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quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Editorial da Edição de Natal 2014

Como se isto fosse um carro


Mais uma edição de Natal, onde procuramos apontar os faróis ao positivo e à esperança. Porque travagens, acidentes e derrapagens já todos conhecem por outras vias, a maioria com vítimas aumentadas pela exploração mórbida da curiosidade alheia. Dispensamos, mesmo sabendo o risco de desapontar algum leitor ávido de mais umas linhas sobre a desgraça que por aí grassa.
No final de um ano de depósitos vazios e em constante marcha-atrás, em que quase se esgotou a palavra “crise”, em que descremos de pessoas e instituições em que era suposto confiarmos, em que os horizontes sombrios teimam em adensar-se no pára-brisas, é importante ter janelas e portas abertas à possibilidade do amanhã. A esperança e a fé terão de continuar a ser o motor da construção do futuro que se deseja mais humano, justo e, consequentemente, mais feliz.
Falta a outra virtude, a caridade. Essa terá de ser o óleo que lubrifica o rolar quotidiano. Nesse sentido, é importante não a deixarmos em ponto-morto, após as fugazes campanhas natalícias de comércio solidário. Porque a caridade não é dar esmolas, mas amar a cada momento quem nos acompanha no caminho ou, mesmo, quem segue em contra-mão.
Isto poderá parecer “moralista”, mas, olhando as entrelinhas desta edição, facilmente aparece concretizado. Além disso, escrevemos sobre os valores em que acreditamos e queremos viver. E isso, nos dias que correm, começa a fazer falta como a gasolina para a combustão.
Aos leitores, um Santo Natal e bom arranque neste novo 2015!

Luís Miguel Ferraz,
Director




quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

187 - Editorial


As árvores não morreram de pé


A frase “de pé, de pé, como as árvores” foi celebrizada pela fabulosa actriz Palmira Bastos em 1966, na peça “As Árvores Morrem de Pé”, gravada ao vivo e transmitida pela televisão do tempo do preto-e-branco, naquela que terá sido uma das suas melhores representações de sempre, quando contava já 90 anos de idade.
Contrastando com o vigor das palavras, acompanhadas pelo bater sólido da bengala no palco, a figura frágil da actriz fazia levantar plateias em aplausos vigorosos.
Na madrugada e manhã do passado dia 19 de Janeiro, vigorosos foram os ventos e as chuvas, frágeis foram as construções humanas e sólido foi o bater de enormes e vetustas árvores, algumas contando mais anos do que os 90 do saudoso talento de Palmira.
As palmeiras ter-se-ão aguentado, agarradas ao solo pelas famosas raízes que furam fundo. Mas muitas foram as árvores que fizeram ruir a verdade da sua fama teatral. Raízes expostas ou partidas pelo meio, sozinhas num canteiro de avenida ou às centenas no interior de um frondoso pinhal ou jardim botânico, pequenas ou grandes, novas ou velhas, milhares foram as árvores que, desta vez, não morreram de pé. O vento falou mais forte nesta peça.
Quem diz árvores, diz telhados e barracões, postes e fios, chaminés e portões, muros e vedações. Nem tudo o vento levou – permitam o novo jogo de palavras com as artes performativas, desta feita, em referência ao filme ainda mais antigo (1939) de Victor Fleming. Mas o facto é que este Portugal não está habituado a sopros a mais de 120 kms/h – dizem os especialistas que assim foi – e muita coisa voou. O cenário final foi o de um teatro abandonado, onde só as imagens da destruição permaneceram em palco.
Foi assim de Norte a Sul do País, mas foi na nossa zona Centro que os estragos se revelaram mais pesados. Para além das centenas de árvores tombadas, das muitas telhas sumidas, de uma ou outra casa a céu aberto, foram as redes de electricidade e de comunicações que mais sofreram o rombo e, delas dependentes nalguns locais, as redes de abastecimento de água secaram.
Dez dias depois, já todos vimos em fotos e vídeos o mesmo que observáramos ao vivo, naquela manhã de sábado. Já todos lemos em jornais os muitos relatos dos danos e prejuízos causados. Já todos percebemos o que teremos de refazer, replantar e reconstruir. Por isso, não fazemos deste assunto notícia, mas tema de editorial, embora em formato noticioso e ilustrado. Fica arrumado neste cantinho, para que permaneça mais como memória do que passou do que como novidade que já não é.
Na Golpilheira, também sofremos consequências. Também aqui houve árvores deitadas, meia dúzia de chaminés esfumadas, alguns ripados destelhados. A maioria de nós esteve “apenas” dois dias sem luz e não chegou a ter falta de água, mas houve alguns lares da freguesia que ficaram sem energia e sem o líquido mais precioso durante toda a semana seguinte.
Também esta edição do Jornal da Golpilheira sofreu o adiamento de uma semana, graças ao descanso forçado nesse fim-de-semana de escuridão.
Ainda assim, comparando com as cenas vistas em terras vizinhas, nem nos podemos queixar muito. Seja como for, que a memória sirva para maiores cautelas futuras, se tal nos for possível. Porque as forças da natureza, ainda que previstas, são de uma capacidade demolidora imprevisível.
Felizmente, também, passada a tormenta, não houve vítimas humanas a lamentar. Do mal, o menos. Ficámos todos de pé… e não como as árvores.

