do Benfica e chutou para o fundo das suas redes.
O apito final do jogo trouxe a festa para as duas equipas: o Benfica, porque se sagrava, pela quarta vez consecutiva, campeão da modalidade; e a Golpilheira, pela presença inédita na final da competição, um feito histórico – não só para este clube, mas também para o futsal distrital – e logo na primeira oportunidade que tiveram para se mostrar na Taça Nacional. Estão de parabéns, pois claro!
Vera Rito
A voz aos protagonistas
No dia seguinte ao jogo, enviámos um ‘email’ a Vera Bettencourt, treinadora do Benfica, para sabermos a sua opinião sobre o jogo. Não obtivemos qualquer resposta. Apesar disso, fomos pesquisar, e encontrámos as seguintes declarações, no sítio futsalfeminino.net: "Uma das coisas que mais gostei foi o facto de o pavilhão estar praticamente cheio, as pessoas da organização foram fabulosas e a equipa adversária foi fantástica. Em relação à parte desportiva, vimos uma equipa que é superior à outra, o Benfica tentou sempre jogar para ganhar, em ataque contínuo, ao passo que o Golpilheira apenas esporadicamente chegou à nossa baliza e sempre em contra ataque. Falhámos muitas oportunidades na primeira parte, mas na segunda mostrámos todas as armas que temos ao nosso alcance".
Já Teresa Jordão, treinadora do CR Golpilheira, confessou-nos a sua alegria em ter conseguido chegar com este grupo a uma final nacional, salientando o enorme esforço para o conseguirem: "Além de ser uma equipa ainda muito jovem (a maioria das jogadoras são juniores), foi obrigada a fazer 3 jogos em 7 dias, o que causou um enorme desgaste físico das atletas, para além de lesões em duas peças mais importantes". De qualquer forma, a treinadora considera que "proporcionámos um excelente espectáculo, tentámos sempre marcar golos e não apenas defender, numa atitude de humildade, mas também de confiança, muito graças ao apoio do numeroso público que nos acompanhou, e que ajuda em muito a equipa a jogar com mais alegria". De facto, a claque da Golpilheira revelou-se mais numerosa e participativa do que a do próprio Benfica.
A jogadora Inês, de 15 anos, foi a marcadora do último golo e considerada uma das figuras do jogo, apesar de ter jogado durante pouco tempo, pois trouxe uma lesão de Chaves. No final, não cabia em si de contente, por ter chegado tão nova a esta importante fase da taça nacional. "O trabalho desta época e os resultados obtidos foram muito bons, por isso acredito que no próximo ano, com o mesmo empenho, consigamos ir mais longe".
Para Acácio Santos, director da secção de Futsal do CRG, "esta presença na final já foi uma vitória para estas atletas e equipa técnica, pois foi a primeira equipa do distrito a consegui-lo". Por outro lado, destaca este dirigente, "as condições de trabalho que tem o Benfica não se comparam com as nossas, que nem um pavilhão próprio temos". Um dos pontos mais positivos deste encontro, segundo Acácio Santos, foi a enorme presença de adeptos da Golpilheira: "quero agradecer a todos os que acompanharam a equipa, não só na final, mas no decorrer de toda a prova, e durante a época, porque também ajudaram a que houvesse festa de pavilhões cheios e incentivaram as atletas a conquistarem tantas vitórias. Só espero que na próxima época continue a ser assim, pois elas merecem e saberão recompensar-nos com maravilhosos espectáculos de futsal".
LMF
Convívio no "poço do povo", no Carvalhal
O que é certo é que as gentes da nossa terra aproveitam todas as ocasiões para fazer festa e conviver, o que só pode merecer o nosso aplauso colectivo, pois é salutar que estes convívios dos lugares se mantenham, para bem da união e boa disposição de todos.
LMF
Torneio de cartas no salão de S. Bento
Ao mesmo tempo, foi mais uma iniciativa a reverter para os fundos da comissão daquela igreja, que sempre agradecem mais umas entradas em caixa. Não se apurou ainda o resultado, mas um dos mentores do torneio adiantou-nos que deverá rondar os mil euros de lucro.
LMF
Vão 500 avós da Batalha à "Praça da Alegria"
Dança e música do CRG encerram ano lectivo
Nunca é demais ver os artistas da nossa terra, que frequentam as escolas do Centro Recreativo, a mostrar os seus talentos. Por isso, o encerramento das actividades deste ano lectivo, no passado dia 30 de Junho, foi mais uma ocasião propícia para isso, aproveitada por algumas dezenas e de pais e amigos dos alunos.
Desta vez, apenas os mais novos foram ao palco, já que as ginastas adultas e as danças da terceira idade revelaram falta de quórum para a sua apresentação.
De qualquer modo, esta pequena festa serviu como despedida em beleza para um ano de aprendizagens nas artes da música e da dança, como promessa de que para Setembro voltarão cheios de vontade de fazer mais e melhor.

Cremilde expôs em Leiria
Como noticiámos na última edição, a golpilheirense Cremilde Monteiro fez uma exposição dos seus trabalhos de pintura, no IPJ de Leiria, de 3 a 19 deste mês. Foi uma mostra conjunta com outro colega, também portador de deficiência, utente da associação OASIS – Organização de Apoio e Solidariedade para a Integração Social, que levou àquele espaço alguns dos trabalhos efectuados pelos utilizadores do seu centro de actividades ocupacionais, em louça, tecido, madeira e outros materiais.
Recorde-se que esta Instituição Privada de Solidariedade Social (IPSS), sediada nos Pousos, tem como objectivo "apoiar cidadãos maiores de 16 anos que sofram alguma deficiência física ou mental, promovendo o desenvolvimento das suas capacidades pessoais, relacionais e profissionais e apoiando as respectivas famílias". O centro de actividades é frequentado por 55 pessoas, das quais 26 residem no lar da instituição, em regime de rotatividade. Esta exposição surgiu em resposta a uma oportunidade de trazer a público alguns dos trabalhos ali desenvolvidos, procurando dar a conhecer os talentos, muitas vezes escondidos, das pessoas com maiores limitações de vária ordem, bem como a própria IPSS onde são acolhidos.
Tivemos oportunidade de visitar e exposição e constatar a qualidade de algumas peças ali expostas. O destaque vai para os quadros da Cremilde e do João Miguel Mandsley, que ombreiam com muitos pintores habituados às galerias. Em conversa connosco, a Cremilde quis enviar um cumprimento os leitores do Jornal da Golpilheira, que a incentivam a continuar a sua arte, na pintura e na escrita, muitos dos quais a felicitaram depois do texto que publicámos sobre ela no jornal de Junho. "Agradeço do fundo do coração o carinho que me dão e desejo a todos muita força para viver a vida, mesmo quando é dura, porque se for levada com optimismo, coragem e alegria, Deus ajuda-nos a suportar as dificuldades", afirma a artista.
Fazemos votos para que a Cremilde consiga realizar o seu próximo projecto, que é trazer a exposição dos seus trabalhos à Batalha, mais próximo dos seus conterrâneos e amigos.
LMF
"O Muro" junto ao pelourinho
O recém-formado grupo de teatro da Batalha levou ao anfiteatro junto ao pelourinho da vila, ao ar livre, a peça "O Muro", baseada em textos de José Gomes Ferreira, adaptados e encenados por Pedro Oliveira. Com algumas dezenas de pessoas presentes, os actores deram vida àquele espaço lúdico e mostraram, mais uma vez, o resultado do projecto "O Animador", no âmbito da parceria estabelecida entre a ADAE- Associação de Desenvolvimento da Alta Estremadura, "O Nariz" - Teatro de Grupo e seis municípios da região.
A representação decorreu no passado dia 11, com a participação de actores amadores do nosso concelho, alguns da Golpilheira).
Mosteiro da Batalha é uma das "7 Maravilhas"
Outra coisa não seria de esperar. Os portugueses elegeram como uma das 7 maravilhas nacionais o Mosteiro de Santa Maria da Vitória, após alguns meses de votações pela internet e por telefone. A lista dos eleitos entre os 21 finalistas foi apresentada no passado dia 7 de Julho, numa espectacular cerimónia organizada no estádio da Luz, em Lisboa
A par do Mosteiro da Batalha, também o de Alcobaça, igualmente pertencente à área geográfica da Região de Turismo Leiria/Fátima, foi um dos escolhidos nesta lista restrita de importantes monumentos nacionais. E podemos destacar, ainda, o castelo de Óbidos, um monumento perto de nós, que fecha um triângulo turístico de luxo na região Centro do País. A este propósito, convém não esquecer alguns dos que ficaram de fora, mas que, pela sua beleza e importância histórica, não devem deixar de merecer a nossa visita, como será o caso do Convento de Tomar e do castelo de Leiria. Dada a extensa lista do belíssimo património arquitectónico português, é óbvio que nem todos poderiam ficar neste grupo tão "apertado" de sete, cabendo apenas mais quatro eleitos: o Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), o Palácio da Pena (Sintra), a Torre de Belém (Lisboa) e o Castelo de Guimarães, berço da nacionalidade.
