Muitas vezes nos títulos de jornais, notícias de telejornais, tema de debates e discursos políticos e até assunto de um filme galardoado com "Óscar", as alterações climáticas são um tema de conversa recorrente. Mas, porque se fala tanto neste assunto? Todos podemos comprovar que o tempo está mudado, que as Estações já não são o que eram, mas… o que tem isto a ver com a poluição, com a reciclagem ou com o petróleo?
Quando falamos de alterações climatéricas, referimo-nos à variação do clima global ou climas regionais do planeta Terra ao longo do tempo. Estas variações referem-se a mudanças de temperatura, precipitação, nebulosidade (entre outros), tendo como referência as médias históricas. Sentimos estas alterações com a subida das temperaturas, as parcas chuvas, o aumento de notícias relativas a grandes tempestades e com o degelo dos glaciares de todo o mundo. Muitos podem dizer que estas alterações são naturais e que o planeta Terra tem um ciclo natural de alterações, mas o que no passado longínquo acontecia em milhões de anos, com a nossa actuação acontece em poucos, senão em meses (um glaciar recuou 60 metros em seis meses na Islândia). Estas alterações têm consequências muito graves para a vida no nosso planeta: o aumento do nível médio do mar leva a inundações e maior erosão nas zonas costeiras; o aumento da temperatura propaga doenças tropicais, como a malária e o denge; a seca aumenta o número de pessoas que sofrem de fome.
Durante muitos anos, pensava-se que estas ideias eram delírios de alguns cientistas loucos, mas agora os factos existem e estamos já a sofrer com as alterações climatéricas. O degelo da Antártida surpreendeu até a comunidade científica pela sua rapidez, o que se tem repetido por todas as partes geladas do Planeta. Foram registadas as temperaturas mais elevadas desde há 11.500 anos nos oceanos Índico e Pacífico, causando a morte dos corais e da alteração dos ecossistemas marinhos. Depois da revolução industrial, a quantidade de dióxido de carbono existente na atmosfera aumentou para níveis nunca antes registados e o aumento da temperatura é visível em ondas de calor que matam muitas pessoas nas grandes cidades.
Com todas estas alterações e factos, talvez estejamos a passar pela maior provação da raça humana. Está em jogo a manutenção da vida no planeta e isto depende das nossas actuações e mudanças de comportamento. Seria uma óptima oportunidade para unir esforços mundialmente para travar esta luta contra nós próprios.
Deixo uma dica: Sempre que se fundir uma lâmpada, troque-a por uma economizadora; pode custar um pouco mais no momento da compra, mas tem uma maior durabilidade e poupa na factura da luz. O Planeta agradece.
Ana Maria Henriques
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
perguntas do toino .
Para que existem os Governos? Toda a gente sabe que é para governarem, garantindo as melhores condições à população, quer nos cuidados de saúde, na educação, na velhice, na evolução económica das empresas para que haja muito trabalho, etc., etc. Será que aqueles que nos governam também sabem isto? Ou será que se esquecem quando lá estão?...
quinta-feira, 30 de agosto de 2007
Perguntas do Toino...
Porque é que nas estatísticas do Serviço Nacional de Emprego não aparecem os números dos desempregados que tiveram de sair deste País para ganharem o seu pão, procurando trabalho noutros países melhor governados, certamente... Quantos são? Algumas centenas de milhares, só nos últimos 3 anos... Nesta era digital, não seria muito difícil fazer essas contas!
Toino
Toino
quinta-feira, 22 de março de 2007
Jornal da Golpilheira noticiado no Região de Leiria
Ainda a questão da isenção dos media...
Sei que o assunto já lá vai à distância, mas como só saímos à rua uma vez por mês, não tivemos oportunidade para o comentar antes. Trata-se do facto de o Jornal da Golpilheira ter sido notícia no semanário Região de Leiria, na sua edição de 9 de Fevereiro.
Espantava-se – pelos vistos – este jornal por termos tomado uma posição editorial clara quanto à questão do aborto, assumindo a nossa inspiração cristã. Não foi um trabalho sobre a posição dos jornais regionais, nem sobre outros assuntos do mesmo contexto. Foi uma notícia exclusivamente sobre o Jornal da Golpilheira, onde expunha a nossa decisão de não publicar textos de opinião da campanha pelo "sim", assumindo, no entanto, total isenção quanto à publicação de notícias sobre o assunto, de ambos os lados da mesma campanha. Como, aliás, a própria notícia do Região de Leiria reconhece, ao referir que "o director da publicação garante que a isenção é mantida no que se refere ao tratamento noticioso" e dando nota, quanto à nossa publicação do debate sobre o aborto que decorreu na freguesia, de que o jornal "acabou por transcrever, na íntegra, o teor das intervenções, argumentos do ‘Sim’ incluídos".
Espantamo-nos nós, em primeiro lugar, pela importância que nos foi dada por este semanário regional. É bem sinal da importância que tem o nosso pequeno "jornal de colectividade da Batalha", no contexto das dezenas de publicações regionais existentes, muitas das quais, aliás, tomaram uma posição semelhante.
Espantamo-nos, depois, por a nossa posição editorial ter sido motivo de notícia. Como referi, foram muitos os jornais e outros órgãos de comunicação, regionais e mesmo nacionais, que decidiram tomar uma posição conforme os seus estatutos editoriais. Como explicava no editorial em causa na notícia, uma coisa é a opinião que se publica, e que livremente a direcção do jornal pode escolher, outra coisa são as notícias, onde deve imperar a isenção e o rigor.
Já agora, adianto que nem teria sido preciso ter anunciado tal decisão e não foi necessário grande esforço para a cumprir. É que acabámos por não receber na redacção qualquer opinião em favor do sim, à excepção da carta de uma leitora, cujos argumentos eram mais contestatários à posição do jornal do que esclarecedores quanto à matéria do referendo, muitos deles, aliás, completamente descabidos. E sobre o assunto acabámos também por publicar, sobretudo, textos e documentos da Igreja e instituições a ela ligadas, como fazemos regularmente a propósito de muitos outros temas sociais.
Exemplo da Renascença
De facto, esta polémica da isenção dos media começou bem cedo, quando a Rádio Renascença (RR) tomou a sua posição pelo "Não": «Nos seus espaços informativos, a Renascença actuará com a objectividade própria dos meios de comunicação social. Saberá, por isso, ouvindo as diversas partes, distinguir factos e propaganda; notícia e opinião. No que à posição da Renascença diz respeito, não podem, no entanto, restar dúvidas: a Renascença situa-se inequivocamente do lado da vida e do "Não", perante a pergunta posta a sufrágio.»