Foto: Miguel Chagas


quarta-feira, 25 de julho de 2012

181 - Editorial


Programa das festas

Luís Miguel Ferraz | Director

Na última edição, partilhei com os leitores uma reflexão sobre as festas e romarias que marcam as nossas tradições e os nossos ritmos de Verão. Com ou sem reflexão, elas aí estão em força e há que usufruir, na medida das nossas possibilidades, desses momentos de celebração, convívio e alegria.
Cá pela terrinha, pelo menos em quantidade, não faltam. Publicamos a reportagem do aniversário da colectividade, na semana passada, e anunciamos a festa da Golpilheira, na próxima semana, a festa da Batalha, daí por quinze dias, e a festa de S. Bento, três dias depois. Para quem achar pouco, pode ainda dar um salto à festa de S. Antão, mesmo aqui ao lado, no único fim-de-semana livre entre estas datas (4 a 6 de Agosto). Ou então à Torre, também pertinho, nesse mesmo fim-de-semana.
No final de Agosto, cá estaremos para contar como foi.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

180 - Editorial | Festas e Tradições


Apesar do vai-e-vem do sol e da chuva, o Verão chega no calendário e, com ele, um tempo propício a períodos de descanso, de férias, de festas e tradições.
A nossa freguesia é rica de eventos de convívio, de festas e de iniciativas que ganharam, com o tempo, um enraizamento na dinâmica tradicional da sua agenda social. Essa é uma das suas riquezas e uma demonstração da sua força. Mas pode também ser um factor de “travão” ao desenvolvimento de novas ideias e motivo para desânimo e fraqueza.
Em princípio, é sempre bom manter as tradições das nossas gentes. Mas não podemos deixar de olhar com objectividade para a sua realidade actual. Até que ponto algumas se justificam? Será que ainda cumprem o papel que as tornou importantes? Ajudam a enriquecer a união da comunidade ou são meras expressões em decadência de actos que já não significam nada para a grande maioria? Podem ser reformuladas para renascerem, ou chegou a hora de as deixar morrer com (ainda) alguma dignidade?
Estas são algumas questões que não podemos deixar de fazer. São perguntas que não devem ser vistas como “derrotistas” ou mal intencionadas, mas sim como ajuda a uma reflexão sobre o que fazemos e o que somos como comunidade, para crescermos, fazermos melhor, chegarmos mais além.
Podia falar de várias dessas iniciativas, mas dou apenas como exemplo a oração no mês de Maria e o respectivo encerramento (ver notícia na pag. 3).
O facto é que esta é, nitidamente, uma tradição esmorecida. Ainda não há muitos anos, era uma ocasião para uma grande concentração de pessoas, juntas na oração, generosas nas ofertas, animadas no convívio. Hoje em dia, não passa de um pequeno encontro, muito circunscrito a algumas famílias e pessoas mais devotas de Nossa Senhora.
Vários são os motivos que podemos encontrar para esta realidade. Para começar, é evidente que a prática religiosa está mais reduzida, as pessoas dão menos importância à oração comunitária e aproveitam os fins-de-semana para actividades de lazer, para os passeios familiares, para saírem da rotina que lhes causa enorme stress durante a semana.
Por outro lado, os domingos de Maio e de Junho estão já preenchidos com inúmeras actividades na região e até na freguesia, como as Tasquinhas do Rancho, a FIABA, a Primeira Comunhão e a Comunhão Solene, a festa paroquial da Santíssima Trindade, a Feira do Livro na Batalha, a Feira dos ATL, os encerramentos de ano lectivo e ano desportivo, etc. São várias iniciativas, às vezes nos mesmos dias, que causam dispersão e cansaço nas pessoas, sobretudo nas famílias com crianças. Como dizia, pode ser sinal positivo de dinamismo social, mas pode resultar em excesso de oferta e atropelo de organizações.
A agravar esta situação, tem-se insistido em fazer a oração todos os domingos na Golpilheira e em S. Bento. No ano passado, a Comissão da Golpilheira resolveu não a fazer, convidando as pessoas interessadas a irem a S. Bento. Afinal, a freguesia e a comunidade cristã são só uma, a população é a mesma e não se justifica a divisão em dois grupos de um número já tão reduzido de participantes. Houve quem não concordasse e, este ano, voltou a haver oração mariana nos dois locais. O resultado foi o que se viu: pouca gente em ambos. Apesar de haver um convite especial às crianças da catequese para dinamizarem esta oração na Golpilheira, foram pouco mais de meia dúzia as que apareceram no encerramento. Com tantas actividades, nem o pároco pôde estar presente.
Estas e outras razões levam-nos a questionar se esta “tradição” deve continuar a ser organizada da mesma forma. Não seria mais proveitoso organizar uma oração comunitária mais bem organizada e concentrada apenas num ou dois domingos de Maio, com o envolvimento activo das catequeses, do grupo coral, dos acólitos e de outros agentes da pastoral? Não seria melhor juntar as pessoas num só local, podendo até combinar-se a realização alternada nas duas igrejas (podia ser domingo sim, domingo não; podia ser o primeiro domingo num lado e o último noutro; podia ser um ano numa igreja e outro noutra)? Afinal, o que é mais importante, a insistência numa tradição para dizer que se faz, ou a alteração da sua fórmula de modo a servir melhor os ritmos e as disponibilidades dos fiéis?
Esta é a reflexão que partilho com os leitores neste início de Verão, quando algumas outras situações do género poderão ser motivo da mesma análise. Como disse, espero que sirva apenas como proposta para, em conjunto, pensarmos caminhos de futuro, de crescimento e de união entre todos.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Só dois disseram... “o que significa para si o Jornal da Golpilheira”

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa

“Um dia com os media”


Na passada edição, pedíamos aos leitores que nos enviassem a resposta à questão “diga o que significa para si o Jornal da Golpilheira”. Tratava-se de uma iniciativa inserida na proposta nacional “Um dia com os Media”, que pretendeu mobilizar as pessoas para reflectir sobre a questão “que significado têm os media na nossa vida e como poderiam tornar-se mais significativos?”. A acção nacional foi promovida a propósito da celebração do dia 3 de Maio como Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.
As respostas – assinadas ou anónimas – poderiam ser enviadas por correio, entregues directamente no Centro Recreativo, ou simplesmente colocadas em comentário nas nossas várias plataformas online (página, blog ou facebook).
Ao nosso convite responderam… dois leitores, a quem muito agradecemos. Não queremos tirar a conclusão de que, para os outros cerca de mil assinantes, o Jornal não significa nada. Mas, tendo em conta, sobretudo, a facilidade com que os leitores podem actualmente interagir com os meios de comunicação através da internet, esta ausência deixa-nos algumas questões. Quando tanta gente se queixa de que não tem “voz” na sociedade, até que ponto estarão mesmo interessados em participar no debate público? Será por comodidade ou desinteresse que se relacionam com os media como meros receptores de informação? E será que o trabalho que fazemos com tanto esforço e dedicação valerá a pena? Não sabemos… a pergunta ficou por responder.
Tal como prometido, publicamos as respostas recebidas, que, mais uma vez, muito agradecemos.