Júlio Órfão já havia dito, por diversas vezes, que "algo estaria muito mal no nosso país, se o monumento batalhense ficasse excluído dos sete primeiros", tanto pela sua beleza e grandiosidade, como pela marca histórica que representa para Portugal como nação independente. Também António Lucas, presidente da Câmara da Batalha, considerou esta nomeação como mérito da "beleza e estética do monumento, bem como da sua carga histórica", agradecendo a todos aqueles que votaram e que contribuíram para esta eleição.
O Mosteiro de Santa Maria da Vitória é o mais importante símbolo da Dinastia de Avis, construído por iniciativa de D. João I, na sequência de um voto à Virgem, caso vencesse a Batalha de Aljubarrota contra os castelhanos. As obras decorreram entre 1388 e 1580, ao longo de seis reinados. É o grande monumento do gótico final português, um dos primeiros onde ao gótico flamejante quinhentista se juntou a nova arte manuelina de seiscentos, símbolo da expansão marítima portuguesa.
O arranque das obras deu-se em 1388 e foi conduzido por Afonso Domingues. A ele se atribui o plano geral da construção e o grande avanço dos trabalhos na igreja e no claustro. A magnífica igreja de três naves e transepto saliente, por si delineada, com cabeceira de cinco capelas, sendo a central de duplo tramo e terminação poligonal, terá sido o ponto alto da sua carreira.
Com efeito, a partir de 1402, a chefia do estaleiro foi entregue a Huguet, arquitecto de provável origem catalã, que inaugurou entre nós o tardo-gótico. Documentado à frente do projecto até 1438, a ele se deve o abobadamento dos espaços da igreja e da Sala do Capítulo (onde experimentou, pela primeira vez, uma abóbada estrelada), a construção da Capela do Fundador, o início das obras das Capelas Imperfeitas, bem como a conclusão da fachada principal, onde sobressai o portal axial. Este é delimitado por um arco canopial, que integra os escudos de D. João I e de D. Filipa. No tímpano, exibe-se Cristo em Majestade, ladeado pelos Evangelistas, e as arquivoltas são repletas de figurações que continuam pelas estátuas-colunas, ao abrigo de um complexo programa iconográfico.
Contudo, a mais emblemática obra de Huguet é a Capela do Fundador. Ela foi concebida para panteão régio. É um compartimento quadrangular, que se adossa aos três tramos ocidentais da fachada lateral Sul e integra, ao centro, um esquema octogonal de suportes onde descarrega a abóbada estrelada. No circuito interior desta capela, colocou-se o túmulo duplo de D. João I e de D. Filipa, realização sem antecedentes no nosso país. Na capela repousam também os filhos do casal régio (como D. Henrique e o regente D. Pedro), de acordo com a decisão testamentária de D. João I em fazer deste espaço um efectivo panteão.
Em 1436, D. Duarte decidiu edificar uma capela funerária para si próprio. O projecto concebido por Huguet privilegiava uma planta circular, que não viria a ser concluída, por morte do mestre. Desta forma, a construção cessou até ao reinado de D. Manuel e, mesmo nessa altura, não foi concluída. Razão de esta parcela ser conhecida como as Capelas Imperfeitas.
No reinado de D. Afonso V, edificou-se o segundo claustro do mosteiro. Ele resulta da intervenção do arquitecto Fernão de Évora e, estilisticamente, é uma obra que contraria o tardo-gótico de raiz flamejante, tendo-se optado deliberadamente pela austeridade arquitectónica, que rejeita até a inclusão de capitéis a marcar o arranque dos arcos.
Só no século XIX o Mosteiro voltou a ser intervencionado, desta vez com o objectivo de restaurar o conjunto. Esta campanha prolongou-se por meio século e é um capítulo fundamental da nossa história do restauro monumental. Em 1983, este monumento foi classificado como Património Mundial pela UNESCO.
O actual director do Mosteiro continua a reclamar a necessidade de intervenções de fundo para garantir a sua preservação, com especial atenção do desvio do IC2 que lhe foi colocado à porta nos finais do século passado e teima em querer sair. Várias têm sido as promessas e estudos apresentados por diversos governos, mas até à data a obra não passou do papel.
Outra das lutas de Júlio Órfão tem sido contra a realização das festas de Agosto nas traseiras do monumento, que considera "gravemente prejudicado" com os ruídos provocados pelas potentes aparelhagens sonoras dos agrupamentos que ali actuam, sobretudo para os vitrais. A esse propósito, o presidente da autarquia mantém a sua intenção de retirar os festejos daquele local, apenas quando o IPAR avançar com o arranjo do espaço junto às Capelas Imperfeitas, um dos piores cartões de visita da vila.
Ainda em relação àquele espaço, onde existiu a Igreja de Santa Maria a Velha, local onde foram sepultados os grandes mestres do Mosteiro, as escavações deste templo, destruído no século passado, revelaram merecer alguma atenção. José Travaços Santos, historiador batalhense, tem sido das vozes mais insistentes pela sua preservação e pela edificação no local de um memorial daquela antiga igreja. Surgiram já algumas propostas nesse sentido, mas as escavações estão paradas e não está ainda definido o que se irá fazer em concreto.
Espera-se que, com mais este prémio da conquista de um lugar entre as sete maravilhas nacionais, as entidades responsáveis avancem definitivamente para uma solução que dê beleza àquela zona e devolva ao monumento a tranquilidade de que necessita para se manter de pé.
Luís Miguel Ferraz
Festa dos ATL do Concelho
Mais uma vez, as animadoras dos centros de Actividades de Tempos Livres (ATL) do concelho da Batalha puseram mãos à obra e organizaram uma festa para comemorar o fecho do ano lectivo. Com o apoio da autarquia, trouxeram ao pavilhão multiusos, no dia 15 de Julho, uma mostra de trabalhos efectuados pelas crianças, montaram uma quermesse e um banca de comes e bebes variados e animaram a sessão com algumas apresentações dos mais pequenos. Várias centenas de crianças e pais aproveitaram para vir à festa.
O momento alto foi a actuação do Trio Fusão (Ernesto Leite nas teclas, Beto Betuk nas percussões e João Rocha no trompete), acompanhado pela voz "carinhosa" de Lília Matos (finalista da Academia de Estrelas da TVI), que apresentaram o projecto "Melodias de Filmes Infantis - Disney e Amigos", um espectáculo que agradou às crianças de todas as idades... Para os mais novos, foi divertido cantar a plenos pulmões os temas dos seus conhecidos Noddy, Rei Leão, A Pequena Sereia ou Shreck; para os mais graúdos, foi engraçado voltar a ouvir a Abelha Maia, o Tom Sawyer, o Robin Wood e o Tarzan. Entre músicas, histórias e muita interacção com o público mais juvenil, foi um final de tarde muito divertido, que deixa de parabéns a organização do evento.
LMF
Encerramento do ano | Jardim-de-infância em festa
Mas antes da comida, a surpresa foi feita pelos mais pequenos, com a apresentação de uma bela marcha popular, algumas danças de roda e outras cantorias bem afinadas. Um deleite para os pais e amigos presentes, ver os nossos artistas de palmo e meio a desempenhar com alegria e competência as suas tarefas.
Houve também espaço para a entrega de diplomas de bom aproveitamento a todos os alunos, com especial destaque para os "doutores" do infantário, que fizeram a sua despedida, rumo à escola do 1º ciclo.
Estão de parabéns as educadoras Lora e Dora e auxiliares Célia e Bélinha que prepararam a festa, os pais que colaboraram no seu sucesso e, sobretudo, os meninos e meninas que foram a alegria principal do evento. Não podemos deixar de referir a colaboração do Centro Recreativo, que cedeu o material de som e outros produtos de logística, como é, aliás, habitual acontecer em relação aos eventos promovidos por esta escolinha sua vizinha.
Para nos juntarmos a esta festa, quisemos publicar nesta edição (em papel) um desenho e uma foto de cada um dos meninos, no destacável que se segue, de quatro páginas a cores. Eles merecem esta "prenda" especial, que foi também apoiada pela Câmara Municipal da Batalha, à qual agradecemos. De referir que os desenhos e as fotos dos meninos foram escolhidos pelas educadoras, com a ajuda dos artistas.
Deixamos ainda algumas das fotos da festa de encerramento e... até para o próximo ano lectivo, com votos de boas férias para todos!
Luís Miguel Ferraz
Batalha aposta na defesa da floresta
Tendo como objectivo a prevenção de incêndios florestais no concelho da Batalha, o Município tem em execução, desde o início do ano, um amplo conjunto de acções preventivas, que vão desde a vigilância móvel e a limpeza de matos junto à rede viária municipal, até à construção de pontos de água e à abertura e melhoria de caminhos florestais, iniciativas apoiadas pelo programa Agris, do Ministério da Agricultura.
