Mostrar mensagens com a etiqueta •• Caderno - Ajuda à Missão. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta •• Caderno - Ajuda à Missão. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 22 de março de 2007

Balanço da missão em Angola

Olá a todos! Estou de regresso. Eu sei que não esperavam por mim tão cedo, mas cá estou! Não. Não estou, de forma alguma, a desistir do projecto de geminação que o Grupo Missionário Ondjoyetu tem entre mãos! Estou a querer dar de uma outra forma! Regressei, mas não desisti. Continuo a fazer parte do grupo e continuo a ajudar nesta missão, mas em Portugal, de uma outra forma!
A missão é realmente muito dura! Não são só rosas, como diria a nossa Soninha! São muitas adaptações, muitas mudanças, muitas diferenças, muito tudo! Há o outro lado, as rosas, obviamente! A missão é de facto linda! Quando estava com o povo do Gungo sentia-me realmente muito bem! É uma mistura de emoções! Aliás, vivemos com as emoções à flor da pele, os sentimentos…tudo! Eu gostei desta missão e principalmente das pessoas que a preenchem. Estas ficarão para sempre num cantinho especial do meu coração!
O balanço que faço desta minha missão, reduzida a seis meses, é positivo. Um pouco frustrante também. Frustrante, porque a construção da casa ocupou-nos a maior parte do tempo, o que não nos permitia trabalhar tanto com as pessoas nas nossas diferentes áreas. A construção é o objectivo principal deste primeiro ano de missão, mesmo assim, não deixou de ser desmotivante a falta de contacto com as pessoas! O importante é que a casa está de pé e os missionários vindouros poderão dedicar-se somente às pessoas e ao seu desenvolvimento nas várias vertentes.
A parte mais linda (tendo em conta que tudo na missão é lindo!) era, aos fins-de-semana, quando viajávamos até ao Gungo e trabalhávamos com as pessoas pelas quais me decidi a partir em missão! As imensas crianças, as mamãs, os catequistas, entre outros, com quem estabeleci relações muito simples e próximas de amizade! Desenvolvi muitas actividades com as crianças, dei formação a grupos de mamãs, na área da economia doméstica, formação com jovens e um pouco na área da saúde, realizando curativos simples (como no caso das gémeas, da foto), nas várias zonas por onde passávamos.
O que dei foi muito sincero e intenso. Poderia dar sempre mais, obviamente, mas o importante é que dei de mim aos outros e vice-versa! Há doze anos que faço voluntariado de várias formas e esta missão foi o culminar de todos estes anos. Irei continuar a dar e a receber, assim o espero. Finalmente, gostaria de apelar a todos os jovens a partilharem um pouco do seu amor com outras pessoas mais carenciadas dele! Acreditem, se for sincero, será uma partilha muito rica para ambos!
Uma mão cheia de sorrisos!
Catarina Bagagem
(catabagagem@sapo.pt)

Concerto Luís Represas - pela Missão


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Jipe já rola nas picadas do Kungo