Caro director,
Eu nasci na Golpilheira e vivo no Vale Gracioso. O Jornal para mim é um amigo que gosto muito. Já algum tempo que o recebo e quando ele chega leio e torno a ler as notícias da minha terra.
Ermelinda Filipe (resposta colocada no CRG)

Exmo. director e caro amigo,
Quero apresentar-lhe os meus sinceros cumprimentos e felicitá-lo pelo excelente trabalho jornalístico e de informação aos seus leitores e amigos.
O Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, comemorado no passado dia 3 de Maio, dois dias depois da “Festa do Trabalho”, teve um significado muito especial para o mundo, em especial para o nosso país, a partir da Revolução Patriótica e Nacional de 25 de Abril de 1974, onde conquistámos essa grande liberdade, junto a outras que nós todos conhecemos! Hoje, não temos a censura, nem a Pide, nem a liberdade sufocada.
Pessoalmente, a liberdade de imprensa, da opinião responsável, é de uma importância indispensável ao progresso dos povos e das instituições, que não devemos deixar aniquilar, pois os inimigos da liberdade de expressão não aguentam tal liberdade e responsabilidade! O desafio é imenso, difícil, mas os espíritos criativos para o bem comum não devem esmorecer! “Parar é morrer”!
O Jornal da Golpilheira, humilde na sua apresentação, é muito rico na criação e no seu sentido crítico que finalmente nos enriqueceu.
Continue, senhor director, porque há muito trabalho de informação a dizer aos nossos assinantes, batalhenses e outros. Coragem em desenvolver a liberdade!
José Batista de Matos (resposta enviada pelo correio)

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Diga o que significa para si o Jornal da Golpilheira!

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa: “Um dia com os media”


O dia 3 de Maio foi declarado Dia Mundial da Liberdade de Imprensa pela Decisão 48/432, de 20 de Dezembro de 1993, aprovada pela Assembleia-Geral das Nações Unidas. Foi escolhido o dia 3 de Maio por se tratar da data do aniversário da Declaração de Windhoek. Esta declaração foi aprovada durante um seminário organizado pela UNESCO sobre a “Promoção da Independência e do Pluralismo da Imprensa Africana”, que se realizou em Windhoek, Namíbia, de 29 de Abril a 3 de Maio de 1991. A Declaração considera a liberdade, a independência e o pluralismo dos media como princípios essenciais para a democracia e os direitos humanos.
É costume serem programadas algumas iniciativas, a nível mundial, para comemorar esta data. Neste ano, destaca-se a proposta nacional “Um dia com os Media”, que pretende mobilizar todo o tipo de instituições e pessoas interessadas, para que, à volta desse dia e do tema que lhe dá o mote, tomem as iniciativas que entendam mais adequadas e motivadoras para reflectir sobre a questão “que significado têm os media na nossa vida e como poderiam tornar-se mais significativos?”.
O desafio é lançado a todo o tipo de instituições: bibliotecas, meios de comunicação, escolas, instituições do ensino superior, grupos de alunos, centros de investigação e formação, associações, universidades de seniores, movimentos, igrejas, autarquias, entre outros.
Num tempo em que as tecnologias e plataformas digitais permitem, como nunca, que os cidadãos se exprimam no espaço público, faz sentido que o olhar crítico e participativo relativamente aos media seja, ele próprio, um exercício de liberdade, num espírito positivo de contribuir para a melhoria dos media que temos.
Mais informações sobre a iniciativa podem ser consultadas no sítio www.literaciamediatica.pt/umdiacomosmedia.

Dê-nos a sua resposta!

O Jornal da Golpilheira aderiu a este movimento, lançando um desafio aos seus leitores: escrevam a vossa resposta a esta pergunta: “que significa para si o Jornal da Golpilheira e como poderiam tornar-se mais significativo?”.
Pode colocar a sua resposta escrita na nossa caixa de correio no bar do Centro Recreativo, enviar para o email geral@jornaldagolpilheira.com , ou numa mensagem em www.facebook.com/jgolpilheira . Pode ser uma mensagem assinada ou anónima.
Na próxima edição, publicaremos as respostas...