Assim, recentemente, foram construídos dois pontos de água (um para acesso a meios aéreos e o segundo para abastecimento de meios terrestres), ambos na freguesia de São Mamede. Em meados de Junho, iniciou-se a vigilância móvel motorizada, numa acção que envolve 10 elementos, apoiada este ano por uma viatura todo-o-terreno equipada com um dispositivo contra incêndios, com capacidade de primeira intervenção em fogos nascentes.
Estas são, aliás, algumas das medidas que se encontram previstas no Plano Municipal de Defesa da Floresta contra Incêndios, aprovado em Março do corrente ano pela Direcção-Geral dos Recursos Florestais (DGRF). Conforme divulgámos nessa ocasião, trata-se de um documento que define as acções operacionais a desenvolver pelas várias entidades com competência nesta matéria, explicitando a forma de articulação entre as mesmas numa situação de emergência.
È para que não seja necessário aplicar este plano na sua componente de "remédio" que se aposta na prevenção. Um trabalho que só será eficaz com a colaboração de todos. Recorde-se que, desde 2005, no âmbito do Sistema Nacional de Defesa da Floresta contra Incêndios, a autarquia da Batalha efectuou diversas notificações aos proprietários de terrenos florestais confinantes com edifícios, no sentido de procederem à sua limpeza. Só neste ano de 2007, foram já 35 os proprietários notificados. Mas nem todos acolhem bem ordenação e o cumprimento fica aquém do ideal.
No mesmo sentido, à semelhança do que aconteceu o ano passado, a Câmara da Batalha vai analisar e pronunciar-se sobre o lançamento de fogo-de-artifício, no decorrer do período mais crítico (de 1 de Julho a 30 de Setembro), avaliando o possível risco de incêndio que esta actividade representa para os espaços florestais.
Nunca será demais referir que todas estas acções de pouco servem se não houver da parte de todos nós uma corresponsabilidade na protecção da floresta e na poupança de todos os recursos naturais. Como bem resume a campanha que está a decorrer este ano, também com o apoio do Governo Civil de Leiria, "Portugal sem fogos depende de todos".
Mouzinho homenageado na Batalha
A vila da Batalha recebeu, no passado dia 21 de Julho, mais uma cerimónia de homenagem ao Patrono da Arma de Cavalaria, Joaquim Mouzinho de Albuquerque, na praça que tem o seu nome. No 105º aniversário da morte deste oficial batalhense, cumpriu-se a tradição com mais de 30 anos, em que um grupo de oficiais e sargentos de Cavalaria fazem uma romagem a cavalo, desde o quartel até à vila heróica, onde nasceu o seu Patrono.
A marcha teve início no dia 18 de Julho, pela primeira vez a partir de Abrantes, onde se situa actualmente a sede da Escola Prática de Cavalaria (EPC). A ela se juntaram algumas delegações de outras unidades da Arma, chegando à Batalha na tarde do dia 20.
A cerimónia protocolar decorreu no dia 21, junto ao busto de Mouzinho de Albuquerque, com a presença de diversas autoridades militares e civis, entre as quais o director honorário da Arma de Cavalaria, tenente general Velasco Martins, e o presidente da Câmara Municipal, António Lucas.
Antes da deposição de uma palma de flores e descerramento de uma Espada de Bronze no monumento, Velasco Martins lembrou os feitos heróicos de Mouzinho, salientando "as suas virtudes militares e humanas, como homem íntegro e impoluto, em cuja homenagem os militares de hoje vão buscar as forças e a coragem para cumprir uma missão que continua igual à do herói de Macontene, o mesmo espírito que animou tantos ao longo da história e nos anima hoje". Afirmando o orgulho que a Arma de Cavalaria, "perene e única no serviço a Portugal", tem no seu Patrono, o oficial salientou que "ser militar é a mais nobre de todas as actividades, pelo serviço que presta à nação e ao bem comum dos cidadãos". E à ordem "ao galope e corações ao alto", várias dezenas de militares da força a cavalo ali presentes fizeram o desfile de apresentação de cumprimentos às entidades presentes.
Em conversa com o Jornal da Golpilheira, o sargento-chefe Chaves, do 3º esquadrão da GNR de Braço de Prata, Lisboa, referiu a importância deste momento anual, não só pela homenagem ao valoroso cavaleiro que foi Mouzinho de Albuquerque, mas também com actividade de união e convívio entre os militares que nela participam. "São dias de especial união das várias unidades que se juntam na EPC para fazer este trajecto até à Batalha, desfrutando de paisagens espectaculares, animada confraternização nos vários acampamentos de descanso e de especial emoção nesta cerimónia em que lembramos Mouzinho de Albuquerque, um exemplo para todos nós", comentou este sargento.
É também uma oportunidade para o contacto com as populações por onde passam e, sobretudo, na vila da Batalha, dando a conhecer os ideais da Arma de Cavalaria, mostrando os belos cavalos que tem ao seu serviço e espalhando a simpatia dos militares, como pudemos comprovar pessoalmente em conversa com alguns deles.
Nota Biográfica
Joaquim Mouzinho de Albuquerque nasceu na Quinta da Várzea, freguesia e concelho da Batalha, em 12 de Novembro de 1855, tendo sido baptizado um mês depois no Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Descende de uma das famílias portuguesas mais ilustres, neto de Luís da Silva Mouzinho de Albuquerque, figura de militar, político e estadista, escritor e cientista da maior projecção na primeira metade do século XIX, a quem se ficou a dever a notável recuperação do monumento batalhense.
Tendo seguido a carreira de armas, alistou-se em Cavalaria no ano de 1871. Em 1886 seguiu para a então Índia Portuguesa, onde prestou relevantes serviços, ascendendo a Secretário Geral do Governo do Território. Transitou dali para Moçambique, por altura do ultimato inglês, a fim de assumir o cargo de Governador do Distrito de Lourenço Marques, que desempenhou de 1890 a 1892.
Regressado à Metrópole, volta a partir para Moçambique, em 1895, como Comandante da força de Cavalaria incorporada na expedição chefiada pelo Coronel Eduardo Galhardo enviado àquela colónia para dominar os régulos que, a incitamento de colonialistas britânicos, se haviam revoltado contra a presença portuguesa.
Em 10 de Dezembro de 1895 foi nomeado Governador Militar do Distrito de Gaza e, logo a 29 desse mês, promoveu a heróica captura de Gungunhana, em Chaimite.
A 13 de Março de 1896, foi nomeado Governador Geral de Moçambique e, em 25 de Novembro seguinte, Comissário Régio. Em meados de 1897, empreendeu a gloriosa campanha de Macontene.
Regressado à Metrópole, em Dezembro de 1898, foi nomeado pelo Rei D. Carlos, aio do Príncipe Real D. Luís Filipe. Pôs termo à vida em 8 de Dezembro de 1902, numa clara revolta contra o desmoronar dos valores nacionais a que assistia.
Joaquim Mouzinho de Albuquerque foi um dos portugueses mais notáveis do século XIX, tanto pelo seu acendrado patriotismo, como pela brilhante inteligência e capacidade governativa, de que deu bastantes provas em Moçambique, e pela lealdade, honestidade, coragem, espírito de sacrifício e noção de serviço público, qualidades raras que o destacaram dentre os homens da sua geração.
Não obstante os serviços prestados a Portugal, ainda não lhe foi prestada grande homenagem de que é credor: a transladação dos seus restos mortais para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória.
Feira do Livro da Batalha | Uma chuva de cultura
De tudo isso aconteceu um pouco nesses dias, repletos de animação, e que só algumas partidas da chuva vieram atrapalhar, sobretudo no primeiro dia. Ainda assim, foi uma boa ocasião para adquirir os livros e jogos com algum desconto e lembrar, sobretudo aos mais novos, que ler é um prazer e uma actividade saudável para a mente.
Foi também uma oportunidade para assistir a alguns bons espectáculos de rua, com algumas demonstrações de dança e diversas peças de teatro muito interessantes.
Festibatalha trouxe marchas à vila
Rosas do Lena na Lituânia
O Rancho Folclórico Rosas do Lena deslocou-se à Lituânia, de 14 a 20 de Julho, para participar no grande Festival Internacional da Cadeia dos Lagos, que reúne anualmente os melhores grupos de folclore de várias partes do mundo, repartindo-se por diversas cidades daquela República do Báltico, em todas elas actuando o agrupamento representativo da nossa região e do nosso país.
Assim, o Rosas do Lena marcou presença, que como habitualmente é uma imagem prestigiante de Portugal, em Zarasai, Ignalina, Tena, Visaginas, Anyksciai, Svencionys e Molétai, sendo o primeiro grupo de folclore português a tomar parte nesse festival.
Recordamos que no ano transacto o Rosas do Lena teve uma brilhante participação no Festival Europeu, que reuniu vinte e três países, na Áustria.
Orquestra Juvenil de Baden-Württemberg na Batalha
Fundada em 1983, a orquestra é constituída por jovens talentos, com um reportório musical exigente, de peças clássicas e de câmara, dirigida pelo maestro Felix Hauswirth.