Notícias da missão em Angola

A campanha "Um Jipe Para a Missão do Gungo" foi coroada de êxito com a recepção do veículo no passado dia 11 de Janeiro por parte da equipa missionária que se encontra a trabalhar na referida missão, na diocese do Sumbe, Angola. Foi um dia de verdadeira comoção e alegria.
A iniciativa foi lançada em Fevereiro de 2004 com o apoio de um filme que ilustrava a necessidade deste meio para a equipa que já então perspectivava a sua vinda para Angola em Agosto de 2006, no contexto da geminação das dioceses de Leiria-Fátima e Sumbe, que se vinha preparando desde o ano 2000.
Foi principalmente junto das crianças e adolescentes das escolas e catequeses paroquiais que se fez o apelo para esta colaboração com a "Campanha das Peças". Foram feitas folhas autocolantes cortadas em 50 pedacinhos, cada uma com o desenho de uma peça do carro. Cada pedacinho custava 0,50€ e tinha um espaço para ser colocado o nome de quem dava esse contributo. Cada pedacinho era colado numa outra folha em sistema de puzzle e assim ficava formada a peça que era normalmente o contributo de um grupo ou turma.
Também foi lançada a "Campanha do Parafuso" que constava da aquisição de um parafuso "para apertar as peças oferecidas pelas crianças". A contribuição era livre e em troca dela a pessoa levava um parafuso com uma mensagem. Estes mealheiros foram distribuídos em vários locais públicos, desde paróquias a cafés e bares.
Graças a Deus, as duas campanhas foram correspondidas, principalmente a das peças. Foram milhares de crianças e adolescentes que deram o seu contributo num gesto de generosa partilha. Isto também foi possível devido ao empenho de professores e catequistas.
Além destes contributos, também houve outros de pessoas que iam acompanhando a campanha. Assim se juntaram 13.000,00€.
Entretanto, em Janeiro de 2006 foi feito um pedido de apoio à MIVA, uma organização católica austríaca que apoia projectos em países em vias de desenvolvimento. O pedido foi devidamente explicado e justificado, tendo merecido a aprovação do apoio financeiro que ainda era necessário para suportar o custo total da viatura.
Este jipe é muito importante para a missão que este grupo missionário desenvolve no Gungo. Para assistir esta comunidade todas as semanas são percorridos entre 180 e 260 km (consoante o local a que a equipa se desloca), sendo muitos destes quilómetros por picadas em péssimo estado.
Até agora a esta equipa missionária tem valido o generoso apoio do Sr. Alberto Pinheiro que emprestou o seu jipe enquanto esperávamos por este que agora veio.
A bênção da nova viatura foi feita por D. Benedito Roberto no dia 12 de Janeiro no local onde está a ser construída a casa que também servirá de apoio à presença da referida equipa missionária de Leiria-Fátima no Sumbe.
E como veio para o trabalho duro da missão, já foi estreado neste fim-de-semana 13 e 14 de Janeiro com a ida à Chiala que fica a 120 km do Sumbe, sendo 25 de picada.
A todos os que de alguma forma colaboraram para a aquisição deste jipe ou para outras iniciativas do grupo missionário Ondjoyetu, um grande bem-haja. Que Deus a todos abençoe e recompense pela sua generosidade.
Pe. Vítor Mira

quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Pão para as crianças do padre João

Dê o seu contributo nesta campanha
Colabore na nossa campanha “Uma cesta de alimentos”, no valor de 10 euros por mês.
O padre João entregará às famílias que têm crianças a morrer à fome...


Desde Janeiro de 2006, já enviámos:
- Jornal da Golpilheira (18 cestas)
- Luís Miguel Ferraz (18 cestas)
- António Monteiro Rosa (17 cestas)
- António e Madalena Almeida (24 cestas)
- Manuel Carreira Rito (6 cestas)
- Maria do Carmo Lucas (2 cestas)
- Luísa Moreira (12 cestas)
- Anónimos (27 cestas)
- Supermercado S. Bento (4 cestas)
- Manuel Pinheiro Ferraz (1 cesta)
- Café S. Bento (3 cestas)

Inscreva-se nesta lista! Contacte:
- Centro Recreativo - Tel. 244 768 568
R. Baçairo, 856 - 2440-234 Golpilheira
- Pe. José Gonçalves - Paróquia da Batalha
- António Monteiro Rosa - C. Mil Homens

Uma iniciativa do Jornal da Golpilheira
Apoios: Paróquia Batalha • Rádio Batalha • CR Golpilheira •

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Carta do Brasil | Trabalhar com esperança

Estava para vos escrever quando apareceu o seu e-mail de Boas-Festas. Deixou-me feliz, obrigado! Espero que todos tenham tido umas felizes festividades do Natal, um bonito dia de Reis, com muitos presentes, e também a passagem do ano novo. Votos de que o 2007 seja ainda melhor.
Já me chegaram às mãos 3 nossos jornais. São sempre bonitos e bem elaborados. Cheios de notícias. Quando ele chega leio-o todinho. São bonitos os testemunhos sobre o trabalho em Angola e a ajuda a Liliana Silva...
Aproveito para agradecer as ofertas que me chegaram. Agradeço a todos que mandam ajudas, pois o povo aqui é carente, especialmente porque não há trabalho. Na cidade de S. Paulo chega gente de todo o Brasil procurando trabalho e, quando chega aqui, se torna bandido, porque não encontra trabalho e tem de viver de algum jeito. Vai para a cadeia e lá está melhor porque, pelo menos, tem tecto e alimentação e outras mordomias... além de aprender tudo o que lhe falta para aperfeiçoar a arte!
A esperança é a última que morre e agora esperamos que o presidente Lula, neste seu segundo mandato, consiga dar mais um passo em frente, ajudando a criar um país de verdade.
A toda a nossa boa gente, um abraço amigo e uma saudação cheia de paz, que vem do recém-nascido, Cristo Senhor. Adeus,
P. João M. da Felícia