Muitas vozes públicas a criticaram, mas a contestação acabou por se esfumar, com ajuda de alguns comentadores que explicaram essa mesma separação entre opinião e informação e o direito à liberdade de "tendência" das instituições, como foi o caso de Mário Lino, no Público de 4 de Dezembro. Ou de Cândido da Silva, dois dias antes, no mesmo jornal: «Em casos como este, o pior serviço que se pode prestar à credibilidade é o de fingir que se é isento, ao mesmo tempo que se edita a informação de acordo com as próprias convicções. A hipocrisia paga-se caro, enquanto a clarificação, necessitando de coragem e capacidade para correr riscos, pode ser um trunfo. (…) A iniciativa da Rádio Renascença merece ser elogiada. Revela que os seus responsáveis não dissimulam aquilo em que acreditam e, também, que não têm medo de passar pelo exigente teste da credibilidade que consiste em abrirem o jogo quando têm pela frente uma campanha para o referendo que exige jornalismo feito com critério.»
Outros meios de comunicação que vieram a seguir, já tinham caminho aberto.
Clareza
Sempre defendemos a clareza de posições quanto aos valores em que acreditamos e não podíamos ter posição diferente neste caso.
E não somos os únicos que defendemos esta forma de estar, como se lê na opinião de Cândido da Silva, citada atrás. Na mesma linha, escrevia Pacheco Pereira, na revista Sábado de 18 de Janeiro: «Pela primeira vez de forma mais sistemática, (…) os órgãos de comunicação social portugueses começam a tomar posições editoriais numa eleição, neste caso o referendo sobre o aborto. Foi o que fez a Rádio Renascença (a favor do "não"), o Correio da Manhã [e o semanário Sol] (a favor do "direito à vida"), e o Le Monde Diplomatique em português (a favor do "sim"). É um dado novo na nossa tradição comunicacional. (…) Tendo em conta as características do órgão de informação e o seu estatuto editorial, parece-me um progresso estas tomadas de posição às claras. O contrário, as tomadas de posição às escuras, que muitas vezes acontecem, é que não são nada aceitáveis.»
Não queremos entrar em polémicas com ninguém, mas já que o Região de Leiria nos citou, que dizer do facto de, nas edições das 5 semanas anteriores ao referendo, terem sido publicados naquele jornal 8 textos dos seus comentadores de opinião a defender o "sim" e apenas 1 a favor do "não"?
Poderá ser coincidência, aceito. Mas, mesmo que o seja, essa diferença de espaço concedido aos dois lados da campanha influencia, obviamente, os leitores. Tal como influencia o destaque de primeira página, duas semanas antes do referendo, ao facto de a maioria dos deputados da região ir votar "sim". E também outras formas de abordagem a assuntos que, embora se possam considerar "objectivos", servem à argumentação de um lado e atacam a imagem do outro. Aliás, desde 2004, foi recorrente nas suas páginas a defesa de um novo referendo e de mudança da lei. Afinal, não corremos todos o risco de – usando as palavras de Pacheco Pereira – "tomadas de posição às escuras"?
Sei que o assunto já lá vai à distância, mas como só saímos à rua uma vez por mês, não tivemos oportunidade para o comentar antes. Trata-se do facto de o Jornal da Golpilheira ter sido notícia no semanário Região de Leiria, na sua edição de 9 de Fevereiro.
Espantava-se – pelos vistos – este jornal por termos tomado uma posição editorial clara quanto à questão do aborto, assumindo a nossa inspiração cristã. Não foi um trabalho sobre a posição dos jornais regionais, nem sobre outros assuntos do mesmo contexto. Foi uma notícia exclusivamente sobre o Jornal da Golpilheira, onde expunha a nossa decisão de não publicar textos de opinião da campanha pelo "sim", assumindo, no entanto, total isenção quanto à publicação de notícias sobre o assunto, de ambos os lados da mesma campanha. Como, aliás, a própria notícia do Região de Leiria reconhece, ao referir que "o director da publicação garante que a isenção é mantida no que se refere ao tratamento noticioso" e dando nota, quanto à nossa publicação do debate sobre o aborto que decorreu na freguesia, de que o jornal "acabou por transcrever, na íntegra, o teor das intervenções, argumentos do ‘Sim’ incluídos".
Espantamo-nos nós, em primeiro lugar, pela importância que nos foi dada por este semanário regional. É bem sinal da importância que tem o nosso pequeno "jornal de colectividade da Batalha", no contexto das dezenas de publicações regionais existentes, muitas das quais, aliás, tomaram uma posição semelhante.
Espantamo-nos, depois, por a nossa posição editorial ter sido motivo de notícia. Como referi, foram muitos os jornais e outros órgãos de comunicação, regionais e mesmo nacionais, que decidiram tomar uma posição conforme os seus estatutos editoriais. Como explicava no editorial em causa na notícia, uma coisa é a opinião que se publica, e que livremente a direcção do jornal pode escolher, outra coisa são as notícias, onde deve imperar a isenção e o rigor.
Já agora, adianto que nem teria sido preciso ter anunciado tal decisão e não foi necessário grande esforço para a cumprir. É que acabámos por não receber na redacção qualquer opinião em favor do sim, à excepção da carta de uma leitora, cujos argumentos eram mais contestatários à posição do jornal do que esclarecedores quanto à matéria do referendo, muitos deles, aliás, completamente descabidos. E sobre o assunto acabámos também por publicar, sobretudo, textos e documentos da Igreja e instituições a ela ligadas, como fazemos regularmente a propósito de muitos outros temas sociais.
Exemplo da Renascença
De facto, esta polémica da isenção dos media começou bem cedo, quando a Rádio Renascença (RR) tomou a sua posição pelo "Não": «Nos seus espaços informativos, a Renascença actuará com a objectividade própria dos meios de comunicação social. Saberá, por isso, ouvindo as diversas partes, distinguir factos e propaganda; notícia e opinião. No que à posição da Renascença diz respeito, não podem, no entanto, restar dúvidas: a Renascença situa-se inequivocamente do lado da vida e do "Não", perante a pergunta posta a sufrágio.»
Muitas vozes públicas a criticaram, mas a contestação acabou por se esfumar, com ajuda de alguns comentadores que explicaram essa mesma separação entre opinião e informação e o direito à liberdade de "tendência" das instituições, como foi o caso de Mário Lino, no Público de 4 de Dezembro. Ou de Cândido da Silva, dois dias antes, no mesmo jornal: «Em casos como este, o pior serviço que se pode prestar à credibilidade é o de fingir que se é isento, ao mesmo tempo que se edita a informação de acordo com as próprias convicções. A hipocrisia paga-se caro, enquanto a clarificação, necessitando de coragem e capacidade para correr riscos, pode ser um trunfo. (…) A iniciativa da Rádio Renascença merece ser elogiada. Revela que os seus responsáveis não dissimulam aquilo em que acreditam e, também, que não têm medo de passar pelo exigente teste da credibilidade que consiste em abrirem o jogo quando têm pela frente uma campanha para o referendo que exige jornalismo feito com critério.»