quinta-feira, 29 de março de 2012

177 - Editorial

Laços que nos unem

Partiram há anos, alguns já há várias décadas. Na maioria dos casos, à procura de oportunidades que não encontravam por cá, ou então para fugir de alguma situação menos cómoda, como a fome, o desemprego, a perseguição política ou até a integração num qualquer contingente de soldados. Com a célebre "mala de cartão", ou até com menos do que isso, tinham no horizonte uma terra onde a sua força de trabalho pudesse ser aproveitada e onde um salário mais avantajado pudesse ajudar a alimentar a família.
Alguns tinham consciência das dificuldades que iriam encontrar, a começar pela viagem "clandestina" e a prolongar-se com o lugar onde morar, com a língua desconhecida, com uma sociedade diferente.
Outros limitaram-se a ignorar o desconhecido e fixaram-se apenas na promessa de que este iria ser o "salto" para uma vida melhor, para o emprego que aqui não tinham, para a comida garantida em cima da mesa que aqui por vezes escasseava, para a liberdade que aqui nem lhes permitia dizerem o que lhes ia na alma.
Todos levavam na bagagem uma enorme esperança num futuro melhor, mas também uma grande dose da portuguesíssima "saudade", um laço impossível de desatar com a família, os amigos e a terra. Só que, num qualquer dia das suas vidas, a necessidade de partir foi maior do que a vontade de ficar e esse laço foi esticado além fronteiras, por vezes, além-mar, para os mais variados destinos do mundo.
Alguns encontraram o que procuravam, sobretudo o trabalho, normalmente no "duro", mas que lhes permitia uma rápida forma de subsistência, e a casa, por exemplo no bidonville de Champigny-sur-Marne ou de outra qualquer periferia citadina, mas que lhes dava um abrigo minimamente seguro e habitável. Mas houve também os não chegaram a cruzar a fronteira, ou os que não resistiram às agruras do "estrangeiro" ou da saudade de casa.
Quase todos os que ficaram acabaram por construir o seu sonho, conquistando a pulso em lugar próprio nestas novas sociedades. Compraram ou edificaram as suas casas, subiram de categoria nos seus empregos, estabeleceram as suas empresas e negócios, "mandaram vir" as famílias para junto de si ou constituíram família nessas pátrias de acolhimento. Aos poucos, foram-se tornando cidadãos de pleno direito.
Foi o caso de José Pragosa, natural da Golpilheira, um dos "nossos". Partiu daqui muito novo ao encontro de um tio que estava em Paris, com pouco mais do que as ilusões próprias dos seus 15 anos, não levando, sequer, a necessária autorização dos pais. "Uma aventura", como ele próprio classifica, sem medir riscos ou consequências, apenas em resposta a uma vontade de ser mais do que um serviçal ajudante de pedreiro na sua terra natal. Um conjunto de acasos permitiu que chegasse ao seu destino e a sorte que o acompanhou ditou que não fosse de imediato "repatriado" pelo tio. Arranjou trabalho e por lá ficou até hoje com a família, sendo um exemplo dos que foram bem sucedidos.
Mas o certo é que a grande maioria nunca deixaram de se sentir portugueses, nunca perderam essa ligação quase umbilical à sua terra de origem e foram sempre aproveitando todas as oportunidades, normalmente nas férias, para vir "matar saudades". E, nos locais onde se encontram, afirmam orgulhosamente a sua pertença a essa comunidade emigrante com que continuam a identificar-se.
Enquanto os da "primeira vaga" estão a caminho da reforma ou já no gozo de um merecido descanso, os filhos já beneficiaram do "caminho desbravado". Nasceram ou cresceram "franceses", estudaram e formaram-se nos mais variados domínios, arranjaram empregos em todos os ramos de actividade, estão plenamente integrados no tecido social e mesmo em relevantes cargos políticos. A ligação à terra dos pais já não é tão forte, embora continuem a frequentar espaços onde a presença portuguesa é evidente, seja na gastronomia, seja nos canais disponíveis nas televisões, seja nas conversas que se cruzam com uma imperial na mão, de ambos os lados do balcão. E, quando se fala da "sua" terra… lá se ouve o nome de uma qualquer aldeia "à beira mar plantada".
Vem isto a propósito do encontro de emigrantes em que participámos e das conversas que de lá trouxemos.
Continue a ler, no post seguinte…









segunda-feira, 31 de outubro de 2011

172 - Editorial

Luís Miguel Ferraz, director

Já lá vão 15 anos!

Há tantas frases-feitas que se podem escrever a propósito de um aniversário. São 15 anos de trabalho e dedicação a este jornal. São 15 anos de verdadeiro amor, dedicado a esta terra que é minha e a esta gente que sou. São 15 anos de sacrifícios para conseguir a cada mês o tempo necessário ao completar de cada edição. São 15 anos de preocupações para juntar cada euro que pague a gráfica e os correios, e os impostos com que o Estado nos apoia. São 15 anos de paciência para compreender críticas infundadas, incompreensões incompreensíveis, ou jornais deitados ao lixo ainda dentro do saco de plástico. São 15 anos de lutas para superar barreiras que se erguem a cada instante.

E, no entanto, não há frases-feitas capazes de explicar tudo o que significam estes 15 anos de Jornal da Golpilheira. São 15 anos de pedaços retirados ao sono e à família, de corridas contra o tempo para estar em todos os espaços, de penosos exercícios de escrita sobre os pontos negros de uma sociedade que queremos desenhar em círculos coloridos. Mas são também 15 anos de sorrisos e de histórias de vida, de companhia fiel a cada passo do crescimento desta comunidade, de retratos e descrições do belo e do bom que temos e somos.

A cada ano, é sempre tempo de perguntar: valeu a pena? Como se um balanço pudesse retemperar-nos as forças e atirar-nos para a aventura sempre nova de existir. Ou como se o passado pudesse justificar os nossos medos do futuro e obrigar-nos a adiar o presente. A verdade é que cada morte traz um nascimento, tal como cada passo nos leva a outro passo de reequilíbrio. E cada edição deixa no ar a promessa de que a próxima lhe sucederá.

Vale a pena? A resposta vai surgindo enquanto houver um leitor a dizer-nos “gosto” no mural ou na mesa do café. Ou, pelo menos, enquanto houver alguém que pergunta “quando sai o jornal?”.


Já agora, a explicação para o atraso deste mês: estivemos até ao dia 30 a trabalhar na confirmação do programa da Semana Cultural e fomos forçados a esperar para podermos oferecer aos leitores o cartaz definitivo. Valeu a pena, se houver alguém que, ao ler este jornal, decida sair de casa para participar nas actividades propostas.
No mês que vem, veremos...

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

171 - Editorial

Luís Miguel Ferraz, director

Outono e futuro

Ainda no rescaldo das festas e das férias, a rota das rotinas entra-nos pela vida com o Outono. Trabalho ou aulas, horários apertados, múltiplas actividades, o dia-a-dia começa a moldar-se em ritmos conhecidos, normalmente apressados e distraídos. No horizonte, apenas nos liberta a contagem dos dias até ao regresso às areias ou às serras onde espraiámos o corpo e o espírito nos dias de descanso.

Nesta azáfama, muitas vezes a vida corre ao nosso lado. É precisa a nossa mão num projecto solidário ou associativo, e não o vemos. É preciso estender um pedaço de pão a quem jaz faminto, e não o vemos. É preciso lançar um sorriso a quem nos ama, e não o vemos.

Por vezes, só vemos o que nos falta a nós. Seja uma Extensão de Saúde, uma escola perfeita ou um mundo inteiro a dar-nos palmadinhas nas costas. Talvez a crise, de dinheiro e de valores, possa servir-nos essa lição: há mais vida além do nosso umbigo.