Refira-se ainda que a orquestra efectua, desde 1992, digressões por todo o mundo, contando-se espectáculos na Ásia (Banguecoque, Singapura, Coreia, Hong-kong, Macau, kuala Lumpur), na Austrália (Ópera de Sydney), no Brasil, EUA, Canadá e na África do Sul.
Este concerto resulta de uma parceria que envolve o Município, a SAMP e o Mosteiro da Batalha.
Fado na Batalha
A iniciativa, de entrada livre, resulta de uma parceria estabelecida entre o Município da Batalha e a Escola de Artes e Ofícios Tradicionais da Batalha.
Badoca Safari Park | Uma aventura emocionante... bem perto de nós
Fizemos uma visita ao local e contamos-lhe um pouco do que poderá ali encontrar, como boa sugestão para um fim-de-semana ou uma escapadinha de férias neste Verão.
Chegada
Na estrada de Grândola para Sines (IP8), ao km34, encontramos à direita um imponente portal, que nos anuncia a entrada num cenário propício à imaginação. O parque de estacionamento em terra batida acaba por servir de adaptação ao ambiente que nos espera, com vegetação abundante e cuidada, contacto com a natureza e, portanto, sem cimento ou alcatrão. À entrada, a sempre inconveniente bilheteira, mas os 43 euros do bilhete familiar (há outras variáveis) acabam por parecer bem merecidos ao fim de um dia de diversão – é verdade, convém chegar pela manhã e sair ao final da tarde, para aproveitar bem.
Já agora, no preçário familiar informa-se que é apenas para dois adultos e duas crianças. Defendemos que às famílias mais numerosas seja dado o mesmo desconto, sem discriminação. Por sinal, entrámos com três crianças e fizeram-nos o preço de um bilhete de família. Não sabemos se é norma, ou se foi por estar um jornalista no grupo. Não chegámos a fazer essa pergunta ao director do parque, Pedro Krupenski, que se prontificou a oferecer um bilhete ao repórter do Jornal da Golpilheira e a acompanhar-nos na visita, caso o desejássemos. Preferimos ir sozinhos, à aventura, mas agradecemos a amabilidade.
Comecemos a visita. À direita, surge a primeira surpresa: uma diversidade de aves exóticas, de magníficas cores, passeia-se nos poleiros e ambientes semelhantes aos naturais. Podemos passar largos minutos a contemplar os loris, tucanos, periquitos, caturras, etc. Para os mais audazes e desejosos do contacto com os animais, faz-se o convite, à esquerda, a entrar na grande jaula dos papagaios, araras e catatuas. Dá para tirar belas fotos, com as aves pousadas nos seus ombros e, se não fizer gestos muito violentos, sem qualquer tentativa de agressão dos seus bicos encurvados.
Deixando os pássaros, encontramos a ilha dos lémures de barriga vermelha (embora as fêmeas a tenham branca), que parecem macacos, mas não são. Naturais da floresta tropical de Madagáscar, são os animais mais territoriais daquela ilha e muito vulneráveis. Cada grupo é constituído por cerca de 2 a 5 indivíduos, mãe, pai e filhos até aos 2 anos e meio, pois a partir desta idade a mãe expulsa as crias fêmeas e o pai as crias machos (fora com a concorrência).
Uma das filosofias do parque é a protecção das espécies em risco de extinção e colaboração em programas internacionais para a sua reprodução em cativeiro. Isso mesmo nos vai sendo informado, nas muitas sessões de apresentação dos diversos animais, sobretudo aquando da sua alimentação. Neste contexto, o lémur e outros nativos da ilha de Madagáscar têm no Badoca um espaço especial, com uma exposição temática a eles dedicada e uma animação teatral sobre os perigos que correm no seu habitat natural.
Uma quinta muito especial
Na parte superior do parque, aparece uma extensa e muito especial quinta. Cabras anãs e póneis, flamingos, íbis, cangurus, coatis, lamas, cavalos, burros, ovelhas e o estranho watusi – boi de enormes cornos – convivem alegremente, embora separados em estábulos próprios, cada um deles adaptado à personalidade dos habitantes.
Em honra do habitat natural de grande parte destas espécies, foi criado um recinto chamado "aldeia africana", com vários espaços a descobrir e enormes animais de madeira, onde os mais pequenos podem dar largas à sua genica, pulando jacarés, entrando na barriga dos elefantes ou trepando pelo interior da girafa.
No fim de tanta animação, é fácil a fome começar a apertar. Nota positiva para o enorme parque de merendas, entre as frondosas árvores, num ambiente agradável e refrescante. Nota negativa para a capacidade de resposta do restaurante, pois bastou entrar um autocarro de gente para ficarmos de fora. Já agora, estar fechado às 16h00, quando tanto nos apetecia uma bebida na magnífica esplanada, também nos pareceu um desperdício de oportunidade. Claro que podemos optar pelo quiosque de comidas rápidas, junto ao parque de merendas, o que acabámos por fazer, mas a fila era imensa para apenas duas funcionárias, para além de os preços, até dos gelados, estarem demasiado inflacionados. O nosso conselho, sobretudo para as famílias, é levarem um farnel de casa para o piquenique.
O momento mais apetecível do dia é, sem dúvida, o safari. Depois de uma sandes engolida à pressa, lá partimos para a ponte de madeira que nos conduziu às carruagens puxadas a tractor. Apesar do pó, que é natural, e de algum aperto da lotação esgotada do veículo, vale bem a pena. As avestruzes são as primeiras a fazer o reconhecimento dos forasteiros, com umas bicadas de cumprimento. A diversão começa logo aí. Depois, ao longo de cerca de uma hora, é uma verdadeira entrada num zoo que não imaginamos encontrar em pleno Alentejo: Cobo Crescente, Gnu Azul, Kudu, Gnu de Cauda Branca, Búfalo do Congo, Muflão, Nandu, Órix Cimitarra, Pecari de Colar, Sitatunga, Tigre de Bengala, Veado Ibérico, Zebra da Planície, Cabra de Leque, Chital, Cobo de Leche, Elande, Impala, Gamo e Girafa. Pelos nomes, já podemos imaginar a variedade de animais que podemos por ali encontrar, com paragens frequentes para a necessária explicação do condutor da expedição. E nem vale a pena descrever mais nada, pois esta é uma daquelas coisas que "só vistas". O único animal que nos pareceu demasiado "preso" foi o tigre, limitado a um espaço parecido com o de um zoo urbano.
De regresso, pudemos ainda assistir à alimentação dos Marabús, uma estranha e enigmática ave, conhecida como "cangalheiro de África", dado o seu aspecto "simpático". Com metro e meio de altura e dois e meio de envergadura de asas, é ver estes sinistros e vorazes passarões engolir em pleno ar os pintos que lhes são atirados. No seu habitat natural, têm o importante papel de limpar os restos de carcaças deixados por outros predadores, eliminando focos de contaminação e doenças.
Saída
Ao fim de um dia, estamos cansados. É divertido, mas convém ter alguma leveza no corpo e boa disposição no espírito. Até porque para acompanhar o ritmo das ofertas do parque convém não perder muito tempo em cada lugar. Quanto a isso, convém também ir preparado para encontrar horários diferentes daqueles se anunciam no sítio da internet (www.badoca.com), nos folhetos informativos e mesmo no quadro que está à entrada. Quem programar o horário em casa, como nós fizemos, terá de andar todo o dia a alterar os planos. Esta falha é, no entanto, compensada pela constante informação sonora das várias sessões. E não podemos deixar de referir a simpatia e amabilidade do pessoal do Badoca, desde a recepção até aos tratadores de animais e restantes guias, sempre com um atendimento pronto e sorridente.
Portanto, apesar dos dois ou três pontos negativos que encontrámos, o saldo é francamente positivo e não podemos deixar de aconselhar uma visita. Como dissemos, convém ir todo o dia e preparar-se para o esforço físico. Já agora, as crianças aguentam lindamente e ainda pedem mais. Só se nota que estão cansadas quando se sentam no automóvel e adormecem imediatamente.
Texto/fotos: Luís Miguel Ferraz
Positivo
- Diversidade de espécies
- Magnífico ambiente natural
- Boas sessões temáticas
- Simpatia do pessoal
Negativo
- Bilhete familiar só para duas crianças?
- Restaurante pequeno e alimentação cara
- Falha nos horários anunciados
Eco Parque Sensorial de S. Mamede | Pia do Urso distinguida
A iniciativa, denominada "Prémio Turismo – Valorização do Espaço Público", já na segunda edição, teve como principal objectivo premiar os projectos que se distinguem no campo da diferenciação turística e que contribuam para a melhoria da atractividade dos espaços públicos, sendo o Eco Parque Sensorial da Pia do Urso um exemplo desse esforço. A par da componente turística desta infraestrutura da Batalha, o carácter inclusivo do EcoParque que, recorde-se, tem instalado o primeiro circuito do País adaptado para cidadãos invisuais, foi também destacado pelos auditores da consultora Deloitte, empresa que auditou e validou os resultados.