Outros meios de comunicação que vieram a seguir, já tinham caminho aberto.
Clareza
Sempre defendemos a clareza de posições quanto aos valores em que acreditamos e não podíamos ter posição diferente neste caso.
E não somos os únicos que defendemos esta forma de estar, como se lê na opinião de Cândido da Silva, citada atrás. Na mesma linha, escrevia Pacheco Pereira, na revista Sábado de 18 de Janeiro: «Pela primeira vez de forma mais sistemática, (…) os órgãos de comunicação social portugueses começam a tomar posições editoriais numa eleição, neste caso o referendo sobre o aborto. Foi o que fez a Rádio Renascença (a favor do "não"), o Correio da Manhã [e o semanário Sol] (a favor do "direito à vida"), e o Le Monde Diplomatique em português (a favor do "sim"). É um dado novo na nossa tradição comunicacional. (…) Tendo em conta as características do órgão de informação e o seu estatuto editorial, parece-me um progresso estas tomadas de posição às claras. O contrário, as tomadas de posição às escuras, que muitas vezes acontecem, é que não são nada aceitáveis.»
Não queremos entrar em polémicas com ninguém, mas já que o Região de Leiria nos citou, que dizer do facto de, nas edições das 5 semanas anteriores ao referendo, terem sido publicados naquele jornal 8 textos dos seus comentadores de opinião a defender o "sim" e apenas 1 a favor do "não"?
Poderá ser coincidência, aceito. Mas, mesmo que o seja, essa diferença de espaço concedido aos dois lados da campanha influencia, obviamente, os leitores. Tal como influencia o destaque de primeira página, duas semanas antes do referendo, ao facto de a maioria dos deputados da região ir votar "sim". E também outras formas de abordagem a assuntos que, embora se possam considerar "objectivos", servem à argumentação de um lado e atacam a imagem do outro. Aliás, desde 2004, foi recorrente nas suas páginas a defesa de um novo referendo e de mudança da lei. Afinal, não corremos todos o risco de – usando as palavras de Pacheco Pereira – "tomadas de posição às escuras"?
Piscina e pavilhão… uma realidade ou uma miragem?
Já lá vão mais de doze anos sobre a promessa da construção de piscinas descobertas na Golpilheira. Na altura, não havia terreno. Agora já existe e está reservado há uns anos. Lamentavelmente, devido à burocracia e ao olhar vesgo do INAG, com gabinetes – já se vê – em Lisboa, continua tudo parado. Estes gabinetes técnicos têm receio de que as águas do rio Lena cheguem ao local onde vão ser instaladas as piscinas. É incrível que, em pleno século XXI, se obstrua a construção de obras de interesse público (com orçamentos já aprovados), por razões incompreensíveis. É inacreditável que o desbloquear desta situação se continue a arrastar, há já alguns anos, com prejuízos para a população, especialmente a juventude, da freguesia da Golpilheira e zonas limítrofes. A quem se devem pedir responsabilidades?
Quanto ao pavilhão desportivo, já começo a acreditar na maldição das Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, cujo vento Sul sopra para o lado da nossa freguesia. Estarão estas obras a sofrer esta influência? O futuro o dirá.
MCR
Quanto ao pavilhão desportivo, já começo a acreditar na maldição das Capelas Imperfeitas do Mosteiro da Batalha, cujo vento Sul sopra para o lado da nossa freguesia. Estarão estas obras a sofrer esta influência? O futuro o dirá.
MCR
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007
Acabou-se o apoio do porte-pago
Conforme anunciámos na última edição, estamos à espera de novidades quanto ao apoio do Estado para o "incentivo à leitura" dos jornais regionais, vulgarmente conhecido como "porte-pago". Ainda não foi publicado o Decreto-Lei, mas deverá estar para breve, concretizando o corte de 10% na expedição nacional e o corte total ao apoio na expedição internacional, que é a mais dispendiosa e a que mais nos interessa. Acaba também a comparticipação para qualquer envio gratuito para escolas, bibliotecas, associações ou outras entidades culturais. Em todos estes casos, passaremos a ter de suportar na íntegra o custo do envio do jornal, de acordo com a tabela dos CTT.
Desde 2001, esta é já a terceira alteração ao código legal dos incentivos à comunicação social, sempre no sentido de dificultar o acesso a este benefício por parte dos jornais mais pequenos, de menor circulação e com mais dificuldades. O processo é cada vez mais burocrático e exigente, tem de ser repetido de dois em dois anos, e neste momento dá mais trabalho do que interesse. O ponto mais considerado é a profissionalização, a estrutura empresarial dos proprietários, o negócio que fazem e o dinheiro que geram. Aos jornais que não são propriedade de grandes empresas de comunicação, nem têm estruturas de grande escala, o Estado nega o direito ao apoio. Não se olha às populações que por eles são servidas, nem se tem qualquer consideração pelo papel social e cultural que desempenham. Mesmo que tenham qualidade, mesmo que sejam a única voz de uma população local e o meio privilegiado de ligação à informação, à leitura e à cultura por centenas de pessoas que nunca irão substituir o jornal "da sua terra" por um dos grandes títulos nacionais ou regionais.
Em nome da profissionalização e da estruturação empresarial que o Governo defende abertamente, sem outros critérios de análise, em pouco tempo vão encerrar a maioria dos pequenos jornais e concentrar toda a comunicação social em meia dúzia de títulos de grandes grupos de comunicação. Serão, sem dúvida, menos vozes a incomodar, menos opiniões a circular e menos críticas ao estado da Nação. E será mais fácil de controlar a opinião pública, até pela falta de opções. A não ser que o tiro saia pela culatra e comece a repetir-se o cenário de publicações clandestinas de há uns anos atrás...
Nós não vamos desanimar. Lamentamos estas tomadas de posição, mas não deixaremos de cumprir a nossa missão de sempre, em prol dos estimados leitores. Faremos uma actualização nos preços das assinaturas – a primeira nestes 10 anos de vida – pedindo a colaboração dos assinantes nestas despesas, sobretudo aos emigrantes, pois o envio de cada jornal passará a custar-nos 1,09€ para a Europa e 1,48€ para o resto do mundo.
Recorde-se que assegurar "às comunidades regionais e locais o fácil acesso à informação" e proporcionar "aos emigrantes portugueses no estrangeiro informação geral sobre as suas comunidades de origem, fortalecendo os laços entre eles e as respectivas localidades e regiões" são duas das funções da imprensa regional definidas pela Lei. É esta a ajuda do Estado para cumprir tal missão? É esta a política de ligação às nossas comunidades emigrantes e de defesa da nossa língua e cultura além-fronteiras?