Se estiver atento, neste Jornal vai encontrar um pouco de tudo isto, um pouco de Outono e de futuro.

sábado, 13 de agosto de 2011

170 - Editorial

Luís Miguel Ferraz

Quem quer festa...
"Quem quer festa, sua-lhe a testa" deve ser um dos ditados mais repetidos entre nós. Não sei se, quando o dizemos, sentimos essa verdade em todo seu alcance.
Este ano, tive oportunidade de o experimentar na pele, bem como outros colegas "quarentões" de 71. De facto, organizar uma festa é o cabo dos trabalhos. E a testa sua mesmo, de várias maneiras. Seja na complexidade do planeamento, dos contactos, dos licenciamentos, da logística. Seja na azáfama da recolha de patrocínios, ofertas, festeiros, andores, etc., que garantam alguma liquidez financeira ao evento. Seja no esforço para levantar o arraial, construir espaços, encher as ruas de arcos e cordões, preparar refeições, atender às imensas solicitações do povo, enfim, fazer a festa propriamente dita.
Mas, com o suor, surge também uma enorme compensação: ver a felicidade no rosto dos que usufruem desse trabalho, ver a doação e disponibilidade de dezenas de pessoas que se juntam para ajudar, ver o decorrer da festa em harmonia e com sucesso.
Garanto que, de hoje em diante, vou a encarar uma festa com outros olhos. E saberei dar mais valor a cada pormenor. Aliás, é o desafio que lanço a cada um dos leitores: se querem mesmo saber o que é uma festa, vão lá um ano agarrar a bandeira.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

169 - Editorial

Luís Miguel Ferraz

Esmurrar

Lembrei-me, aqui há dias, de uma das histórias que o padre Américo nos contava nas aulas de Inglês do Seminário, daquelas que davam para passar uma boa meia hora a rir. Não tanto pela história, mas mais pelo contador, confesso.
Mas a história de que me lembrei, apesar da superfície cómica, tem um fundo sério, para não dizer dramático. Reza assim:
Em certa aldeia, era hábito as pessoas apagarem as velas das procissões esmurrando-as contra a parede do cemitério, antes de entrar na igreja. Ora, com o passar dos anos, o muro ficava pior do que o das lamentações… preto, escravunçado, chapado de cera e borrões.
Certo dia, um novo presidente de Junta decidiu dar um ar lavado à terra e vai de mandar limpar o muro do cemitério. Tudo raspado, reboco novo, caiadinho de fresco, ficou branco que até parecia outro. E, para que a coisa assim ficasse, mandou afixar um letreiro a pedir às pessoas que tivessem cuidado com as velas e não voltassem a sujar o muro.
No dia da procissão, foi fiscalizar. Para seu espanto, o muro estava de novo chapiscado de cera!
Revoltado, ia comentando com quem se cruzava sobre a falta de respeito das pessoas, que não respeitam a propriedade pública nem o trabalho do outros. Até que um velho, ainda com a vela acesa, levanta-a orgulhoso contra o muro e faz a ladainha:
- "Olhe, senhor presidente… aqui esmurrou o meu avô, aqui esmurrou o meu pai, e aqui esmurro eu!".
Não vou dizer por que lembrei de tal história. Para bons entendedores…

segunda-feira, 27 de junho de 2011

168 - Editorial

Luís Miguel Ferraz

Pinhal das Artes

Todos os meses nos debatemos com a difícil decisão de deixar alguns textos por publicar, encolher outros, retirar fotos que gostaríamos de mostrar. Por mais que queiramos, é impossível inserir todo o material que temos. E aumentar páginas, com o custo que isso representa, está fora de questão.
Este mês, então, foi uma fartura, tantas foram as actividades que por cá se realizaram.
Como é óbvio, damos prioridade aos assuntos da Freguesia e aos nossos colaboradores, e depois ao Concelho. Mas, por vezes, é com pena que retiramos alguns textos de opinião interessantíssimos ou notícias de eventos da região que mereciam todo o nosso destaque.
É o caso do Pinhal das Artes, que a SAMP vai organizar no "Lugar das Árvores", em S. Pedro de Moel, nos próximos dias 29 de Junho a 3 de Julho. Este é um Festival dedicado à infância, dos 0 aos 5 anos, onde a cultura, nas suas diversas expressões artísticas de música, dança, poesia, teatro, entre outras, será uma aliada natural dos vastos elementos que aquele espaço verde oferece aos visitantes, num ambiente que promete transformar em magia os sons, os cheiros e as cores. Um evento "especial, talvez único no mundo", como sublinha Paulo Lameiro, mentor do projecto,
Já que não tivemos espaço nas notícias, deixamos aqui a nota no editorial. Quem tem bebés ou crianças, não perca! Veja tudo em: www.samp.pt.










quarta-feira, 25 de maio de 2011

Editorial . 167

Assembleia-Geral a 18 de Junho: Momento crucial para a Colectividade

Aproxima-se mais uma data crucial para a vida da nossa colectividade. Estão marcadas para o dia 18 de Junho de 2011 as eleições para a aprovação de contas do ano 2010 e a eleição dos novos corpos gerentes para o próximo biénio.

É importante que os sócios do CRG se mobilizem em torno da elaboração de listas para concorrerem a estas eleições, para assim assegurarmos o futuro da mesma. Novos desafios estão à porta e por isso é necessário haver pessoas com novas ideias.

Neste momento, a nossa associação está de boa saúde. As actividades, em fase de encerramento de época, deram-nos muitas alegrias. O Futsal Júnior e Sénior Feminino ofereceram-nos mais três conquistas: as duas Taças Distritais e o Campeonato Distrital de Juniores. Os escalões de formação de Futebol de Sete estão cada vez mais valorizados. A equipa de Veteranos de Futebol de 11 está com uma grande dinâmica. Nas actividades culturais, o nosso rancho folclórico “As Lavadeiras do Vale do Lena” continua a divulgar as nossas tradições. As Escolas de Música e Dança também estão vivas, conforme ficou demonstrado na última audição. Neste momento, temos uma sala cedida à empresa Planicôa para ministrarem Cursos de Formação em diversas áreas. As actividades recreativas também estão em bom nível, como a Ginástica Geriátrica, a Ginástica de Manutenção, os Jogos de Cartas, Damas e outros. Continuam a fazer-se diversas outras actividades recreativas, tais como: as Tasquinhas organizadas pelo nosso rancho; os festejos anuais comemorativos do aniversário da nossa associação, no qual se inclui o Festival de Folclore anual, também da responsabilidade do nosso rancho; as audições da Dançarte, Teclarte e Cordas e a festa de encerramento do ano lectivo, da responsabilidade das Escolas de Dança e Música; o convívio anual de encerramento das actividades desportivas; a Semana Cultural, que integra um arraial popular, um almoço para os jovens da terceira idade e o tradicional Almoço dos Amigos do CRG; a festa de Natal para as nossas crianças e que os adultos também gostam de apreciar, etc. As actividades comerciais, ou seja, o Bar e o Restaurante Etnográfico, estão a funcionar a bom nível, que é preciso manter e se possível melhorar.