Mitsubishi Strakar 4x4 patrulham litoral
A empresa Auto Júlio Leiria foi palco, no dia 4 de Julho, da cerimónia de entrega da última de três viaturas Mitsubishi Strakar 4x4 que o grupo sediado em Caldas da Rainha colocou este ano à disposição das capitanias de Peniche, Nazaré e Figueira da Foz, em missão de vigilância e socorro das praias do litoral Oeste e Centro do País.
De acordo com o comandante Neto, da Capitania do Porto da Nazaré, a viatura oferecida vai operar ao longo da costa, numa extensão de cerca de 75 quilómetros, com forte incidência nas zonas não concessionadas, contribuindo para uma maior segurança dos banhistas e veraneantes. Para que os salvamentos possam ser efectuados em melhores condições de operacionalidade, esta carrinha está "especialmente equipada para socorrer os banhistas, dispondo de bóias, pranchas e posto de primeiros socorros, estando ainda preparada para o transporte de politraumatizados", afirmou este comandante. Para além disso, graças às características de última geração deste veículo, está particularmente preparado para um bom desempenho no asfalto e em condições extremas da condução na areia.
A cerimónia foi presidida pelo presidente da "Auto Júlio", que aproveitou a oportunidade para mencionar o vigésimo aniversário do grupo, numa altura em que emprega 170 pessoas e constitui uma das cinco maiores empresas do distrito de Leiria. Para António Júlio, "o apoio a este projecto deve-se a um grande sentido de responsabilidade social do grupo e é uma demonstração da sua solidez financeira, sendo o maior concessionário da Mitsubishi em Portugal.
Sol, mar e muito mais... na região
A Região de Turismo Leria/Fátima tem praias magníficas no seu "escaparate", com boas propostas em infra-estruturas hoteleiras, animação, cultura e condições de acessibilidade.
Começando a Norte, o Osso da Baleia, conhecida como a "Praia Dourada", está em plena mata nacional, que se estende pelas praias do Fausto, do Pedrógão e da Vieira de Leiria. Este imenso verde tem espécies únicas, que estão classificadas e protegidas, sendo um percurso aconselhado a quem deseja uma alternativa à areia.
No Pedrógão, o veraneante é convidado a deslumbrar-se com as dunas imponentes e únicas na sua altura, bem como um número significativo de aves e vegetação marítima. Os festivais da sardinha e outros peixes frescos da região são também pretexto para emoções fortes. Os mais jovens consideram esta praia como uma das predilectas, pela animação nocturna que oferece.
Com um casario de cores bem garridas, a Vieira de Leiria é uma das praias onde se conservam muitas tradições. A pesca e a participação dos banhistas na recolha das redes são imagens que os visitantes não esquecem. Um comércio bem desenvolvido e uma boa oferta de cafés, bares e restaurantes são apanágio da Vieira, com uma marginal lindíssima. O marisco e os peixes frescos são outras das ofertas desta praia, que atrai grande parte das gente da nossa região, e não só.
São Pedro de Moel é uma das praias "vip" da região centro. Com moradias de qualidade superior, um altivo farol e uma ciclovia até à Marinha Grande, esta praia é procurada sobretudo por quem gosta de qualidade. As piscinas de água salgada e os trilhos pela mata são também fortes argumentos para uma visita.
Mais ao Centro, temos um conjunto vasto e notável de praias: Água de Madeiros, Pedra do Ouro, Polvoeira, Paredes de Vitória, Vale da Figueira, Vale do Pardo, Légua e a Praia do Norte. Com empreendimentos imobiliários de topo, têm-se desenvolvido nesta extensão do litoral autênticas zonas de requinte. A Pedra do Ouro é um dos exemplos mais flagrantes.
A gastronomia, os conhecidos "chambres, rooms, zimmer, habitación", e os excelentes programas culturais, fazem da praia da Nazaré uma das mais belas do País. O Sítio emblemático, o paredão majestoso, a imensa oferta de bares e restaurantes – onde a caldeirada é um cardápio obrigatório –, as peixeiras das sete saias e outro folclore regional são outros dos atributos que fazem deste local uma referência.
O Sul da região apresenta as praias do Salgado, Gralha e a soberba São Martinho do Porto. A natureza fez aqui uuma obra-prima, desenhando a baía dos golfinhos numa aliança de formas perfeitas, com presença assegurada nos roteiros mais bonitos de Portugal.
Portanto, sem ir para muito longe, é só escolher. Praias, monumentos históricos, castelos, templos e celebrações religiosas de importância mundial, grutas, termas, museus, serras e parques nacionais classificados, gastronomia, artesanato, festas, feiras, espectáculos e uma gente que sabe acolher. É esta a nossa região turística.
Joaquim Santos
Todo o cuidado é pouco
Ir à praia é divertido, mas há cuidados indispensáveis para voltar de férias sem problemas.
• Proteja-se dos raios solares – A exposição excessiva ao sol provoca o envelhecimento prematuro da pele, enfraquece as suas defesas naturais e aumenta o risco de cancro, que pode aparecer apenas alguns anos depois. O cancro de pele está a aumentar em Portugal, estimando-se, em cada ano, 800 novos casos. Portanto, não apanhe sol ente as 12h00 e as 16h00. O vestuário e a sombra são a melhor protecção, bem como um filtro solar com factor alto e o uso de óculos de sol e de um chapéu.
• Vigie as crianças – Correr e brincar à vontade na praia é o sonho de qualquer criança. Mas o perigo pode espreitar. Basta uma desatenção para os miúdos se aventurem na água, se perderem no areal ou irem atrás de alguém que os chama. Vigie todos os seus movimentos. Assim que der por falta das suas crianças, não hesite em pedir auxílio ao vigilante.
• Depois das refeições, espere três horas antes de tomar banho – A digestão dos alimentos demora, pelo menos, três horas, mesmo numa refeição leve. Durante esse tempo, o contacto com a água fria pode causar uma congestão.
• Evite a ingestão de bebidas alcoólicas – É tentadora uma cerveja fresquinha na esplanada da praia. Mas as bebidas alcoólicas retardam a digestão, pelo que... se beber, não vá ao banho!
• Não entre repentinamente na água – Um dos perigos da exposição ao sol é o aumento da temperatura do corpo. Por isso, uma entrada de rompante na água pode provocar um choque térmico e até a morte instantânea. Molhe-se lentamente, de baixo para cima, e nunca permaneça na água se sentir arrepios.
• Nade acompanhado – Se não tiver companhia, escolha um local onde haja mais pessoas a tomar banho, pois será mais fácil pedir auxílio. E não entre na água sem avisar alguém. Caso veja alguém aflito, alerte o nadador-salvador e não tente fazer o salvamento, pois a pessoa em pânico tenta agarrar-se com força ao que o ajuda e podem ficar os dois em perigo.
• Nade paralelamente à costa – O mar não é o local apropriado para mostrar os seus dotes de nadador. Para dentro, "todos os santos ajudam", mas para fora, o cansaço e os músculos arrefecidos pela água podem ser um problema. Nade sempre paralelamente à praia, pois é mais rápido sair.
• Não nade contra a corrente – Por comodismo, tendemos a entrar e a sair da água na zona onde estendemos a toalha. Mas o caminho de volta pode revelar-se uma luta contra a corrente. Se lhe acontecer, mantenha a calma, deixe-se arrastar e nade obliquamente até à costa.
• Nunca hesite em pedir ajuda – É melhor pedir ajuda antes de uma situação desesperada. Se estiver cansado, dominado pela corrente, ou demasiado afastado da costa, peça ajuda!
• Respeite as instruções dos nadadores-salvadores – Formados pelo Instituto de Socorros a Náufragos, os nadadores-salvadores conhecem os perigos da praia e estão lá para zelar pela segurança dos banhistas. Respeite os seus conselhos.
Chapéu feminino
O chapéu feminino da região alto-estremenha leiriense é dos mais bonitos que conhecemos. Era um luxo que rapariga nenhuma dispensava, embora algumas, quando solteiras, o não pudessem usar, dados os parcos rendimentos da família. Mas quando assim era, depois de casadas, a primeira prenda que o seu "homem" lhe oferecia era um chapéu, concretizando assim o sonho da sua jovem mulher.
Um bom chapéu era armado em feltro e forrado por dentro e por fora de veludilho preto, que as mulheres assim o cantavam nesta elucidativa "calha":
É bonito o meu chapéu
Forrado de veludilho
É bonito gosto dele
Como gosta a mãe do filho
De copa abobadada e abas verticais e mais altas do que aquela, levava a que a mulher não pudesse pôr sobre o chapéu qualquer peso, sob pena de as amachucar, levando à sua deformação e consequente fealdade. Os mais senhoris, conquanto fossem também forrados de veludilho, tinham ainda um sobreforro em tafetá cristal ou seda fulgurante de cor branca. Na copa, tinham um laço de veludilho preto, com as pontas em leque, pregado com um firmal com uma pérola, ou seja, uma conta prateada. A completar o enfeite, penas plumosas muito erectas, nas cores amarelo, branco, verde, azul, encarnado e castanho, que eram fixas à copa, mas apenas do lado esquerdo, de modo a formar um tufo. Como remate, uma pluma preta muito bem fixada à copa com o firmal a que aludimos.