Assumimos a nossa capacidade para sobreviver sem qualquer subsídio do Estado, já a partir do próximo mês. Recusamos as migalhas que nos deixam deste bolo, que já cheira a mofo e em nada nos alimenta. "Porte pago" com este sabor a esmolinha não queremos. Quando voltar a haver uma verdadeira política de promoção da cultura, de defesa da língua portuguesa, de incremento da leitura, de pluralismo na comunicação social, então o Estado poderá voltar a contar connosco na lista dos colaboradores.´
A voz dos outros...
Editorial do Jornal do Fundão
Parece que é definitivo e fatal: o governo vai suprimir o porte pago internacional. Esta decisão, na política de mercearia de restrição orçamental, traduz um propósito político e define uma estratégia. Uma e outra são faces da mesma moeda. E ambas significam, naquilo que é a coerência entre as palavras e os actos, uma tremenda hipocrisia. Porque o Governo – este e os outros – não se tem cansado de cantar a glória da Diáspora portuguesa nunca se esquecendo de elogiar a Língua (com recurso a Camões...) e a Cultura como momentos essenciais da nossa afirmação no mundo.
A hipocrisia é tão grande que é vê-los junto das comunidades portuguesas, distribuindo beijinhos e abraços, oferecendo valentes promessas sobre o apoio ao ensino da língua portuguesa e à sua divulgação, chorando, às vezes lágrimas de emoção fácil quando descobrem o drama de uma saga épica que foi capaz de romper todos os atavismos e limitações de circunstância, até a falta de liberdade, e ir pelo mundo, transportando o imaginário de um país, e afirmando, não poucas vezes, o orgulho de desfraldar a bandeira, como gesto de cidadania de parte inteira.
Chegamos agora à conclusão que o Governo participa nessa emoção colectiva como em meros actos de propaganda. Não sei se as calculadoras dos Ministérios já deixaram de somar as parcelas das remessas dos emigrantes, ou se elas, que já foram superiores (e sem contrapartidas) aos fluxos das ajudas comunitárias, deixaram de ter interesse na matemática dos números. Em todo o caso, o Governo do engenheiro Sócrates tem uma ideia de que este país não seria o mesmo sem o contributo das economias dos que, na sua aventura de pobre, foram à procura da dignidade e do trabalho que a pátria originária lhes roubou.
Foram um esteio fundamental da sociedade portuguesa, anteciparam a nossa própria presença na Europa, ajudaram a reconstruir um país não só no plano físico, mas até da própria mentalidade. Ora, sabe-se como a imprensa regional teve um papel determinante não só na manutenção viva da língua portuguesa, mas também na consolidação e valorização desse sentimento de pertença em relação a Portugal, mitigando, quantas vezes, quantas!, o "labirinto da saudade". Aí está, claramente, a virtualidade de um serviço público cumprido ao longo dos anos, semana a semana. Que faz agora o Governo? Na tal política merceeira que o triste ministro das Finanças vem cumprindo, corta o porte pago internacional.
(...) O futuro dirá quanto esta estupidez sairá cara ao País.
Fernando Paulouro
Editorial do Mensageiro de Bragança
É espantoso que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, tenha afirmado que o Governo não cumpre a Lei e, apesar da Lusa ter dado conta dessa afirmação, os órgãos de comunicação nacional não lhe tenham dado qualquer atenção. Alguns até tinham jornalistas presentes no evento, mas não perceberam, ou não quiseram dar destaque, a este deslize ministerial. Porquê? Será que o Governo está acima da Lei? Será que à opinião pública já não interessa se os governos cumprem ou não a Lei? Será que os editores dos meios de comunicação de implantação nacional nem sequer reparam nisso, ou sós e interessam pelas notícias mais chocantes, ou estrambólicas da região? Ou será que, para os órgãos nacionais continuarem a recebera publicidade, que é devida aos órgãos regionais, têm de deixar passar alguns destes descuidos dos titulares do Estado? Talvez de tudo um pouco.
Como se esperava o ministro não trouxe boas notícias para a imprensa regional. Para além de assumir a incapacidade para fazer cumprir a Lei da Publicidade do Estado, confirmou que o porte pago, para o estrangeiro, é mesmo para acabar. Esta medida do Governo é altamente prejudicial para o interior. A maioria dos nossos emigrantes não é do litoral. Depois de se terem visto obrigados a abandonar o seu país, agora o Governo dificulta-lhes o acesso à informação da sua terra.
Mesmo que a imprensa regional decida oferecer os jornais e as revistas aos seus assinantes no estrangeiro e eles paguem somente a expedição das publicações, terão de pagar cerca de 80 euros na Europa e 125 fora da Europa, para receber todas as edições, durante um ano, no caso dos semanários! Esse valor vai todo para os CTT, nem um cêntimo entra nos cofres dos jornais e revistas. Mas, mesmo assim, para aqueles que conseguirem suportar esse encargo, o Mensageiro estará disposto a continuar a enviar o jornal, sem cobrar mais nada para além do que se paga aos Correios, pelo seu envio. Estamos convencidos que mesmo assim perderemos muitos assinantes no estrangeiro.
Para já o Governo não assume que é para acabar todo o porte pago, mas, de facto, este apoio à imprensa regional está ferido de morte desde 1996, quando começou a ser diminuído, por iniciativa do Governo do Eng. Guterres, como fiz questão de o recordar ao senhor ministro, no contexto do aniversário do Mensageiro.
Em resposta a essa provocação, o ministro da tutela referiu que foi esse mesmo Governo quem introduziu os incentivos à modernização tecnológica, de que beneficiou o Mensageiro para renovar e reequiparas suas instalações. Deve ter sido outra distracção do senhor ministro. De facto, esse Governo limitou-se a mudar o nome, quede incentivos à reconversão e modernização tecnológica, passaram a ser denominados incentivos à modernização. Para além de mudar o nome, também reduziu a comparticipação estatal. Antes de1996, os projectos de modernização eram comparticipados a 100%, como Governo socialista passaram a ser comparticipados apenas a 50%, percentagem que ainda se mantém.
Quem introduziu esses incentivos foi o Governo do Prof. Cavaco Silva, em 1994, que os criou para substituir os subsídios à reconversão tecnológica, regulamentados pelo seu primeiro Governo, em 1987.
Calado Rodrigues
Desde 2001, esta é já a terceira alteração ao código legal dos incentivos à comunicação social, sempre no sentido de dificultar o acesso a este benefício por parte dos jornais mais pequenos, de menor circulação e com mais dificuldades. O processo é cada vez mais burocrático e exigente, tem de ser repetido de dois em dois anos, e neste momento dá mais trabalho do que interesse. O ponto mais considerado é a profissionalização, a estrutura empresarial dos proprietários, o negócio que fazem e o dinheiro que geram. Aos jornais que não são propriedade de grandes empresas de comunicação, nem têm estruturas de grande escala, o Estado nega o direito ao apoio. Não se olha às populações que por eles são servidas, nem se tem qualquer consideração pelo papel social e cultural que desempenham. Mesmo que tenham qualidade, mesmo que sejam a única voz de uma população local e o meio privilegiado de ligação à informação, à leitura e à cultura por centenas de pessoas que nunca irão substituir o jornal "da sua terra" por um dos grandes títulos nacionais ou regionais.