Financeiramente, a situação também está controlada. Os empréstimos bancários estão a ser regularizados com pontualidade. A situação mais preocupante é a dívida para com os fiadores do pagamento dos terrenos, adquiridos junto à sede, que se cifra em 106.206,92 euros, distribuídos por treze fiadores. Como actual presidente da colectividade, tenho firme convicção de que este problema também se vai resolver, a médio prazo. Por isso, é indispensável a colaboração de todos. Temos de ter consciência de que a nossa colectividade é já uma pequena/média empresa. Tem ao seu serviço onze funcionários, aos quais temos de pagar os merecidos salários, e os respectivos impostos. Informo que para estes dois custos são necessários mais de 10.000 euros mensais. Estamos entre os maiores empregadores da nossa freguesia.

O caminho até aqui não tem sido nada fácil. Há alguns aspectos que podem ser melhorados num curto prazo. O número de sócios efectivos, apesar de toda esta dinâmica, tem estado a decrescer, por duas razões muito simples: a grande fatia de inscrições foi efectuada no ano de 1974 e muitos destes sócios iniciais, alguns naquela data já com alguma idade, foram partindo, como é comum entre todos os mortais; por outro lado, têm sido efectuadas ultimamente poucas inscrições, sendo a última em 08-02-2011, de uma senhora residente na nossa freguesia, que tem o número 1161. A nossa numeração de sócios nunca foi actualizada. Penso que deve ser feita uma campanha para inscrição de novos sócios, que incida com maior acutilância na juventude, não descurando também as outras pessoas, que nunca se inscreveram como sócios. Ainda quanto aos sócios, há muitos que não têm as quotas em dia. O valor anual não é muito elevado: são 9 euros. No entanto, se passarem dois, três, quatro ou mais anos sem as pagar, já custa mais a sua regularização. Por isso, lanço aqui um apelo para aqueles que estão nesta situação, que façam o seu pagamento no Bar ou na Secretaria do Centro.

Neste momento, apesar da tão propalada crise, estou muito optimista quanto ao futuro. Se tudo correr bem, durante o próximo mês de Junho de 2011 iniciar-se-ão as obras do Pavilhão Gimnodesportivo da Golpilheira, cuja construção é da responsabilidade da Câmara Municipal da Batalha. O prazo de construção é de 18 meses. É uma infra-estrutura que muito vai enriquecer a nossa freguesia e o nosso concelho. A nossa sede está a precisar de uma pintura exterior. No seu interior, é primordial dar um novo visual ao Bar. A conclusão da “Sala de Espera” junto ao Bar é uma necessidade. Será também necessário melhorar as salas da Escola de Música.

Em fim de mandato, resta-nos agradecer a todos quantos colaboraram em prol do desenvolvimento desta casa. Aos elementos das diversas secções, Desportiva, Escolas de Música e Dança, Rancho Folclórico, aos professores, alunos, treinadores, directores, colaboradores, atletas, aos formadores e formandos dos Cursos, e a todas as pessoas que de alguma forma, até à mais discreta, contribuíram para o desenvolvimento da nossa colectividade. Um agradecimento também aos nossos funcionários, pela forma zelosa com que se empenham  no cumprimentos das suas tarefas e pela dedicação que têm para com a nossa associação. Para rematar, também um grande agradecimento para a Câmara Municipal da Batalha, pela excelente parceria que conseguimos criar há muitos anos e que vamos reforçando cada ano que passa. Este agradecimento também é extensivo para a Junta de Freguesia da Golpilheira, que tem colaborado connosco dentro das suas limitadas possibilidades. E felizmente, para dar cobertura e noticiar todas estas actividades e outras, temos  o “Jornal da Golpilheira”, propriedade da nossa colectividade, no qual colabora muita juventude, o que muito nos orgulha. Não posso deixar de agradecer, na qualidade de presidente do CRG, a todos aqueles que de uma forma gratuita e desinteressada trabalham neste jornal mensal, superiormente dirigido por Luís Miguel Ferraz, que muito tem contribuído, ao longo dos anos, para a divulgação e desenvolvimento da nossa colectividade.

Vamos todos continuar a dar as mãos, para que o sucesso do nosso clube continue e seja cada vez mais um exemplo para as colectividades do concelho da Batalha, em particular, e do distrito em geral.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

166 - Editorial | Tradições que se vão perdendo…

Ainda me lembro, no meu tempo de criança, de celebrarmos entre nós durante a quadra da Quaresma o " contrato" de mandar rezar. Desde o dia deste "contrato", do nascer ao pôr-do-sol, e sempre que se viam, o mais rápido ou menos distraído mandava rezar o outro. Nesta altura, contratava-se a um certo número de amêndoas, mais pequenas ou maiores, ou então a um pacote de amêndoas, de peso também combinado, entre ambos. Para este contrato ser válido, era necessário cada um dos contratantes entrelaçar os dedos mindinhos, normalmente das mãos direitas, dizendo em uníssono: "contratar, contratar, quando eu te mandar rezar, reza". No Sábado de Aleluia, quem mandasse rezar primeiro ganhava as amêndoas, que por norma eram entregues no Domingo de Páscoa.

Outros tempos, que eu gostava de reactivar e depois preservar. Pode fazer-se um trabalho de base, nomeadamente, a começar pelas crianças que frequentam o ensino básico. Fazer da mesma forma como aconteceu na reactivação do "Dia de Bolinho" ou "Pão Por Deus", no Dia de Todos os Santos.