Natal na Missão da Donga - Angola


No dia 20 de Dezembro partimos rumo à missão da Donga, para passarmos o Natal junto das pessoas pelas quais viemos. Há mais de 20 anos que aqui não era celebrado o Natal.
Saímos eram 10h00 e chegámos às 22h00. No tempo seco, fazíamos esta viagem em cinco horas. Foi deveras cansativa. A picada está cada vez pior e, progressivamente, ficou praticamente intransitável uma estrada por onde já passaram carros ligeiros. Cavar, empurrar, voltar a cavar, várias tentativas, lama e mais lama, ravinas, valas enormes no meio da picada, pedras, muita água e mais uma vez a pá, a catana, a picareta, a barramina, até a colher de pedreiro, tudo serviu para ajudar o carro a seguir o seu caminho. Chegámos!
No dia 21 de Dezembro, ainda com pouca gente, iniciámos as nossas actividades. Ao longo dos dias, o número de pessoas foi aumentando consideravelmente. Os padres Vítor e David orientaram o retiro dos catequistas, deram formação catequética às pessoas sobre o Natal, atenderam de confissão e presidiram à Eucaristia. A Vera dedicou-se mais ao atendimento na cantina da missão, proporcionando àquele povo o acesso a material escolar e medicamentos, quase inexistentes por estas bandas. Eu e a Sónia estivemos com as crianças, desenvolvendo várias actividades alusivas ao Natal, das quais, inclusivamente, nasceu um presépio. Ainda trabalhei um pouquinho com as mamãs e dei assistência realizando vários curativos simples.
O trabalho com as crianças não é de todo fácil. É um processo muito, muito lento. Existe uma barreira muito grande que nos separa. Essa barreira é a timidez, o medo, a novidade de alguém cuja presença não é habitual. As crianças falam muito pouco connosco, daí, por vezes, termos a sensação de que não estão a captar nada, ou que não estão interessadas, ou que não percebem, ou, por outro lado, absorvem tudo com todo o afinco, até os nossos mais ínfimos gestos…realmente ainda não descobri o que vai dentro de cada criança!
O certo é que trabalhámos em redor desta época que se vive. Falámos de Jesus, do presépio, das figuras que o circundam, desenhámos, pintámos e até esculpimos presépios em barro. Construímos um presépio na igreja e expusemos todos os nossos trabalhos.
O trabalho com as mamãs foi um "partir pedra", de onde saíram apenas umas lasquinhas. Apenas consegui reunir-me com elas uma vez. Depois, as mais velhas não falam português e as mais novas que o falam não conseguem traduzir para as mais velhas. As mais velhas ralhavam com as mais novas, por elas não traduzirem e estas riem-se. Eu ali no meio não percebia nada… enfim, dei o meu melhor. Tinha mais coisas preparadas, que não foi possível partilhar, mas as mulheres africanas não têm tanta disponibilidade. São elas que tratam da comida, de ir buscar água, cuidam das crianças, da roupa, da lavra, enfim, de tudo.
No dia 24 à tarde, realizámos um convívio, que constou do seguinte: teatro alusivo ao nascimento de Jesus, muito bem apresentado pelos catequistas; música com as crianças que cantaram e encantaram o público presente; momento de descontracção, com adivinhas, pequenas histórias e anedotas.
A nossa ceia, em família Ondjoyetu, e graças à Ana Bela, mãe da Vera, foi tipicamente portuguesa: desde o bacalhau, batatas cozidas com couves, azeitonas, tremoços, presunto, queijo, e até um bolo-rei estiveram presentes na nossa mesa.
A Missa do Galo foi o auge desta noite, dando vida ao momento litúrgico e mais importante desta época natalícia: o nascimento de Jesus.
O dia de Natal ainda foi passado com a comunidade, tendo nós regressado ao Sumbe no dia seguinte.
O Natal em Angola?
No mato, onde nós o vivemos, o que identifica esta época é mesmo a celebração do nascimento de Jesus. As famílias que têm algumas posses matam e comem um galo, para assinalar a festa. Não existe uma pontinha de Natal comercial.
Na cidade, já se vêem umas luzes e umas quantas árvores de Natal, mas o sentido é o mesmo, festeja-se em Eucaristia. Só os mais abastados é que se recheiam com ornamentos comerciais. Natal em simplicidade, vivido em genuinidade profunda!
Sempre juntos!
Tchauéééé!
Catarina Bagagem