Em nome da profissionalização e da estruturação empresarial que o Governo defende abertamente, sem outros critérios de análise, em pouco tempo vão encerrar a maioria dos pequenos jornais e concentrar toda a comunicação social em meia dúzia de títulos de grandes grupos de comunicação. Serão, sem dúvida, menos vozes a incomodar, menos opiniões a circular e menos críticas ao estado da Nação. E será mais fácil de controlar a opinião pública, até pela falta de opções. A não ser que o tiro saia pela culatra e comece a repetir-se o cenário de publicações clandestinas de há uns anos atrás...
Nós não vamos desanimar. Lamentamos estas tomadas de posição, mas não deixaremos de cumprir a nossa missão de sempre, em prol dos estimados leitores. Faremos uma actualização nos preços das assinaturas – a primeira nestes 10 anos de vida – pedindo a colaboração dos assinantes nestas despesas, sobretudo aos emigrantes, pois o envio de cada jornal passará a custar-nos 1,09€ para a Europa e 1,48€ para o resto do mundo.
Recorde-se que assegurar "às comunidades regionais e locais o fácil acesso à informação" e proporcionar "aos emigrantes portugueses no estrangeiro informação geral sobre as suas comunidades de origem, fortalecendo os laços entre eles e as respectivas localidades e regiões" são duas das funções da imprensa regional definidas pela Lei. É esta a ajuda do Estado para cumprir tal missão? É esta a política de ligação às nossas comunidades emigrantes e de defesa da nossa língua e cultura além-fronteiras?
Assumimos a nossa capacidade para sobreviver sem qualquer subsídio do Estado, já a partir do próximo mês. Recusamos as migalhas que nos deixam deste bolo, que já cheira a mofo e em nada nos alimenta. "Porte pago" com este sabor a esmolinha não queremos. Quando voltar a haver uma verdadeira política de promoção da cultura, de defesa da língua portuguesa, de incremento da leitura, de pluralismo na comunicação social, então o Estado poderá voltar a contar connosco na lista dos colaboradores.´
A voz dos outros...
Editorial do Jornal do Fundão
Parece que é definitivo e fatal: o governo vai suprimir o porte pago internacional. Esta decisão, na política de mercearia de restrição orçamental, traduz um propósito político e define uma estratégia. Uma e outra são faces da mesma moeda. E ambas significam, naquilo que é a coerência entre as palavras e os actos, uma tremenda hipocrisia. Porque o Governo – este e os outros – não se tem cansado de cantar a glória da Diáspora portuguesa nunca se esquecendo de elogiar a Língua (com recurso a Camões...) e a Cultura como momentos essenciais da nossa afirmação no mundo.
A hipocrisia é tão grande que é vê-los junto das comunidades portuguesas, distribuindo beijinhos e abraços, oferecendo valentes promessas sobre o apoio ao ensino da língua portuguesa e à sua divulgação, chorando, às vezes lágrimas de emoção fácil quando descobrem o drama de uma saga épica que foi capaz de romper todos os atavismos e limitações de circunstância, até a falta de liberdade, e ir pelo mundo, transportando o imaginário de um país, e afirmando, não poucas vezes, o orgulho de desfraldar a bandeira, como gesto de cidadania de parte inteira.
Chegamos agora à conclusão que o Governo participa nessa emoção colectiva como em meros actos de propaganda. Não sei se as calculadoras dos Ministérios já deixaram de somar as parcelas das remessas dos emigrantes, ou se elas, que já foram superiores (e sem contrapartidas) aos fluxos das ajudas comunitárias, deixaram de ter interesse na matemática dos números. Em todo o caso, o Governo do engenheiro Sócrates tem uma ideia de que este país não seria o mesmo sem o contributo das economias dos que, na sua aventura de pobre, foram à procura da dignidade e do trabalho que a pátria originária lhes roubou.
Foram um esteio fundamental da sociedade portuguesa, anteciparam a nossa própria presença na Europa, ajudaram a reconstruir um país não só no plano físico, mas até da própria mentalidade. Ora, sabe-se como a imprensa regional teve um papel determinante não só na manutenção viva da língua portuguesa, mas também na consolidação e valorização desse sentimento de pertença em relação a Portugal, mitigando, quantas vezes, quantas!, o "labirinto da saudade". Aí está, claramente, a virtualidade de um serviço público cumprido ao longo dos anos, semana a semana. Que faz agora o Governo? Na tal política merceeira que o triste ministro das Finanças vem cumprindo, corta o porte pago internacional.
(...) O futuro dirá quanto esta estupidez sairá cara ao País.
Fernando Paulouro
Editorial do Mensageiro de Bragança
É espantoso que o ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, tenha afirmado que o Governo não cumpre a Lei e, apesar da Lusa ter dado conta dessa afirmação, os órgãos de comunicação nacional não lhe tenham dado qualquer atenção. Alguns até tinham jornalistas presentes no evento, mas não perceberam, ou não quiseram dar destaque, a este deslize ministerial. Porquê? Será que o Governo está acima da Lei? Será que à opinião pública já não interessa se os governos cumprem ou não a Lei? Será que os editores dos meios de comunicação de implantação nacional nem sequer reparam nisso, ou sós e interessam pelas notícias mais chocantes, ou estrambólicas da região? Ou será que, para os órgãos nacionais continuarem a recebera publicidade, que é devida aos órgãos regionais, têm de deixar passar alguns destes descuidos dos titulares do Estado? Talvez de tudo um pouco.
Como se esperava o ministro não trouxe boas notícias para a imprensa regional. Para além de assumir a incapacidade para fazer cumprir a Lei da Publicidade do Estado, confirmou que o porte pago, para o estrangeiro, é mesmo para acabar. Esta medida do Governo é altamente prejudicial para o interior. A maioria dos nossos emigrantes não é do litoral. Depois de se terem visto obrigados a abandonar o seu país, agora o Governo dificulta-lhes o acesso à informação da sua terra.
Mesmo que a imprensa regional decida oferecer os jornais e as revistas aos seus assinantes no estrangeiro e eles paguem somente a expedição das publicações, terão de pagar cerca de 80 euros na Europa e 125 fora da Europa, para receber todas as edições, durante um ano, no caso dos semanários! Esse valor vai todo para os CTT, nem um cêntimo entra nos cofres dos jornais e revistas. Mas, mesmo assim, para aqueles que conseguirem suportar esse encargo, o Mensageiro estará disposto a continuar a enviar o jornal, sem cobrar mais nada para além do que se paga aos Correios, pelo seu envio. Estamos convencidos que mesmo assim perderemos muitos assinantes no estrangeiro.