Manuel Rito, director adjunto


terça-feira, 15 de março de 2011

EDITORIAL | Estado rouba cada vez mais as associações

Por Manuel Rito, Director Adjunto


Neste momento vale tudo para cobrar receitas. Vou apenas apresentar dois casos:
1.º - As carrinhas das Associações Sem Fins Lucrativos estavam isentas de pagar o imposto de circulação. No ano de 2011, têm de pagar como qualquer contribuinte normal.
2.º - A taxa paga à Sociedade Portuguesa de Autores tinha um desconto de 50% para as Associações de Utilidade Pública. A partir do corrente ano de 2011, o desconto é apenas de 10%.
Estes são apenas dois exemplos, para não falar de outros.
Qual é a moral e a sensibilidade dos "engravatados" de Lisboa em fazer estes cortes? Desconhecem eles que nós substituímos o próprio Estado na educação moral, física e psicológica das crianças e jovens? E que somos nós que teimamos em preservar a nossa identidade, a nossa nacionalidade, todas as nossas tradições?
Se o associativismo já atravessa uma grave crise de dirigentes, não é de admirar que muitas delas fechem, para gáudio dos "senhores do poder". Não será mais útil baixar ainda mais os seus salários multimilionários?
Com estas medidas, os dirigentes do País desmoralizam ainda mais os dirigentes associativos, que cada vez são menos e trabalham gratuitamente em prol da sociedade onde se inserem. A situação das associações nunca esteve tão difícil como agora e por este andar vai tornar-se insustentável a muito curto prazo.
Não vale a pena o primeiro-ministro vir para os meios da comunicação social dizer que o orçamento para a Cultura foi reforçado em cinco milhões de euros. Gostava de saber onde vai parar este dinheiro?

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Editorial | Porquê?...

Juntar o útil ao desagradável

Esta edição apresenta-se com características algo diferentes do habitual. Em primeiro lugar, surge totalmente a preto e branco. Em segundo lugar, aparece com o período bimestral, para Janeiro e Fevereiro. Justifica-se a pergunta: “porquê”?
Podemos dizer que se trata de juntar o útil ao desagradável. O útil é a necessária poupança de recursos, de tempo e de dinheiro, como adiante explicaremos. O desagradável – que protestamos com esta espécie de jornal de “luto” – é a obrigação do pagamento de taxas com retroactivos à Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), assunto que também desenvolvemos a seguir.

Útil
Não é segredo para ninguém que a actual crise afecta praticamente todos os sectores de actividade. Os jornais, que dependem em muito da publicidade das empresas, sentem imediatamente esse efeito.
No caso dos jornais locais, onde não chegam as publicidades das grandes empresas, nem uma gotinha que seja dos milhões da publicidade institucional do Estado e das suas instituições, a dependência das pequenas empresas da “terra” é quase absoluta. Logo, é normal que quando estas pequenas e médias empresas estão “com a corda ao pescoço” tenham de cortar na publicidade, que na grande maioria das vezes é apenas uma forma de ajudar a financiar o jornal local.
O Jornal da Golpilheira sempre conseguiu equilibrar essas contas, até porque não tem ninguém a receber ordenados e apenas paga as comissões a quem angaria publicidade. No início, bastava-nos garantir o mínimo para pagar a impressão, que ronda os 700 euros mensais. Desde há dois anos, com o fim do Porte Pago, pagamos também a expedição, a rondar os 250 euros por mês. Quer isto dizer que temos de garantir cerca de 1000 euros por mês para garantir a sobrevivência. Não temos problemas em divulgar assim claramente este números aos nossos leitores. Nem temos vergonha de assumir que houve meses no ano passado em que não conseguimos fazer para as despesas. Valem-nos as edições da Páscoa, do aniversário do Jornal, do Natal, e as publicações dos cartazes da Fiaba e das festas de Agosto pela Câmara Municipal. Em números redondos, são seis meses acima da média para colmatar seis meses de prejuízo.
Outro problema prende-se com o tempo. Como todos sabem, temos alguns colaboradores a fazer alguns trabalhos, mas o grosso da redacção de textos, da paginação e da edição do jornal é feito pelo director nos seus tempos livres. No mês de Janeiro, por razões pessoais, não nos foi possível garantir a edição, pelo que, saindo já em Fevereiro, decidimos juntar os dois meses.
Acabamos assim por poupar também uma das edições que dá prejuízo. É uma dupla utilidade.

Desagradável
A somar a todas as dificuldades já referidas para estes pequenos projectos locais, temos ainda uma política para as comunicações sociais que ainda agrava mais a situação. Para acedermos às ajudas ou aos milhões da publicidade do Estado, não somos vistos nem achados. Mas para pagarmos as taxas, aí já somos considerados “gente grande”.
Quem esteve mais atento, ouviu falar nas célebres taxas da ERC que o Governo decidiu aplicar a todos os meios de comunicação social em 2006. Houve contestação por parte dos grandes grupos e das associações de imprensa, o assunto andou nos tribunais, mas acabou por ser dada razão ao Governo. Assim, em Maio de 2010, recebemos a nossa factura para esse ano: 102 euros.
Qual não é a nossa surpresa quando no final do ano recebemos ordem para mais dois pagamentos, retroactivos, para 2006 (meio ano) e 2007. Mais 133,50 euros a pagar (ver imagens ao lado).
E já sabemos que este ano vamos receber as facturas de 2008, 2009 e 2011: mais de 300 euros!
Com isto tudo, são mais de 500 euros que se vão, ainda não percebemos para quê, já que não damos trabalho nenhum à ERC, nem recebemos qualquer ajuda do Estado. Para além de pagarmos os pesados impostos normais, como todas as empresas, já só pedíamos ao Estado o apoio de… não nos roubarem mais nada.
Fizemos acompanhar o nosso pagamento de uma carta em que dizíamos o seguinte:
“Efectuamos estes pagamentos com o sentimento da sua injustiça e perante a impotência de nada poder fazer contra eles. Esta é uma taxa que consideramos como um roubo ao nosso suor e esforço diários para manter de pé um pequeno meio de comunicação local, que é detido por uma associação cultural e recreativa sem fins lucrativos e de utilidade pública, que luta diariamente pela sua subsistência, que assume como principal missão a promoção da cultura e da literacia junto da população de uma pequena freguesia e que, apesar da qualidade que lhe é reconhecida, não é considerado para ter qualquer tipo de apoios por parte do Estado. Mas somos cumpridores das leis, mesmo as injustas, e por isso pagamos. Pelo menos, até ao dia em que passarmos a fazer parte das estatísticas dos jornais que fecharam as portas, como tantos outros que nos últimos tempos sucumbiram a estas políticas.”