Evidentemente que num rancho folclórico não basta ter as diferentes peças de indumentária muito genuínas, mas também a maneira correcta de as usar. Um homem nosso vizinho disse-nos que era na maneira de pôr lenço e o chapéu que as raparigas faziam realçar a boniteza do seu rosto. Vamos então falar na elegância de usar o chapéu.
Sendo forrado de veludilho, como dissemos, é posto com a costura para trás, de modo a que as penas e a pluma fiquem do lado esquerdo. Porém, há um pormenor muito a ter em atenção: deve ser posto na cabeça inclinado para a frente, de maneira a que a parte inferior da aba fique um dedo de través em relação às sobrancelhas. Esta forma correctíssima de o usar leva a que, quando a mulher inclina a cabeça, fique bem evidente a ornamentação da cobertura e consequente elegância. O chapéu é sempre posto sobre o lenço, que pode ser atado acima, mas de modo a que o nó fique na nuca, logo bem visível, com as duas pontas levantadas e entaladas na aba com uma só ponta entalada do lado esquerdo, mostrando assim um caracolinho de cabelo, a que o povo chamava "pesca rapazes", com as três pontas sobre a copa, primeiro as dos lados e depois as de trás. Esta maneira era sobretudo usada no Verão, o que levava ao refresco da cara e do "cachaço". Também havia mulheres, mas já um tanto maduras, que tapavam toda a trança com o lenço, fazendo uma espécie de touca. E, por último, a maneira mais séria, digamos assim, de pôr o lenço: atado abaixo, com o nó para trás, mas de modo a que a parte do lenço ficasse sobre o queixo – "lenço soqueixado". Mulheres havia que tapavam mesmo a boca e parte da cara, costume este, ao que dizem certos etnógrafos, nos ficou das mulheres árabes, que ainda hoje andam de rosto velado. Na freguesia da Maceira, a este atavio feminino era conhecido como chapéu de domingo, para diferenciar do usado durante a semana, ou seja, o chapéu de trabalho, que era muito sóbrio, quer na forma, quer na ausência de ornatos.
Os enfeites que indicámos, é possível que tenham nascido com o chapéu. Mas outro ornamento há, se assim se lhe pode chamar, que deve ter nascido mais tarde. Referimo-nos ao lencinho que, entre o povo, era conhecido como "lencinho do chapéu", no qual os nossos leitores já devem ter reparado. Mas qual a origem desta prática?
Não foi nada asseada, dizemos nós, a origem deste atavio que nos dias de hoje custa a acreditar que assim tenha sido. Mesmo correndo o risco de sermos apelidados de mentirosos, nem por isso vamos deixar de lhe fazer minucioso relato, dado que foram factos por nós testemunhados. Não deixa de ser curioso que, quanto aos homens, apareçam os lenços vermelhos com traços pretos e classificados como suareiros, tabaqueiros e rapeleiros, não havendo qualquer referência ao lenço de assoar. Tudo leva a crer que não existia, ou pelo menos não era como tal usado, visto que preferiam o "lenço de cinco pontas", que não era mais do que apertar as narinas com os dedos polegar e indicador, ao mesmo tempo que, com uma forte expiração pulmonar, se provocava a impetuosa saída do muco nasal.
Quanto às mulheres, sobretudo as mais duronas, não usavam o lenço de cinco pontas como os homens. Preferiam antes a barra da saia ou do avental, da banda de dentro. Parecia que andavam a bater "peles", no dizer de um nosso vizinho já muito evoluído para o tempo, quanto à higiene individual. As raparigas novas não eram muito atreitas a este proceder. Usavam lenços de pequena superfície, ou seja, um quarto de côvado, o que equivale a 16,5 centímetros de lado. Depois de se assoarem, guardavam o lencinho no "punho de canudo" do seu casaco, hoje chamado blusa, ou mesmo no seio. Outras preferiam entalá-lo na aba do chapéu de domingo. As mais cuidadosas enrolavam-no muito a preceito, de modo a ficar bem recatado. As mais "desleixadas" punham-no de qualquer maneira, ficando a esvoaçar, nascendo assim o "lencinho do chapéu". Eram sempre de cor branca e muitos eram debruados com minúsculos debruns, nas cores amarelo, verde, encarnado, azul e castanho, cores aliás correspondentes às das penas, havendo casos de debruns a preto.
Com o andar dos tempos, deixaram de ser lenços de assoar, para se transformarem em adornos dos chapéus. Eram postos do lado direito, em oposição ao tufo de penas, posto do lado esquerdo, ficando a esvoaçar quando aplicados, abertos à laia de cravos, mas nunca, como temos visto, cosidos à aba do chapéu da banda de fora e muito esticadinhos. Eram fixos, sim, à copa, entre a aba, mas do lado de dentro. Esta prática dá ainda hoje uma certa louçania ao chapéu, que a todos os títulos recomendamos.
Sendo conhecido como chapéu de domingo, não queria dizer que só neste dia fosse usado, mas antes em todas as ocasiões em que a mulher não estava no trabalho, como ir à missa, ao mercado, à feira, a um casamento, a uma festa, a um baptizado, etc. Porém, nem em todas as ocasiões a mulher usava o chapéu da mesma maneira. Por exemplo, nas cerimónias religiosas, não era usado na cabeça. Assim que entrava na igreja, retirava-o, estando de joelhos punha-o sobre a barra da saia. Há quem diga que, mesmo tomando parte nas celebrações litúrgicas, a mulher conservava o chapéu na cabeça, dado o hábito de não lhe ser permitido entrar nos recintos sagrados de cabeça descoberta. Era verdade, mas só no que se referia ao lenço. E mais: este tinha de ser atado abaixo – "lenço soqueixado". Só a noiva gozava do privilégio de entrar na igreja com o lenço em pontas, sobre a cabeça, isto é, caído sobre as costas. A nossa afirmação é baseada em factos por nós testemunhados e pelo povo confirmados, ao cantar os seus costumes e usanças para a posteridade, como sejam os motes:
Da cabeça para a mão
Passo logo o meu chapéu
Quando entro na igreja
P’ra rezar ao Deus do Céu
Da cabeça para a mão
Passo logo o meu chapéu
Quando entro na igreja
P’ra pedir p’ra ti o Céu
Eu fui a Alcobaça
Mas não levei-lo chapéu
P’ra poder ir ao convento
Vê-lo retrato do Céu
Quaisquer destes motes, consideramo-los autênticos documentos e, daí, credíveis quanto ao uso de chapéu.
Mas continuemos: quando a mulher saía de casa com o "lenço soqueixado" e chapéu na cabeça para ir esperar o "Senhor", quando o senhor prior vinha prestar aos moribundos assistência religiosa, assim que ouvia o toque da campainha anunciando a aproximação da procissão eucarística, retirava de imediato a cobertura da cabeça e levava-a na mão. As afirmações que fazemos, reforçamos, são mais que suficientes quanto ao uso do chapéu, aquando a mulher tomava parte nas cerimónias religiosas.
Na nossa região, mas mais para o litoral, havia um outro chapéu, muito semelhante ao que vimos descrevendo. Referimo-nos ao chapéu que era conhecido como chapéu raso. Tinha as abas verticais, mas mais baixas, de modo que a copa era mais alta do que aquelas. Era muito funcional, dado que a mulher o usava para pôr sobre o dito as canastras do peixe. As abas mais baixas em relação à copa permitiam, contudo, que a salmoura do peixe não escorresse cabeça abaixo. Sendo, no fundo, um chapéu de trabalho, era ausente de enfeites. Quem se não lembra destes chapéus na década de quarenta, quando começou o mercado da Gândara, hoje dito da Maceira e as sardinheiras vinham vender as saborosíssimas petingas? Que saudades temos de tais tempos!!! Que bonito trajo o destas mulheres!!!
Conquanto este chapéu fosse mais usado no litoral, à beira-água, também no interior aparecia, embora com menos frequência. Seria, pois, uma variante do chapéu de domingo, mas mais pobre, mas mesmo assim não acessível a todas as bolsas.
Cortes | Prémio Literário
Joana Rico brilha em Pataias
Decorreu, no passado dia 20 de Julho, na Quinta da Boubã, Pataias, o concerto de pré-apresentação do primeiro CD de originais da artista Joana Rico, evento que contou com o apoio do Jornal da Golpilheira. Num espectáculo cheio de movimento, luz, som e pirotecnia, em que participaram vários artistas convidados, Joana Rico presenteou os muitos presentes com alguns dos temas que brevemente estarão nas lojas de música à disposição do público. Contagiou o público e confirmou a crítica de alguns comentadores que a referem como "uma das vozes portuguesas mais bonitas".