Para já o Governo não assume que é para acabar todo o porte pago, mas, de facto, este apoio à imprensa regional está ferido de morte desde 1996, quando começou a ser diminuído, por iniciativa do Governo do Eng. Guterres, como fiz questão de o recordar ao senhor ministro, no contexto do aniversário do Mensageiro.
Em resposta a essa provocação, o ministro da tutela referiu que foi esse mesmo Governo quem introduziu os incentivos à modernização tecnológica, de que beneficiou o Mensageiro para renovar e reequiparas suas instalações. Deve ter sido outra distracção do senhor ministro. De facto, esse Governo limitou-se a mudar o nome, quede incentivos à reconversão e modernização tecnológica, passaram a ser denominados incentivos à modernização. Para além de mudar o nome, também reduziu a comparticipação estatal. Antes de1996, os projectos de modernização eram comparticipados a 100%, como Governo socialista passaram a ser comparticipados apenas a 50%, percentagem que ainda se mantém.
Quem introduziu esses incentivos foi o Governo do Prof. Cavaco Silva, em 1994, que os criou para substituir os subsídios à reconversão tecnológica, regulamentados pelo seu primeiro Governo, em 1987.
Calado Rodrigues
quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007
Sentinela, que vês na noite?...
Chamam por mim desde Seir:
«Sentinela, que vês na noite?
Sentinela, que vês na noite?»
E a sentinela responde:
«Chega a manhã
e a noite também.
Se quereis uma resposta,
voltai a perguntar»
(Is 21,11-12)
Esta obscura profecia do livro de Isaías pode muito bem aplicar-se à cultura europeia dominante, numa altura em que, também no nosso país, se tenta dar à morte direitos de cidadania, manchando as leis com sangue inocente e traindo a vocação original das unidades hospitalares, enquanto instituições ao serviço da vida. Esta legalização "civilizada" da morte denuncia algo de profundamente errado no mundo ocidental!
Levámos séculos a irradiar a pena de morte e agora, em nome do progresso – mas que progresso pode haver na morte? – queremos reinscrevê-la na legislação!
Chegámos ao paradoxo de ver a vida como inimiga – nós, a quem foi dado viver! – e desejar que outros não cheguem a conhecer a luz do dia por interesses e conveniências do momento. Em vez de juntarmos esforços para a salvar, capitulamos, e parece que nos queremos deixar convencer – como se isso fosse possível! – de que a morte do mais frágil, indefeso e silencioso ser humano é solução para alguma coisa! O que nos dignifica, nos humaniza e nos permite estar à altura dos desafios do nosso tempo não é optar pela morte de um, mas lutar pela vida dos dois até às últimas circunstâncias...
Esta capitulação da cultura dominante revela a que ponto chegou a banalização da vida nas sociedades ocidentais, provocando uma decisiva subversão da escala de valores: a vida de todos e em todas as circunstâncias deixou de ser o principal valor a defender! Mas, se não defendermos a vida toda e sempre, o que sobra é o princípio do mais forte! Será que não nos damos conta que estamos a enviar às jovens gerações sinais verdadeiramente inquietantes?
Culturalmente e por falta de ajuda, deixamos que a mulher se volte contra o ser indefeso que traz no seu ventre e, em nome da sua liberdade e direito de escolha, acabamos por fazer dela a vítima do egoísmo e do cinismo do nosso tempo. Por isso, do pedestal onde foi colocada, cairá desamparada, resvalando na indiferença de muitos, sempre que o acontecer da vida humana não convier a alguém, só porque veio fora de horas!
Neste contexto, a vida humana passará a estar à mercê de agendas e interesses inconfessados! A saída imediata será o aborto... Drama de consciência? Rupturas no casal e na família? Problemas graves de saúde física e psíquica? Tudo isto será secundário... menos para a mulher! Mas quem se importará? Os que facilitaram e/ou a pressionaram para abortar? Esses não entenderão o seu sofrimento: não compreenderão que o ser humano arrancado das entranhas da mulher, permanece na sua consciência e no seu coração!...
Quantos séculos teremos nós de esperar pelo dia em que a vida humana seja integralmente respeitada, desde o início até ao fim? Na caminhada civilizacional não há só avanços, também há desvios, becos sem saída, recuos e tendências destruidoras...
Entretanto, e enquanto esperamos por esse dia, importa, não só denunciar todos os atentados à vida humana, como reunir boas vontades e exigir às instituições competentes apoios para pôr em marcha projectos que auxiliem mulheres e famílias nestas circunstâncias. A Igreja, seguindo o seu Senhor, apoiará todas estas iniciativas e acolherá, à luz do amor misericordioso de Deus Pai, todas as situações dramaticamente atingidas pelo aborto.
P. Manuel Armindo P. Janeiro
«Sentinela, que vês na noite?
Sentinela, que vês na noite?»
E a sentinela responde:
«Chega a manhã
e a noite também.
Se quereis uma resposta,
voltai a perguntar»
(Is 21,11-12)
Esta obscura profecia do livro de Isaías pode muito bem aplicar-se à cultura europeia dominante, numa altura em que, também no nosso país, se tenta dar à morte direitos de cidadania, manchando as leis com sangue inocente e traindo a vocação original das unidades hospitalares, enquanto instituições ao serviço da vida. Esta legalização "civilizada" da morte denuncia algo de profundamente errado no mundo ocidental!
Levámos séculos a irradiar a pena de morte e agora, em nome do progresso – mas que progresso pode haver na morte? – queremos reinscrevê-la na legislação!
Chegámos ao paradoxo de ver a vida como inimiga – nós, a quem foi dado viver! – e desejar que outros não cheguem a conhecer a luz do dia por interesses e conveniências do momento. Em vez de juntarmos esforços para a salvar, capitulamos, e parece que nos queremos deixar convencer – como se isso fosse possível! – de que a morte do mais frágil, indefeso e silencioso ser humano é solução para alguma coisa! O que nos dignifica, nos humaniza e nos permite estar à altura dos desafios do nosso tempo não é optar pela morte de um, mas lutar pela vida dos dois até às últimas circunstâncias...
Esta capitulação da cultura dominante revela a que ponto chegou a banalização da vida nas sociedades ocidentais, provocando uma decisiva subversão da escala de valores: a vida de todos e em todas as circunstâncias deixou de ser o principal valor a defender! Mas, se não defendermos a vida toda e sempre, o que sobra é o princípio do mais forte! Será que não nos damos conta que estamos a enviar às jovens gerações sinais verdadeiramente inquietantes?
Culturalmente e por falta de ajuda, deixamos que a mulher se volte contra o ser indefeso que traz no seu ventre e, em nome da sua liberdade e direito de escolha, acabamos por fazer dela a vítima do egoísmo e do cinismo do nosso tempo. Por isso, do pedestal onde foi colocada, cairá desamparada, resvalando na indiferença de muitos, sempre que o acontecer da vida humana não convier a alguém, só porque veio fora de horas!