Outros jornais estão também a protestar (ver a imagem de recorte do Jornal das Cortes), mas o certo é que todos têm de pagar, senão as pesadas multas acabam com o resto.
Sendo assim, pedimos aos nossos leitores que agradeçam à ERC o facto de lhes ter roubado a edição de Janeiro. Com menos essa edição e com este “luto” do preto-e-branco, estamos a fazer a poupança para pagar as taxas.






Aumento de preço e assinatura
Tendo em conta o que explicamos nesta página, e de acordo com o proposto pelo nosso conselho de redacção, teremos de aumentar o preço do jornal e da respectiva assinatura anual. Assim, o jornal passará a custar 80 cêntimos e assinatura anual ficará a 8 euros para Portugal, 12 euros para a Europa e 15 euros para o resto do mundo.
Lembramos que é o Jornal que paga a expedição pelos CTT, pelo que aqui se inclui o preço desse envio, que também aumentou o ano passado.
Esperamos a compreensão e o apoio dos nossos assinantes.
A administração




domingo, 28 de novembro de 2010

162 - Editorial | Fantástico!

Era para não haver, mas “haveu”. De facto, houve Semana Cultural e muita gente considerou que foi uma das melhores dos últimos anos. Não nos cansamos de dizer que é a prova do ditado “a união faz a força”. Teve momentos fraquinhos, é verdade. Teve momentos medianos, também. Mas teve momentos altos, vários. E pela análise geral, seja pelos eventos realizados, pelo grupo numeroso que se mobilizou para a organização, pelos convidados ilustres que tivemos, ou pelas centenas de pessoas que mobilizou, um adjectivo nos parece adequado: fantástico!

Neste jornal, há ainda outra prova dessa “união que faz a força”. É uma das edições com mais nomes de autores de textos dos últimos anos. O Clube de Jornalismo do CRG ressuscitou em força e os voluntários que se juntaram vieram trazer riqueza de estilos e pontos de vista às páginas do Jornal da Golpilheira. Não vale a pena dizer obrigado, porque o Jornal é deles, é dos que fazem e colaboram. Quem ganha e agradece é a freguesia e a sua população. Faço apenas votos de que não desistam e, se possível, outros se ofereçam para o grupo.

Nota acessória: Apesar de o Centro ter enviado informação para os meios de comunicação da região, só a Rádio Batalha apareceu e (imagine-se!) uma rádio de Pombal veio um dia! De resto, mais ninguém teve a “tentação” de nos visitar. Uma freguesia em acção durante uma semana não é notícia. Para o ano, vamos organizar o “dia da formiga que caiu na sopa do Restaurante”... até as televisões cá vêm! Vão ver...

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

161 - EDITORIAL | Este é o nosso 14.º aniversário. Parabéns a nós!

Faz este mês 14 anos que publicámos o número 1 do Jornal da Golpilheira, na altura com o nome de “Das Duasuama” (era uma publicação para duas freguesias, a nossa e a da Barreira... ainda se lembram?).

O que na altura era quase uma brincadeira, veio a tornar-se um caso sério. Pelo menos, é levado muito a sério, mesmo quando se faz a brincar. Mantemos o optimismo, a irreverência, uma ou outra tropelia, não gostamos de zaragatas, adoramos a festa e a alegria, mas sabemos assumir a vida com responsabilidade nos momentos sérios. No fundo, a personalidade típica de um adolescente de 14 anos.

Na hora de cantar os parabéns, devemos dizer “parabéns a nós”! Não a nós que fazemos o jornal, mas a nós todos que contribuímos para que ele exista. Nós os colaboradores, que estamos sempre presentes ou que aparecemos de vez em quando, mas que gostamos de dar uma ajudinha, como se provou agora neste regresso do Clube de Jornalismo. Nós os anunciantes, que todos os meses ou quando podemos colocamos um anúncio que ajuda a financiar o projecto (muitas vezes, mais para apoiar do que para fazer publicidade). Nós os assinantes e leitores em geral, que manifestamos interesse e incentivamos a sua existência.

Portanto, por estes 14 anos de existência do Jornal, parabéns a nós golpilheirenses e a nós amigos de outros lados!

Luís Miguel Ferraz

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

EDITORIAL | Um primeiro-ministro diz-me...

Estou a fechar esta edição, no silêncio do escritório cansado e da noite longa, e acompanho na televisão um primeiro-ministro de ar sério, abatido, a dizer-me que o sacrifício vai ser maior amanhã.
Lá fora sinto o mês a acabar à pressa, depois de muitas horas de correria atrás de trabalhos nunca acabados, muitas delas roubadas ao sono. Com o jornal de Setembro quase a apanhar o Outubro, porque nem com horas roubadas o tempo me sobrou para todos os encontros com o dever, escrevo este texto a fechar, enquanto um primeiro-ministro, ali na televisão, me diz que pouco disso valeu a pena.

Tinha pensado escrever sobre a alegria do recomeço das aulas, ou sobre a cultura que se derrama lenta sobre a agenda, ou sobre a vindima que anima as paisagens da aldeia. Mas um primeiro-ministro cansado diz-me com voz sonolenta que o meu sonho vai ser mais caro amanhã, ao acordar para uma realidade que tento afastar com o espanador do optimismo, mas que vejo cada vez mais perto de me soterrar no seu pó a assentar pesado.

Não consigo escrever senão sobre essa poeira que me aterra nos olhos semicerrados do cansaço. Vejo um primeiro-ministro apelar à confiança e um país inteiro berrar em desespero. O que vem aí amanhã? Com que estrondo cairá esse pó que se aproxima? Teremos ainda forças para sacudir a vida? Um primeiro-ministro, olhar sério e cansado, diz-me que não sabe.