Esta artista, de 32 anos, residente em Pataias, canta desde a infância, primeiro por brincadeira, depois em bares de karaoke, onde começa a ‘dar nas vistas’. No programa televisivo "Cantigas da Rua", chega à final, que disputa com Luciana Abreu, protagonista da telenovela Floribella. Daí até às várias actuações em público, de Norte a Sul do País, o caminho foi curto. Surgem várias propostas, mas é a de Dany Freixo que a leva a concretizar o álbum que está agora na calha e cujo título é, ainda, uma surpresa.
A apresentação do trabalho completo está previsto para breve, em televisão, tendo já algumas propostas para actuações em Portugal e no estrangeiro. Tem, por isso, todo o espaço do mundo para percorrer e ser um sucesso.
Receitas de Amor para ser Feliz
Edição: Zéfiro
Estas receitas de amor, se estivermos muito empenhados em ser felizes, são muito simples de executar.
Vamos arranjar um grande ‘balão energético’ e começamos por misturar um pouco de humildade, separando a arrogância, juntamos duas colheres de coragem, ignorando medos, vazamos, com ímpeto, para dentro desse ‘caldeirão’ muita compreensão, respeito pelos outros (virtude difícil de conseguir), simplicidade de vida, aceitação, despojamento e, por fim, objectivos nobres e abertura de espírito.
Comecemos então a trabalhar todos estes ingredientes com boa vontade, reconhecendo os nossos limites e naturezas e, a pouco e pouco, todos estes condimentos emocionais vão sendo assimilados pelo nosso coração que é a fornalha alquímica, onde tudo se transforma em Amor.
Nota da Autora
Artur Agostinho, 50 perguntas
Edição: Folheto Edições & Design
"Artur Agostinho, 50 perguntas" regista uma estimulante conversa de várias horas, reduzida a 50 perguntas e respectivas respostas. Esta colecção surge com o objectivo, também, de promover e colaborar com Instituições que lutam por uma verdadeira causa, como é o exemplo da "A Nossa Âncora", para onde reverterá grande parte do lucro das vendas deste livro.
A simplicidade deste livro é apenas um resumo, traduzido em entrevista, da vida de um Homem que muito deu a Portugal, sem nunca negar a sua Pátria. Esta entrevista foi uma conversa aberta, sem nada a esconder, onde jornalista e entrevistado, por várias vezes, falaram de mais de 80 anos de vida de um Homem e de um País.
Depois da grande abertura com Artur Agostinho, outros grandes nomes virão enriquecer esta Colecção...
Nota do Autor
3 Contos Fantásticos
Edição: Antígona
Ludwig Tieck (1773-1853), expoente do Romantismo alemão, é autor de obra vastíssima e muito diversificada. Esta edição reúne três contos fantásticos – "Eckbert, o Louro", "As Sílfides" e "Magia de Amor" – nos quais predomina o gosto do horrível, do tenebroso, do mágico e do grotesco. Os heróis de Tieck buscam a felicidade no amor ou na amizade, de que nunca chegam a desfrutar. A causa é, em regra, um acontecimento trágico, a que não são totalmente alheios, fruto da revelação de um segredo. É assim com Eckbert – que se deixa minar pela suspeita a partir do momento em que se confia a amigos – e, também, com Marie, a heroína de "As Sílfides", que, ao quebrar a promessa feita de nunca desvendar a experiência por que passara, conjura a desgraça. Em "Magia de Amor", Emil procura na amizade e no amor antídoto para a solidão moral e a angústia que o atormentam. Mas eis que, a um passo da almejada felicidade, se produz a catástrofe que tudo aniquila...
Em resumo, são histórias com personagens extraordinárias, algumas dotadas de poderes sobrenaturais, com que imperam ambientes góticos de suspense, ao melhor estilo do imaginário maravilhoso, que agradarão não só aos adultos, como aos leitores mais jovens.
Trata-se de uma novidade editorial lançada pela Antígona, à venda nas livrarias desde o passado dia 20 de Julho. Uma óptima opção para leitura de férias…
Como prevenir pandemia de gripe
A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) tem à venda uma brochura informativa, com oferta de um termómetro digital, disponível nas bancas de jornais e revistas, com um custo de 5 euros. A venda reverte para o Fundo de Emergência da CVP, lançado recentemente com o slogan "Ajude-nos antes, para ajudarmos depois". A brochura apresenta medidas simples que podem prevenir ou atenuar as consequências da eventual pandemia e estão ao alcance de todos, e que vão da lavagem correcta das mãos até à criação de uma reserva de sobrevivência em casa, passando pelos cuidados a ter com as crianças ou no trabalho.
Esta iniciativa surge no âmbito da Agenda Global da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho para a "redução do impacto das doenças e das emergências de saúde pública e a redução do número de mortos, doentes e feridos resultantes das catástrofes em geral".
A OMS definiu 6 fases de alerta pandémico, procurando informar o mundo da gravidade da ameaça e da necessidade de intensificar as actividades de preparação. Cada fase de alerta coincide com um conjunto de actividades recomendadas. A mudança de uma fase para outra é determinada por diversos factores, incluindo o comportamento epidemiológico da doença e as características dos vírus em circulação. O mundo está presentemente na fase 3: um novo sub-tipo do vírus da gripe está a causar a doença em humanos, mas ainda não se transmite eficientemente e de forma sustentada entre humanos. No que respeita ao último surto de gripe das aves provocado pelo sub-tipo H5N1, são já conhecidos 111 casos e 76 mortos em 2006.
Dada a imprevisibilidade do comportamento dos vírus da gripe, não é possível prever nem o momento, nem o grau de severidade da próxima pandemia. Quando surgir uma pandemia de gripe, a propagação global será inevitável. No entanto, a população pode diminuir o risco de contágio, e consequentemente o impacto da pandemia, se as pessoas estiverem informadas e preparadas.
Fundo de Emergência CVP
O Fundo de Emergência da CVP tem por finalidade criar as condições necessárias para que, numa situação de emergência nacional ou internacional resultante de catástrofes, possa intervir de forma rápida e eficaz junto das pessoas que têm a sua a vida, saúde ou dignidade ameaçadas. Poderá enviar o seu donativo por Multibanco (pagamento de serviços > referência 20999 > entidade 999 999 999 > montante que desejar), por depósito ou transferência bancária (contas "CVP – Fundo de Emergência" abertas em vários bancos), por cheque, vale postal ou autorização de débito directo. Informações: 760202222 ou www.cruzvermelha.pt.
APPC-Leiria na Internet
A Liz On-line, empresa de serviços de Internet que integra a Lena Serviços (Grupo Lena), entregou no passado dia 24, simbolicamente, o site da APPC-Leiria à sua presidente, Lúcia Bento, numa cerimónia que contou com representantes do Instituto Nacional de Reabilitação, GRACE – Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, ACEP – Associação de Comércio Electrónico de Portugal, Câmara Municipal de Leiria, parceiros da associação e, ainda, Pedro Vaz de Carvalho, em representação do Grupo Lena.
O site www.appcleiria.pt — cujo design, concepção e alojamento foi integralmente oferecido pela Liz On-line — ficará on-line até ao final desta semana e irá disponibilizar uma série de ferramentas totalmente inovadoras no contexto nacional no que toca às necessidades específicas de acessibilidade dos cibernautas portadores dos mais variados tipos de deficiência (física, auditiva, visual, etc.).
Em todo o desenvolvimento do site, a preocupação constante foi a do cumprimento das regras das acessibilidades. Entre a tecnologia inovadora que dispõe, destaca-se uma ferramenta que possibilita a audição de todos os conteúdos do site sem necessidade de adquirir nenhum equipamento específico — basta ter um computador com colunas. Este site permite ainda navegar sem rato e existe a possibilidade de alterar o seu aspecto gráfico em função das necessidades visuais dos utilizadores.
Durante a cerimónia, José Carlos Faustino, Director Geral da Liz On-line, partilhou com todos os presentes o layout gráfico e algumas funcionalidades do site, que permitirá, entre outras coisas, obter informações detalhadas não só acerca do trabalho desenvolvido por esta IPSS, mas também sobre as patologias de crianças "especiais", legislação relevante, etc.
Entre as novidades, destaca-se um espaço onde os cibernautas poderão apoiar a APPC-Leiria através de E-commerce, sendo possível encomendar on-line produtos da associação tais como livros, CD’s e t-shirts. As receitas provenientes desta venda reverterão totalmente a favor da associação, que partilha igualmente no site alguns dos seus projectos cuja concretização depende do apoio da sociedade civil e empresarial.
Haverá ainda um espaço mais lúdico designado "Clube", onde os mais pequenos podem tornar-se sócios e ter acesso a letras de músicas e, ainda, o testemunho de personalidades nacionais de destaque que apoiam a APPC, tais como o Cristiano Ronaldo e a Floribella, entre outros. É também neste link que os utentes da APPC-Leiria poderão ver on-line os seus desenhos e "habilidades".