Neste contexto, a vida humana passará a estar à mercê de agendas e interesses inconfessados! A saída imediata será o aborto... Drama de consciência? Rupturas no casal e na família? Problemas graves de saúde física e psíquica? Tudo isto será secundário... menos para a mulher! Mas quem se importará? Os que facilitaram e/ou a pressionaram para abortar? Esses não entenderão o seu sofrimento: não compreenderão que o ser humano arrancado das entranhas da mulher, permanece na sua consciência e no seu coração!...
Quantos séculos teremos nós de esperar pelo dia em que a vida humana seja integralmente respeitada, desde o início até ao fim? Na caminhada civilizacional não há só avanços, também há desvios, becos sem saída, recuos e tendências destruidoras...
Entretanto, e enquanto esperamos por esse dia, importa, não só denunciar todos os atentados à vida humana, como reunir boas vontades e exigir às instituições competentes apoios para pôr em marcha projectos que auxiliem mulheres e famílias nestas circunstâncias. A Igreja, seguindo o seu Senhor, apoiará todas estas iniciativas e acolherá, à luz do amor misericordioso de Deus Pai, todas as situações dramaticamente atingidas pelo aborto.
P. Manuel Armindo P. Janeiro
Crianças, enfim
Não consigo deixar de me impressionar com a morte de uma criança, principalmente quando é provocada por um adulto.
E não consigo também pela formação científica (biológica e médica) que tenho, deixar de olhar para o momento da fecundação de um óvulo por um espermatozóide como um momento ímpar, o do nascimento de uma criança.
Sei que quer o óvulo quer o espermatozóide são células maduras, condenadas à morte. E que no momento em que se unem há uma explosão biológica. Os vinte e três cromossomas de cada um deles unem-se e formam-se um novo núcleo, com quarenta e seis cromossomas, com um genoma completamente novo e que nunca se repetirá. Um genoma de um ser humano.
Sei que aquela célula – o zigoto, se começa a dividir activamente, em duas, quatro, oito, dezasseis…e rapidamente aquela "massa de células" (uma criança) começa a produzir hormonas que vão interferir como o organismo da mãe. Fazem proliferar a camada interna do útero, preparando tudo para a sua nidação. E, uma vez um pouco diferenciadas em blastocisto nidam no útero materno, começando a alimentar-se dele.
Sei que esse aglomerado de células se começa a diferenciar rapidamente, e que os órgãos vitais de um organismo humano vão surgindo a uma velocidade surpreendente, de tal modo que num embrião (uma criança) de dez semanas estão praticamente todos os órgãos formados, apesar de esse embrião medir uns escassos centímetros.
E que depois tudo se processará numa fase predominantemente de crescimento até que o feto (a criança) atinja as trinta e cinco semanas e nasça uma criança.
Não consigo deixar de olhar para um embrião de poucos dias e ver nele uma pessoa humana. E não é por Fé, por crença religiosa. Não preciso de fé para ver uma criança num embrião. Está lá, a evidência científica diz-mo. Tem de estar lá porque lá está tudo o que constitui uma pessoa humana.
A minha mente de médico recusa fechar os olhos à evidência. E, por isso, e porque para os médicos a vida humana é sagrada, recuso-me a aceitar o aborto provocado, porque para um médico a morte nunca é solução, tem de haver outra saída. Há sempre outra saída. É preciso imaginação para descobrir, coragem e inteligência para por em prática. Mas a morte, nunca! O aborto, nunca!
Vítor Costa Lima, médico
E não consigo também pela formação científica (biológica e médica) que tenho, deixar de olhar para o momento da fecundação de um óvulo por um espermatozóide como um momento ímpar, o do nascimento de uma criança.
Sei que quer o óvulo quer o espermatozóide são células maduras, condenadas à morte. E que no momento em que se unem há uma explosão biológica. Os vinte e três cromossomas de cada um deles unem-se e formam-se um novo núcleo, com quarenta e seis cromossomas, com um genoma completamente novo e que nunca se repetirá. Um genoma de um ser humano.
Sei que aquela célula – o zigoto, se começa a dividir activamente, em duas, quatro, oito, dezasseis…e rapidamente aquela "massa de células" (uma criança) começa a produzir hormonas que vão interferir como o organismo da mãe. Fazem proliferar a camada interna do útero, preparando tudo para a sua nidação. E, uma vez um pouco diferenciadas em blastocisto nidam no útero materno, começando a alimentar-se dele.
Sei que esse aglomerado de células se começa a diferenciar rapidamente, e que os órgãos vitais de um organismo humano vão surgindo a uma velocidade surpreendente, de tal modo que num embrião (uma criança) de dez semanas estão praticamente todos os órgãos formados, apesar de esse embrião medir uns escassos centímetros.
E que depois tudo se processará numa fase predominantemente de crescimento até que o feto (a criança) atinja as trinta e cinco semanas e nasça uma criança.
Não consigo deixar de olhar para um embrião de poucos dias e ver nele uma pessoa humana. E não é por Fé, por crença religiosa. Não preciso de fé para ver uma criança num embrião. Está lá, a evidência científica diz-mo. Tem de estar lá porque lá está tudo o que constitui uma pessoa humana.
A minha mente de médico recusa fechar os olhos à evidência. E, por isso, e porque para os médicos a vida humana é sagrada, recuso-me a aceitar o aborto provocado, porque para um médico a morte nunca é solução, tem de haver outra saída. Há sempre outra saída. É preciso imaginação para descobrir, coragem e inteligência para por em prática. Mas a morte, nunca! O aborto, nunca!
Vítor Costa Lima, médico
O gato e o guarda-chuva
Há pessoas que teimam em levar periodicamente aos parlamentos a questão da despenalização do aborto. No nosso país – apesar de ainda recentemente, em referendo, a população se ter manifestado contrária ao alargamento do prazo em que os autores do aborto não são penalizados pela lei – já se vai falando em mais uma investida dos interesses pró-abortistas.
Um dos processos do raciocínio, velho como o homem, diz-nos que a realidade das coisas não admite contradição: uma coisa é o que é e não outra coisa qualquer. Por outras palavras, um gato não pode ser um gato e ao mesmo tempo um guarda-chuva: ou é um gato ou é um guarda-chuva.
Portanto, a questão do aborto só admite duas possibilidades.
A primeira é a de que o feto é realmente um ser humano – pequeno e indefeso – que está numa fase de desenvolvimento no ventre de uma mulher. Se assim for, o aborto é talvez o maior dos crimes, a acção mais horrível e monstruosa que os homens podem cometer. E os milhões de abortos cometidos anualmente no mundo constituem o mais sangrento holocausto da História: qualquer coisa tão macabra e ignóbil que de nenhuma forma pode ser admitida por uma pessoa de bem.
A segunda possibilidade é a de que o feto não é uma fase do desenvolvimento do ser humano, mas é qualquer outra coisa. Por exemplo, como dizem alguns, uma parte anómala do corpo da mulher, uma espécie de tumor. Neste caso, pode ser eliminado em qualquer altura, sem que se perceba muito bem por que razão deve a lei meter-se no assunto.
Segundo o tal velho princípio, a realidade não permite que aquilo que está no ventre da mulher seja um bebé no caso de os pais quererem a criança, e não passe de "um tumor" se os pais resolverem não receber a criança.
Um dia, a mulher diz ao marido: Estou grávida; vamos ter uma criança. No dia seguinte resolvem que não querem ter o filho, e a mulher dirige-se a um abortista para que lhe retire um "tumor" do corpo. De um dia para o outro "aquilo" passou de criança a tumor... Então, isto pode ser assim?
Aquilo que a mulher traz dentro de si é uma realidade objectiva: os interesses do casal, ou de quem quer que seja, não pode mudar a realidade daquele ser.
Ou é um bebé ou não é um bebé.
Ora acontece que a ciência nos diz que "aquilo" é um ser humano em desenvolvimento dentro da mãe. Assim aprendem os nossos filhos na escola. De resto, também não era preciso que a ciência falasse: qualquer um vê que se um bebé, ao sair da barriga da mãe, é um bebé, não pode ser outra coisa antes de sair da barriga da mãe. Será mais pequeno, mas os bebés – por serem homens – também não se medem aos palmos...
Depois de assim usarmos o raciocínio – começamos por nos ofender a nós mesmos se procedermos como seres irracionais – resta-nos aplicar aquela expressão, rude mas bela, que o nosso povo conservou: chamar os bois pelos nomes; chamar ao aborto "horroroso homicídio".
E, depois, actuar de acordo com isso.
Paulo Geraldo
Professor de Língua Portuguesa
pjgeraldo@yahoo.com.br
Um dos processos do raciocínio, velho como o homem, diz-nos que a realidade das coisas não admite contradição: uma coisa é o que é e não outra coisa qualquer. Por outras palavras, um gato não pode ser um gato e ao mesmo tempo um guarda-chuva: ou é um gato ou é um guarda-chuva.
Portanto, a questão do aborto só admite duas possibilidades.
A primeira é a de que o feto é realmente um ser humano – pequeno e indefeso – que está numa fase de desenvolvimento no ventre de uma mulher. Se assim for, o aborto é talvez o maior dos crimes, a acção mais horrível e monstruosa que os homens podem cometer. E os milhões de abortos cometidos anualmente no mundo constituem o mais sangrento holocausto da História: qualquer coisa tão macabra e ignóbil que de nenhuma forma pode ser admitida por uma pessoa de bem.
A segunda possibilidade é a de que o feto não é uma fase do desenvolvimento do ser humano, mas é qualquer outra coisa. Por exemplo, como dizem alguns, uma parte anómala do corpo da mulher, uma espécie de tumor. Neste caso, pode ser eliminado em qualquer altura, sem que se perceba muito bem por que razão deve a lei meter-se no assunto.
Segundo o tal velho princípio, a realidade não permite que aquilo que está no ventre da mulher seja um bebé no caso de os pais quererem a criança, e não passe de "um tumor" se os pais resolverem não receber a criança.
Um dia, a mulher diz ao marido: Estou grávida; vamos ter uma criança. No dia seguinte resolvem que não querem ter o filho, e a mulher dirige-se a um abortista para que lhe retire um "tumor" do corpo. De um dia para o outro "aquilo" passou de criança a tumor... Então, isto pode ser assim?
Aquilo que a mulher traz dentro de si é uma realidade objectiva: os interesses do casal, ou de quem quer que seja, não pode mudar a realidade daquele ser.
Ou é um bebé ou não é um bebé.
Ora acontece que a ciência nos diz que "aquilo" é um ser humano em desenvolvimento dentro da mãe. Assim aprendem os nossos filhos na escola. De resto, também não era preciso que a ciência falasse: qualquer um vê que se um bebé, ao sair da barriga da mãe, é um bebé, não pode ser outra coisa antes de sair da barriga da mãe. Será mais pequeno, mas os bebés – por serem homens – também não se medem aos palmos...
Depois de assim usarmos o raciocínio – começamos por nos ofender a nós mesmos se procedermos como seres irracionais – resta-nos aplicar aquela expressão, rude mas bela, que o nosso povo conservou: chamar os bois pelos nomes; chamar ao aborto "horroroso homicídio".
E, depois, actuar de acordo com isso.
Paulo Geraldo
Professor de Língua Portuguesa
pjgeraldo@yahoo.com.br
quinta-feira, 25 de janeiro de 2007
Feliz Natal de outro tempo
Sou uma avó de 60 e tal anos e no meu tempo não havia nada. Havia as filhós e íamos à missa, que era muito bonita. Beijava-se o Menino Jesus, cantava-se aqueles versos muito bonitos que toda a gente sabia... aquele "Alegrem-se os céus e a terra" que era tão bonito!
Trinta anos depois, no Natal dos meus filhos, pouco mais havia. Punha-se o sapato na lareira, para que o Menino Jesus fosse lá pôr alguma coisa. O Menino Jesus era tão pobrezinho que só punha no sapatinho aquilo que mais se precisava: uma peça de roupa e talvez um chocolate muito pequenino. E mesmo assim ficava tudo tão feliz!
No Natal de hoje, dos meus netos e de muita gente, gasta-se tanto dinheiro escusadamente, em coisas sem utilidade, brinquedos caros que eles só ligam naquela altura! No outro dia... já estão no caixote do lixo os do ano passado, coisas que custaram tanto dinheiro. É pena fazer-se assim, quando existem tantas crianças que não sabem o que é o Natal e que nunca receberam um brinquedo!
E com isto termino, desejando um feliz Ano Novo, cheio de paz e de muitas felicidades.
São os votos da avó,
Gracinda Monteiro
Trinta anos depois, no Natal dos meus filhos, pouco mais havia. Punha-se o sapato na lareira, para que o Menino Jesus fosse lá pôr alguma coisa. O Menino Jesus era tão pobrezinho que só punha no sapatinho aquilo que mais se precisava: uma peça de roupa e talvez um chocolate muito pequenino. E mesmo assim ficava tudo tão feliz!
No Natal de hoje, dos meus netos e de muita gente, gasta-se tanto dinheiro escusadamente, em coisas sem utilidade, brinquedos caros que eles só ligam naquela altura! No outro dia... já estão no caixote do lixo os do ano passado, coisas que custaram tanto dinheiro. É pena fazer-se assim, quando existem tantas crianças que não sabem o que é o Natal e que nunca receberam um brinquedo!
E com isto termino, desejando um feliz Ano Novo, cheio de paz e de muitas felicidades.
São os votos da avó,
Gracinda Monteiro
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