A Liz On-line ofereceu, paralelamente, formação aos técnicos da APPC-Leiria para que estes possam, de forma autónoma, actualizar os conteúdos do site.
De acordo com o Carlos Conceição, Administrador da empresa, "a oferta deste site solidário à APPC-Leiria é apenas um dos exemplos do trabalho desenvolvido pela Liz On-line em prol da cidadania empresarial, sendo uma forma muito concreta de devolver à sociedade a confiança que deposita em nós".
A Liz On-line irá oferecer todos os anos um site solidário a uma IPSS da região onde desenvolve a sua actividade, sendo o site da APPC-Leiria apenas o primeiro a ser realizado neste projecto, adianta ainda Carlos Conceição.
Recorde-se que a Liz On-line tem desenvolvido outras acções pioneiras neste âmbito, sendo porventura a única empresa da região cujos cartões de visita possuem informação impressa e em braille.
Fundação S. João de Deus: "Um projecto de todos"
Em funções desde Janeiro deste ano, a Fundação conseguiu, no espaço de cinco meses, "montar a casa", aprovar e ver reconhecidos os seus estatutos e reunir todas as pessoas e instrumentos para assegurar a sua viabilidade. Mas a ideia não era recente. "Começámos a falar neste projecto já em 2003, quando era apenas um sonho", recorda o Irmão José Paulo Pereira, provincial da Ordem Hospitaleira e mentor desta instituição. Surgiram nessa altura as primeiras indicações por parte do Governo Geral da Ordem, reunido em Roma, no sentido de recuperar a dimensão mendicante da Ordem, especialmente nos países com mais recursos. Estas orientações impuseram-se por duas razões: "por um lado, há países subdesenvolvidos que necessitam de muita ajuda; por outro lado, nos países mais ricos (nomeadamente na Europa), disponibiliza-se cada vez menos dinheiro para a saúde, para a acção social e para as instituições de solidariedade social", justifica o Irmão José Paulo.
A dimensão mendicante que a Ordem Hospitaleira pretende agora recuperar através da criação da Fundação encontrava-se adormecida. "Trata-se agora de recuperar uma dimensão que faz parte da nossa identidade, assemelhando-nos ao que fazia o próprio S. João de Deus", fundador da Ordem. O Hospital S. João de Deus de Montemor-o-Novo, inaugurado em 1950, foi totalmente construído com donativos recolhidos pelos chamados Irmãos "esmoleiros", que andavam de porta em porta a pedir.
Passados mais de 400 anos, a Ordem tem a seu cargo oito centros assistenciais em todo o País, cujos domínios de intervenção vão desde a psiquiatria e saúde mental, ao tratamento de toxicodependentes e alcoólicos, passando pela ortopedia e medicina física, geriatria, cuidados continuados e acolhimento de pessoas sem abrigo. Para os Irmãos Hospitaleiros, não foi fácil aceitarem nesta fase a criação de uma fundação, pois "pedir é sempre difícil, e a própria Ordem já não estava habituada a pedir, apesar de a dimensão mendicante estar nas suas origens", justifica o provincial.
O principal objectivo da criação da Fundação S. João de Deus é permitir "dar novas respostas a novas necessidades", afirma o Irmão José Paulo. E projectos para concretizar não faltam. "Queremos avançar em áreas que estão mais esquecidas, como a psicogeriatria ou a doença de Alzheimer, e apostar em programas de reabilitação dos doentes". Outros dois projectos que pretendem concretizar são dotar todos os centros assistenciais do Instituto S. João de Deus de possibilidades económicas para financiar o internamento de um determinado número de pessoas que não tenham recursos para o pagar e criar um centro de acolhimento ou um albergue nocturno para os sem abrigo, totalmente apoiado em donativos e no trabalho de voluntariado.
Em curso está já a primeira campanha de recolha de fundos dinamizada pela Fundação. Intitulada "Inocentes de Guerra", esta campanha lançada em Maio visa financiar o tratamento de um grupo de crianças e jovens angolanos amputados, vítimas do rebentamento de minas e da poliomielite. "Queremos dar a essas crianças a alegria de uma vida nova", avança Paulo Bernardino.
Informações em www.fundacao-sjd.pt.
Vida
e sempre por ti esperasse
não stressava, não corria
enquanto te não amasse.
Porque os espaços perdidos
deste tempo em que vivi,
olho atrás e só os vejo
enquanto estive sem ti.
Se a vida acabasse agora,
ante o vislumbre do Céu,
queria ter nessa hora
o paraíso, um beijo teu.
Luís Miguel Ferraz
Meu bem, meu mal
cometi muitos erros
nesta vida,
todos já perdoados,
porque foram
cometidos,
em nome do amor.
Não faço mal a ninguém,
perdão, faço e muito,
quase todo o dia,
meu maior mal,
em nome do bem,
é fazer e ainda mandar-lhe
poesia!
Ivone Boechat
Perguntas do Toino...
Toino
O Mar
Estavas calmo, parecia melancolia
Tocavas um belo hino
Com os peixinhos fazias sinfonia.
Ó mar que bates na areia
Ninguém sabe o que ele diz,
O pescador vai pescar os peixinhos
Na sua caravela sente-se feliz.
Quando vou à praia
Gosto de ouvir as gaivotas no ar,
Para os pescadores é bom sinal
É a faina da noite para pescar.
Quando o vento visita
O mar fica desorientado,
Bate as ondas sem pretensão
Por fim, fica fatigado.
A praia ajuda a tirar o stress
As crianças brincam com satisfação,
O mar sabe o que querem
É preciso cuidado e orientação.
Cativa o pôr-do-sol
E o mar fica dourado
O reflexo é belo olhar
Foi por Deus tudo criado.
Cremilde Monteiro
Dar o sonho a quem o merece
Quando é feita de honestidade
E sentida com verdadeiro amor
E não de vingança e maldade.
Quem é humano nunca esquece
O quanto vale dar vida a um filho
Mas ver quem esse valor merece
Evitando assim com urgência mais sarilho.
O mundo está molestado,
Todos nós sabemos da traição
E paga sempre quem não é culpado
E a quem é humano faz doer o coração.
Tanta criança ao Deus-dará,
Por todo o lado a estenderem a mão
Tanta gente ao lado dessa situação a ignorará
Lamento e faz-me bastante confusão.
Falar é muito bom mas mete dó,
Quantos filhos por aí abandonados
Entregues ao destino ou a uma avó
E outros a serem de várias formas explorados.
Tanta gente a viver longos momentos de aflição,
E a tragédia continua todos os dias a espreitar
Muito se fala mas cada vez menos solução
Façam justiça digna com actos e não só falar.
Abram de vez a verdadeira janela,
Com paz amor e liberdade
Para darem valor como a vida é bela
Mas só com os sentimentos da honestidade.
José António Carreira Santos
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Quem é a vencedora?
Golpilheira e Benfica fazem a festa na final da Taça de Portugal
Bancadas ao rubro, com ambas as equipas, e respectivas claques, a fazerem a festa no final do jogo. O Benfica levou a melhor no campo desportivo (5-2), no entanto perdeu no apoio. A Golpilheira ainda esteve com uma mão no troféu, no entanto, a condição física acabaria por ser determinante.
Ainda assim, feito inédito para a primeira equipa do distrito de Leiria a conseguir chegar à final da Taça de Portugal de futsal feminino. O Pavilhão de Almeirim quase esgotou para receber a final da prova, realizada no dia 29 de Junho. Frente- a-frente a vencedora do campeonato do distrito de Lisboa e da Taça Ibérica, e ainda terceira classificada na Taça Intercontinental, a equipa do Benfica, e a vencedora do campeonato distrital de Leiria, a Golpilheira. Um desnível acentuado entre instituições que, no entanto, a equipa batalhense tentou inverter, tanto no campo como nas bancadas.
Favoritismo contrariado
O jogo começou equilibrado, com ambas as equipas a optarem pela prudência. Ainda assim, e contra todas as previsões iniciais, acabaria por ser a Golpilheira a primeira a marcar, numa bonita jogada concluída por Maria Inês. A formação batalhense ainda tentou guardar a preciosa vantagem, mas acabaria por permitir o empate pouco tempo depois. O Benfica ainda marcaria mais um golo, fixando em 2-1 o resultado ao intervalo. Após o descanso, o cansaço nas atletas da Golpilheira foi notório, o que permitiu à equipa “encarnada” dilatar a vantagem. Ainda assim, a equipa batalhense tentou contrariar a domínio das adversárias, e após algumas oportunidades desperdiçadas, fixou o resultado em 5-2, por Inês. Pela equipa vencedora marcaram Rita (2), Marisa, Sofia e Sónia. No final, vitória justa da equipa mais experiente e coesa.
Pedro Jerónimo(A notícia mais completa e as entrevistas serão publicadas na próxima edição em papel)





